terça-feira, 13 de julho de 2010

A sociedade devora seus filhos.

O terrível assassinato da Sra. Ana Eunice acontece no exato momento em que uma pesquisa sobre homicídios no Brasil posiciona o Acre entre os de menor índice de ocorrência desta espécie delitiva. Em termos proporcionais à população, o índice até caiu entre 1997 e 2007. O Governo nem pôde comemorar a estatística como sempre faz. O bandido "Carioca" não permitiu quando assassinou friamente, sem motivo algum, a mulher que manteve como refém durante horas.

Por não haver motivo algum para o assassinato, dado que em seguida o homicida se entregou tranquilamente se jactando do "desfecho honroso", a sociedade se pergunta estupefata: o que levaria um homem a tal atrocidade?

Não sou psicólogo, não sou polícia, não sou do ramo. Mas posso pensar que aquele indivíduo em seu ato macabro desafiou a sociedade. "Voces me terão, mas eu terei voces. Eu, desgraçado, preso, acorrentado... Voces, apavorados, trêmulos, mudos".

Mizael matou Mercia, Bruno matou Eliza, o "Carioca" matou Ana, a sociedade mata seus filhos.

2 comentários:

  1. Mais que isso, perceba o cenário que ele escolheu para a bárbarie: um bairro nobre de Rio Branco em detrimento da pseudoidéia de que só em periferia e favela a desgraça e as explosõpes de violência devem prevalecer... Ele subverteu totalmente a ordem. Também acho que ele quis dizer que nos tem a todos com seu revólver e sua faca, uma vez que no Brasil ninguém está seguro, com ou sem intervenção policial. Sinceramente acho que ele não mataria a um desgraçado pobre, por exemplo. Seria com o matar a si mesmo.

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  2. Não sei se ele escolheu uma vítima da classe média, afinal, estava em fuga. Mas concordo que o "desfecho honroso" só se deu por se tratar de uma pessoa situada acima dele próprio no plano social.

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