terça-feira, 31 de agosto de 2010

Acre e Feijó no Jornal Nacional

Depois de algumas dificuldades inerentes ao isolamento o JN da Globo conseguiu apresentar a reportagem sobre a cidade de Feijó no Acre. Superficialmente, convenhamos, mas suficientemente clara para que os brasileiros façam uma idéia de como são as coisas na terra do açaí. Minha sogra me ligou do Ceará em seguida para confirmar se o negócio é aquele mesmo. Respondi que é. Só não sei dizer se todos concordam comigo.



PS. No site da Globo de onde capturei a foto, seu título é: Índios Ashaninka vivem em situação precária

Competência é outra coisa.

Reinaldo Azevedo está imperdível analisando a incursão da dona Dilma no mundo dos negócios na década de 90.


A explicação escandalosa de Dilma para não ter conseguido gerenciar nem uma lojinha de R$ 1,99. Ela fornece dados mentirosos sobre a economia do país. Eu provo!

Ver Reinaldo Azevedo aqui

Morre mais uma vítima do chavismo

Já que na surdina, sem contar nem para os presos, nem para as suas famílias, nem para o Itamaraty, nem para a Igreja, nem para a TV do Edir Macedo, foi o Lula que negociou a libertação de presos políticos cubanos pelos ditadores Castro, bem que ele poderia ter dado uma mãozinha (na moita mesmo) a este coitado venezuelano que morreu ontem à noite em greve de fome, protestando contra a expropriação de suas terras (290 hectares) pelo regime chavista que por aqui tantos idolatram.

Franklin Brito, na foto, é o nome da vítima do governo de Hugo Chavez.




Mais detalhes aqui

Meia noite - a hora do espanto. E não é filme de terror.

A minha insônia sempre me leva a assistir ao Jornal da Globo e ontem não foi diferente. Melhor que deu pra ver a entrevista de 20 minutos com a dona Dilma que inapelavelmente será nossa presidente durante quatro anos e, creiam, nem mais um dia. Sinceramente, cada vez que a ouço mais me convenço de que Deus existe e existe muitas vezes para nos submeter a provações.

A dona Dilma não conseguiu responder uma perguntazinha sequer de modo inteligível e verdadeiro. Em todas optou por tergiversar, desviar e, por vezes, mentir. Tá certo que políticos de modo geral repondem o que lhe interessa responder. Lembro bem de Leonel Brizola, mas tem limite pra tudo. Não dá pra não responder. O que a candidata falou sobre os presos cubanos é uma brincadeira. Insinuar que o presidente Lula atuou para a libertação dos presos cubanos é de uma falsidade que nem o próprio ousaria. Os cubanos não sabem disso, a Espanha não sabe disso, a Igreja não sabe disso, o Irtamaraty não sabe disso, e nem os Castro sabem disso. O que foi revelado porque foi dito publicamente foi a comparação feita com os presos comuns. Além disso, somente a declaração do Lula de que não poderia se meter porque cada pais tem sua legislação.

E em relação às FARC's? Putz! Está todo mundo cansado de saber que o Governo brasileiro declarou publicamente que não considera o movimento como sendo terrorista nem beligerante nem ilegítimo. Me sair com aquela de diálogo... fala sério.

A entrevista pode ser vista aqui

Depois, minha mulher pergunta por que tenho pesadelo...

domingo, 29 de agosto de 2010

Quem está à frente nas pesquisas não frequenta debates.

Não está funcionando. Decididamente, o marketing do Serra não conseguiu vencer o bloqueio chamado Lula. A vaca indo pro prejo na propaganda e na campanha de rua nos estados, sobra o quê? Sobra o debate. Serra e Marina querem, mas a Dilma não. É sempre assim. Quem está na frente não quer se arriscar, quem está atrás se agarra ao que pode.

Temos ainda alguns debates nos quais a Dilma garantiu presença. Não é certo que vá, pois de vez em quando ela desmarca e, para quem está tão à vontade, faltar ao encontro não é problema. Desculpas e pretextos podem ser arranjados até de última hora.

O Serra, este sim, precisa muito dos debates. É ai que julga ser capaz de dar uma virada, sobrepondo-se à adversária, talvez até com alguma revelação surpreendente. Sabe-se lá. O fato é que em campanha decidida de véspera bate um desespero danado e os debates são a tábua de salvação. Com a eleição praticamente ganha no primeiro turno, imagino que os marqueteiros e auxiliares da Dilma devem estar pensando "arriscar pra quê? Deixem-no falando só."

Tudo isso é uma pena. Penso mesmo que os debates deveriam ser o principal momento da campanha. Nada de programas eleitorais maquiados e falsos, nada de bandeiraços, de cartazes, de comicios, nada de nada além de debates e entrevistas. Mas, infelizmente para alguns, quem está à frente só vai a  debate se for otário. É o que dizem por ai.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Por que ele não foi abortado?


Quando ouço coisas assim, quase concordo com ele. Há pessoas que não deveriam ter nascido.


Tem coragem? Veja isto. E ainda há quem defenda e peça seu voto.

Transferência de votos não é pra qualquer um nem de qualquer jeito.

Por falar em transferência de prestígio contabilizado em votos, no Acre, o politico de maior popularidade, o ex-governador Jorge Viana, que já entrou na campanha eleito para o senado juntamente com seu irmão Tião Viana para o governo, está com dificuldades para eleger seu companheiro de chapa Edvaldo Magalhães, que dava como certo que a campanha encangada seria suficiente. Não seria a primeira vez, dado que em 2002 o próprio Jorge, com a Marina Silva, tiraram do quase anonimato e elegeram Senador, Geraldo Mesquita Júnior.

O que acontece agora com o Edvaldo Magalhães que, pelo menos por enquanto, não consegue ultrapassar seu principal opositor, o deputado federal Sérgio Petecão? A estratégia é a mesma, deveria ter o mesmo resultado. Não é bem assim.

Penso que a transferência de votos como fenômeno político tem uma característica bastante peculiar, ligada ao candidato beneficiário, que é o status de seu nome decorrente de sua expressão e atuação política. Explico.

Se o candidato é retirado do anonimato, sem nenhuma popularidade, muito provavelmente a rejeição ao seu nome também é mínima, o que permite liberdade total para construção de uma personalidade politica capaz de atrair e vincular o voto ao do primeiro candidato. Mas quando se trata de alguém já posto na vida pública, mesmo que positivamente como é o caso de Edvaldo Magalhães, a coisa se complica porque no decorrer de sua trajetória ele não colecionou apenas apoio e admiradores mas também rejeição e adversários. Além do mais, sua personalidade política já está determinada. Não pode ser apagada e reescrita conforme o modelito adequado à eleição. Há quem goste e quem não goste.

Vejamos a eleição presidencial. Por que o Lula escolheu no dedaço uma desconhecida? Entre muitos motivos, creio que foi porque os políticos à sua volta, os velhos companheiros, todos eles apresentavam níveis de rejeição importantes. Seria dificil transformar uma Marta Suplicy, por exemplo, em uma presidenciável, embora ela tenha muito mais experiência política do que a Dilma. Isto explica também porque em São Paulo, berço do petismo e do sindicalismo, Mercadante amarga índices péssimos. São Paulo já conhece Mercadante, não dá pra repaginá-lo de uma hora pra outra.

Então, o que fez Lula? Buscou uma candidata politicamente nula, que pudesse ser modelada com o perfil necessário à transferência de prestígio, e assim fez. O primeiro toque foi o gerencial. Era preciso que tivesse capacidade administrativa, daí não se cansou nos últimos dois anos de lhe atribuir este predicado. A mulher que faz, que exige, que cobra, que realiza. O segundo toque, mais recente, foi o da afetividade. A mulher-gerente não poderia ser dura, masculinizada, então dá-lhe estética e marketing. A Dilma adquiriu além de um rosto suave, um sorriso tão permanente que parece plastificado. O terceiro foi a linguagem. A antiga rispidez deu lugar a frases mansas, medidas, refletidas e a gestos contidos. O quarto foi a da  mimetização que antecede a transferência, ou seja, ela precisaria ser parecida com o Lula, o que foi resolvido com a história de pai do povo e mãe do povo. Pronto. Está ai o produto "vendendo" como água.

Então, estamos sabendo. Se for transferir votos, escolha um poste e comece cedo.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

José Serra - o melhor presidente que não tivemos.

A não ser que um fato novo e superimportante aconteça, José Serra caminha para ser o melhor presidente que NÃO tivemos. O brasileiro no momento mais preparado, ex-deputado constituinte, ex-senador, ex-ministro do planejamento e da saúde, ex-prefeito da maior cidade brasileira, ex-governador do mais importante estado brasileiro, doutor em economia, ficha-limpa. Se eleição fosse concurso não tinha pra ninguém. Mas não é. Eleição é escolha. Para presidente do Brasil é a escolha de mais de 130 milhões de eleitores cujo julgamento nem sempre se baseia "nos autos".

Lula ganhará esta eleição para a Dilma transferindo-lhe o prestigio que conquistou ao longo de oito anos de governo. A popularidade de seu governo medida em notas de ótimo, bom e regular, o que me inclui, passa dos noventa por cento. Algo nunca antes visto na história do Brasil e, creio, na história de nenhum pais democrático.

Sua candidata, a dona Dilma, desconhecida até antes de ser chamada ao ministério do Lula e, em seguida, ser escolhida pelo dedaço do presidente que dispensou o partido, os aliados e os velhos companheiros, será a primeira presidente mulher do Brasil sem ter sido antes jamais votada sequer para síndica de edifício. Vem ungida pela fama de gerente, mas a rigor é apenas a escolhida. O que Lula consegue fazer nesta campanha faria com qualquer outro ou outra. Não está em jogo as qualidades da candidata. No check list do eleitor há apenas uma linha onde está escrito: Item 1 - Candidata do Lula.

Nem imagino como os marqueteiros e cientistas políticos explicarão o fenômeno, mas nestas eleições o presidente Lula transferiu para sua candidata até o efeito teflon de que se valeu durante as crises que enfrentou. Não é normal o que está acontecendo na cena política brasileira. Não pode ser.

Os analistas politicos sempre lidaram com cautela em relação à transferência de votos de líderes carismáticos para seus candidatos. Já se disse muitas vezes que tudo dependeria das condições, do novo candidato, do adversário e, mesmo assim, a transferência seria sempre pequena. Jamais seria absoluta. Estavam todos errados.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Extra! Extra! "Eles" estão chegando.

Não. Não conheço em profundidade as causas da violência. Não sei falar da questão da segurança como de outros assuntos. De violência eu entendo apenas o sentir e o sofrer. E sinto. Sinto muito que o Acre esteja enfim revelando-se de tal modo violento e perigoso.

Penso, contudo, que não se trata de um processo explosivo, agudo, como se de uma hora para outra os criminosos de prática e de mente despertassem para a ação, fazendo reféns, assaltando à luz do dia, invadindo casas e lojas, vilipendiando jovens e crianças, humilhando famílias, matando inocentes. Não há uma horda de assassinos saqueando uma cidade indefesa.

O que parece razoável afirmar é, por um lado, que o caldo de cultura em que se desenvolve a violência começa a produzir safra maior e frutos mais podres e, por outro, que por alcançar as classes mais abastadas, já não é possivel escondê-la.

Lembro que ouvi por diversas vezes de um dono de jornal em Rio Branco, em 2006, que a noticia que mais incomodava o governo era a violência e, por isto, seus meios de comunicação privilegiavam este tema enquanto todo o resto da mídia, aliada ao governo, se dedicava às boas noticias.

Ocorre que enquanto a violência diária se restringia aos bairros periféricos a sua repercussão era mínima. Muitas vezes a vítima até se confundia com o criminoso. Era coisa "entre eles", e "entre eles" ficava. Agora mudou. A cidade cresceu, o consumo e tráfico de drogas inundou a cidade, o desemprego de entrada no mercado de trabalho não teve solução e a coisa mudou. A violência da periferia transbordou para o centro nos pegando de calças curtas. Agora é entre eles e nós. Dai a revolta, a tristeza, o medo.

Não sei se o aparato de segurança do Acre é suficiente em número, em qualificação, em equipamentos, em recursos financeiros. Talvez até seja. Já disse antes que não entendo muito de violência. De qualquer modo, é certo, não está correspondendo às necessidades. Se é assim, quantos mais homens e equipamentos e recursos e tecnologia e inteligencia e gestão serão necessários? Os comandantes dirão.

Talvez seja a hora de, por outro lado, pensar também em quantos empregos e empresas e terra e agricultura e indústria e cursos e recursos e infraestrutura e investimento produtivo e esporte e cultura serão necessários para que "nós e eles", sem distinção, possamos viver minimamente em paz.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Fugindo com medo das alminhas?

Marina Silva fala do aborto


José Serra fala do aborto


Dilma foi ver o Pato Fu




Aconteceu ontem, promovido pela Igreja Católica e transmitido pela TV Canção Nova, um debate entre os presidenciáveis. A Candidata Dilma faltou. Segundo a imprensa, apesar de alegar problemas de agenda, estava vendo vídeos do Pato Fu, um grupo musical mineiro.

Do que teve medo a Dilma? O tema bicho-papão que assusta a Dilma é o aborto. Ela certamente julgou que defender o assassinato de fetos na casa dos bispos não a ajudaria. Mesmo com aquela cantilena de que nenhuma mulher é a favor do aborto e coisa e tal, muito provavelmente ela sairia dali sem a bênção dos padres.

Este é, aliás, um dos poucos pontos em que os candidatos se diferenciam totalmente. Cada um pensa de um jeito. José Serra é contra, quer que a legislação fique como está, ou seja, ressalvando os casos de anencefalia e de estupro e de ameaça à vida da mãe. A Marina é pessoalmente contra, mas defende um plebiscito, como se a vontade de pessoas submetidas à campanhas publicitárias fosse suficiente para determinar tudo que é bom e o que não é bom para a sociedade. A Dilma é a favor porque entende que se trata de uma questão de saúde pública, assim como a hepatite e a dengue.

O aborto é uma questão politica grave e não mera questão de fé como querem fazer parecer os abortistas e as abortadeiras. Se vencer a descriminação do aborto como quer a Dilma e aceita a Marina, o estado terá que aparelhar seus hospitais para realizarem a carnificina diária de filhos de mães irresponsáveis. É, portanto, uma questão da qual não se pode fugir na campanha eleitoral.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

A ZPE do Acre. Exportar o quê?

A ZPE - Zona de Processamento de Exportações do Acre, criada recentemente no município de Senador Guiomard, se tranformou na grande novidade não apenas do governo, como das próprias eleições, já que foi introduzida com força no Plano de Governo do candidato Tião Viana, o que repercute imediatamente nos discursos também da oposição, seja pela desconfiança quanto à sua instalação, seja pela dúvida em relação aos seus reais efeitos sobre a economia local.

O Governo atua de modo célere. Em tempo recorde até criou a empresa responsável por sua implantação. Os empresários estão alvoroçados e a população em expectativa. A  campanha eleitoral anuncia: Vêm ai o Tião Viana e a ZPE. Estes são, no horizonte, os fatos que mais animam a sociedade.

Penso que é necessário esclarecer um pouco melhor esta perspectiva que alguns reputam redentora. A primeíríssima pergunta que se faz no Acre diz respeito aos produtos que serão industrializados e exportados, afinal, a indústria é pressuposto da existência de uma ZPE, lembrando que neste caso a empresa tem que exportar 80% do que produzir. Afinal, quais produtos acreanos serão industrializados e exportados?

Por enquanto as respostas são vagas, genéricas. Em textos do próprio governo consta que "produtos de base florestal"  são o foco da ZPE, o que nos leva a deduzir que estamos tratando basicamente de madeira, castanha e borracha que são os que alcançam escala compatível. Mesmo assim, em termos. É muito pouco.

Tenho como certo,  acompanhando uma série de especialistas no desenvolvimento econômico, que o sucesso ou fracasso de uma ZPE depende da economia a ela associada. Não esqueçamos que a causa mesma da existência do modelo é o aproveitamento de vantagens comparativas. A maximização dos efeitos positivos decorre da utilização dos recursos abundantes localmente que, desonerados de impostos, podem ser exportados de modo competitivo.

Surge ai uma questão que me parece razoável apresentar. Não seria este o momento certo para que no Acre fosse implantada uma forte economia de base agroindustrial? Penso e proponho aos interessados que a exploração agrícola, através de um  pólo de fruticultura tropical é capaz de, sem promover novos desmatamentos, dinamizar a economia regional fixando a mão-de-obra no campo, diversificando a produção e criando uma nova classe média rural com todas as ligações para trás (backwards linkages) inerentes ao desenvolvimento do setor.

No noticiário e em documentos a que tive acesso, não consta esta perspectiva, pelo menos não de modo claro. Aguardemos.

Nós, os filhos da mãe!

"Deixo em tuas mãos o meu povo e tudo o que mais amei/
mas só deixo porque sei que vais continuar o que fiz/
o país será melhor e meu povo mais feliz/
do jeito que sonhei e sempre quis/
As mãos de uma mulher vai nos conduzir/
O meu povo ganhou uma mãe que tem um coração que vai do Oiapoque ao Chuí"

Se voce imaginou que o texto acima é o discurso de um santo que passa o cajado para uma nova santidade juntamente com a tarefa de guiar o povo em sua caminhada rumo ao paraiso, errou. Por pouco, mas errou. É o jingle da campanha da Dilma, querendo dizer que voce vai trocar de guia, de pai e de senhor que são três em um só, mas vai continuar sendo guiado.

Sintomático na letra é que o guia "só vai deixar" o povo nas mãos da dita porque sabe que é pra continuar. Pergunta-se: Se não fosse, ele não sairia do lugar? Fico imaginando que é por isso que o "santo" venezuelano vai ficando até mofar. É por que não encontrou a quem entregar o cajado e a missão.

Isto tudo significa que o brasileiro está dispensado da política. Não precisa escolher, não precisa se procupar com a saúde, a segurança, a educação, as oportunidades de emprego, a aposentadoria, o salário, o tráfico de drogas que bate à porta, a degradação ambiental, enfim, com nada. O povo brasileiro, assim imbecilizado, está prestes a "ganhar uma mãe". Seremos todos filhos da mãe. É o que basta.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Esgotamento sanitário - o Acre é o terceiro na região.

Pesquisa do IBGE (ver aqui) demonstra que o Acre está em 19º lugar entre os estados brasileiros e em 3º entre os estados da região Norte no percentual de domicílios que dispõem de rede geral de esgoto. O índice não é exatamente uma maravilha (10,1%), mas serve de consolo em comparação com outros estados da região. Rondônia é o último do ranking brasileiro. O Distrito Federal é o primeiro.

Na média, apenas 44% dos domicílios brasileiros dispõem dos serviço, o que dá uma perspectiva da grande tarefa que incumbe ao poder público em relação a um serviço básico da maior importância para a saúde das pessoas.

Infantilização da sociedade, por Sandro Vaia

Querem ler um excelente artigo sobre a campanha eleitoral? Dêem uma olhada no texto do jornalista Sandro Vaia ai ao lado, no Blog do Noblat. Abaixo, um trecho.

"A despolitização da política e a infantilização do País , com a dedicada ajuda do presidente que quer tratar uma nação como a mãe trata os filhos,dos marqueteiros,dos analistas políticos que abominam a exposição e o debate das diferenças,estão tratando de tornar a eleição onde se decide o futuro do País numa fantasia onde 135 milhões de eleitores são convocados a brincar de casinha."

Em campanha, quando o moral baixa a moral se revela.

Um dos efeitos das pesquisas eleitorais (por isto elas são manipuladas) é a derrubada do moral da tropa, por assim dizer. Candidato em tendência de queda é candidato praticamente derrotado, como na profecia que se autorealiza. Lembram da analogia do banco, né? Se o boato for consistente de que o Banco do Brasil vai quebrar, ele quebra. Inapelavelmente. Na campanha é a mesma coisa.

Nos últimos dias, após a divulgação de pesquisas em que o Serra aparece caindo enquanto a Dilma aparece nos píncaros, não apenas o moral da tropa tucana foi derrubado, como a moral de muitos tucanos está sendo revelada.

O caso mais emblemático parece ser o de Minas Gerais, o segundo colégio eleitoral do país, onde o candidato tucano à sucessão do grão-tucano Aécio Neves, Antonio Anastasia, já admite minimizar as aparições de Serra em seu programa eleitoral. Isto sob o olhar complacente do seu tutor, "previamente eleito" ao Senado. O pragmatismo eleitoral, já ouvi muito falar, é que preside as decisões da campanha. Pode ser. Pelo noticiário, parece que os casos se multiplicam. Serra que se cuide.

Combate às drogas. Uma questão realmente de Estado.

Penso que o candidato José Serra marcou ponto em seu programa de ontem ao abordar a questão das drogas, em especial o crack. Se os dados estão certos, os usuários no Brasil já alcançaram a casa de um milhão de pessoas. É muita gente se matando no consumo e no tráfico de drogas que são produzidas nos países vizinhos, principalmente Colômbia e Bolívia.

Ao invés de despolitizar a campanha eleitoral numa espécie de concorrência para ver quem pode ser a mãe ou o pai do brasileiro, os candidatos deveriam se concentrar em temas como este. Identificar o problema, dimensioná-lo, estudar suas causas, seu ciclo e suas consequências para propor medidas de enfrentamento é que dá razão ao discurso político. A questão das drogas é sim uma questão de Estado, portanto, alvo legítimo de uma campanha presidencial. Infelizmente, para variar, o que mais repercutiu na imprensa hoje foi o segundo gasto com a aparição do Lula no programa do Serra como recurso de marketing. É o Brasil.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Marina Silva, Dilma e a infantilização da sociedade brasileira.

Quem levantou o tema foi a Marina Silva, ontem no debate do UOL, e tem enderêço certo. A dona Dilma, por obra e graça dos seus marqueteiros de repente ficou meiga e não fala mais de política. Agora diz que vai cuidar de nós, que será a mãe do povo.

Esta ideía da dona Dilma de ser a mãe do povo brasileiro demonstra a que grau chegamos na despolitização da sociedade brasileira. Na eleição mais importante do Brasil, ao invés de ficarem claras as posições de cada candidato e de politicamente se diferenciarem, justamente aquela que parece favorita me acena com um lenço sem cor dizendo que quer ser minha mãe. Peraí. Tem limite para o apelo ao coração do eleitor. Que esculhambação é essa? Tá certo que em se tratando do Lula, o povo nem pensa, não lembra, não soma, não multiplica, não faz conta nenhuma, não raciocina, simplesmente torce a favor, como se fosse a seleção brasileira, mas basta o Lula.

O brasileiro precisa que a Dilma convença-o de que tem mais preparo para cumprir a missão que incumbe ao próximo presidente e só. Mãe ele já tem, e se não tiver, certamente não será a Dilma. Acho esse negócio de uma despolitização atroz.

Desse modo a dona Dilma se dispensa de explicitar seu alinhamento político que vai do MST aos Sarney, da CUT ao Collor  e vai passando adiante, transformando cada um dos eleitores em criança a ser cuidada, como bem sugeriu a Marina Silva. Temas importantes como a questão ambiental, por exemplo, ficam esvaziados. Quem quer saber de mudança climática ou de economia de baixo carbono se a mamãe Dilma está cuidando de nós?

Com esta, Marina deu a sua maior contribuição à eleição até agora. Espero que o tema prospere e traga a eleição para seu eixo lógico.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

PEC 300 - os policiais foram enganados.


Voces viram no Jornal Nacional e nos outros. A coisa é séria. De ontem pra hoje, a Câmara dos Deputados resolveu, obedecendo orientação do governo, dar um chega pra lá nos policiais e mandar pras calendas a votação da PEC 300, criando um clima de insatisfação perigoso para a segurança pública. O deputado acima foi relator da PEC 300.

Na verdade isto nunca, veja bem, nunca, esteve em cogitação. O que aconteceu foi que alguns deputados policiais militares, obviamente ligados à corporação, identificaram ai uma mina de votos em ano eleitoral. Fizeram reuniões, arranjaram aliados também interessados nos votos dos quartéis e danaram-se a realizar assembléias nos estados, manifestações etc. Os policiais se organizaram, o movimento pegou corpo e cresceu, mas do outro lado, o governo federal jamais cogitou arcar com o ônus financeiro correspondente. São bilhões de reais que o governo não dispõe. Nenhum governo.
A questão é simples. Não há grana. Mas não tiveram coragem de amarrar o guizo no pescoço do gato e foram empurrando com a barriga, até que agora a corda quebrou.

Não há grana para o piso nacional dos policiais, nem para os enfermeiros, nem para a criação de uma policia penal, assim como não há grana para uma infindável corrente de categorias que seria puxada por estes aumentos. Por que um policial teria 3.500 reais como piso enquanto um professor com nivel universitário e 30 anos de carreira não ganha 2.000 reais sequer? Sei. No acordo, os valores haviam sido retirados do texto por inconstitucionalidade, mas é certo que foram mantidos enquanto expectativa de vencimentos, portanto desencadeiariam uma progressão inadministrável de demandas em todos os setores.

Basta isto para demonstrar que esta é uma luta sem futuro. E os deputados sabiam disto quando insuflaram o movimento. Nenhum deles acreditou de fato que um soldado viesse a receber em inicio de carreira este valor, ou que um oficial recebesse inicialmente 7.000 reais. O que ocorreu foi puro oportunismo eleitoral. Agora, estamos prestes a ver uma reação sem precedentes.

O que acham que poderá acontecer se no Brasil inteiro, de forma organizada, os policiais resolverem cruzar os braços, ou fazer uma operação padrão, daquelas em que o sujeito está mas é como se não estivesse em serviço? Se com eles trabalhando e morrendo a cada dia estamos nas mãos da bandidagem imagine...

Debate no UOL - duas contra um e o veneno da Marina.

Vimos hoje no UOL (aqui) o melhor debate entre os candidatos à presidência ocorridos até agora. Com perguntas entre si, de internautas e de jornalistas, os candidatos puderam ser mais claros e, por vezes, mais incisivos. Os rostos começaram a se apresentar sem a maquiagem de sempre. As palavras foram mais duras, as acusações mais diretas. As defesas, idem.

Dilma e Marina trocaram gentilezas até quase o final na estratégia "Eu levanto e voce corta. É ponto e vamos pro abraço." Serra foi direta e indiretamente atacado pelas duas e atacou a Dilma e o PT. Creio que a Marina Silva, certamente influenciada pelas últimas pesquisas, parece identificar no Serra o adversário. Talvez achando que poderá ultrapassá-lo. Não creio.

A mais interessante criação do debate foi da Marina Silva que, como se sabe, é uma frasista de carteirinha. Seu bauzinho de neologismos e frases de efeito é fundo. Talvez para contrabalançar sua postura no debate, foi à Dilma que dirigiu a flecha mais venenosa, quando tratou muito rapidamente, mas com efeito, da tentativa de infantilização da sociedade, que é a estratégia eleitoral que a dona Dilma emprega de ser a mãe do povo sucedendo o pai dos pobres e que pode, se devidamente explorada, lhe criar problemas. Serra, por sua vez, experimentou do veneno da Marina quando ela se referiu à favela virtual do programa de TV do Serra.

Dado seu maior alcance, se nos próximos debates nas TV's a forma adotada seguir a mesma linha e os candidatos não se escudarem no bom mocismo, os efeitos podem ser realmente interessantes e promover algum efeito prático na preferência do eleitorado.

O entrevistado é visita - trate-o bem.

Não sou jornalista. Não tenho as qualidades necessárias e menos ainda a formação e o treino. Mas, leitor compulsivo e compulsivo escrivinhador, me atrevo a opinar por minha própria conta neste bloguinho que graças ao avanço da ciência está à minha disposição, assim como tantos outros que fazem a voz de milhões de cidadãos em todo o mundo. Hoje, só se cala quem quer, ou precisa, ou é pago pra calar.

Atento que sou à política, acompanho com muita atenção os debates e entrevistas com candidatos, tanto na TV quanto nas rádios e, por vezes, na internet. Algumas coisas dá pra perceber com clareza sem, com isto, estar ultrapassando os limites das sandálias. Em debate, o mediador controla, promove o equilíbrio, mantém os termos previamente acertados. Em entrevista, o entrevistador pergunta e pede esclarecimentos, mesmo que sejam impertinentes, invasivos, impróprios, ou, inversamente, bajulatórios. O entrevistador não tem direito à réplica, tem oportunidade de pedir esclarecimento ao que lhe parece confuso.

Em anos e anos assistindo religiosamente aquele que foi, antes de se tornar oficialesco, o melhor programa de entrevistas da televisão brasileira, por onde passaram os mais importantes jornalistas e figuras públicas, o Roda Viva, jamais vi um entrevistador-militante. Mesmo quando o sujeito é um militante dos mais engajados, na qualidade de entrevistador o militante despe a camisa de sua causa e procura, no máximo, extrair do entrevistado alguma contradição ou "derrapada" da qual possa tirar algum benefício. Mas não o confronta, nem sequer o enquadra, não o constrange.

Ocorre porém, nos cafundós do Brasil e, às vezes, em praças mais evoluídas, que antes de iniciar a entrevista o entrevistador veste-se, da botina ao boné, com a farda militante e encara o entrevistado como um sujeito a ser abatido em favor da causa, transformando assim, a entrevista, em caça ao inimigo. Se o entrevistado perceber que está sendo caçado e tiver calma e lucidez suficientes naquele momento, pode em poucas palavras amansar o bicho-militante com ironia, pondo-o no seu lugar de entrevistador. Se, porém, resolver arreganhar os dentes e devolver o ataque, a entrevista se transforma em ringue de onde ninguém sairá ileso.

Isto tudo, é claro, se refere ao recente episódio envolvendo o jornalista Demóstenes do Nascimento e o candidato ao Senado, economista, professor João Correia Lima Sobrinho, no Acre. O Demóstenes, que pode até ser um bom repórter, atuou desde o incício como militante, tentando controlar as respostas do entrevistado, inibindo-o em seu direito à crítica. Ora, não importa se as críticas do João são ou não infundadas, ele que vá se entender com o eleitor. O João, por sua vez, poderia, serenamente, fazer o entrevistador entender o seu papel, mas escolheu promover o antagonismo e, com isto, elevou o entrevistador a debatedor que, despreparado, iniciou a agressão verbal quando acusou o entrevistado de DESEQUILIBRADO, o que não deixa de ser um insulto. Daí em diante, a razão virou fumaça.

É claro que o corporativismo, também misturado com o militantismo, saiu em defesa do jornalista-militante. Seria demais esperar o contrário. Mas os políticos... Estes não tem por que deixarem de se solidarizar com o João. Mesmo seus adversários, pois o que está em jogo neste momento, mais que a disputa momentânea e a equidade no tratamento que se dá aos políticos, é a liberdade de expressão. O entrevistado não pode ser obrigado a dizer aquilo que o entrevistador acha razoável ser dito. Se, por acaso, cometer alguma bobagem, que a população o penalize e pronto. A entrevista é para expor e esclarecer, não para censurar, conter, reprimir, constranger.

Que deste evento lamentável resulte um aprendizado. Na forma de entrevistado, até o inimigo é visita. Cumpre ao entrevistador os deveres de anfitrião.

Mais pesquisas e mais "acasos do acaso".

O blogueiro Lucio Neto (aqui ) mais uma vez identifica "acasos" na amostragem da pesquisa eleitoral. Desta vez foi o IBOPE. É como ir perguntar na torcida do flamengo qual o time de sua preferência. Abaixo, um trecho:

"Eu fico envergonhado pelo Ibope, Rede Globo e Estadão. Eles não ficam, mas acho que quem tem vergonha na cara ficaria. Como é que eles têm a coragem de publicar uma pesquisa totalmente mentirosa como essa última? Não se trata mais de falta de respeito ao telespectador e ao leitor não. Trata-se de um crime contra o consumidor. O consumidor está sendo lesado no seu direito. Onde está a OAB? Cadê o Ministério Público Federal? Ninguém diz nada?

Eu tentei analisar para passar os dados a você leitor. Mas, confesso, que o estômago embrulhou ao constatar o resultado do Rio Janeiro. Fui direito no Estado do Rio, porque a Região Sudeste é o calcanhar de Aquiles do Zé Serra e tinha certeza que a mutretagem seria muito forte nesse Estado.

Fizeram 224 entrevistas em 14 cidades, sendo 5 administradas por petistas e 7 administradas por coligados. E apenas UMA do PSDB e ZERO de coligados"

Mitos e fatos da eleição por José Roberto de Toledo

Uma boa análise da campanha eleitoral pode ser vista aqui. É de José Roberto de Toledo, um jornalista de primeira linha, coordenador da Abraji, especialista em RAC - reportagem com auxílio de computador. Neste texto ele analisa 9 mitos e fatos sobre a eleição.

Veja um trecho:

Mito 8: pesquisa define eleição.

Fato: pesquisa influencia eleição, mas não a define.

As pesquisas de intenção de voto influenciam o espaço de cada candidato na cobertura de imprensa, se eles participam ou não de debates, o quanto arrecadam de financiadores de campanha, o moral dos comitês e dos militantes. Mas não determinam quem ganha ou perde. Fosse assim, não haveria viradas. Quem saísse na frente ganharia sempre.

Boa leitura!

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Demóstenes - nome não é destino.

Pela transcrição da fita da gravação que acabou em safanões, é obvio que o entrevistador pisou na bola. Coisa jamais vista. Portou-se como membro de partido, como pitbull do governo, o que, convenhamos, o desqualifica completamente para conduzir uma entrevista. O João Correia merece, isto sim, o pedido de desculpas da emissora e de todos os jornalsitas do Acre. E também a solidariedade dos políticos acreanos. Desta vez foi o João, na próxima...

Creio mesmo que cabe ao João, em vista da repercussão do fato em TV's e jornais nacionais, pedido de reparação perante a justiça. Danos morais relevantes foram causados à imagem do candidato.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Debate temático sobre o aborto. Enfim, a CNBB no seu quadrado.

De acordo com a Folha de São Paulo, a CNBB está propondo aos candidatos Dilma Rousseff, José Serra, Marina Silva e Plínio de Arruda Sampaio, um debate sobre o aborto a se realizar em 23 de setembro. Marina e Plínio já confirmaram. Os dois que estão à frente nas pesquisas eleitorais ainda não disseram se topam. Espero que sim.

Este pode vir a ser um debate realmente muito interessante. Em primeiro lugar porque é temático, objetivo, de modo que os candidatos podem se aprofundar no tema e expor com clareza suas posições. Em segundo, porque a Igreja Católica que se revela militante em relação a muitas coisas que estão além da sua missão, enfim, faz o seu dever de casa. O aborto é, por todos os motivos, um crime contra a humanidade e uma afronta inaceitável à fé católica.

De um modo ou de outro os candidatos já se posicionaram. A dona Dilma, quando assinou o PNDH-3 afirmou a sua posição favorável à liberação do aborto que, segundo os dementes abortistas, não passa de uma questão de saúde pública. A manutenção da vida intrauterina é uma escolha da mãe e o estado deve respeitar isto se aparelhando para atender as homicidas à medida que for solicitado.

A Marina é pessoalmente contra, mas sugere que um plebiscito resolva a questão. Penso que isto retrata apenas a sua vinculação a setores "modernizantes" da sociedade brasileira que teimam em descriminar aquilo que eventualmente praticam - abortos e consumo de drogas.

O José Serra é contra. Segundo ele a legislação atual deve ser mantida. Já disse certa vez que a liberação do aborto significará uma carnificina á medida que facilitará e, por isto, induzirá o assassinato de fetos no Brasil, especialmente aquele mais pobre e menos informado.

Muito bom que a Igreja ao invés de insistir na idiotice da limitação da propriedade da terra, se preocupe de vez em quando com assuntos que verdadeiramente fazem parte de seu mister.

DATAFOLHA, IBOPE e amostras nem tão honestas quanto parecem. Resultados, idem.



Tempo de eleições é tempo de luta. Às vezes com armas desiguais, com golpes baixos, com traições e abusos do poder. Talvez a mais contundente de todas elas seja o uso das pesquisas eleitorais que atuam nos três M's, a saber: M de Money - o dinheiro corre como rio cuadaloso para quem está na frente. M de Mídia - a mídia de modo geral concentra-se e supervaloriza prognósticos favoráveis a quem está na frente retroalimentando a tendência. M de Moral - baixos indicadores abatem  o moral dos apoiadores, da equipe, por vezes, do próprio candidato, enquanto o inverso acontece com quem está na frente.

Um certo blogueiro (Lucio Neto) vem acompanhando com lupa as pesquisas divulgadas para presidente da república e identificando fornas sutis de manipulação. Segundo o Lucio Neto, a última pesquisa do DATAFOLHA não foge à regra de estranhezas e coincidências que marcaram as anteriores. Vale muito a pena dar uma olhada em sua análise aqui. O quadro acima é dele. Em síntese, demonstra que "por acaso" a amostragem do DATAFOLHA entrevistou três vezes mais municípios governados pelo PT do que municípios governados pelo PSDB.

domingo, 15 de agosto de 2010

O diabo em festa.

Está ficando como o diabo gosta. No Acre, entrevistador e entrevistado trocam sôcos e pontapés, no Maranhão, mais uma vez o lançamento de livro Honoráveis Bandidos (sobre os Sarneys) vira pancadaria e confusão, a revista Época traz reportagem destrinchando a participação da dona Dilma em ações que incluiam dinheiro obtido em assaltos e uso de armas, a revista Veja traz uma reportagem com Wagner Cinchetto (ex capa-preta da CUT) esclarecendo um pouco do submundo sindical posto a serviço de campanhas eleitorais - tramas contra o Lula, Serra, Ciro Gomes e Roseana Sarney, o Estadão denuncia operações fraudulentas da Rosena Sarney com o Banco Santos. Certamente a coisa não pára nisto. Em cada estado alguém está ou estará sendo "linchado" por estes dias.

Incólume a tudo isto, o Presidente Lula paira tranquilamente nas nuvens da popularidade. De uma hora pra outra ficou hipersensivel. Como diz um amigo no Acre, "está chorando mais do que mulher apartada". Mas neste caso deve ser de alegria. Sua candidata só perde esta por acidente de percurso.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Campanha Nacional pelo Limite da Propriedade da Terra. Está faltando camisa de força.

Está indo pro brejo a campanha liderada pelo Forum Nacional Pela Reforma Agrária e Justiça no Campo, propondo um referendum para a limitação da posse da terra em 35 módulos fiscais. Desde 14 de junho apenas 1.673 pessoas se encorajaram a assinar o manifesto, embora, segundo os autores, seja uma campanha que conta com o apoio de mais de 100 organizações sociais, incluindo a CNBB. Mais de 7.000 curiosos como eu foram lá ler o documento-manifesto. A maioria não assinou.

O texto sugere que a terra é um bem natural, mais ou menos como o ar, que não pode ser apropriado além da conta que o nariz pode respirar, entende? Se a idéia vingasse, sem mais nem menos, toda o agronegócio brasileiro, pecuária no meio, desapareceria como por encanto. Em seu lugar, dividindo vacas, plantações, pomares, silos, armazéns, tratores e caminhões surgiria o homem liberto pela parte que lhe cabe neste latifúndio. Não é uma maravilha?

Esses caras ainda vão terminar querendo tomar o meu puff!

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Serra no Jornal Nacional - a serenidade dos sábios.

Pode-se dizer até que o casal Bonner pegou leve com o Serra, mas ia pegar mais pesado como? O homem não tem rabo de palha, saiu dos cargos que ocupou com altíssimos índices de aprovação, nunca foi acusado de corrupção... vai ser acossado de que jeito? Lembraram que ele "esconde" o governo anterior e que tem o apoio do PTB e do Roberto Jefferson (aquele do mensalão), falaram de pedágios nas estradas, do vice... Era o que tinha, ora. E ele se desvencilhou de todas facilmente, sem fugir das perguntas, respeitando o tempo que tinha e a posição dos entrevistadores. Me fez lembrar a campanha do "gentileza gera gentileza".

A diferença abissal de competência entre o Serra e os demais candidatos é sobejamente reconhecida. A questão nem é mais essa. O problema do tucano é que só isso não ganha eleição. No Brasil de Lula as coisas são bem mais complexas. Os milhões de brasileiros que adotaram o ex-operário como credor em função da melhoria que ocorreu em suas vidas nos últimos anos resistem a lhe dizer um NÃO. O povo costuma ser grato no curto prazo. Se o Lula diz que é a Dilma, então é a Dilma. Às favas com a razão, com a capacidade, com a experiência. O Brasil está embriagado de Lula, dificilmente deixará de dançar e pular, nem que o resultado final venha a ser um tombo daqueles.

Carta a um anônimo.

Recebi um comentário ao post anterior que escolho responder em carta aberta. Vai abaixo.

"Valterlucio
Lhe admiro e acho que nós no Acre perdemos um bom profissional e excelente caráter quando vc foi embora. Mas vc era oposição ao PT e agora praticamente não tem falado da disputa no Acre. Por acaso deixou a oposição? "


Caro leitor anônimo.

Em primeiro lugar, obrigado pelo elogio. A sua indagação me permite esclarecer uma inquietação que já me foi transmitida por outras pessoas.

Quando desde o inicio me opus à "florestania" como núceleo de um projeto de desenvolvimento adequado às necessidades do Acre, o fiz como profissional que trabalhou, estudou e conhece razoavelmente a questão do desenvolvimento. Aquela história de neo-extrativismo sempre pareceu neo-atraso e por isto me contrapus fortemente a alguns colegas, gente da melhor qualidade moral e ética que por acreditarem em suas formulações insistiram e implantaram o projeto, o que partidariamente significou a minha oposição ao PT, principalmente.

Nos saudosos anos em que morei no Acre e mesmo depois realizei uma luta que procurava formular uma alternativa ao intinerário que desconfiava não alcançaria seus objetivos. Este era o campo onde com Everaldo Maia, Leila, Regina Kipper, Weliton, Said Filho, Josué Fernandes, Airton Rocha, Mastrângelo, Carlitinho e muitos outros, eu, digamos assim, militava politicamente. Mais do que uma sigla em que estivesse filiado, o que me mobilizava era formular uma alternativa ao desenvolvimento econômico do Acre que superasse a florestania sem fazer tábua rasa da questão ambiental. Infelizmente este processo foi interrompido de forma violenta como todos sabem.

Tenho observado que os anos de experiência do modelo me dão razão. Tanto que de frente para o espelho, a florestania dos anos 90 não se reconhece mais. Mudou. E tem que mudar mais ainda se quiser efetivamente alcançar seus objetivos e, politicamente, manter a hegemonia que conquistou. Penso mesmo que seus líderes já percebram isto. Estão ai, evidentes, os sinais da inflexão no sentido de propostas muito mais eficazes do ponto de vista da dinamização da economia regional.

A florestania mudou. Seus próprios idealizadores reconhecem e, em alguns casos, até reclamam disto. E a oposição, mudou? Não mudou. As tentativas de mudança lideradas por Marcio Bittar foram infrutíferas, perderam-se no cipoal de vaidades, disputas pessoais e carreirismos. Ele próprio quase foi limado pela mediocridade prevalecente. Fora disso, o que tivemos?

Recentemente, em uma entrevista, quando perguntado sobre um projeto para o Acre, um candidato da oposição entendeu que se tratava de um monte de papel e não de uma concepção de desenvolvimento, de uma visão de mundo, de um perspectiva de Estado. No fundo, nem sabem do que se trata.

Já disse antes. A oposição como um todo foi tão lerda na formulação de uma alternativa que a FPA teve tempo de fazer uma crítica interna, não pública, e através de vários mecanismos de gestão realizar uma espécie de reformulação, tomando da oposição seu discurso e suas bandeiras e anulando parcialmente, pelo menos, sua capacidade de formulação e crítica.

Há na oposição quem pense que ganha eleição de dedo em riste apontando defeitos e problemas, mas com a outra mão vazia. Não dá. Não dá pra aceitar o modelo do mulateiro.

Portanto, meu amigo, não me cobre adesão ao nada.

Um abraço fraterno.

Marina no Jornal Nacional - admirável.

Posso não concordar com muito do que pensa a Marina, especialmente em relação ao alarmismo na questão das mudanças climáticas, suas causas e a forma de mitigar seus efeitos, mas sou, por assim dizer, um admirador de sua capacidade de se doar a uma causa sem que esta constitua fonte de enriquecimento pessoal. Nos dias atuais, é coisa rara. Além disso, Marina atrai a simpatia de quem preza a inteligência e a coragem.

Desconfio dessa história de governar com os melhores do PSDB e do PT. Quem os escolherá? Por quais critérios? Pensa por acaso que os partidos serão fracionados por ela própria na base do "este presta, aquele não presta"? Não faz sentido em termos práticos e não faz sentido em termos políticos porque efetivamente a espinha dorsal do PT não dobra no mesmo ponto que a espinha dorsal dos tucanos. Acredito em governos virtuosos, não em governo de virtuosos escolhidos a dedo. O PV não tem quadros para preencher o gabinete presidencial, quanto mais para os milhares de cargos disponíveis nos minstérios. Fará um governo de ONG's altruistas?

Também não me seduz a cantilena da transversalidade do tema ambiental. A ideologia do ecossocialismo subjacente a este rótulo tende a uma governança totalitária. Vade retro!

Em síntese, discordo muito do discurso Marinista, mas assistindo sua entrevista hoje no Jornal Nacional, aplaudo a forma como o declara. Diferentemente da dona Dilma, Marina não fugiu a nenhuma pergunta, não titubeou, não tergiversou. Quando acossada em relação ao mensalão soube se impor ao entrevistador e esclarecer que sua permanência no seu partido se deu em prol de uma causa que considera maior. Ela pode ser criticada por esta decisão, mas não por negá-la.

Marina é o tipo raro de candidata em quem se pode deixar de votar, mas não de admirar.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Os Bonner bem que tentaram mas a Dilma foge das perguntas como o diabo foge da cruz.

Assistimos ontem no JN da TV Globo a primeira das entrevistas que a emissora fará com os principais presidenciáveis. Estima-se que mais de 40 milhões de relespectadores assistiram os 12 minutos da tentativa que o casal Bonner fez de arrancar respostas objetivas da dona Dilma. Em vão. A candidata virou especialista em responder pela metade, em tergiversar sobre o assunto, em ancorar-se nos absolutos para esconder as proporções e vice-versa.

Quem esperava que a dona Dilma quebrasse fácil perante apertos em debates e entrevistas está revendo suas expectativas. A sua falta de experiência política está sendo tratada com muita competência nos bastidores. Do sorriso pronto ao apelo sentimental, tipo "governar é como ser mãe" tudo ali é calculado e ensaiado. Como os tempos de perguntas e respostas são mínimos as fugas rápidas são eficientes.

Ontem, por exemplo, ao reponder sobre a acusação de maltratar os Ministros (declaração dada pelo próprio Lula) ela negou o termo "maltratar", dai a insistência do William Bonner pareceu perseguição, mas como o tempo é curto, logo tiveram que mudar de assunto sem que ficasse esclarecida a sua pouca afeição ao diálogo com os colegas.

A mesma coisa se deu quando foi perguntadas sobre a contradição entre o discurso de antes e a prática de hoje em termos de aliados tipo Collor, Rennan, Jáder Brabalho, Sarneys e outros. Ao invés de dizer objetivamente se errou anters ou erra hoje, preferiu dizer que o PT não tinha experiência em governar e agora tem. Putz! Que resposta é essa? Quis dizer que governando o partido é diferente nas alianças que faz? Por que não disse exatamente isso? Mais uma vez o exíguo tempo impôs a mudança de assunto.

Ao falar da economia esquivou-se de constatar que em oito anos o Brasil de Lula cresceu menos que a taxa média global, o que não aconteceu com vizinhos pequenos e com gigantes como a Russia, China e Índia. Para se safar citou a taxa deste último ano de governo, o que obviamente não vale para os oito anos.

Enfim, o casal Bonner bem que tentou retirar objetividade e sinceridade da Ministra. Não foi possivel. É do jogo.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

As três peneiras da sabedoria, que também são da ética.

Campanha eleitoral e os ânimos se acirram, as pessoas perdem o controle verbal, os golpes vão abaixo da linha da cintura e a ética vira letra morta. Não sei porque ainda me surpreendo.

Há algum tempo aprendi, através de uma parábola, uma lição que a meu ver deveria ser ensinada em todas as escolas e seguida por todos, especialmente por aqueles que de algum modo adquirem inserção significativa na politica e na sociedade. Do modo mais resumido a parábola é a seguinte:

Um mestre consultor chegou perto do Mestre dizendo-lhe ter uma excelente novidade do segundo mestre consultor. O Mestre interrompeu seu raciocínio, perguntando:

Já passastes a novidade pelas 3 peneiras?

Que peneiras Mestre?

Tudo que dissestes de alguém, tem que passar antes pelas três peneiras da sabedoria, a primeira delas é a peneira da verdade.

Voce tem absoluta certeza de que o que te contaram é verdade?

Responde o mestre consultor: Não sei bem, porque não tive como comprovar.

Então sua novidade vazou pela primeira peneira. Acaso ficará na segunda, que é a peneira da bondade?

É alguma coisa que gostariam que dissessem de ti?

De modo algum Mestre! Claro que não!

Portanto sua novidade acabou de vazar pela segunda peneira. Quem sabe ela ficará retida na terceira que é a peneira da utilidade.

Achas que é realmente útil passar essa historia adiante?

Não! Disse o mestre consultor, não há nenhuma utilidade nesta novidade!

Então sua novidade vazou pelas três peneiras e se perdeu na imensa terra. Nada sobrou para ser contado.

Veja-se que a primeira peneira é a da verdade. Se o que se diz de alguém não vem acompanhado de prova da verdade, não deveria ser dito. Mais grave do que a omissão perante o abuso, o descaso e a corrupção, é a acusação sem provas, a denúncia sem fundamento, a maledicência irresponsável.

Quão bom seria que em tempos de eleição as três peneiras da sabedoria não fossem jogadas ao léu com tanta facilidade!

É o verde a nova cor do socialismo?

Em artigo publicado recentemente, Michael Lowy, sociólogo e filósofo marxista, traduz de modo simples e objetivo o que subjaz à luta ecológica. O ecossocialismo une a crítica marxista ao capital à defesa do meio ambiente. Lowy não é o primeiro a dizer que o verde é a nova cor do socialismo.

Segundo ele, o raciocínio ecossocialista se apoia em dois argumentos essenciais:

1) o modo de produção e consumo atual dos países capitalistas avançados, fundado sobre uma lógica de acumulação ilimitada (do capital, dos lucros, das mercadorias), desperdício de recursos, consumo ostentatório e destruição acelerada do meio ambiente, não pode de forma alguma ser estendido para o conjunto do planeta, sob pena de uma crise ecológica maior. Segundo cálculos recentes, se o consumo médio de energia dos EUA fosse generalizado para o conjunto da população mundial, as reservas conhecidas de petróleo seriam esgotadas em 19 dias. Esse sistema está, portanto, necessariamente fundado na manutenção e agravamento da desigualdade entre o Norte e o Sul;

2) de qualquer maneira, a continuidade do “progresso” capitalista e a expansão da civilização fundada na economia de mercado – até mesmo sob esta forma brutalmente desigual – ameaça diretamente, a médio prazo (toda previsão seria arriscada), a própria sobrevivência da espécie humana, em especial por causa das consequências catastróficas da mudança climática.

O texto completo pode ser lido aqui e permite compreender o pensamento que impulsiona verdadeiramente os aquecimentistas esclarecidos. No vídeo abaixo Lowy dá mais pistas.


Sabe o José Alencar? Os canalhas também envelhecem.

O nosso vice-Presidente José Alencar, aquele com cara de avô de todo mundo, está mostrando que além muita coragem para enfrentar o câncer, sendo um dos homens mais ricos do Brasil e dispondo dos melhores tratamentos do mundo, tem também muita covardia quando se trata de enfrentar uma filha gerada nos tempos da juventude quando dividia seu tempo entre o trabalho incansável na loja de tecidos e o puteiro da periferia.

A recusa em oferecer material para fazer o exame de DNA já causou uma decisão judical determinando que a demandante passe a se chamar Rosemary de Morais Gomes da Silva, filha de Francisca Nicolino de Morais, a Tita , e de José Alencar Gomes da Silva.

O vice-Presidente não quer nem saber da história. Na fuga da paternidade já recorreu aos expedientes mais detestáveis. Em primeiro, resolveu acusar a mãe da sua filha de prostituta, o que, segundo ele, já é suficiente para exonerá-lo das responsabilidades, ou seja, filha da puta não tem pai. Em um segundo momento, resolveu desmoralizar o exame de DNA que segundo ele não tem nada de infalível. Deixaram de dizer ao velhinho que o exame de DNA total tem uma margem de acerto de 99,999999% - uma chance em 100 milhões. A mulher (Tita) que, aliás, não era prostituta mas enfermeira, dormia com José Alencar frequentemente.

Tudo isso revela que quando confrontado com a possibilidade de perder uma grana, de dividir os bens, até um ancião à beira da morte mostra seu verdadeiro caráter.

Candidatos no Jornal Nacional

A partir de hoje até quarta-feira o Jornal Nacional, da Globo, estará entrevistando os três principais presidenciáveis.

A dona Dilma, que já andou faltando de novo ao evento conjuntao da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp) e da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), dizem, está fazendo um intensivão para enfrentar as câmeras e o microfone sem o teleprompter, mas garante que a esta não faltará. O Serra diz que não fará nenhuma preparação. A Marina idem.

De qualquer forma, a entrevista será muito mais vista do que o debatezinho da Band. Nada menos que 40 milhões de brasileiros costumam acompanhar o JN diariamente. Se vão alterar suas preferências por causa da performance do candato na entrevista é outra coisa.

A grande diferença para o debate é que no caso da entrevista, o perguntador não está, em tese, afim de ferrar o entrevistado. Tem tudo pra ser algo mais propositivo, tipo reporter levantando a bola para o candidato dar a cortada. No máximo uma ou outra cobrança, mas duvido que Wiliam Bonner pergunte à Dilma, por exemplo, por que o crack cresceu tanto nos últimos anos sem que o governo federal fizesse algo relevante a respeito.

Somente um escorregão "daqueles" pode prejudicar o candidato em uma dessas entrevistas politicamente corretas como é do perfil da Globo. De qualquer forma, o JN será imperdível para quem de algum modo acompanha a política.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Debate é também para levar o adversário a nocaute.

Ainda sobre o debate, sinceramente, não faço côro aos que pensam que o confronto na TV deve seguir o modelito politicamente correto, cheio de mesuras como num jantar cordial em restaurante chique. Não é bem assim. Estão todos ali para derrotar os demais, para fazer com que o eleitor perceba as fragilidade e  a força dos candidatos, para exporem suas idéias pondo-as em vantagem perante as outras. Passaram dias estudando os temas, alguns até treinando postura e dicção, não dá pra chegar na hora e ter aquele comportamento blasé, algo hipócrita, de quem fala ao vento.

Ontem, quando logo no primeiro bloco, nervosa e enrolada, a Dilma disse que o SAMU transporta crianças, era hora de, em seguida, o adversário dizer candidamente "Quero informar à Ministra que SAMU carrega doentes para o hospital e não criancinhas para a creche". Ela que fosse perder tempo explicando que confundiu as coisas, no mínimo ficaria mais nervosa e raivosa, o que é fatal num debate.

E afirmo. Isto não teria nada de baixo nível. Não constituiria ofensa pessoal, não atingiria a honra de ninguém, simplesmente revelaria o despreparo emocional da candidata. Como todo mundo se esquivou de peitar o adversário, o debate que começou com 6 pontos de audiência terminou com apenas 2. Bem a cara mesmo daquela modorra. Menos mal que quase ninguém viu.

Quem vai deixar de ver o jogo semi-final da Libertadores para assistir quatro candidatos trocando gentilezas? Só meia dúzia de "tarados" entre os quais me incluo.

Um debatezinho micha. E perdi o jogo na Globo.

Acabo de ver o debate na Band. Debates no Brasil são engraçados, o cara que é melhor não pode ser muito melhor senão fica com fama de arrogante, parecendo humilhação - já aconteceu, eu vi, entre Cristovam Buarque e Joaquim Roriz. Tem que ser melhor por critérios muito sutis, distantes da minha compreensão.

No lugar do Serra, quando a Dilma falou aquela bobagem dos milhões de empregos como se os contextos fossem os mesmos, eu a mandaria voltar ao banco escolar e estudar um pouquinho de economia para não ficar repetindo propaganda como se fosse realidade. Bastaria dizer que em oito anos de FHC o Brasil cresceu mais no mundo que nos oito anos do Lula.

Serra foi o que é. Mais preparado, mais experiente, tem mais conteúdo, é mais "eu sei, eu posso". É, contudo, contido na provocação, na firula, no drible. Quer ganhar o jogo sem dar dribles, sem dar chapéu, sem fazer gol de letra. Poderia, por exemplo, para lembrar a questão da Bolívia, perguntar por que cargas d'água o tráfico de pasta base e o consumo de crack no Brasil praticamente surgiu e se tornou a praga que é nos últimos oito anos. Onde estava a Dilma? Serra pensa que está jogando xadrez. A Dilma está na bola de meia, onde vale inclusive caneladas.

A Dilma, poupada, não comprometeu-se tanto quanto eu esperava. É fria. Está treinada. Leva no lombo, mas não se abala. Tem sempre a salvação na comparação com o ontem, contabilizando pedra fundamental e ordem de serviço. É ai que fatura em cima do Lula. Se está comemorando, tem motivos. Não foi tão mal.

A Marina foi mal preparada. Perdeu oportunidades e praticamente levantou a bola para o chute dos adversários em suas perguntas. A jaguatirica pareceu uma gatinha de sofá. Perdi as fichas que apostei nela.

O Plínio é o que é. Um dinossauro socialista. Só pensa em pegar a terra dos outros e dar pro MST fazer a revolução de cem anos atrás. Poderia ao menos fustigar com firmeza os adversários com perguntas incômodas. Nem isto. Pelo menos, agora saabe-se que existe.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Acre pobre e rural resiste a Marina Silva. Será?

Em um texto muito interessante, publicado e referenciado em vários blogs, o importante jornalista Caio Junqueira, do Jornal Valor Economico descreve o momento eleitoral do Acre para concluir (título do artigo) que "O Acre pobre e rural resiste a Marina". É um estranhamento (royalties para a Marina) que o jornalista explica aludindo em primeiro lugar ao rigor das multas ambientais sofridas pelos produtores rurais, inclusive os pequenos, ao longo do tempo,  que emblematizariam a ação da Marina no Minstério do Meio Ambiente. Tais multas ensejam a rejeição no campo.

Em segundo lugar o jornalista menciona a posição contrária da candidata à pavimentação da rodovia BR-364, que integra os dois vales do Estado, no trecho entre Rio Branco e Cruzeiro do Sul e à construção das hidrelétricas do rio Madeira, no Estado vizinho de Rondônia.

Pronto. Identificada com as punições do IBAMA e com o atraso nas hidrelétricas, a senadora com toda a fama nacional e internacional não consegue alcançar o José Serra que nunca pôs os pés no Acre e tem uma candidatura local aparentemente inviável.

Será mesmo isto que segura o vôo da Marina em solo acreano? Pensemos:

Desde que foi eleita vereadora, a Marina percebeu que havia um enorme campo de atuação vago. O ambientalismo assim como outros ismos precisa de símbolos, de ícones, de referências vivas que façam a interlocução com a sociedade. O assassinato de Chico Mendes projetou o tema amazônico, colocando o Acre no protagonismo da luta ambiental internacional de tal modo que dificilmente passaria sem ser apropriado. E foi. Pela Marina, principalmente, que em seguida foi eleita Senadora e eficientemente conquistou imensa notoriedade, com seu jeito pacifista mas firme, sua aparência frágil mas decidida, suas palavras suaves mas cortantes. A partir daí, Marina deixou de ser uma cidadã acreana para ser cidadã do mundo, aprendeu, foi Ministra, aprendeu mais ainda e mais ficou conhecida e mais se afastou do Acre. Orgulha o Acre e os acreanos, mas não mais faz parte de seu dia a dia, de seus problemas, de seus debates. A sua agenda tem mais a ver com o aquecimento global do que com a viabilidade da reserva extrativista, ou dos assentamentos do INCRA, ou da violência urbana, ou das falhas do sistema de saúde.

Enquanto isso (está no outro texto do jornalista Caio Junqueira - pecuária apóia liderança dos vianas), o petismo local teve que governar e lidar com as demandas da administração que não são apenas as do ambientalismo. São as dos serviços essenciais e as da geração de oportunidades de trabalho para uma população crescentemente urbana, saida das universidades que se muiltiplicaram e remanescente de políticas agrárias dos anos oitenta e noventa. Por necessidade objetiva, o governo petista em doze anos deu as mãos a setores produtivos que não constavam da agenda ambientalista.

A sabedoria do petismo-vianismo foi realizar, de um lado, a aproximação dos setores da indústria e da agropecuária sem lhes exigir capitulação, sem transformá-los em derrotados ideológicos. Com isto até desconstruiu o discurso da oposição. De outro, foi manter o ambientalismo simbolizado na florestania, alargando seu conceito. Dou exemplo: Não se fala mais em neo-extrativismo que era pedra de toque do desenvolvimento projetado no final dos anos noventa. Outro: A usina de álcool ganhou o nome de álcool verde e isto bastou para que fosse integrado à florestania. Outro: A ligação com o Oceano Pacífico no contexto da IIRSA, sendo esta a Geni dos ambientalistas da Amazônia internacional.

Hoje, o que está no horizonte é o processo de industrialização do Acre tendo como foco a exprtação de produtos através da ZPE que deverá se instalar no prazo de 12 meses. Asseguro que isto também não estava nos planos iniciais da florestania.

Aliás, este alargamento do conceito é que vem determinando internamente, pelo que se sabe, áreas de fricção entre os titulares da florestania. Os "Marinistas" estão vendo que aos poucos a florestania de tão larga não é a mesma. Eles começam a não se reconhecer no projeto em curso. 

E a Marina com isto? Ora, a Marina que só é a nossa Marina no imaginário, no orgulho,  na auto-estima, na admiração, pois de resto ela é a Marina do mundo, perde votos objetivos, votos consequentes em relação à melhoria das condições locais de vida.

Dizer que são os agricultores que a repelem é pouco. Até porque 70% da população acreana reside na zona urbana e, além disso, não consta que a pesquisa do IBOPE tenha sido realizada na zona rural.

QUEM SABE MAIS PODE MAIS

Se quiser ver retratos cinematográficos de uma história de luta e inteligência à serviço da nação e não de grupos nacionais, vejam aqui. Abaixo um aperitivo.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Que atire a última pedra quem nunca perdoou.

Lendo a respeito de Sakineh, a mulher iraniana que será assassinada pelo governo de Armadinejah, revi uma matéria de Carolina Rossetti para o Estadão (aqui) sobre as prisões iranianas. É, meus caros, o amigo fraterno e carinhoso do Lula não tem na piedade sua melhor característica.


O que voce vê na foto acima é o que acontecerá com a iraniana que, viuva, se atreveu a transar com outros homens. Eles enterram a condenada até o tórax para que não se mexa e apedrejam-na até a morte. Em praça pública para que sirva de exemplo. A negativa debochada que o ditador fez à disposição do Lula de recebê-la no Brasil não abalou a amizade entre os dois. Ainda há no governo quem pense que a luta anti-imperialista nos une.

Candidatos para todo gosto. E desgosto.

  



As eleições estão sempre nos preparando algumas surpresas. Às vezes, desagradáveis. Uma recorrente é a eleição de gente famosa e "folclórica" para cargos no legislativo. Já foram eleitos  o cantor Agnaldo Timóteo, o índio Juruna, o costureiro Clodovil, o cantor Frank Aguiar... todos para a Câmara Federal. A nivel municipal e estadual a lista é longa. Radialistas e ex-jogadores de futebol são frequentes nas casas do povo.

No Acre, após muitas tentativas, estamos tendo a nossa experiência com a bizarrice eleitoral através do "cabide" que depois de ser eleito vereador da capital agora se pretende realmente um líder político e quer ser deputado estadual. Quem sabe sonhe com o cargo de governador do estado.

Este ano a Câmara Federal pode ter entre seus membros ninguém menos que o ex-boxeador Popó, os ex-jogadores Romário e Vampeta, os cantores Kiko (aquele grandão do KLB), Agnaldo Timoteo e Reginaldo Rossi. O humorista Tiririca pretende mostrar seus dotes (e dentes) também na Câmara Federal junto com o coleguinha Batoré. A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro pode contar com Pedro Manso (imitador do Faustão) e Leandro (outro do KLB).

Se o eleitor paulista quiser esculhambar de vez, ainda pode votar no cantor e espancador de mulheres, Netinho de Paula, para o Senado.

O que aborrece mesmo ao ver estas figuras em campanha eleitoral, como se de fato estivessem firmando suas candidaturas em elementos reais da luta política e não na fama de cada um, é que muitos bons políticos estão abandonando o interesse em candidatar-se por inviabilidade eleitoral. O melhor exemplo que conheço é Roberto Freire, presidente do PPS, que não se candidata porque campanha custa caro, acordos são mediados por grana e a boa política perde vez a cada dia.

O que surpreeende ao ver aquelas figuras, é que nada nos garante que sejam moralmente piores do que politicos tradicionais que serão campeões de votos, alavancados por dinheiro vindo da corrupção, abuso do poder politico e apoio sindical adquirido na troca de favores. É da democracia. Suportemos.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Se não lhe der sono, Lula lerá uma carta que diz bem com quem ele anda e de quem se considera amigo.

Carta aberta ao presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva


Um regime que apedreja não deveria ser reconhecido

Caro presidente Lula da Silva,

Sua oferta de conceder asilo no Brasil a Sakine Ashtiani, sentenciada à morte por traição, é um passo importante para salvá-la, assim como seus filhos. Espero que, com os esforços internacionais e com as ações de milhares de pessoas, nós possamos salvar Sakine. Desta maneira, ela poderá abraçar seus filhos novamente em breve.

Enquanto estou escrevendo essa carta, vejo na minha frente o rosto de Maryam Ayoubi, que foi apedrejada até a morte em 2001. Vejo os rostos de Shahnaz, Shahla, Kobra e dezenas de outras mulheres que foram enterradas até o peito e mortas por pedras arremessadas contra elas. Eu ainda vejo tudo isso diante dos meus olhos. As vozes das crianças que me ligaram para dizer: “Nossa mãe foi apedrejada até a morte”. Esse é o regime islâmico. Os governantes do Irã não sobreviveriam um dia sem execuções, terror e sem espalhar o medo. Mesmo que o regime islâmico tenha retrocedido um pouco por conta da pressão da campanha em favor de Sakine, ele ainda continua espalhando o medo na sociedade por meio de execuções de outros prisioneiros, especialmente os políticos.

Hoje, dia 2 de agosto, nove prisioneiros foram sentenciados à morte em Kerman. Em Teerã, outros seis prisioneiros políticos foram submetidos à mesma sentença, entre eles Jafar Kazemi, que pode ser executado a qualquer momento. Zeynab Jalalian, um outro prisioneiro político, corre o mesmo risco. Há mais pessoas na lista: Mohammad Reza Haddadi foi setenciado à morte enquanto era menor e pode agora, tendo completado 18 anos, ser executado a qualquer momento. Há mais de 130 menores na prisão, que foram sentenciados à morte. O regime islâmico é o único do mundo que executa menores.

Presidente Lula da Silva, hoje há 17 famílias de prisioneiros políticos em greve de fome na frente da prisão de Evin, em Teerã, em solidariedade a seus filhos que fazem o mesmo protesto dentro da prisão. Este é um protesto contra a brutalidade das autoridades carcerárias com os presos políticos. O destino de três jovens alpinistas americanos e as lágrimas de suas mães também entristeceram a população. Esse regime prendeu parentes do senhor Mostafaei, o advogado de Sakine Ashtiani, e os levou como reféns até que ele se entregue.

Presidente Lula da Silva, o Irã é um país com um regime criminoso e brutal. É um regime assassino que deve ser condenado por todas as pessoas e governos. Permita-me, como uma representante do povo oprimido do Irã, dizer que quero não apenas salvar Sakine e abolir o apedrejamento, mas também pedir a todos os líderes de governo que não reconheçam o regime islâmico como um representante dos iranianos, mas sim como o assassino desse povo.

Esse regime é um governo que apedreja e executa, que prende pessoas todos os dias e corta suas mãos e pés. Esse regime tem o maior número de execuções em relação à sua população do que qualquer outro governo no mundo. Tal regime não deveria ser reconhecido por organizações internacionais ou chefes de Estado.

Cordialmente.

Mina Ahadi

Porta voz do Comitê Internacional contra a Execução e do Comitê Internacional contra o Apedrejamento.

Acre cresceu mais na região Norte do que o Brasil no mundo.

Foi publicado recentemente que a economia brasileira que em 2002 representava 2,93% da economia mundial vai fechar o governo Lula encolhido, representando 2,9% do produto global. Ou seja, apesar de tudo, inclusive o "nunca antes neste pais", o Brasil cresceu menos que a média dos outros paises. Nossos coleguinhas do BRIC, a China, saiu de 7% para 13% e  a India passou de 3% para 5% da economia global. Se fosse numa corrida teríamos ficado um pouquinho mais para trás. Convenhamos, não dá pra fazer festa de comemoração.

Curioso que sou fui fazer cálculo análogo para a economia dos estados da região Norte. Resultado: Em 2000 o Acre detinha 3,3% do PIB regional. Em 2007 passou para 4,31%. Um bom avanço. É que a economia acreana cresceu 238% no período enquanto a economia da região como um todo cresceu apenas 163%.

O Estado que teve a melhor performance foi Tocantins que cresceu 352%, passando de 4,85% para 8,3% da economia regional. À frente do Acre ainda está Roraima com crescimento da ordem de 273%.

Debate da Band - aposto no Serra e ponho algumas fichas na Marina.

Depois de amanhã, quinta-feira, tem o debate com os presidenciáveis na Band. Deste a dona Dilma não vai fugir. Há quem considere este debate um momento crucial para a eleição. Todos querem ver se o Serra demonstra sua superioridade intelectual e põe a Dilma no seu lugar de boneca de ventríloquo, embora alguns acreditem que bem treinada a Dilma pode surpreender e até "ganhar" o debate.

Cá com meus botões, acho que os dois deviam ter cuidado é com a Marina Silva. Com sua aparência frágil toda pancada que lhe vier em cima será mal vista, ninguém se atreverá a humilhá-la. Ao mesmo tempo, ela pode candidamente desferir golpes cirúrgicos na ética de um e na capacidade de outro. Os anos de parlamento e auditórios fizeram da Marina expert em frases de efeito. Alguém pode sair da BAND inlusive com uma nova alcunha.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Voce votaria em Pôncio Pilatos?

A candidata a Presidente, senadora Marina Silva, que merece todo nosso respeito, adota em relação ao aborto uma posição inteiramente equivocada. Tem dito e repetido quando indagada sobre o aborto, que defende o plebiscito como melhor modo de decidir sobre a descriminação do assassinato de fetos.

Em primeiro lugar, como cristã. Evangélica que é, ex-católica que é, deveria se posicionar como militante da fé e dos princípios cristãos. Militante ao menos quanto é da causa ambiental. E militante não se omite, não delega decisões, não aguarda a sociedade. Militante transforma. Em matéria tão importante quanto o assassinato indiscriminado de crianças porvir a senadora deveria se colocar frontalmente contra e dizer com todas as letras aquilo que entende que é o aborto. O que ela tem feito é o mesmo que fez há dois mil anos um certo prefeito de uma certa província romana sobre a crucificação de um certo militante. No plebiscito venceu um certo assassino.

Em segundo lugar, como ambientalista, que no dizer de alguns sigifica defensor da vida em todas as circunstâncias. Militante que é deveria considerar neste contexto que o Estado que proíbe e pune severamente a devastação ambiental, a caça e captura de animais silvestres e impõe o tratamento digno dos animais domésticos, não pode defender a vida humana intra-uterina menos que defende os ovos da tataruga marinha.

Não Marina. Neste caso, o plebiscito não é a saída, é o esconderijo dos omissos.

Uma história Severina - o filme.

Ong's e militantes abortistas costumam exibir o curta de Débora Diniz e Eliane Brum "Uma historia Severina" (aqui) como um libelo contra as leis brasileiras que proibem o aborto que, no caso de Severina teve que ser julgado pelo Superior Tribunal Federal. O roteiro do filme de 23 minutos é o sofrimento de Severina e Rosevaldo, os pais do feto anencéfalo que, ao final, foi abortado pelo próprio Estado nos termos da Lei. O documentário ganhou vários prêmios nacionais e internacionais entre 2005 e 2006.

O foco do documentário é a mãe, Severina, que ao longo de sete meses  aguardou a definição legal para um caso que se arrastou entre apreceres e decisões que se anulavam até obter o despacho final do STF consentindo com a interrupção da gravidez.

Em que pese todo o esforço para demonstrar o martírio do casal, a cena que guardo é a exclamação que faz Severina ao ver o feto morto, de si extraído com a assistência médica compatível. Meu filho! Em um segundo e em duas palavras Severina desmancha todo o roteiro abortista que seguiu e protagonizou ingenuamente.

Detalhe: O filme foi patrocinado pela Fundação Ford, conhecida por financiar programas de controle de natalidade.

NÃO VOTE EM CANDIDATOS ABORTISTAS


Fiquei ontem à noite de olhos grudados no "Fantástico" para assistir a reportagem  (aqui) sobre o aborto. Vi o esboço de uma realidade aterradora. Cenas indignantes, números assutadores, pesquisa tão surpreendente quanto falsa em suas conclusões. Ao final, uma constatação bem ao gosto dos militantes abortistas: o aborto é uma questão de saúde pública e como tal deve ser tratado. Assim como a dengue, o aborto deve ser encarado como uma demanda que o poder público deve atender com serviços da melhor qualidade.

O que está em causa neste momento é a descriminação do aborto. Eles, os abortistas, a TV Globo no meio, querem dar licença para que as jovens cometam assassinato sem culpa e sem pena. Querem legalizar o homicidio de inocentes e transformar o Brasil num enorme açougue de crianças porvir. Pergunto-me o que fazem os verdadeiros cristãos (não me refiro aos empregados do Edir Macedo), que não reagem à altura ao invés de aceitar passivamente a passagem deste cortejo macabro.

Se as Igrejas verdadeiramente cristãs não estivessem aprisionadas a partidos e teses "modernosas" fariam uma aliança para que em todas as celebrações este assunto fosse tratado com clareza, fariam uma campanha nacional de luta pela vida, fariam uma declaração (onde está a CNBB?) pública de condenação e restrição aos candidatos comprometidos com a descriminação do aborto. Em cada Igreja Cristã deste pais deveria ter um cartaz com os dizeres NÃO VOTE EM CANDIDATOS ABORTISTAS.

Em seu blog o Reinaldo Azevedo faz uma análise perfeita ( aqui ) da matéria do "Fantástico" desmontando inclusive a farsa dos números apresentados na pesquisa fajuta da abortista da UNB.

domingo, 1 de agosto de 2010

Lula vai ligar.

Com atraso, mas ainda em tempo, o presidente Lula recuou e prometeu ontem que faria um telefonema ao amigo, o ditador iraniano, pedindo para que Sakineh não seja morta a pedradas como é de lei no Irã. Menos mal. Seria bom que aproveitasse este momento de ternura e ligasse também para os irmãos Castro pedindo que liberte as dezenas de presos de opinião que sofrem a degradação nos porões de Cuba.