sexta-feira, 23 de julho de 2010

Eleições no Acre. No horizonte, o rompimento da "semi-estagnação virtuosa".

Pela reação de alguns setores à visita da senadora do DEM ao Acre e ao comportamento do Governador Binho Marques, ficamos sabendo que no governo ou na Frente Popular do Acre - FPA, como queiram, existem duas correntes - uma ambientalista e outra desenvolvimentista. Consta até que o afastamento da Marina tem algo a ver com isso. Se assim é, creio que temos então um bom motivo para debate, pois as divergências internas da Frente se revelariam programáticas e não apenas contigências eleitorais.

Sinceramente, penso que o que chamam de desenvolvimentismo é na verdade a compreensão da necessidade de dar respostas efetivas aos problemas mais relevantes. Quem assume ou se propõe a assumir efetivamente a responsabilidade de governar e produzir resultados objetivos, mensuráveis e adequados à realidade dura dos dados da economia, do emprego e dos indicadores sociais, é obrigado a dedicar sua capacidade criativa e gestora a corrigir os rumos do próprio governo como investidor e, ainda mais, como sinalizador para o setor privado.

Sendo mais explícito, os esforços da "florestania" no sentido da industrialização, seja de base florestal como o megaprojeto do "Ratinho", de base agrícola como a usina de álcool, ou de processamento como a ZPE, podem significar para os ambientalistas uma extrapolação do modelo ou, quem sabe, uma traição à memória de Chico Mendes e aos compromissos com o resto do mundo que tem no Acre uma referência de Shangri-la  da floresta, mas para quem dedica seu olhar aos acreanos que, segundo o IBGE ainda são pobres em 44% e extremamente pobres em 20%, significa o movimento necessário ao rompimento da "semi-estagnação virtuosa" e ao surgimento de um ciclo de desenvolvimento real.

Creio que os irmãos Viana, principalmente, mas também outras mentes do governo, resolveram prestar mais atenção aos dados e à população e compreenderam que após 12 anos de vigência, aquela perspectiva emblematizada em neologismos como "neo-extrativismo" e "florestania" esbarrou em dados da realidade que, não fosse a incompetência da oposição, poderiam até ameaçar a sua permanência à frente do governo.

Não creio, contudo, que haja uma fratura na "florestania" capaz de dar significado essencial  a duas perspectivas de futuro, a duas visões de mundo. Acalmem-se. Se eleito, a julgar pelo programa, Tião Viana não tirará os pés do ambientalismo, apenas procurará expandir seus horizontes para, paradoxalmente, enxergar os que estão mais próximos, os acreanos.

Um comentário:

  1. O afastamento de Marina Silva começou há bastante tempo, se ela tivesse ficado por aqui os 44% de desvalidos do Acre poderiam ser um pouco menos e os 20% de miseráveis também. Mas, isso não interessava aos governantes petistas. Ao contrário dos petistas Marina Silva, gosta dos pobres e certamente teria feito alguma coisa por eles. Aos donos do poder no Acre só interessam seus projetos pessoais. Então Marina foi guindada para o Senado e para o Ministério do Meio Ambiente onde sua atuação ficava travada e sua influência no Acre era pífia, podendo os petistas fazer o que quisessem. A investida de Marina com a candidatura para a Presidência da República é mais uma manobra para mantê-la "fora do Acre", caso ela viesse para concorrer ao governo, seria eleita com certeza e isso os petistas não querem, então apoiam sua absurda candidatura para a presidência, uma coisa sem pé, nem cabeça, mas, que a mantém longe do poder no Acre.

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