domingo, 28 de novembro de 2010

Fichas sujas fora do governo. Em Minas.

Não é só o deputado estadual Tchê, do Acre, que quer apenas fichas limpas no secretariado. Em Minas Gerais o governador eleito Anastasia resolveu ele mesmo abraçar a lei em suas nomeações para o secretariado e avisou aos aliados. Só aceita a companhia de fichas limpas. Esta moda vai pegar. Espero.

A segurança alimentar do acreano em xeque.

Mais uma vez os números são duros com o Acre. A segurança alimentar do acreano ainda é um alvo distante. Se mais de 50% da população não tem garantia de alimentação adequada, aproveite-se a informação para refazer o planejamento e execução das políticas públicas.

A informação também serve, é obvio, para reforçar o discurso da oposição. Creio que é possível enfrentá-lo com ações determinadas e consequentes de promoção do setor rural. Continuar na perspectiva de que da floresta transbordarão efeitos econômicos capazes e suficientes para garantir a renda necessária à aquisição de alimentos já se demonstrou equivocado.

Ao invés de aprofundar o erro, insistindo em ações de baixo impacto na economia, deve-se concentrar esforços em um programa vigoroso de exploração agrícola das áreas já desflorestadas. A fruticultura tropical pode ser a base deste processo.

sábado, 27 de novembro de 2010

Projeta-se uma nova extensão rural.

Em outra viagem de trabalho para aprender um pouco mais sobre agricultura familiar e extensão rural estive esta semana no Paraná. De leste a oeste, de Curitiba a Marechal Rondon, um exemplo adequado de combinação das principais variáveis do desenvolvimento. Não é demais dizer que estamos em um processo vigoroso de avanço da extensão rural no Brasil. Os principais desafios da agricultura - produzir mais, melhor e em menos área - convocam os extensionistas para uma nova interpretação do papel da agricultura familiar e obrigam o Estado a valorizá-los.

O desafio de erradicar a pobreza proposto pela presidente eleita exige a promoção desta parcela da população brasileira a níveis de renda mais elevados e sustentáveis, o que implica acesso a tecnologias e formas de organização. Como implementar no campo as políticas relativas a este objetivo central sem a participação efetiva da extensão rural?

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Tiririca vem ai. Talvez com menos letras e mais caráter que alguns que conheço de perto.

O texto abaixo é de Ezio Flavio Bazzo, um escritor e cronista que acompanho há tempos. Merece uma reflexão.

Ezio Flavio Bazzo

Não apenas o Tiririca é a cara falsificada do Brasil, mas também as leis e a justiça que quer impedi-lo de assumir seu cargo no Congresso Nacional. Que raciocínio é esse que possibilita e que até obriga analfabetos a votarem e a elegerem e que ao mesmo tempo os interdita de se candidatarem e de serem eleitos? E se uma pesquisa verdadeira demonstrasse que 70% (sendo otimista) de nossos eleitores têm o mesmo grau de escolaridade e de “substância”que o Tiririca? Pobreza mental da ameba residual que ainda trazemos ou aos tiriricas da vida ainda se resguarda apenas o status de bucha de canhão e de massa de manobra?

Se o Tiririca (com seu analfabetismo) não tem “substância” para ser deputado, como é que a tem para ser eleitor, e mais ainda, um homem público de televisão, formador de opinião e com uma audiência diária e nacional muito maior que a de qualquer parlamentar? Se a dialética dos nobres senadores e dos nobres deputados continua sendo “pão e circo” qual é o problema se um palhaço autêntico ingressar em suas fileiras? Pelo que tenho notícias, meus antepassados, aqueles que construíram Veneza, não sabiam interpretar texto nenhum e nem sabiam direito se Radicchi se escrevia com ch ou com x. Além disso, aqui entre nós, desde que se fundou a Republica nunca se exigiu dos deputados mais do que duas competências: contar dinheiro e saber quanto é 20%.

Falsidade ideológica? Que porra é essa? Não sejamos perdulários! Se nunca tivemos ideologia alguma como poderíamos falsificá-la? Somos de uma estirpe que sempre confundiu ideologia com teologia e mesmo quando nos gabamos de algum ponto de vista “revolucionário”, no fundo, continuamos sendo apenas um parafuso ou uma porca da grande engrenagem ocidental chamada Opus Dei.

Se quiserem processar alguém por esse bafafá todo, que processem o MEC por tê-lo deixado crescer alienado das letras; que processem o STE por eternizar a perversão do voto; que processem o Ministério das Comunicações pelas concessões esdrúxulas das rádios e das Tvs; que processem os partidos que o usaram malignamente e que processem até mesmo Platão por ter legado ao mundo a República, essa legitima égua de Tróia.

Enfim, por tudo isto, defendo a posse do Tiririca. E como moro a uns poucos quilômetros do Congresso Nacional, prometo estar fielmente lá nas arquibancadas sempre que o nobre deputado colocar as quatro patas na tribuna.

Meus cumprimentos ao Deputado Tchê.

Não conheço pessoalmente o Deputado Tchê, mas conheço o projeto ficha limpa. Perfeitamente adequada e oportuna a apresentação pelo deputado acreano de proposta estabelecendo as mesmas restrições para a ocupação de cargos no governo do Acre. Poderá, por isto, fazer história no Brasil a partir do exemplo que dará a outras assembléias legislativas. Algum deputado bem poderia fazer o mesmo na Câmara Federal.

A lógica preside o argumento. Se não pode ser eleito deputado, senador, governador ou presidente, por que raios um ficha suja pode ser secretário de estado? Penso que o erro é limitar a restrição a determinados cargos. O certo seria universalizar o impedimento a todos os cargos de livre nomeação, mas isto pode ser resolvido na tramitação do projeto.

Já é um absurdo que o preenchimento dos cargos de confiança não observe o mérito, servindo muitas vezes de acolhimento de correligionários, a nepotismo e compadrios. Com o projeto do deputado acreano fica estabelecido, pelo menos em tese, um maior grau de honestidade daqueles que indicados passem a fazer parte do staf mais elevado do governo.

Especificamente no Acre, penso que o projeto vem em boa hora e desconfio que não prosperaria sem o OK do governador eleito Tião Viana. Bom sinal.

Um ano depois da COP 15 e do Climategate.

Na próxima semana se realizará em Cancún, no México, a COP 16 que é 16ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas. Com muito menos estardalhaço que a COP 15 do ano passado em Copenhagen, políticos e cientistas de todo o mundo tentarão decidir o futuro da humanidade. Eles são "os caras".

No ano passado a reunião foi perturbada pelo escândalo conhecido como Climategate que revelou algumas impropriedades éticas de cientistas engajados na tese alarmista AGA - aquecimento global antropogênico. Tais distorções tiveram da imprensa um tratamento compreensivo, na base de "o fim justifica os meios", mas na verdade causaram um rombo significativo na teoria.

Hoje, um ano depois, sabe-se mais daquele escândalo e de suas consequências na credibilidade da tese AGA. Recentemente a Royal Society de Londres, principal instituição científica da Grã-Bretanha flexibilizou a sua posição sobre o aquecimento global causado pelo homem. Em um documento publicado após uma rebelião de mais de 40 dos seus membros, o novo guia da Royal Society para a mudança climática, diz que não há a certeza propalada sobre o aumento da temperatura prognosticado pela Sociedade. Trata-se de uma atualização do documento Climate Change Summary of Science.

No vídeo abaixo, do site climategate.tv, seu criador James Cobertt mostra um excelente resumo dos eventos em torno do climategate e dos acontecimentos que ocorreram neste 1 ano de aniversário do Climategate.

Péssimo para os que querem contar a história antes dela mesma.

Para salvar as florestas, o REDD.

Em artigo publicado ai do lado no link Outras Palavras, Henrique Rattner, professor da FEA (USP) e do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), mesmo pagando tributo ao alarmismo em relação ao aquecimento global, desenvolve com inteligência e simplicidade o tema REDD – redução de emissões por desmatamento e degradação. Abaixo um trecho do artigo.

"A segunda grande ameaça vem dos seres humanos. Estima-se que a população mundial cresça em 50% nas próximas quatro décadas, chegando a nove bilhões. Três milhões de famintos viverão nos países pobres, particularmente nos trópicos. A população do Congo, atualmente 70 milhões, irá dobrar neste período, elevando na mesma proporção a demanda por mais alimentos. Devido à baixa produtividade agrícola, aumentará a pressão por mais terras cultiváveis. Mas o maior risco de desmatamento nos trópicos é consequência da expansão da agricultura e da pecuária, impulsionada pela demanda global por alimentos, fibras e biocombustível. O crescimento explosivo do cultivo da soja no Brasil levou à invasão do cerrado, a savana brasileira que contém nas raízes de suas plantas quase a mesma quantidade de carbono que a floresta úmida da Amazônia."

O professor é muito bom no diagnóstico e na solução para salvar as florestas. Esqueceu de dizer aonde será produzido o alimento que saciará a fome mundial.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

O mundo não acaba aqui.

Um pequeno lembrete a um delinquente moral:

Como disse o poeta Augusto dos Anjos em "Versos íntimos", o beijo, amigo, é a véspera do escarro, a mão que afaga é a mesma que apedreja.

Sorte que existe a Lei de Causa e Efeito que prefiro observar do ponto de vista espiritual. À toda ação moral correpondem efeitos morais semelhantes que retornam ao agente inicial. O melhor é que diferentemente da física, no campo das relações humanas e espirituais a reação nem precisa vir daquele que foi alvo da ação. Depois de realizada todo o cosmos conspira pelo retorno.

Ainda não é o fim.

sábado, 20 de novembro de 2010

Prêmio merecido ao RECA

Não costumo dar a mínima atenção às premiações recebidas por ONG's e personalidades, especialmente na área ambiental. Quase sempre são convescotes onde se premiam uns aos outros para turbinar carreiras e projetar interesses. O caso do Sergio Lopes tendo em referência o Projeto RECA foge a esta regra.

O RECA é uma excelente experiência e o Sergio certamente merece as homenagens que receberá do MMA. É mesmo de estranhar que o projeto não tenha sido replicado em outras regiões do Acre e da Amazônia. Está ali, a meu ver, uma das sementes mais férteis da viabilização de espaços economicamente deprimidos e ambientalmente ameaçados. Com adaptações a produtos, agricultores, infra-estrutura, mercado e aptidões específicas, muito provavelmente alargaria as possibilidades de promoção do desenvolvimento rural.

Muitos RECA's articulados poderiam promover a escala de produção necessária à conquista de mercados, gerando renda e emprego diretamente na atividade agrícola e em outros setores a ela associados. Esperemos que o prêmio ao Sergio Lopes sirva para animar os nossos dirigentes.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Saindo de uma e entrando em outra. É o Brasil.

Nem começou o governo eleito em 2010 e as especulações para as eleições de 2012 já começaram. No Acre o pessoal está bem assanhado. Na oposição, pelo menos 4 candidatos já se posicionam.

Marcio Bittar, ainda sem pisar no chão, começa a arquitetar um modo de golpear o Tião Bocalom no ninho dos tucanos. Penso que Marcio não será candidato. Se for, não será eleito.

Tião Bocalom pensa em reeditar a campanha deste ano. Tem todas as chances de ser candidato e melhores ainda de estabelecer acordos. Se der mais consistencia ao próprio discurso e apresentar um projeto para a cidade, será competitivo.

João Correia saiu bem dessas eleições. Não havendo acordo com outros partidos o PMDB pode lançá-lo isoladamente e aguardar o resultado, afinal um segundo turno é bem provável.

Luiz Calixto certamente se apresentará. Não creio que queira ser vice de quem quer que seja. Seu estilo duríssimo lhe garante certo espaço.

Entre os governistas há muito silêncio e incertezas. A dotação de emendas parlamentares para o próximo ano pode dar algumas pistas entre os atuais deputados federais. Neste campo ainda aposto em um nome novo, quem sabe uma versão masculina da Dilma.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Não se abandona um companheiro ferido na estrada.

Com a frase acima, o engenheiro conhecido como Paulo Preto, diretor de grandes projetos do governo de São Paulo, ex-assessor, arrecadador de campanha e outras coisas mais do candidato José Serra, deu em entrevista à imprensa um recado duro ao candidato. Sentiu-se abandonado quando em meio ao bombardeio da campanha o seu "amigo" esqueceu até que o conhecia. Este foi talvez o golpe mais duro na campanha do tucano que até então vinha atacando a Dilma do ponto de vista ético aproveitando as estrepolias da Erenice e dos diretores dos Correios. Estava ameaçado o discurso de honestidade do candidato.

Não quero discutir o mérito das relações entre o Paulo Preto e José Serra. Não as conheço. Quero me referir à condição de companheiro largado e esquecido. Quando José Serra respondeu a um repórter "Não conheço Paulo Preto", além do temor das consequências de uma possivel apuração das relações entre os dois, demosntrou ingratidão e covardia. Não encarou os fatos, não assumiu suas responsabilidades. Foi pusilânime.

O que tinha Paulo Preto contra o Serra para mandar aquele recado? Não faço a mínima idéia, mas era algo importante, pois em seguida o Serra recuperou a memória. Talvez alguma ação não muito republicana. Conhecendo o caráter do Paulo Preto, o Serra achou melhor se lembrar do companheiro ferido na estrada. Vai que o homem resolve falar, né?

Mas fosse o Paulo Preto um homem honrado e, mesmo assim, largado na estrada, ferido, teria como ser lembrado? Penso que não, pois homens honrados não ameaçam já que não tem cumplicidades a delatar, não possuem "podres" a exibir, não participam de fraudes. Fico pensando que talvez seja nisso que se amparam certos calhordas para abandonarem companheiros honrados feridos na estrada. Eles tem certeza de que a honra inibe a delação. O resultado esperado é que os amigos abandonados morram na estrada ou sejam resgatados pela sorte.

Mas se, de repente, um homem que não seja um Paulo Preto, que seja reto, honesto e leal, mas mesmo assim, se considere abandonado na estrada, resolve falar? Não para delatar pessoas e crimes, pois deles não participa, mas para provar o mau caratismo, denunciar a vilania, demonstrar a torpeza, exibir a alma maldosa, revelar o egoísmo, a avareza e a insensibilidade daquele que o largou na estrada. Estaria este homem deixando de ser honrado, reto, honesto e leal? Ainda mais se tratando de um homem público, é lícito ao mau caráter se escudar no silêncio das boas criaturas para praticar suas perversidades?

Tenho pensado muito nisso.

domingo, 14 de novembro de 2010

Lá e cá, acertos e desacertos.

Em viagem de trabalho, aprendendo um pouco mais sobre a extensão rural e a agricultura familiar. Quanto mais eu vejo mais me convenço da grande diferença entre o discurso e a realidade. Não fosse o bolsa-familia e as aposentadorias de nossos velhinhos...

O que leio na imprensa nacional me diz que nunca antes na historia deste pais uma eleição teve ressaca tão grande. Dentro do governo e fora dele. Vitoriosos não acertam o passo para governar e derrotados não se acertam para fazer oposição.

No Acre a expectativa em relação a 2012 já está fazendo falar quem deveria calar. Alguns se apressam para tomar lugar no volante do busão da oposição, outros gritam hoje para no futuro negociar e conquistar um lugarzinho na janela, os mais experientes esperam o resultado da luta fraticida.

O governador eleito parece primeiramente preocupado em delinear uma agenda de desenvolvimento para só em seguida preencher as desejadas caixinhas do organograma. Isso é bom. Alguns sinais indicam que certos latifúndios de poder serão preservados. Isso é mau. Aguardemos.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Como disse Rui Barbosa concluindo poema de Cleide Canton.

Publico o vídeo abaixo movido especialmente por notícias e impressões recentes.

Entrelinhas

É uma M... mas é a MINHA M... Não me peçam para dizer mais nada.

Alguém reconhece o lead implícito?

Ainda o voto do nordestino pobre e analfabeto.

Em artigo publicado ai do lado no site OUTRAS PALAVRAS a extraordinária economista, socióloga e atual professora do Departamento de Economia da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), Tânia Bacelar de Araújo, com quem, aliás, tive a honra de trabalhar na elaboração do PAS - Plano Amazônia Sustentável em 2003, faz um esforço bem sucedido par explicar a expressiva maioria obtida por dona Dilma no Nordeste. Segundo ela "Não é o voto da submissão – como antes – da desinformação, ou da ignorância. É o voto da auto-confiança recuperada, do reconhecimento do correto direcionamento de políticas estratégicas e da esperança na consolidação de avanços alcançados – alguns ainda incipientes e outros insuficientes. É o voto na aposta de que o Nordeste não é só miséria (e, portanto, “Bolsa Família”), mas uma região plena de potencialidades."

Um de seus argumentos é de que o emprego formal cresceu no Nordeste a uma taxa de 5,9% contra uma taxa nacional de 5,4%. Não creio que esta diferença se tenha dado no interior do nordeste, mas sim nas áreas litorâneas, onde se vinculam empresas ligadas ao Petróleo e à construção civi, principalmente.

Já disse antes que não me atrevo a tirar conclusões precipitadas a respeito disso. Precisaria, antes, fazer um cruzamento estatístico entre as seções ou municípios mais pobres e de maior anlfabetismo com seus resultados eleitorais e ver a importância relativa dos números no resultado geral. Não se pode negar os avanços dos últimos anos mencionados pela professora, de todo modo, visitando o interior do Ceará onde nasci, sinceramente, não vi ainda nenhum aspecto efetivo de libertação do eleitor como pretende a Tânia. Pelo contrário, nestas regiões o que fica patente, queiramos ou não, é o aprisionamento ao Bolsa Familia e às velhas práticas clientelistas, embora com agentes renovados. Quer saber, cogite-se eliminar o programa e veremos até onde vai a "auto-confiança, a esperança e o reconhecimento" das populações pobres e anlfabetas, sejam no nordeste ou em qualquer outro lugar.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Yo acuso al gobierno cubano - Joan Antoni Guerrero

Em carta aberta, o dissidente cubano Joan Antonio Guerrero acusa a ditadura castrista de descumprir o compromisso de libertar presos politicos, especialmente aqueles que não querem ser expatriados.

7 de Noviembre del 2010

Este 7 de noviembre se vence el plazo que el régimen cubano había dado para conceder la libertad a 52 presos políticos, de una lista de presos políticos que supera el centenar.

Hemos llegado al fin de este plazo y la única conclusión clara es la siguiente: se han producido destierros masivos de opositores y sus familiares al extranjero, pero no se ha hecho ninguna liberación efectiva en Cuba. Permanecen presos políticos de la Primavera Negra en la cárcel, cuyos nombres habían salido en los listados iniciales.

Los presos políticos que aun permanecen encarcelados son, paradójicamente, quienes han rechazado salir del país. "Paradójicamente", pues estas deberían ser las excarcelaciones más fáciles de llevar a cabo, en cuanto los injustamente encarcelados no necesitan engorrosos trámites para residir en el extranjero. El mensaje es claro: no hay espacio para la oposición ni para la libertad en Cuba.

Por otro lado, los destierros que se han producido hasta el momento no pueden considerarse liberaciones, ya que los ciudadanos cubanos aspiran a vivir en libertad en su país, y no en el extranjero; en paralelo, ha habido un aumento de la represión, nuevos encarcelamientos, actos de violencia contra la oposición interna, amenazas de muerte a las Damas de Blanco, persecución, acoso y golpes a la madre de Orlando Zapata Tamayo, a quien el régimen intenta amedrentar con el objetivo de que abandone la isla.

En definitiva, los cubanos siguen viviendo en un estado de terror y el castrismo sigue carbonizando cualquier esperanza de futuro, mientras afianzan su control las élites corruptas, amparadas por el sistema castrista, el cual no muestra ningún interés en contemplar el respeto de los derechos humanos para todos y cada uno de los cubanos.

En esta fecha queremos recordar que en el interior de las cárceles de Cuba siguen decenas de presos políticos y que, en consecuencia, la dictadura no ha cumplido con su promesa. Una promesa que sólo sería el principio de un proceso de cambio que va a ir, tarde o temprano, abriendo nuevos espacios de libertad en una isla que no pertenece al castrismo, ni a ninguna ideología.

Este hecho exige que desde cualquier instancia se redoblen los esfuerzos para demandar la libertad inmediata e incondicional de todos los presos políticos: aquellos que, en cualquier sociedad democrática, no se encontrarían en la cárcel por haber ejercido los derechos fundamentales de cualquier persona.

Tenho a impressão de que A Ilha está por um fio. A qualquer momento se romperá a linha de aço com que os Castro comandam a vida e a morte em Cuba.

domingo, 7 de novembro de 2010

Nem "O Globo" escapa do diversionismo de nossos analistas.

No jornal O Globo de hoje, em matéria com o título  Derrota de Dilma indica fim do dominio do PT no estado, acreanos, petistas no meio, anunciam a queda do vianismo e a derrota da FPA em novos embates. Com mais ou menos razão tenta-se explicar os resultados das eleições e assinalar algumas perspectivas.

A parte inusitada fica por conta da acusação que faz o jornalista Antonio Alves de que os sucessivos governos da FPA escolheram controlar a imprensa. "No Acre não existe imprensa, existe assessoria de imprensa. Quem ganha o governo leva a imprensa de contrapeso. A tentação de dominar os meios de comunicação parece irresistível." Demorou pra notar, hein?

Já o deputado eleito, Sibá Machado, prefere ver na derrota da Dilma uma questão de antipatia "As pessoas simplesmente não gostaram dela e pronto. Não tem explicação." De tão simplista, a opinião nem parece refletida.

Se de fato está selado o fim do petismo-vianismo no Acre como sugerem os entrevistados, o que não me parece certo, a causa central não é, seguramente, nenhum dos aspectos mencionados de modo ligeiro na matéria. O autoritarismo e o controle da imprensa são muito importantes - já assinalei isso em outro post, mas não determinariam o resultado proposto se houvesse satisfação com o desenvolvimento econômico do estado e com os serviços básicos prestados.

A propósito, o jornalista Nelson Liano Jr. faz uma abordagem hoje no jornal A Gazeta "Politica é como nuvens" que me parece bem mais próxima da realidade quando aponta questões cruciais a serem enfrentadas pelo novo Governador - industrialização do estado e solução da questão da saúde pública. É mais do que isso, mas este é o sentido das ações que podem recuperar o prestigio eleitoral da FPA.

O que dá para perceber de algumas declarações vindas da FPA é que a ficha caiu mas não se sabe aonde. Ou, então, não querem saber. Um sem numero de causas secundárias que são apresentadas para o desfecho da campanha com a acachapante derrota da dona Dilma parece estratégia para driblar o adversário sem de fato enfrentá-lo.

Pensemos, seguindo o raciocínio destes renitentes, que de agora em diante cessará a pressão sobre a imprensa, a rede pública de rádio e TV terá espaços fraternalmente divididos com a oposição, os sindicatos serão desaparelhados, os cargos serão preenchidos pelo mérito e não por aquela carteirinha, a administração será humanizada (era desumana?), na ALEAC a oposição jamais será atropelada pelo rolo compressor do governo, as instituições federais terão completa autonomia e as prefeituras terão o mesmo tratamento na efetivação de convênios. Que tal? Uma mudança e tanto, não?

Pois é. Mas não adiantará. Como se pode notar as mudanças são de estilo, de forma e não de conteúdo naquilo que é a função mesma do governo, ou seja, prestar serviços públicos de boa qualidade e direcionar os investimentos para criação de atividades que gerem oportunidades de emprego e renda. Este sim deve ser o alvo da mudança.

sábado, 6 de novembro de 2010

No governo, continuar é recomeçar. Sempre.

Um dos problemas da transição entre governos de continuidade é o açúcar que os de agora lançam sobre os dados do presente para adoçar a boca dos donos do futuro. Uns na tentativa de serem reconduzidos à sua parte no latifúndio do governo, outros para minimizarem o próprio fracasso.Quem entrega sua pasta sempre dirá que fez o máximo e que entre o antes e o depois a diferença é extraordinária. O nunca antes neste país (ou estado) virou vício de linguagem. Quando juntar todas as partes e resultados dos últimos quatro anos o novo dono do pedaço deve se perguntar por quê não teve a unanimidade dos votos de tão boa que a coisa está. Até se compreende que queira jogar a culpa no eleitorado, este ingrato.

A tendência de quem apresenta os relatórios de gestão é sempre superfaturar os resultados, os indicadores e as estimativas, fazendo com que o novo governante acredite que seu trabalho será tocar adiante o que já está em andamento com insuperável sucesso, ainda que na realidade signifique o itinerário do fracasso.

Outro dia conversei com um membro do alto escalão do governo. O homem parecia tão seguro dos dados que exibia que precisei contrapor seu júbilo com estatísticas oficiais. Não se deu por vencido. De cara foi logo dizendo: "Estes indicadores não servem, foram criados para realidades diferentes da nossa".  Ah, não. Esta cantilena de novo, não.

O meu conselho (se pudesse ser ouvido) aos novos governantes, mesmo os da continuidade é: OUÇA O RELATÓRIO DAS RUAS E RECOMECE.

Um abacaxi daqueles de Tarauacá (que dona Dilma ainda não conhece)

Interessante ler o artigo do jornalista Hélio Fernandes AQUI. O velho jornalista, com 90 anos de idade e mais lucidez que muitos boys da grande imprensa identifica com precisão um nó górdio do próximo governo. Um trecho vai abaixo:

"Dias antes do segundo turno e da ratificação do nome de Dona Dilma, o secretário do Tesouro (corretíssimo) publicou no Diário Oficial e revelou em entrevista, os números das DÍVIDAS: a interna e a externa. Ninguém escreveu, elogiou, protestou, analisou ou debateu esses números. Parece que não têm importância, na verdade é a altura deles que impede o investimento, compromete nosso desenvolvimento, mantem o país enganado em 'berço esplêndido'."

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Quando é obvio, tanto faz nos EUA como no Acre.

Bem longe do Acre, após as eleições parlamentares nos EUA, o senador democrata por Indiana, Evan Bayh, publicou um Artigo muito interessante tratando do futuro do seu partido e, por consequência, do governo Obama.

Se não soubesse antes, juraria que o autor é um membro lúcido da FPA.

O projeto. Sempre o projeto.

Recorto da coluna do Claudio Humberto: Aécio: PSDB precisa de 'projeto'


"O senador eleito Aécio Neves (PSDB), disse nesta quinta (4) que, antes de ter um nome para concorrer à Presidência da República, em 2014, o PSDB precisa definir um "projeto" a ser apresentado ao eleitorado do país. A declaração foi dada em resposta ao presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra e também pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que defendem que o PSDB antecipe para 2012 a escolha do seu candidato a presidente."

No Acre, o governador eleito Tião Viana convoca o professor Rego para dar feição a uma versão renovada do projeto em curso, se reúne com colaboradores e pede contribuições. Segundo suas próprias palavras, aguarda nova idéias de politicas públicas.

Estão certos os dois. O Aécio por saber que um dos problemas das oposições é a ausência de um projeto que marque claramente as diferenças entre o que pretendem e o que pretende o governo. Não dá pra ir às urnas em 2014 confundindo o eleitor com uma idéia de continuidade mitigada por tons de crítica. O Tião Viana por saber que na sua versão original a florestania deu o que tinha. Não dá pra ir em 2014, com pit stop em 2012, com mais do mesmo.

E as oposições no Acre vão com quê? Estarão contando apenas com a popularidade do senador Petecão para ganhar o Governo? Ou contam com a memória eleitoral de 2010 em torno de Tião Bocalom? Sei que sou insistente nesse negócio de projeto, mas, como se vê, não estou sozinho.

Se, como indicaram as urnas, uma vitória das oposições no Acre deixou de ser especulativa e passou a ser real, é preciso que seus representantes dediquem alguma energia ao desenho e proposição de um verdadeiro projeto de desenvolvimento para o Acre, em analogia ao que pretende fazer Aécio Neves em nível federal. Enganam-se aqueles que ainda embriagados pelo resultado de 3 de outubro ratificado no segundo turno pensam que agora é sentar e esperar o tempo passar.

Anotem. O governador Tião Viana é um político experiente, conhece bem o Acre e foi moldado em doze anos de convívio nas mais altas esferas políticas e administrativas do pais, tem bom conceito no Congresso e na opinião pública nacional, exerce boas relações com setores importantes da alta administração. Alem disso, lembremo-nos, a Dilma ganhou, o fluxo de recursos não cessará por causa da derrota no Acre. Por tudo isso o novo governador pode sim recuperar parte do eleitorado acreano, principalmente se, como anuncia, reciclar o projeto em curso e revigorar a administração, descupinizando-a e desbolorando-a.

Aguardemos.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

As cores dos mapas dentro dos mapas.

Os resultados do segundo turno das eleições geraram um mapa eleitoral publicado em vários jornais que, aproveitado por jornalistas e blogueiros (eu no meio) deu margem a comparações com mapas (abaixo) de analfabetismo e de pobreza. A alta correlação entre estes mapas possibilita interpretações diversas. Cada um que se responsabilize pela sua. Trato aqui de duas e, ao final, opino.




Interpretação 1.

A blogueira Adriana Vandoni recorrendo à tese de um amigo pesquisador cujo nome deixa de informar  explica que "Quanto menos tempo de estudo, mais concreto é o pensar. Não existe o pensamento subjetivo, não existe o longo prazo. Apenas o imediato, o acordar, tomar café, sair, voltar, comer e dormir. Já a pessoa com mais tempo de estudo aprende a raciocinar de forma mais ampla e percebe a subjetividade dos fatos. Quanto menos estudo a pessoa tem, mais fisiológica é sua forma de pensar."

Daí, conclui a blogueira que havendo correlação entre o eleitorado da Dilma e o analfabetismo, como parece gritante nos mapas acima, se poderia afirmar que a Presidente foi eleita por pessoas que pensam mais concretamente e valorizam as próprias exigências fisiológicas. É como dizer que o analfabeto vota com o estômago e, por isso elegeu a Dilma. Por outro lado, possuindo uma capacidade de pensar mais elaborada, os eleitores de maior grau de instrução valorizam a subjetividade dos fatos. Em resumo, os mais instruídos votam com o cérebro, portanto, mais conscientemente.

Estabelecida esta dicotomia, a parte mais ao norte e nordeste (em vermelho nos dois mapas) elegeram a Dilma.

Interpretação 2.

Hoje, em artigo publicado em vários veículos no Brasil, o sociólogo e presidente do Vox Populi, Marcos Coimbra tenta desfazer a versão apontada de que o Brasil atrasado (norte e nordeste) venceu o Brasil desenvolvido (centro-oeste, Sudeste e Sul). Para isto ele faz o exercício correspondente. Divide o eleitorado em dois, ou seja, norte e nordeste X centro-oeste, sudeste e sul, soma os votos de cada um e conclui que a Dilma ganha nos dois. Pronto. O Brasil seria assim plotado todo de vermelho (abaixo) e fica então evidenciado que não se pode atribuir à pobreza e ao baixo nível de instrução a vitória da Dilma.




Interpretação 3 (a minha).

Antes de frequentar a academia, aprendi com o poeta maranhense João do Vale que "dentro de um morcego tem um menorzinho e, se procurar direito, dentro do outro tem outro morceguinho."

Ora. O que faz o Marcos Coimbra é brincar com o leitor manipulando o universo do eleitorado. É evidente que no corte macro a Dilma ganha e o mapa fica vermelho. Quanto mais profundo o corte, mais aparecem as diferenças. Por isto, no corte municipal se pode ver o azul prevalecendo espacialmente nas regiões centro-oeste, sul e sudeste. Além disso, é com cortes iguais que se pode fazer comparações adequadas.

O que se pode afirmar sem medo de errar é que, considerando o nível municipal de análise, a Dilma foi vitoriosa na maioria dos espaços em que também se verificam as maiores taxas de analfabetismo e de pobreza (mapa abaixo). Inversamente, Serra ganhou na maioria dos espaços em que se verificam os menores índices de analfabetismo e de pobreza. Ponto.

Mapa da Pobreza



É possivel extrair dai que a eleição da Dilma se deve à ignorância e à pobreza? Esta é uma conclusão que não me permito, embora possa deduzir dos mapas que, majoritariamente, nos municípios de maior pobreza e analfabetismo foi ela que ganhou a eleição. Para dizer em que medida estes grupos foram importantes na sua eleição seria necessário um exercício estatístico simples mas trabalhoso que não farei.

Afirmar porém, como faz Marcos Coimbra a partir da divisão do território em dois, que o Brasil é todo vermelho, como diria o deputado acreano Moisés Diniz, seria a versão dos ganhadores.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

A lição que nem a FPA nem o Altino nem a Marina querem assimilar.

Como sempre, leio com muita atenção o que diz o Altino Machado em seu Blog, o mais prestigiado entre os acreanos e, talvez, da Amazônia. Em seu último post ele identifica nos resultados eleitorais recentes, uma lição dos eleitores que, segundo ele, reclamam da atual maneira de governar adotada pela FPA. Aponta razões do tipo  "o governo é perseguidor", "o governo cerceia a imprensa", "mente demais na propaganda", "o pessoal do governo é muito arrogante", "só tem vez no governo uma panelinha", "que manda mesmo é gente de fora", "acreano não tem vez" que explicariam o fio da navalha em que se encontra a florestania.

Ainda que concorde que as razões citadas estão mesmo por ai, desconfio que são tópicas. Estas não são as razões do povão. Sinto dizer, mas o buraco é mais embaixo, sim senhor. A razão de fundo é, principalmente, a limitada capacidade do projeto em curso de gerar empregabilidade e real desenvolvimento econômico. Além disso, ainda, os problemas na prestação eficiente de serviços básicos como saúde e segurança, a tutela dos sindicatos, a intimidação da imprensa, o desequilíbrio na relação com os outros poderes e a influência desmesurada nas organizações do estado incluindo a UFAC e até em organizações privadas. Portanto a verdadeira lição é de conteúdo.

Não duvido da capacidade do Governador Tião Viana de alterar este processo que expressa e, ao mesmo tempo, corrói a hegemonia conquistada. A sua experiência de 12 anos no Senado e sua participação permanente nas políticas do governo o garantem. Tenho dúvidas é de que o seu entorno ofereça as condições para tal com rapidez e profundidade.

De sua entrevista publicada hoje no jornal A Gazeta, extraio alguns bons sinais. Não renunciará à capacidade técnica de sua equipe, não haverá exclusivismo partidário em sua equipe, espera novos desafios de políticas públicas. Não é muito, mas como se tratava de uma entrevista relacionada com o resultado eleitoral da Dilma e não de Plano de Governo, penso que precisam ser registrados.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Mapas fundamentais para compreender o eleitorado.



No quadro acima dois mapas se comparam. O primeiro é do analfabetismo - quanto mais vermelho maior o percentual de analfabetos por município. O segundo é do resultado eleitoral - nos municípios em vermelho ganhou a Dilma e quanto mais forte o tom maior a diferença percentual. Nos municípios em azul a vitoria foi do Serra.

Como se vê, a correlação é gritante. O quadro foi retirado de uma análise que merece ser lida na página da Adriana Vandoni AQUI.

Abaixo temos o mapa da pobreza no Brasil. Quanto mais escuro, maior o índice de pobreza no municipio. Outra coincidência.

Mapa da Pobreza no Brasil



Nem precisa ser gênio pra saber quem são, aonde estão e por quê votam os brasileiros.

Acre, o mais tucano dos estados brasileiros. Por que será?

Com 7 em cada 10 votos acreanos, José Serra deu a maior lavada nas eleições presidenciais deste domingo. Pode-se dizer que o Acre é o mais tucano entre os estados. Parece piada, mas é o que os números dizem, apesar de o Estado viver sob hegemonia petista há 12 anos e ter mais 4 pela frente com o mesmo grupo no comando. Dos 22 municípios, paradoxalmente, a Dilma só venceu naquele em que o prefeito é tucano (ainda é?). Parece que quem nasceu para ser dindin jamais será sorvete.

Rio Branco também deu a Serra o seu maior percentual de votos entre as capitais brasileiras com 73,29%. De quebra, o Acre apresentou os dois municípios onde a Dilma foi menos votada em todo o Brasil. Em Porto Acre teve apenas 19% dos votos. Em Capixaba teve 20%. Os dois municípios são governados pelo PT.

Pelo que foi noticiado, ressabiados com os resultados contrários no primeiro turno, os líderes da FPA se empenharam como nunca para reverter a situação. Seria uma tarefa possivel, já que em 2006 aconteceu uma virada em favor de Lula. O melhor argumento era de que o eleitorado da Marina Silva no primeiro turno voltaria ao seu campo natural. Não voltou, ou não era mais a FPA o campo natural daqueles votos.

Nas primeiras palavras de avaliação do resultado, o novo senador Aníbal Diniz, certamente surpreso com o comportamento do eleitorado diz "Precisamos entender o que levou o eleitorado do Acre ter essa postura de hostilidade ao Lula e a Dilma". Não sou da FPA mas dou uma ajudinha ao Senador em quatro pontos listados sem ordem de importância.

1. Os votos acreanos na Marina Silva (23% no primeiro turno) eram em parte, também votos de rejeição à Dilma, pois a futura presidente foi identificada como algoz da senadora no Ministério do Meio Ambiente. Precisaria que a Marina viesse pessoalmente explicar a sua relação com a Dilma e pedir votos para ela. Como se manteve neutra, prevaleceu a rejeição.

2. Com um eleitorado pequeno e majoritariamente ligado à religião, as informações sobre a postura pró-liberação do aborto da Dilma se consolidou. A oposição usou fartamente este argumento para convencer os cristãos, o que fez com que se criasse uma maior resistência à mudança de voto.

3. A estratégia política da FPA no governo sempre foi apropriar-se da autoria e da realização dos projetos do governo federal no Acre. Se formos cotejar friamente no noticiário, veremos que nos últimos 12 anos nenhuma das obras ou projetos implementados é federal. Todos, sem exceção, foram divulgados como ações de responsabilidade do governo estadual. Na base do juntos e misturados até o bolsa-família em determinado momento deu carona ao "adjunto da solidariedade" para que se pudesse compartilhar o mérito. Neste sentido, o governo federal, Lula e Dilma junto, praticamente sumiram. No imaginário popular aparecem como pano de fundo e não como protagonistas. Não há Lulismo no Acre. Bom para a FPA, mas péssimo para a Dilma.

4. Diferentemente do segundo turno da campanha de  2006, desta vez a oposição foi à luta. Ao invés de se dispersarem e tomarem o rumo das praias em férias, os principais líderes tomaram o caminho dos municípios do interior e dos bairros da capital reafirmando a campanha do primeiro turno. Com o empate técnico para o governo e a vitória na capital, a oposição no Acre está com auto-estima elevada e pretende manter acesa a expectativa do eleitorado.

A questão que agora se apresenta é se, com a performance apresentada, reduz-se a força da FPA em Brasília, ou se haverá algum prejuízo em termos de transferência de recursos, de aprovação de projetos, de continuidade de obras etc.

É inegável que o resultado não aumenta o prestigio pessoal de alguns personagens, mas não creio que se reflita em menos apoio objetivo ao desenvolvimento do Acre. O estado é pequeno, suas demandas são pequenas vis a vis o orçamento da união e, de todo modo, serão 2 senadores e 5 deputados federais a dar sustentação ao governo. Além disso, o Acre, a terra de Chico Mendes, é emblemático. Não pode, por isto, ser largado ao vento, sob pena de se constituir pela voz da Marina Silva, principalmente, em ponta de lança a cutucar a sustentabilidade do projeto Dilma. Se alguém disser que o Acre terá menos atenção por causa da votação do segundo turno estará mentindo ou declarando uma vilania sem limites.

Por outro lado, os tucanos locais e seus aliados alcançam perante a cúpula de seu partido um prestígio que nunca possuiram. Aquele pensamento "por lá não temos chance" que contaminava as avaliações partidárias sobre o Acre foi eliminado. Está todo mundo dizendo que no Acre "We can". Assim, fica mais aceso o alerta à FPA. O Governador Tião Viana cuide em fazer em um ano alguns "milagres" bem concretos e perfeitamente comunicáveis, senão... 2012 vem ai.

Serra "é apenas o começo".

O discurso do Serra foi surpreendente. Tenho certeza de que a maioria esperava uma fala mais simples, de reconhecimento ao vencedor, de desejo de sucesso, de agradecimento e só. Não foi. O José Serra de certo modo chamou a responsabilidade para si e para seu partido. Longe de pendurar as chuteiras, ele calçou as luvas e foi para seu lado do ringue. Pelo visto não dará refresco.

Fato é que a oposição ganhou as eleições para o governo estadual em 10 estados que reúnem 52% da população, entre eles alguns dos mais importantes da federação e, a partir dai, pode articular com Aécio Neves no Congresso, e Beto Richa, Anastasia e Alckmin entre os governadores, uma trincheira em defesa de questões que ele mesmo explicitou - a liberdade e a democracia.

Haverá, contudo, dificuldades internas. A fila anda e quem está na vez do comando é Aécio Neves.