domingo, 31 de outubro de 2010

Dilma - um discurso previsível.

No primeiro discurso da Dilma, nada além da ratificação de promessas de campanha, a mão estendida à oposição, especialmente aos governadores eleitos, com a manjada promessa de relação sem privilégios ou compadrios, os agradecimentos ao Deus Lula (estes com toda razão) e nada mais. Um texto simplório, para dizer o mínimo. Luis Dulci faria bem melhor. De qualquer forma é bom guardar e cobrar depois, principalmente aquele trecho em que fala de liberdade de imprensa e de meritocracia na administração pública.

Agora é aguardar a formação do ministério. Imagino o tamanho da fatura que será apresentada por uma bancada de 400 deputados federais e mais de 50 senadores, todos sedentos por cargos e privilégios. Começar o governo com uma manada deste tamanho não será nada fácil. São bichos famintos. Talvez não haja leite para tantos bezerrinhos.

Continuemos

Ganhou o Lulismo. Ganhou o continuísmo. Continuemos, pois.

Marina Silva e Vianas sob alta arapongagem

Se confirmada a noticia divulgada por Mino Pedrosa AQUI e repercutida em blogs acreanos de que os Vianas e a Marina Silva estiveram sob arapongagem do governo federal, fica demonstrado mais uma vez que os subterrâneos são o território onde transitam com mais facilidade agentes do governo, bem ao estilo dos dossiês que fizeram contra os tucanos paulistas. Seria o escorpião provando do próprio veneno.

No que toca ao Jorge Viana, pelo menos na entrevista ao Alan Rick, não demonstrou qualquer preocupação com os seus arquivos apreendidos, devidamente copiados e sob análise pericial. A sua preocupação pareceu ser em relação à origem e interesse da investigação. Quer identificar com clareza o inimigo.

Já a Marina Silva, que entra agora como alvo de arapongagem incluindo o Fábio Vaz, seu marido, deverá se indignar. Imagine se ela vai calar perante uma ameaça ao seu capital mais valioso que é a postura ética e ilibada. Atentar contra este caráter de sua vida pública seria pôr em risco toda a sua formulação estratégica. A não ser que julgue melhor não mexer no lixo.

Marina Silva e sua estratégia.

Leio no portal Terra, com link no Altino Machado ai do lado, algumas declarações da Marina Silva. Entre elas, aquela cantilena pasteurizante de que Serra e Dilma são parecidos, são gerenciais, centralistas e nada estratégicos. Parece que a nossa Marina escolheu como estratégia, dizer que não é estratégico aquilo que não embarca na canoa do alarmismo ecológico. Segundo ela, parece, cuidar da saúde, da segurança e da educação dos brasileiros é menos estratégico do que criar unidades de conservação e reduzir o desmatamento.

Revelando mais uma vez o apego a chavões e frases feitas a Marina está adotando o termo "estratégico" como se fosse dona de sua definição. Para ela o bom é ser estratégico e estratégico é aquilo que ela acha que é estratégico, ou seja, bom é o que ela acha que é bom, o resto não serve. Dizer que o plano real foi uma sacada "estratégica" do FHC é uma bobagem sem limites. Nada de estratégico, o que houve ali foi um plano econômico feito por encomenda por economistas para debelar a inflação. FHC estava olhando para o presente, para a inflação estratosférica em que viviamos e nada mais. Se ao menos tivesse falado na lei de responsabilidade fiscal ou no Avança Brasil, mas o real? Tolice.

Do mesmo modo se pode dizer do Lula. Se tem algo que falta no Lula é pensamento estratégico. Lula não pensa além da próxima eleição. Se há algo de estratégico no seu pensamento ele guarda para seus encontros com Chavez, Evo Morales e Fidel Castro. Fora disso, distribui migalhas aos pobres, navega com a maré, encantoa a imprensa, pelega os sindicatos, aparelha o estado, satisfaz a voracidade da banca nacional e internacional e toca seu barco com pretensões ilimitadas.
 
É aceitável que a Marina pense estrategicamente. Ela é uma visionária, enxerga certo ângulo do movimento da ordem mundial em sua marcha, imagina que pode se antecipar a ele... até ai tudo bem, mas não dá para apropriar-se do termo e zerar o pensamento alheio sobre o futuro.

sábado, 30 de outubro de 2010

Gran finale na Globo. Agora é com o povo.



Os candidatos encerraram ontem na TV Globo suas campanhas. Foi um bom debate, um formato diferente, linguagem corporal à vista. Deu pra ver, por exemplo, que a Dilma caminha que nem sargento mostrando pra recruta quem manda no pedaço e deu pra ver a serenidade do Serra. Quem vai ganhar? Não sei. Penso que será ganha por menos de 4 pontos percentuais de diferença. É apenas uma intuição.

De todo modo esta eleição ficará marcada na história como aquela em que o governo federal, impunemente, se colocou descaradamente a operar em favor de uma candidatura. Nunca antes neste país um presidente da república havia jogado a liturgia do cargo no lixo, neste caso para empenhar pessoalmente ministérios e estatais na eleição de uma candidata sem lastro e sem lustro. Se o exemplo for seguido à risca daqui em diante, adeus democracia, adeus alternância do poder, adeus liberdade.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Escarafunchando as pesquisas, dá outra coisa.

Do Blog do Jamildo AQUI

"O publicitário Marcelo Teixeira, da empresa Makplan e que já trabalhou para tucanos e petistas pelo Brasil, analisou os últimos números da pesquisa Datafolha e diz que Dilma pode até ganhar as eleições, mas que as chances maiores de vitória são do candidato tucano José Serra. Quando todo mundo dizia que Dilma levaria no primeiro turno, em entrevista exclusiva ao Blog de Jamildo, analisando os mesmos dados do Datafolha, ele antecipou que haveria segundo turno."

De tanto ver pesquisas fraudulentas (As publicadas no Acre viraram piada) não acredito em nenhuma delas, porém, há quem se dedique a trabalhar com elas. Certas coisas fazem sentido.

O Papa em dia de graça.

O papa Bento XVI disse recentemente:

"Quando os projetos políticos contemplam, aberta ou veladamente, a descriminalização do aborto ou da eutanásia, o ideal democrático – que só é verdadeiramente tal quando reconhece e tutela a dignidade de toda a pessoa humana – é atraiçoado nas suas bases (cf. Evangelium vitæ, 74). Portanto, caros Irmãos no episcopado, ao defender a vida «não devemos temer a oposição e a impopularidade, recusando qualquer compromisso e ambigüidade que nos conformem com a mentalidade deste mundo» (ibidem, 82)."

E mais não precisava dizer. Abortistas no governo e fora dele não terão vida fácil em suas intenções assassinas.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Sobre falas de zumbis e cegos

Zumbis ainda perambulantes entre nós, de vez em quando abrem suas bocarras, de onde se pode ouvir os gemidos de milhões de vítimas de Stalin, Mao e Pol Pot, para tentar virar a roda da história ao contrário e enxergar nos eleitores livres do bolsa-família e do vale-eletrodoméstico, uma manifestação do que chamam de direita. Alguns chegaram ao cúmulo de misturar a Marina Silva com a TFP, Fernando Gabeira com a Opus Dei, José Serra com Plinio Salgado e assim por diante. Tolices de quem não consegue ler o presente sem tirar das vistas as lentes do atraso e das velhas concepções.

Essa gente nunca teve espírito crítico, se o tinham esfumaçaram-no com a poeira do muro de Berlim. Perderam o azimute. Acolhidos hoje sob o guarda-chuva fisiológico e populista do governo Lula, a maioria pendurados nas boquinhas dos sindicatos e do aparelho estatal, quando não de ONG's financiadas com o dinheiro público mal fiscalizado, acham genial dividir a sociedade brasileira entre os que apoiam o Lula e, por isto deveriam receber obedientemente suas ofertas eleitorais, incluido Collor, Sarney, Renan, Romero Jucá, Jáder Barbalho e outros de menor folha corrida, e os que não o apoiam. Maldita ignorância. Asqueroso fanatismo.

Para desgosto das almas moféticas o eleitor não faz apenas contas de somar. Muitas vezes suas decisões vão mais além do que recomendam sua barriga vazia e sua boca banguela. Os brasileiros, felizmente, possuem valores morais e éticos que os fazem lembrar da corrupção sistêmica, dos desvios mal apurados e mal punidos, dos acordos espúrios jamais explicados, da venda e compra de votos e consciências, da afronta à liberdade, do atentado ao direito de propriedade e da ameaça à vida, movimentos dissolutivos do padrão social que engendramos ao longo de nossa história.

E tem os verdes. Não concordo com tudo o que pensam, não acredito em tudo que propõem, não me alisto entre os alarmistas do aquecimento global, até desconfio de onde querem chegar, mas percebo com clareza que nestas eleições 20 milhões de almas vivas se deram conta de que o mundo não acaba aqui, que a responsabilidade do voto é teleológica e encontraram em Marina Silva não um ponto de chegada, mas um caminho, mais ético, mais honesto, mais justo e mais fraterno, um projeto visionário. Diferentemente do que pensam em suas tumbas os órfãos de Lenin, a candidatura de Marina Silva exerceu o papel mais legítimo que poderia em uma sociedade democrática - a expressão de uma idéia. Ocorre que para as mentes autoritárias nada é mais perigoso do que uma idéia em movimento. Talvez seja isto que não perdoam certos zumbis. Eles detestam as idéias livres, eles odeiam as diferenças, eles não perdoam o dissenso.

Como sugeriu Lula diante dos próprios índices de popularidade, "aqueles 3% de ruim e péssimo devem ser de algum comitê do Serra". Só se contentam com a totalidade. Há sinal mais evidente do que está em marcha no Brasil?

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Saindo um gênio, entrando outro. Como diria o mineiro chileno, quero voltar pro buraco!

Acre - quem vive de assados termina se queimando.

Ouvi ontem de um figurão da FPA que a bancada do Acre na Câmara Federal ganhou muito com a volta de Marcio Bittar e a eleição de Sibá Machado. Provavelmente movido pelo conhecimento de que por vários anos fui colaborador próximo do Marcio, o meu amigo petista fez questão de insistir nas qualidades do tucano mais bem votado no Brasil em 2010. Ouvi calado, como ensinam os mais velhos.

Depois, com meus botões, fiquei pensando de onde surgiria tal admiração, já repercutida em outras ocasiões, dado que por aqueles lados não é comum este tipo de concessão a adversários. Dois neurônios se juntaram e concluíram o seguinte:

1. Com o aperto que levou nas últimas eleições, a FPA não está muito disposta a açular a oposição, principalmente seus líderes mais importantes, com afrontas, acusações e menosprezo. Fazer isto seria manter na chapa quente o clima que determinou a derrota em Rio Branco, palco da próxima batalha.
2. Dando consequencia àquela avaliação de que a FPA sisuda é que prejudicou a performance de seus candidatos, melhor é adotar desde já o modelito simpatia. O momento, bem sabe o Tião Viana, é de conciliação máxima com os eleitores.
3. Dada a situação, não custa reconhecer que entre os oposicionistas, Marcio Bittar é dos poucos que faz oposição debatendo idéias e projetos, combatendo a florestania sem fazer tábua rasa dos avanços alcançados.
4. Por último, como de praxe, também não custa alimentar a cizânia interna na oposição.

Hoje, coincidentemente, leio na coluna do Luis Carlos Moreira Jorge, que alguns membros toscos da oposição ainda excitados pela campanha e já pensando na próxima olham de modo enviezado para o Marcio Bittar. Pelo jeito ainda não deram uma olhada na conta corrente para ver que em relação a certos personagens o saldo é negativo. Não sabem viver sem empurrar alguém para a frigideira. Terminarão assando o próprio rabo.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Diálogo republicano

Querem ouvir um diálogo bem "republicano"? Acessem a reportagem da Folha AQUI. É o Silas Rondeau, Ministro de Minas e Energia, passando a limpo com a Chefe uns negociozinhos bem tranquilos.


Arnaldo jabour: O que há na cabeça dos comunistas?


Arnaldo Jabor comenta o PNDH 3 from Manifesto em Defesa da Democraci on Vimeo.

FHC: Numa democracia há muitas opiniões e todas tem que ser respeitadas.


FHC - "Numa democracia há muitas opiniões e todas tem que ser respeitadas" from Manifesto em Defesa da Democraci on Vimeo.

Hélio Bicudo: O autoritarismo civil pode ser pior que o militar.

Hélio Bicudo - "O autoritarismo civil pode ser pior que o militar" from Manifesto em Defesa da Democraci on Vimeo.

Paulo Brossard: Agora, a regulação da imprensa, o que que é isto, hein?


Paulo Brossard - "Será que o período da censura já não foi o bastante?" from Manifesto em Defesa da Democraci on Vimeo.

Almir Pazzianoto: Lula quer terceirizar a presidência.


Almir Pazzianotto – “Lula transmite a ideia de que vai terceirizar a Presidência da República” from Manifesto em Defesa da Democraci on Vimeo.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

O maior prêmio é a liberdade de Cuba.



El disidente cubano Guillermo Fariñas, Premio Sajarov 2010 del Parlamento Europeo (PE), afirmó hoy que el premio mayor al que él aspira es a la democracia y la libertad en Cuba tras más de medio siglo de lo que describió como "dictadura comunista".

En entrevista con Notimex, dijo este jueves que "este es un premio táctico, es un premio flaco, en el sentido de que el premio que yo aspiro es a la democracia de Cuba, ese es el Premio Gordo de Cuba y por ese seguiré luchando aunque me cueste la vida".

A entrevista completa ver AQUI

Damas de Blanco se manifestam em Madrid

Estas são algumas das Damas de Blanco, mulheres, mães e filhas de dissidentes cubanos presos por delito de opinião. Em Cuba, por fazer uma caminhada silenciosa e pacifica como esta, teriam sido acompanhadas, cercadas, agredidas e presas. Há ainda no Brasil energúmenos que apóiam o regime cubano.

Prêmio Sakharov vai para dissidente cubano. Por aqui...

O Parlamento Europeu concedeu ao dissidente cubano, jornalista Guillermo Fariñas, o Prêmio Sakharov para a Liberdade de Pensamento. Quem acompanhou sua última greve de fome em defesa de outros presos políticos cubanos sabem da importância do reconhecimento à sua luta.

Por aqui, inspirados no PNDH-3 do governo federal, algumas assembléias legislativas estaduais vão na contra-mão e, a exemplo do que ocorreu no Ceará, procuram formas de criar constrangimentos à liberdade de imprensa. O modelo chavista em plena expansão na América Latina tem tudo para tomar fôlego no Brasil dependendo de quem vença as eleições. A despeito da gravidade do tema, intelectuais, jornalistas e blogueiros pré-pagos, como diria Hélio Fernandes, se omitem ou endossam as ameaças às liberdades. Que tempos vivemos!

Declaração de voto de um cidadão livre.

O voto livre para presidente da república quer eleger, principalmente, o projeto apresentado, as condições que o candidato possui de levá-lo adiante e a sua capacidade de afirmar princípios e valores morais e éticos que  balizam a vida em uma sociedade justa.

O voto de rabo preso, seja a concepções do passado, ou a partidos, personagens, cargos e expectativas quer eleger, obrigatoriamente, o projeto e o candidato que melhor responde ao interesse pessoal ou de grupos.

Enquanto o primeiro se preocupa em manter a paz e a liberdade, o respeito aos contrários, a alternancia do poder e o Estado de Direito, o segundo busca a perpetuação no poder e a afirmação do autoritarismo, da transformação de órgãos do Estado em aparelhos partidários, da restrição à liberdade de imprensa, da eliminação do dissenso, do menosprezo à religião e da corrupção como prática dispensada de combate quando destinada à manutenção do Partido.

Enquanto o primeiro soma esforços para a realização de processos democráticos que levem o indivíduo ao exercício pleno e livre de sua capacidade, e a sociedade a estágios superiores de desenvolvimento, o segundo acredita no aniquilamento das diferenças e no progresso de uma massa uniforme tangida por seres iluminados e seus métodos obscuros.

Enquanto o primeiro aposta na liberdade, nas capacidades, aptidões e oportunidades que fazem o homem se diferenciar pelo próprio mérito, o segundo propõe a infantilização (royalties para Marina Silva) do indivíduo e da sociedade como forma de dominação.

Enquanto o primeiro tem na liberdade e na democracia princípios irrenunciáveis, o segundo dá, empresta e, às vezes, vende suas convicções, crenças, direitos e opiniões, imolando a própria consciência.

Eu, cidadão livre, voto em José Serra.

sábado, 23 de outubro de 2010

De sabujos, sabujices.

Algo que me incomoda, mas não surpreende, é a capacidade que algumas pessoas tem de subverter a lógica para dar aparência de verdade ao que no íntimo sabem que é falso. Ou vice-versa. Me refiro à negação que alguns fazem de que a dona Dilma é A FAVOR da descriminação do aborto porque considera uma agressão contra a mulher. Foi ela que disse isto todas as palavras, letras, virgulas e ponto. Não dá pra negar.

Quando acossada por videos que comprovavam a sua postura abortista, a candidata sacou uma arma quase infalível. A da mistificação. Danou-se a dizer que estava sendo vítima de boataria. Ora, ora. Boataria uma ova.  Está documentado. Dai em diante, os seguidores de Lula (ela mesma não tem eleitor nenhum), alguns até bem letrados, vestiram os capuzes e passaram a denominar de medieval o debate sobre o aborto. Quem é contra está sendo perseguido.

Nenhum deles, entretanto, filósofos ou não, ao macaquear a candidata dizendo que aborto é assunto de saúde pública, é capaz de lembrar das crianças assassinadas. Elas são assunto de quem? Nem uma palavrinha sobre estas. Não é interessante? O que mais se vê são "intelectuais" se referirem à questão como se fosse coisa de maluco, de gente fora de sua época, de beatos. Simplesmente fogem do debate.

Espertamente, de tanto repetirem que são boatos eles cavam uma sepultura para a verdade e aproveitam para nela enterrarem tudo que é acusação, todos os malfeitos, todas as propinagens, todos os desvios, todos os descalabros que a oposição, obviamente, tem a obrigação e a oportunidade de apontar. Querem, talvez, que a oposição faça campanha escondendo os podres do governo. Era só o que faltava.

Neste fim de semana, a revista "Veja" publica longa matéria na qual revela a participação da dona Dilma na encomenda de dossiês. Em síntese, pela palavras de quem ocupa ou ocupou cargos elevados por lá, o Ministério da Justiça foi transformado em polícia política a agir contra adversários. Querem apostar como vão dizer que são boatos? Que é baixaria? Segundo eles, alto nível é sair acusando o candidato e seu médico de forjarem uma agressão, incluindo ai um roteiro que passa por um telefonema não se sabe de onde. Dá pra aceitar?

Certa vez um amigo politico acreano me disse "quer saber do que um homem é capaz, acompanhe-o numca campanha eleitoral". Tinha razão o meu amigo. Esqueceu de dizer que existem cabos eleitorais tão ou mais falsos e perversos quanto o candidato.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

O SISA - Sistema de Incentivos a Serviços Ambientais do Acre. Devagar com o andor.

Embora pouco esclarecedora, pois não fixou metas nem estimou receitas, a entrevista do Eufran Amaral ao Alan Rick deu uma idéia básica do que está em causa com a criação do SISA - Sistema de Incentivos a Serviços Ambientais. Penso que é, antes de tudo, uma questão de justiça. Além disso, é uma boa alternativa para a remuneração de proprietários e posseiros sob restrições de uso da terra. Mas, creiam, não é nenhuma panacéia. Há limites para o programa e efeitos bastante discutíveis.

Uma das características da comercialização de carbono sequestrado na Amazônia é servir para "limpar" as indústrias poluidoras em outros lugares do mundo. Em outras palavras, às custas da compensação que pagam por serviços ambientais (sequestro de carbono, por ex.) as indústrias poluidoras do mundo desenvolvido estariam liberadas para continuar crescendo e se expandindo, enquanto por aqui...

É preciso que a população não seja enganada achando que daqui pra frente podemos ficar nos embalando na rede enquanto a Europa nos paga serviços ambientais de uma floresta imobilizada, ou que a renda dai proveniente seja suficiente para determinar o desenvolvimento regional. Mesmo porque nesse mercado de carbono sempre há mais discurso do que grana, ainda mais se considerarmos a crise fiscal que abala o mundo desenvolvido. Desde que efetivo, o SISA pode ser importante como intermediário de uma economia apenas marginal. O real desenvolvimento econômico, aquele que gera empregabilidade, que muda a vida das pessoas, que promove suas aptidões e potencialidades, que realiza o sonho de prosperidade tem outra centralidade, fatores e razões de acontecer. De todo modo, penso que o Acre ganha com esta proposta.

Palavras que valem ouro.

Qualquer brasileiro de bom caráter assinaria sem pestanejar o manifesto lido no video abaixo por ninguém menos que Hélio Bicudo, um dos mais íntegros brasileiros vivos, insuspeito fundador do PT e verdadeiro combatente pela democracia.

Do outro lado, vemos o presidente Lula se transformar, no exercício do cargo, em cabo eleitoral 24 horas, mentindo descaradamente como fez ontem em relação à agressão que cabos eleitorais menores fizeram ao candidato Serra. Que tempos vivemos! Que tempos viveremos!?

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

E os artistas, hein?

Paulo Beti, aquele ator que disse certa vez justificando o mensalão que pra fazer politica tem que enfiar a mão na merda, experimentou nesta semana o que é fazer a própria. Junto com outros artistas, a maioria abortistas, incluindo o ex-Frade Leonardo Boff, participou de uma comédia na qual o gran finale foi a mentira. A dona Dilma mentiu descaradamente afirmando que o candidato Serra projeta privatizar o pré-sal. Uma falsidade que não encontra razão em nenhuma declaração do candidato em nenhum momento. Jamais Serra se referiu a isto.

A campanha da dona Dilma faz da mentira a massa com que molda o pensamento dos incautos. Estranhíssimo é que atores e intelectuais, mesmo aqueles pendurados no bolsa-ditadura, endossem a mentira. Talvez possa ser explicado pelas verbas que escorrem do tesouro para as veias de projetos culturais que não se viabilizariam pelo gosto popular. Uma pena que essa gente não tenha atualizado seus neurônios e embarquem nessa aventura chavista rumo ao passado.

Acre. No pós-eleição visões diferentes sobre o aperto que o governo da FPA levou.

Graças à TV Gazeta pudemos nos dias pós-eleição ver boas entrevistas dos principais candidatos eleitos no Acre ao Alan Rick. Como a eleição foi plebisictária, dois lados se opõem. Recolho dos candidatos os principais pensamentos relativos ao Acre.

Dos governistas.

Jorge Viana (senador eleito)
"Sem a Marina e o Tião no Senado, vou trabalhar dobrado".
"Não dá pra tirar lições das eleições agora".
"O Binho está fazendo um grande trabalho"
"Avaliação, só daqui há um mês".
"Precisamos consolidar uma economia de base florestal"
"A população tá gostando mas quer que mude."
"Há uma distancia entre governo e povo".

Perpétua Almeida. (deputada federal reeleita)
"Há uma fadiga natural".
"É preciso humanizar o governo".
"Tem eleitor que votou na oposição só pra dar um susto".
"É preciso passar a mão no ombro".

Leonardo Brito. (Presidente regional do PT e primeiro suplente de deputado federal)
"Precisamos trabalhar melhor politicamente o governo".

Sibá Machado (deputado federal eleito)
"O projeto continua, deve ser aperfeiçoado apenas o método de execução".

Dos opositores.

Sérgio Petecão (senador eleito).
"Existe na população um sentimento de mudança."

Marcio Bittar (deputado federal eleito)
"A oposição precisa se preparar para governar o Acre."
"O governo recebou o recado de que precisa se reciclar."
"O Acre precisa de soluções perenes".

Flaviano Melo (deputado federal reeleito)
"Temos que administrar as vaidades e não permitir que os seguidores estabeleçam lutas internas".
"Trata-se de um atestado de que o modelo vigente faliu."
"O povo votou contra o que está aí, do contrário não se explica que a oposição tenha os dois candidatos mais votados à Câmara Federal."

Resultado:
Os governistas, pelo menos publicamente, entendem que os problemas são de forma. Se humanizar, passar a mão na cabeça, der um sorriso e um tapinha nas costas, o andor pode continuar a sua marcha.

A oposição entende e declaraa que a questão é de conteúdo. Se não se reciclar, se não oferecer novas alternativas, se não alterar o projeto, se não mudar o rumo, o andor se perde.

Penso hoje, aliás, lembro de ter dito isto pessoalmente ao governador Jorge Viana ainda no seu primeiro governo, que há sim um problema coletivo de cara feia na administração. Mequetrefes na administração e até na imprensa, agem e se comportam como pequenos ditadores, certamente movidos pela correia de transmissão do autoritarisno cuja origem se encontra no núcleo do poder. Mas isto não é tudo como parecem pensar. Também estão certos os oposicionistas. O projeto florestania precisa ser reciclado, pois em sua forma original de fato "faliu", como disse o Flaviano Melo. A sinalização do povo é de mudança concreta. Bobo quem pensa que tapinha nas costas vai resolver o aperto do desempregado. O aviso foi dado.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

No horizonte, um jegue carregado de açúcar.

Nada como a perspectiva de poder para revelar a face dos hipócritas. Gente que até um dia desses era comedida em seus posts e comentários de repente fica excitada, deixa a prudência de lado, manda a lógica para os quintos, esbofeteia a ética e parte para o abraço. Sabe como é... governos novos, cadeiras vazias... enfim, quem não é visto não é lembrado. Como dizia meu falecido pai observando a subserviência de alguns, "do jumento carregado de açúcar até o rabo é doce".

Mais pesquisas de institutos pay-per-view

Hoje sairam do forno duas pesquisas eleitorais. O IBOPE põe a dona Dilma incríveis onze pontos à frente do Serra. O SENSUS diz a que a diferença é de cinco pontos percentuais. Qual está certa? Nenhuma. Quem melhor se referiu aos institutos de pesquisa eleitoral foi o Ciro Gomes naquela entrevista verdade. Eles fabricam e vendem resultados conforme a encomenda de modo a influenciar os eleitores indecisos. Às vésperas da eleição diminuem o erro para manterem a credibilidade.

Este ano estão forçando a barra. No primeiro turno erraram tanto que deveriam estar fechados. Mesmo assim, estão por ai no mercado. Ordinários, sem exceção.

A candidata que é um VAZIO

O texto abaixo é do jornalista Sandro Vaia, publicado em 18 de Junho, portanto bem antes de que os brasileiros conhecessem melhor a candidata Dilma Rousseff. Agora, no fim da campanha, depois de várias entrevistas, debates, sabatinas, aparições na TV e jornais, somos todos, inclusive os seus eleitores, obrigados a concordar com o jornalista.


A CANDIDATA QUE É UM VAZIO NA CÉDULA

por Sandro Vaia.

Nunca antes na história deste País houve uma eleição como esta que se aproxima.

Sempre houve governo, sempre houve oposição, e salvo no período em que os militares no poder escolhiam os sucessores dentro da caserna, os que estavam no governo se empenhavam em eleger seus candidatos, e os que estavam fora do governo se empenhavam em eleger alguém que significasse algum tipo de alternância do poder.

É assim que, bem ou mal, funcionam as democracias. Quem está dentro quer ficar, quem está fora quer entrar.

Mas esta eleição é bastante atípica. Os dois candidatos de oposição de fato não se opõem muito - ou se opõem circunstancialmente a algumas coisas aqui e ali - e o candidato da situação é o atual presidente, que pela legislação em vigor não pode ser candidato, e que por isso mesmo colocou alguém para representá-lo. Votar nesse alguém, segundo ele mesmo, será como votar nele. Teremos a primeira eleição presidencial onde você pode votar por procuração: põe lá o nome de um, mas estará votando em outro.

Ou seja: a pessoa que o presidente quer eleger existe como pessoa física, tem RG, CIC, CEP, tem até um nome de batismo e uma controvertida história política pregressa, mas tem uma existência apenas virtual como ente político autônomo. Você vota x e elege y, pela simples razão de que x na verdade não existe: é apenas a transubstanciação de y.

O nome dela é Dilma, mas isso é um acidente de percurso ocasional, ela poderia se chamar Pedro ou Maria da Penha, tanto faz. Na verdade,o nome dela é Lula, ela fala Lula, ela pensa Lula, e se tem alguma autonomia de vôo ou alguma idéia própria, ela a guarda para si, e talvez guarde a grande revelação para o dia em que (e se for) eleita.

Não são os adversários que inventam isso para caluniá-la ou para menosprezá-la. Quem a embala é Lula, o próprio Mateus que a pariu. Seu alter ego diz, com todas as letras, com toda a franqueza de quem tem a glória e o privilégio de privar da intransferível intimidade de seu próprio ego: “Vai ser a primeira eleição, desde que voltou as eleições diretas para presidente, que meu nome não vai estar na cédula. Vai haver um vazio naquela cédula. E, para que esse vazio seja preenchido, eu mudei de nome e vou colocar Dilma lá na cédula. E aí as pessoas vão votar. Por isso, companheira, eu quero que Deus te abençoe e te dê força, cabeça fria, e saiba que você tem um companheiro para a hora que precisar”.

Depois de tantas peripécias para reconquistar a democracia, tendo passado por um período de 20 anos em que a ditadura militar construiu avatares de si mesma, multiplicando o partido oficial em sublegendas para evitar que o poder fugisse de seu controle, chegamos a outro truque tipicamente brasileiro.

Como a lei não permite o vazio na cédula, colocaram lá o nome de alguém, que na verdade não é ninguém, mas votando em ninguém, você está elegendo alguém que não é candidato porque a lei não permite.

Parece difícil mas é muito simples. O presidente mesmo explicou: Dilma está lá para que o vazio seja preenchido. Ela não é uma candidata. É o preenchimento de um vazio.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Se não for assombração, nada volta do passado. A economia, muito menos.

Embora, com todo direito, seja o mote da campanha da dona Dilma, a comparação entre governos FHC e Lula como corte para comparar Dilma e Serra é um raciocínio que somente pode ser aceito como peça publicitária. É para ganhar a adesão de quem pouco alcança na análise da economia e do desenvolvimento. Tudo bem que o pedreiro pense e diga, como no programa da dona Dilma, que antes não havia tanto emprego quanto hoje e que isto seja suficente para sua decisão entre os dois candidatos. Nestes limites de raciocíno está certo o pedreiro. Duro é ver gente esclarecida, alguns até muito esclarecidos em alguns ramos, exibirem este argumento tosco do "se Serra for eleito o passado volta". Que decepção!

Esta historia de volta do passado, se não for assombração não ocorre nem na natureza, quanto mais na economia. Aos ignorantes, o perdão, aos esclarecidos, o chicote da realidade. As condições sob as quais o Brasil se inseriu durante o período FHC na economia global são radicalmente diferentes das que o Lula enfrentou para nela surfar alegremente enquanto o mundo inteiro crescia a taxas elevadas. A economia é um processo contínuo, é um acúmulo de ações e de reações em circunstâncias específicas e temporais que não se repetem. Se Heráclito, o filósofo, tinha razão quando disse que um homem nunca percorrerá o mesmo rio porque não será o mesmo homem nem o rio será o mesmo rio, teria ainda mais razão se tratasse da economia.

Justificar o voto na Dilma sob este argumento tosco é de uma ignorância somente permitida àqueles que a propaganda quer mesmo alcançar, ou seja, a massa ignara do bolsa-família. Ninguém que tenha passado do segundo grau sem colar nas provas tem o direito de repetir esta falácia.

O método da Morte.

No video abaixo explica-se como funcionam os métodos mais praticados de aborto. Uma boa pergunta seria: Dona Dilma. qual dos métodos exibidos abaixo a senhora considera mais apropriado como politica de saúde pública?

Aborto - no Jornal Nacional, dona Dilma mantém a contradição.

Ontem no Jornal Nacional, perante uma audiência de dezenas de milhões de expectadores, a dona Dilma demonstrou mais uma vez a própria incoerência na questão do aborto. A sua tentativa foi de conciliar o "sou a favor" com o "sou contra". Não dá. Em determinado trecho ela afirmou que é "pessoalmente" contra porque considera uma violência contra a mulher. E o feto assassinado? Não conta? Não, não conta. Para os abortistas o feto é extensão do corpo da mãe, não é vida, não é um ser, não tem vontade, não tem identidade, não conta. É isso que mais desprezo nos abortistas, ou seja, a incapacidade de lidar com o feto como um ser vivo. Para eles, aquele corpo em formação que será esmagado na curetagem ou na sucção tem o mesmo valor que uma unha encravada. É apenas um incômodo a ser extirpado.

Quando inventam dados que não se sabe de onde tiram apontando que UMA em cada SEIS mulheres férteis fizeram aborto, o que resulta em mais de 3 milhões de casos anuais, o que me vêm à mente não são as jovens que engravidam irresponsavelmente, ou a pobreza subjacente à decisão de abortar, mas as mais de 3 milhões de criancinhas assassinadas. Isto é que é horripilante, nojento, criminoso. Se são em tal número, o que duvido, quantas serão assassinadas com a liberação do aborto?

A gravidez não planejada, irresponsável e indesejada são um problema de saúde pública também, mas, antes, são um problema de educação e de políticas preventivas. A verdadeira solução é a educação, o uso de anticoncepcionais e o amparo às mulheres grávidas. O vídeo abaixo mostra a solução encontrada pelas abortistas e que a dona Dilma quer abraçar como política de estado.

Mais uma do instituto pay-per-view.

A pesquisa publicada ontem pelo VOX POPULI cujos resultados já haviam sido antecipados pelo dilmista Noblat serviu apenas para desmoralizar de vez as pesquisas eleitorais. Ninguém mais acredita nelas. Desmoralizadas no primeiro turno, continuam entregando o que vendem. Resultados pret-a-porter. Depois das eleições acharão as velhas desculpas "metodológicas" para explicar a calhordice que praticam.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Um homem com vergonha na cara.

Muitos companheiros de armas que hoje posam de democratas jamais tiveram coragem e honestidade suficientes para reconhecer que ao seu tempo lutaram para substituir uma ditadura por outra que, aliás, a julgar pelos exemplos conexos, seria muito mais sangrenta. Gabeira é dos poucos que tem essa coragem. A maioria vive hoje de idenizações e da bolsa ditadura arrancada dos cofres públicos. Muitos até se candidatam dizendo cinicamente que lutavam por democracia. Alguns nem perderam o sestro e estão ai, espelhando-se no Chávez, a propor medidas autoritárias como aquelas do PNDH-3, que alguém rubricou mas não assinou.

A Carta da Marina. Um enrolation para subir no muro.

Um amigo me manda um e-mail, sugerindo que comente a carta da Marina. Lá vai.

Li atentamente a extensa carta aberta da Marina aos candidatos Serra e Dilma. Em síntese ela disse o seguinte:

1. Perdi, mas ganhei porque tive 20 milhões de votos.
2. A agenda dos candidatos é gerencial e atrasada. A minha agenda é estratégica.
3. Os dois são parecidos, portanto, nenhum merece o meu afago.
4. Minha posição é de independência no segundo turno.

Pronto. Apesar de prolixa, Marina não disse muito mais que isto. E ao meu ver está equivocada em alguns aspectos. Em primeiro lugar, os 20 milhões de votos que teve não são, como ela supõe, pertencentes à uma nova consciência ecológica que ela tenha galvanizado. Há mais conservadores votando na Marina pela questão ética e religiosa do que ambientalistas votando por sua visão "estratégica". Em segundo, a agenda dos candidatos, seja atual ou atrasada, é a agenda da sociedade. Quem pensa que o povo brasileiro dá mais bola ao aquecimento global do que à fila no SUS está por fora. Em terceiro, os dois candidatos, Dilma e Serra, assim como os dois partidos, PT e PSDB, são bem diferentes um do outro. Não vê quem não quer. Em quarto lugar, não existe esse troço de "independência" em eleições, porque o que está em causa não é a "dependência" em relação a nada. Esta palavrinha marota foi usada apenas para maquiar o muro onde ela acaba de sentar para não se contaminar com um dos projetos e, com isto, prejudicar a próxima tentativa em 2014, quando novamente aparecerá em asas angelicais acima dos partidos, incluindo o seu próprio, e das ideologias.

É isso aí. Mais, substancialmente, não vi.

"Politização" como fuga da realidade.

A julgar pelos jornais acreanos, o governador eleito Tião Viana está em vias de "politizar" a sua administração como forma de manter a hegemonia que a FPA conquistou no Acre. Esta politização significa repartir cargos e postos de mando na daministração. A decisão decorre da avaliação de que a baixa performance nas recentes eleições resultou de governos excessivamente técnicos que teriam afastado os políticos do povo. Será?

Diz a lógica que de uma avaliação correta pode decorrer uma decisão correta. Como na medicina, é o bom diagnóstico que embasa o bom tratamento. Pode ser que tenham razão os jornalistas, asssesores e políticos acreanos que chegaram àquela conclusão, afinal, são especialistas no assunto. Alguns, obviamente, mais interessados do que especialistas. Cá do meu canto, desconfio que não. E explico.

Esta avaliação tem como referência a eleição ao Senado. Dizem seus defensores que o Petecão ganhou apenas com simpatia, explorando uma personalidade popular, alegre, mais de forma do que de conteúdo. Isto significaria que o Tião Viana no governo deve seguir o mesmo caminho. O sorriso entrou na moda.

Pode ser que o modelo simpatia do Petecão o tenha ajudado a quase igualar seu oponente, ninguém menos que o ex-Governador Jorge Viana, mas com certeza não foi a causa mesma da sua eleição. Assim como não foi o que moveu 49% dos eleitores a votar em Tião Bocalom, que de simpático não tem nadinha.

O que efetivamente deveria assombrar a florestania não são os sorrisos do Petecão, do Bocalom, do Marcio Bittar ou do Flaviano Melo. O que ameaça a sua continuidade é isto mesmo. A continuidade. O que colou no eleitor foi a obstinada marcha da oposição na crítica aos resultados de 12 anos de governos que reprisam o tema da preservação, e que apesar de algumas tentativas em outros sentidos concentra-se em setores de baixo dinamismo econômico. Pode-se cobrar da oposição uma melhor elaboração de seu projeto, mas ficou provado que no diagnóstico esteve certa. Foi isto que sustentou a eleição do Petecão e a votação surpreendente do Bocalom, do Marcio, do Flaviano... Quem se elegeu fazendo gracinha foi o Tiririca.

Creio que pensou nisso o então candidato Tião Viana quando propôs a industrialização como nova força motriz da economia local. De certo modo isto significa uma reciclagem necessária no projeto em curso. É nisto que ele deveria apostar. O revigoramento da FPA não se fará mediante o loteamento do governo, mas pela adoção de políticas que enfrentem o desafio da empregabilidade, principalmente.

A respeito, é bom ler a entrevista do Adem Araújo ao site AC 24 Horas. Entre outras declarações o homem de frente de um dos maiores empreendimentos genuinamente acreanos afirma: "Nessa época falta até mandioca. Banana a gente começa a importar de Rondônia para atender nossos clientes, mas mantemos aqui esses pequenos negócios: o produtor de açaí, o de hortaliças, como já falei. O restante vem de fora mesmo. O Acre ainda não tem uma produção que atenda o mercado. Nosso desejo é dar oportunidade para o pequeno produtor que deseja realmente trabalhar, que esteja enquadrado dentro das exigências de qualidade. Hoje temos um nível de qualidade em que o produtor tem que está alinhado. Nosso foco foi e será sempre a satisfação do nosso cliente."

Não parece o discurso da oposição? Parece e é. Para o bem dos acreanos, esta é a realidade que o governador Tião Viana deve enfrentar e não o chôro dos surubins.

domingo, 17 de outubro de 2010

Abortistas querem a Igreja no pau.

Consta do noticiário que a campanha da Dilma pretende encostar bispos da Igreja Católica nas cordas da Justiça por causa da NOTA (ver AQUI ) da Comissão Episcopal Representativa do Conselho Episcopal Regional Sul 1- CNBB, na qual os bispos pedem aos brasileiros que não votem em candidatos que defendem a descriminação do aborto. Como o apoio da Dilma à descriminação do aborto nunca foi boato, mas fato documentado e gravado em vídeo, o texto assinado pelos bispos Nelson Westrupp, Benedito Beni dos Santos e Airton José dos Santos elenca oito considerandos, ou seja, razões para ao final concluir:

"RECOMENDAMOS encarecidamente a todos os cidadãos brasileiros e brasileiras, em consonância com o Art. 5º da Constituição Federal, que defende a inviolabilidade da vida humana e, conforme o pacto da San José da Costa Rica, desde a concepção, independentemente de suas convicções ideológicas ou religiosas, que, nas próximas eleições, deem seu voto somente a candidatos ou candidatas e partidos contrários à descriminação do aborto."

Ora. Temos ai duas questões a analisar. A primeira é o direito da Igreja de manifestar, com base em seus princípios, uma orientação de voto que não personaliza, não nomina, não indica. Esta seria, aliás, uma obrigação sua, da Igreja, posto que está em causa um dos fundamentos da fé cristã abraçados pela nossa Constituição.

A segunda é o interesse da campanha nesta questão. Se a dona Dilma sempre classificou de boatos as versões de que é a favor da descriminação do aborto e até escreveu mensagem se dizendo "pessoalmente" contrária, porque entrar nessa bola dividida? Manifeso só vale quando vem assinado por Leonardo Boff?

Ao defender o voto contrário aos abortistas, a Igreja está cumprindo o seu legítimo papel, assim como faria se a questão em discussão fosse a pena de morte, por exemplo.  Covardes e negligentes são os líderes e representantes de religiões, crenças e associações que, assistindo o itinerário da morte indiscriminada de fetos, quedam-se calados, contidos por compromissos ideológicos ou financeiros.

Os abortistas precisam entender de uma vez por todas, que este tema, embora lhe seja incômodo neste momento, faz parte da agenda da sociedade. As pessoas se interessam pela vida. Mesmo quem por alguma circunstância já fez um aborto, sabe que cometeu um assassinato e, certamente, não é a favor de sua descriminação, do contrário, estaríamos assistindo as passeatas sob nossas janelas em defesa do aborto. Onde estão os abortistas? Estão todos envergonhados, escondidos, alguns negando suas próprias convicções.

Não sei o peso eleitoral que esta questão terá, mas uma coisa é certa, qualquer que seja o próximo presidente, haverá de pensar duas vezes antes de dar trela à cantilena dos abortistas.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Saiu o 171 da Dilma sobre o aborto e outras questões.

Ai está, em vermelho, o 171 da Dilma em carta assinada e enviada aos líderes religiosos conforme se comprometeu em audiência recente à qual compareceu acompanhada do senador Crivella, sobrinho do abortista Edir Macedo. Como se pode ver trata-se de uma evidente enrolação que deixa pontos cinzentos para posterior interpretação. À moda Reinaldo Azevedo, um vermelho e azul com a missiva ilusória.


DILMA ROUSSEF

Dirijo-me mais uma vez a vocês, com o carinho e o respeito que merecem os que sonham com um Brasil cada vez mais perto da premissa do Evangelho de desejar ao próximo o que queremos para nós mesmos. É com esta convicção que resolvi pôr um fim definitivo à campanha de calúnias e boatos espalhados por meus adversários eleitorais. Para não permitir que prevaleça a mentira como arma em busca de votos, em nome da verdade quero reafirmar:

Como mostraram vídeos de entrevistas suas à Revista Marie Claire e à sabatina da Folha, não são calúnias e boatos. Ela vem desdizer o que disse antes, espontaneamente, com clareza e convicção.


1. Defendo a convivência entre as diferentes religiões e a liberdade religiosa, assegurada pela Constituição Federal;

Isto nunca esteve em dúvida. A sua tentativa de escamotear o debate sobre o aborto é que atribuiu aos adversários acusações que nunca foram feitas.


2. Sou pessoalmente contra o aborto e defendo a manutenção da legislação atual sobre o assunto;

A pergunta não é se ela é a favor do aborto. Isto ninguém é. A pergunta é se ela é a favor da descriminação do aborto, o que é algo diferente. A novidade é que defenda a legislação atual que criminaliza o aborto, pois antes achava um absurdo que não houvesse no Brasil a descriminação.


3. Eleita presidente da República, não tomarei a iniciativa de propor alterações de pontos que tratem da legislação do aborto e de outros temas concernentes à família e à livre expressão de qualquer religião no País.

A questão não é se ela "tomará iniciativa", para isso ela tem um partido comprometido com a descriminação do aborto e com o controle social da mídia, vide as decisões do PT. A questão é se ela sancionaria Lei aprovada neste sentido. Não esqueçamos que numa eventual vitória da Dilma, mais de 400 deputados e 50 senadores já se enfileiram para dizer amém, não sem um afago antes, é claro.


4. O PNDH-3 é uma ampla carta de intenções, que incorporou itens do programa anterior. Está sendo revisto e, se eleita, não pretendo promover nenhuma iniciativa que afronte a família;

O PNDH-3 não é mera carta de intenções. É um documento do governo, oficial, e governos não apresentam cartas de intenções. Apresentam compromissos. Além disso, vem de novo o "não pretendo promover iniciativa", isto, ao gosto da candidata, é tergiversar sobre o tema. Teria que dizer que não implementará nenhuma ação, independentemente de quem teve a iniciativa.

5. Com relação ao PLC 122, caso aprovado no Senado, onde tramita atualmente, será sancionado em meu futuro governo nos artigos que não violem a liberdade de crença, culto e expressão e demais garantias constitucionais individuais existentes no Brasil;

Só faltava dizer que sancionará algo inconstitucional. Teria que dizer os artigos do PL que não sancionará se eleita.


6. Se Deus quiser e o povo brasileiro me der, a oportunidade de presidir o País, pretendo editar leis e desenvolver programas que tenham a família como foco principal, a exemplo do Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida e tantos outros que resgatam a cidadania e a dignidade humana.


Com estes esclarecimentos, espero contar com vocês para deter a sórdida campanha de calúnias contra mim orquestrada. Não podemos permitir que a mentira se converta em fonte de benefícios eleitorais para aqueles que não têm escrúpulos de manipular a fé e a religião tão respeitada por todos nós. Minha campanha é pela vida, pela paz, pela justiça social, pelo respeito, pela prosperidade e pela convivência entre todas as pessoas.

De resto atenta contra a verdade dos fatos. Não foi a oposição que pôs os temas religiosos na campanha. Foram os religiosos e os cidadãos brasileiros, religiosos ou não, que despertaram para o risco e não concordam com o assassinato de fetos.

Dilma Rousseff

A decisão de Marina pode não decidir nada.

Parece que neste domingo sai a decisão da Marina sobre o segundo turno. Especula-se que ficará em cima do muro e liberará seu partido para fazer as escolhas que quiserem em seus diretórios regionais. Pretextos para isso já foram criados - o Código Florestal e o PAS.

A questão agora nem é bem essa. É que passou do ponto. No dia seguinte à eleição, Marina poderia se dizer guia de 20 milhões de eleitores. Hoje, não se sabe. Dos seus eleitores, divididos basicamente entre intelectuais e simpatizantes do verde, evangélicos desiludidos com a Dilma e cidadãos zelosos pela ética, a maior parte já fez sua nova escolha. Duvido que restem muitos eleitores esperando a Marina.

O problema é que a disputa parece ser acirrada, fazendo com que cada voto seja muitíssimo disputado. Neste contexto, obter o apoio e engajamento da Marina poderia ser fundamental, dai os sinais dos dois lados em busca de seu apoio que, desconfio, não virá e, não vindo, não decide nada.

Em eleições, coerência é quase tudo.

Certa vez ouvi de um político experiente que eleitor perdoa até ladrão de carteirinha (há tantos por ai), mas não perdoa a incoerência. Parece que tinha razão. Pelo menos é o que se pode deduzir dos resultados eleitorais e da tendência das recentes pesquisas que atemorizam a campanha da dona Dilma. Colocada pela população entre a fralda e o Cytotec, a candidata enredou-se num vai-e-vem que inclui acusações de boataria, negativas pouco claras e compromissos de ocasião. Resultado: não há mais saída razoável na questão do aborto. Se tivesse sido coerente desde o inicio, teria optado por assumir o que disse e que movida por novas reflexões havia mudado de opinião. O estrago teria sido muito menor. Até a nova "carta aos brasileiros" que assinaria se comprometendo com evangélicos deu marcha à ré. A preço de hoje sua palavra sobre o aborto não vale nada.

Enquanto isso, passado o primeiro turno, sem medo do fantasma da popularidade do presidente Lula, os governadores eleitos na base do Serra estão de melé solto. Os governadores de São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina, principalmente, tomaram para si o compromisso com a eleição do tucano. Em estados importantes onde se realiza a disputa de segundo turno, os candidatos da base tucana embarcaram alegremente na tendência apontada pelas pesquisas. Perderam o medo do Lula. O Pará é o melhor exemplo.

Em outra frente, líderes regionais do PMDB e de outros partidos, seja por oportunismo, vingança ou circunstâncias específicas já se preparam para desembarcar da frente governista. Farão corpo mole. Jáder Brabalho, Gedel e outros engrossam a fila.

Com todos estes sinais, na campanha da dona Dilma bateu a crise. O presidente Lula que, aliás, há semanas não comparece ao trabalho, sendo o maior de todos os nossos marqueteiros, resolveu assumir a responsabilidade na base do deixa comigo. De agora em diante, parece, veremos mais a cara do Lula e menos a cara da dona Dilma na TV. Talvez funcione. No percurso, ainda dois debates na TV, entrevistas no Jornal Nacional... a vida é dura.

O certo é que faltam apenas 16 dias para a eleição e isto é muito tempo. Principalmente para quem está em tendência de queda.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

SENSUS - apenas mais um daqueles institutos pay-per-view

Segundo o SENSUS, aquele Instituto que faz pesquisa para a CNT, a diferença entre Dilma e Serra diminuiu para menos de 5%. Tem o mesmo valor que tinha quando apontava a Dilma vencendo no primeiro turno, isto é, nenhum. Aliás, tem sim. Serve para saber que continua a serviço de quem lhe paga. Se descontarmos nas pesquisas de segundo turno o erro que elas tiveram no primeiro, o José Serra já está na frente.

Vem ai o 171 do aborto. Outros vieram, outros virão.

Segundo a grande imprensa, depois de se reunir com líderes religiosos, a dona Dilma, ciceroneada pelo sobrinho do abortista Edir Macedo, Marcelo Crivela, resolveu fazer uma carta aos brasileiros se comprometendo a não adotar nehuma das políticas condenadas pelos evangélicos (aborto, casamento entre gays etc). É o vale-tudo da campanha. Para recuperar votos, a candidata optou por enganar os cristãos se comprometendo em fazer o que seu partido exige que não faça. Quem fez, se deu mal.

A carta deverá ser distribuída pelos próprios líderes religiosos em suas igrejas. A farsa não tem limites. Nojento é que estes pastores se prestem a tal vilania. Vendem suas convicções e alugam seus templos para a propagação da mentira.

A respeito sugiro que leiam isto e isto. Nunca é demais ver o video abaixo. Que não é boato, não é falsidade. São palavras ditas espontaneamente, sinceras, em uma entrevista quando ser a favor não tirava votos.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Pesquisas IBOPE e Vox. Apenas números em liquidação.

Cada vez menos acredito em pesquisas eleitorais. São meros instrumentos de campanha. Os números divulgados pelos institutos no primeiro turno (todos errados) deveriam ter sido suficientes para que fechassem as portas, mas como a campanha tem segundo turno ai estão eles novamente no mercado. De índices.

Hoje foram publicadas duas pesquisas (Vox e IBOPE). A primeira dá 8 pontos de vantagem para Dilma. A segunda aponta 6 pontos. Uma na margem de erro da outra. Fica parecendo que convergem, mas é falso.

Aliás, ninguém melhor que Ciro Gomes para dizer o que são estes institutos. Abaixo.

Alô abortistas! Tratem de abortar o aborto.

Parece que o tema aborto colou na mídia e nos candidatos. E não foi por acaso. Foi porque a sociedade, cristãos no meio, resolveu prestar atenção ao PNDH -3 e às declarações dos candidatos à favor da sua descriminação.

No rescaldo das eleições em primeiro turno e aproveitando o dia da Padroeira do Brasil, líderes católicos deixaram a timidez de lado e, dando consequência ao ato da CNBB que liberou os bispos para abordarem o assunto como quiserem, fizeram suas homilias em torno da defesa da vida, o que significa em outras palavras, contra a morte, inclusive de fetos. Até vídeos na internet foram colocados ostensivamente recomendando o voto contra a dona Dilma.

A candidata antes abortista resolveu partir para o tudo ou nada. Na perspectativa de conter o impacto negativo adotou a estratégia de confundir. Bem leninista, aliás. No debate só faltou dizer que Serra é que é a favor porque o mesmo, quando ministro da saúde, normatizou os procedimentos para os casos previstos em Lei. Em declarações e videos em sua propaganda se declara devota da Nossa Senhora Aparecida, faz afagos em criancinhas, põe a filha e o netinho na TV, vai à missa (sem saber fazer direito o "Pelo Sinal") e põe até o Papa na biografia. Toca a campanha sem esclarecer porque mudou de opinião, se é que mudou.

Nesta terça-feira, o senador eleito pela Bahia, Valter Pinheiro, tentou livrar a cara da dona Dilma afirmando que este tema pertence ao Congresso e não ao Executivo. Esqueceu quem de fato mandaria no Congresso com uma maioria de mais de 400 deputados.

José Serra também não abandona o tema. Mensagens subliminares são frequentes em sua campanha na TV. Imagens de grávidas e recém-nascidos não deixam o assunto "morrer".

Enquanto isso, a imprensa, majoritariamente preconceituosa e abortista, tenta lançar a posição firme dos cristãos no que chamam de "debate medieval" e acusa a campanha de se atolar neste tema, o que em parte é verdade, desconsiderando que os candidatos não possuem completa autonomia em suas campanhas. A sociedade tem sua própria agenda e dela consta o aborto, queiram ou não os colunistas e os politicos.

Outros debates virão, outras entrevistas, outros temas, mas creio que até o final os brasileiros, dos quais 71% são contra a descriminação, estarão atentos. Eles e elas, os abortistas, não passarão.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

ECOS SOCIALISTAS: UM CONTO SOBRE A MORTE

ECOS SOCIALISTAS: UM CONTO SOBRE A MORTE

Adiantada na devoção e atrasada no Sinal da Cruz

Devota de última hora, a dona Dilma chegou atrasada no Sinal da Cruz durante a missa a que assistiu ontem em Aparecida. Somente depois que todos haviam conluído a persignação é que ela "se tocou" e fez o dela, às pressas, sozinha e de modo errado. Falta de costume, né? Sabe como é... marinheira de primeira viagem. Culpa dos marqueteiros que mandaram-na ir à missa sem um ensaio antes. E ainda declara-se especialmente devota da Nossa Senhora de Aparecida! Favorável ao aborto voluntário, até convencer a Santa de seu arrependimento e devoção vai ter que rezar muito.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

A fúria era apenas marquetagem?

Hoje no programa da dona Dilma na TV ficou mais claro o objetivo da truculência de ontem no debate. Era para apresentar hoje. Os marqueteiros editaram todos os pontos em que ela acusou e, obviamente, sem a resposta do adversário, tascaram no programa. A raiva era utilitária. Frases decoradas, textos prontos... tudo preparado.

Aborto - um tema sempre atual.

Era ainda adolescente, li de Gibran Khalil Gibran uma frase que nunca me abandonou "O homem só não tem direito moral ao suicídio porque estará eliminando algo que não lhe pertence exclusivamente". Recorro sempre a este pensamento quando está em debate a eutanásia, a pena de morte e o aborto.

Queria dizer o poeta libanês que a vida, mesmo a própria vida faz parte de um concerto social, não pode, por isto, ser interrompida sem que signifique grave atentado contra a sociedade. Quantas vezes assistimos na TV uma mãe, um pai, um irmão ou um amigo dizer da morte de alguém que "se foi também um pedaço de mim". É o que é. A sua vida é um pedaço da vida de alguém. Esta parte não lhe pertence.

O que dizer da vida em gestação no ventre da mãe? Se a própria vida da mãe grávida não lhe pertence totalmente, menos ainda a vida que pulsa em suas entranhas. Interrompê-la é ir contra o ciclo natural da vida e contra a sociedade.

O que dizer quando politicos, partidos, governos e organizações se juntam para, a pretexto de diminuir o crescimento da demanda por recursos, diminuírem a população pobre através da facilitação ao aborto? Este genocídio corresponde a uma tirania absurda e inominável.

Tão atual quanto qualquer outro tema que diga respeito aos direitos humanos, o aborto deve sim frequentar os debates presidenciais com clareza e objetividade, e não como troca de acusações. Quem é a favor diga que é a favor e apresente suas justificativas. Quem é contra, idem.

A patifaria e o obscurantismo fica por conta de jornalistas e politicos que aplaudiriam se os candidatos gastassem seu tempo discutindo a importância de preservar as baleias. Soaria ambientalmente responsável, politicamente correto, discurso antenado com o futuro, mas como se trata do aborto jogam-no no gueto religioso. Patife também é o silêncio e a omissão de outros tantos.

O que querem os governos e os políticos com o assassinato das criancinhas?

Se voce quiser saber, em uma lição de 14 minutos, o que está por trás da defesa do aborto, veja o vídeo abaixo. Há quem, para disfarçar seus verdadeiros objetivos, façam referência à saúde das milhares de mulheres que fazem aborto clandestinos anualmente no Brasil. Eu penso nas milhares de criancinhas que são assassinadas e jogadas no lixo anualmente no Brasil antes de nascerem.

Bem ao estilo Edir Macedo, governos querem erradicar a pobreza pelo assassinato dos pobrezinhos. A mais recente pesquisa (desta semana) diz que apenas 7% dos brasileiros são a favor da liberação do aborto. Mais de 70% são contra.

Marina Silva - como chegou aonde chegou nas eleições.

Postei o texto abaixo neste bloguinho em 29 de agosto. Surpreendentemente o mesmo foi replicado em dezenas de sites, alguns bem prestigiosos. Revendo-o hoje, depois da performance da Marina no primeiro turno, penso que acertei em cheio.


Não menosprezem a Marina Silva.

Admiro profundamente Marina Silva, com quem nunca trabalhei e em quem nunca votei. Ela é, como disse antes neste blog, minha candidata ao Prêmio Nobel da Paz. Dizem que Lula é o cara da vez. Uma injustiça. Disse também porque não deveria se candidatar à presidência. Mas, se quer, penso que parte de uma plataforma elevada e tem grande margem de crescimento. Os adversários não deveriam menosprezar suas possibilidades eleitorais. Vamos por pontos para mais objetividade.

1. O rebaixamento ético da política nos últimos anos é algo inédito. Executivo e Legislativo estiveram ou estão na lama. Até os acusadores tem que pedir desculpas por algo antes de continuar acusando. Este é, portanto, um ambiente altamente favorável a uma candidatura que encarne o princípio ético, a moral, a honestidade no trato com a coisa pública. Quem melhor encarna este papel?


2. A despeito de algumas dificuldades inerentes a um processo de mudança paradigmática como é, de fato, a transformação do padrão de consumo e a correta valoração das externalidades do crescimento econômico, o tema ambiental é hoje consolidado na sociedade. Ninguém quer o desmatamento da Amazônia, a poluição ambiental, o aquecimento global etc. Quem melhor se apresenta para cuidar da natureza e zelar pelas futuras gerações?

3. Recentemente foi noticiado que 2 mil ONG’s reclamaram com o Presidente Lula das possibilidades de mudança no Código Florestal. Isto é apenas uma amostra do exército que muito provavelmente engrossará as fileiras eleitorais da senadora. Quem como ela possui tal inserção na base social organizada?


4. Marina Silva é, certamente, uma das pessoas brasileiras mais conhecidas e respeitadas internacionalmente. O tema aquecimento global tomou de assalto as preocupações de pessoas e instituições em todo o mundo e ela, tida como sucessora de Chico Mendes, freqüenta este debate com extrema facilidade. Alguém mais que ela obterá apoio da opinião pública internacional?

5. Marina Silva é, desde sua primeira aparição no Programa do Jô, uma queridinha dos jornalistas e artistas. Há quase 15 anos a imprensa em geral lhe dá uma mãozinha quando está em apuros. Veja-se a sua passagem pelo MMA. Quando perdia para a Dilma no governo, ganhava dela na mídia. Sempre. A imprensa nacional lhe virará as costas na campanha eleitoral?


6. Barack Obama foi eleito, segundo a mídia mundial por uma eficiente estratégia de marketing centrada no uso da internet. Muito provavelmente no Brasil as coisas são algo diferentes, temos nossos rincões, nossos coronéis perambulando por aí, mas é crescente o uso desta ferramenta e seguramente no próximo ano o fenômeno Obama será perseguido por aqui. Quem mais que Marina Silva tem o perfil adequado à atração dos internautas?


7. Cerca de 10% dos eleitores brasileiros possuem entre 16 e 21 anos Mais de 3 milhões darão seu primeiro voto em 2010. É um eleitorado cujo teor de informação sobre política certamente não a qualifica (a política). Este eleitorado foi formado do mensalão pra cá. Ao mesmo tempo, é a população que mais recebeu a boa informação do respeito ao meio ambiente. Quem melhor que Marina Silva criará vínculos com a juventude?


8. Dos governantes se cobrava, até antes do Lula, experiência administrativa. O Presidente Lula conseguiu chegar aos inéditos 80% de aprovação consistente sem nunca antes ter sido sequer prefeito. Fala-se na Dilma como “a gerente”. Quem precisa de “gerente”? Marina Silva é senadora há quase 16 anos e durante seis foi ministra do próprio Lula. A diferença é que não negligenciou com a desonestidade. Saiu porque quis. Quem dirá que ela não tem capacidade administrativa?


9. Marina Silva possui ainda uma peculiaridade muito importante, dependendo do trato eleitoral que se lhe dê. Sua história. É de origem pobre, é negra, era analfabeta até a adolescência. Quando pôde, estudou, engajou-se na luta ambiental, chegou ao Senado antes que o PT chegasse ao poder. Sua arma é a palavra, não enriqueceu, não foi às compras na Daslu. É abnegada. Convive sem alarde com uma doença grave. É firme porque se sente estribada na razão e não no poder. Não é sargento, é sacerdotisa.


Tudo isso e mais poderá sustentar sua candidatura em uma campanha eleitoral decente. Parece bastante razoável que o alto comando da campanha de Dilma tenha ficado em alerta e enviado sinais de dissuasão à ex-ministra. O resultado? Veremos.

Debate na Band, ou, "Seu Lunga" na TV.

Debate de verdade é assim, como este da Band. Quem tem bala na agulha dispara e derruba o adversário. Quem tem escudo se defende como pode. É o vale-tudo eleitoral como querem fazer parecer os santos do pau oco? Não. É a verdade vindo à tona com clareza. A disputa não é de prêmio Nobel da Paz e o eleitor tem direito se saber o que fazem e fizeram os candidatos. Ontem, o excesso não foi de acusações, foi de cara feia.

A estratégia da dona Dilma foi clara. Misturar Serra consigo mesma na questão do aborto, conter o oponente na velha questão das privatizações e armar uma cilada para, sendo atacada, sair de vítima. Fora isso, a velha cantilena da continuidade. Penso que não conseguiu muito êxito.

A dona Dilma abandonou o modelito paz e amor da marquetagem e partiu pra cima do Serra de um modo exacerbado. Mostrou a verdadeira Dilma, aquela da Casa Civil onde até ministro já chegava pronto pra levar carão, resquício da guerrilheira Vanda. Não sei se foi por obra marqueteira, por desembesto mesmo ou por lições do Ciro Gomes, o certo é que baixou o Lunga na candidata. Dela não tivemos nem um sorrisinho daqueles plastificados.

Ao Serra, perante a "nova" velha Dilma restou administrar fria e racionalmente o debate em seu favor. Ratificou as acusações sobre a incoerência da candidata em temas como o aborto, defendeu-se na questão das privatizações, exibiu os números da segurança no estado de São Paulo e deixou de lado as questões menores como o boato de roubo ao seu comitê e a referência à sua esposa.

O debate da Band, por ter baixos índices de audiência certamente não serviu em si mesmo para alterar a preferência do eleitorado, mas pela repercussão que terá, provavelmente altera a campanha. Dona Dilma está de volta.

domingo, 10 de outubro de 2010

Campanha caluniosa ou campanha envergonhada?

O programa de hoje da dona Dilma demonstra que sua campanha foi pautada pelo adversário. Afora as amenidades, uma parte dedicada a ser "família", o que corresponde a amenizar o impacto da acusação, neste caso, com provas, de que defende ou, defendia, vigorosamente a descriminação do aborto. Valeu até posar com o neto recém-nascido e recém-batizado perante as câmeras. A outra parte foi dedicada a construir uma história política que de algum modo rivalize com a de José Serra. Um exercício dificílimo. Foi nomeada, jamais eleita, isso e aquilo. A maior parte dos cargos ocupou por obra e graça do Lula.

A palavra de ordem agora é falar em "defesa da vida". Para isto serve acusar de caluniosas as noticias de que defende o aborto como mera opção da mulher, sem considerar a criança a ser assassinada. O vídeo abaixo, com aquela moça ali, falando aquele absurdo ali, já foi visto milhares de vezes. Que tal a campanha da Dilma autorizar o Serra a exibi-lo em seu programa eleitoral? Por nada não, só pra esclarecer.

sábado, 9 de outubro de 2010

Ainda sobre o aborto. Medieval é a pena de morte contra seres indefesos.

Alguns setores da imprensa estão trabalhando para jogar a discussão do aborto no gueto religioso. Alguns o chamam de debate medieval. Uma ova! É um debate atualíssimo e não porque está na pauta politica, mas porque diz respeito aos direitos humanos. Ontem mesmo um militante chinês preso e praticamente desconhecido ganhou o Nobel da Paz por reivindicar mais liberdades e direitos na China. É disso que se trata. Do direito humano à vida do ser em formação no ventre da mãe. Essa história de direito da mulher ao próprio corpo como justificativa para a interrupção da gravidez indesejada é conversa de assassinos travestidos de militantes modernosos. O direito ao próprio corpo a mulher exeerce quando abre as perninhas. Daí em diante, havendo fecundação, o direito que se eleva acima de todos os demais é o direito à vida do ser em gestação.

A questão não é apenas religiosa como alguns preferem dizer para assim desqualificar o debate. Um cidadão pode não ser a favor do aborto, seja ele religioso ou ateu. O aborto é assassinato. Liberar a sua realização amparada pelo estado é promover uma matança de seres indefesos que não pediram para serem gerados. É a interrupção da marcha da vida. Só pode ser defendida, criminosamente, como faz o vendilhão de milagres Edir Macedo, como politica de controle de natalidade.

Se a dona Dilma era a favor como disse reiteradas vezes e mudou de opinião em 2010 que venha à TV e diga que mudou de opinião. Convença os eleitores que não é oportunismo. É mais plausível. Não vale é dizer que se trata de propaganda suja, ou de mentiras. Existem depimentos dela gravados que estão rodando a internet em milhões de acessos. Quer nos fazer de idiotas?

Eu gostaria de ver agora os abortistas no debate. Onde estão aquelas ONG's e militantes tão acostumados a vociferarem contra o conservadorismo da sociedade? Sumiram todos por quê? Não querem dizer em quem votam? As pessoas de bem, que não aceitam o assassinato de fetos, estão em todos os lugares, inclusive nas igrejas e templos de todas as religiões, e não apenas nelas, dizendo que mesmo contra suas preferências pessoais, partidárias ou utilitárias, deixam de votar em quem defende o aborto porque a vida é um bem maior, um valor maior.

Acusam a campanha do Serra de utilizar o tema contra a adversária. E daí? Queria que ele escamoteasse o debate? Que não manifestasse seu ponto de vista? Que a população não soubesse em quem e no quê está votando? A preservação da vida intra-uterina é uma defesa que a sociedade faz de si mesma, seja por motivos religiosos ou, como no meu caso, por motivos éticos. Se a situação fosse inversa, o Serra deveria ser acusado da mesma forma.

Em uma era de defesa da vida em todas as sua extensão, inclusive de plantas e animais, é atualíssimo o debate sobre o aborto. Medieval é a pena de morte aplicada a seres inocentes.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Governar - uma tarefa maior do que dar milho aos pombos.

Tenho lido e ouvido nos últimos dias que o susto que a FPA tomou nas eleições recentes do Acre deve-se, na maior parte, ao estilo muito técnico e pouco político empregado pelo governador Binho em seus quatro anos à frente do governo. Há até quem diga que este terá sido um ciclo encerrado. Tem gente aproveitando para pressionar indiretamente o próximo governador a adotar um estilo "mais político", o que siginficaria distribuir mais os cargos entre os deputados, talvez entregar-lhes partes do governo, atender suas reivindicações etc. Chamam tudo isso de humanização do governo, como se político dizendo que não tem médico fizesse doer menos o furúnculo do paciente. Quanta bobagem! Como diz um amigo paraibano, melhor escutar isso do que ser surdo.

Na minha irrelevante opinião quanto mais o Governador Tião Viana ceder a esta conversa mole de quem quer uma boquinha, mais arrisca jogar fora seu patrimônio político que, mesmo ameaçado (democracia é assim mesmo), não é pouco. A maioria dos críticos do técnico Binho não suportam é que suas incursões nas coisas do estado tiveram que ser filtradas pela coerência técnica com o projeto que está sendo desenvolvido. Cada deputado gostaria de ser pessoalmente ou por preposto, um governador de uma sub-estrutura governamental. Houve um tempo assim. Deu no que deu.

Se conheço (de observar) minimamente o senador Tião Viana, estes defensores da "politização" do governo podem ir tirando o cavalinho da chuva. Sabe ele muito bem que depois de nomeado, um político só sai do cargo demitido e falando mal do governador. Nunca vi politico desocupar cargo executivo sem dizer que lhe faltou apoio. Também nunca vi nenhum sair reconhecendo a própria incompetência.

Para restaurar a hegemonia petista, o Governador Tião Viana terá que realizar uma tarefa mais dificil do que a pretendida pelos críticos de ocasião, que é a remodelação do governo no sentido de responder maximamente aos reais e agudos problemas da sociedade que, identificados pela oposição, foram bem explorados na últtima campanha.

Desenvolvimento econômico, geração de emprego, gestão de resultados, democracia, liberdade, diálogo... a lista é longa.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

A chave não é Marina Silva.

Essa corrida pelos "votos da Marina" já está cansando. Enviados do Serra e da Dilma cortejam-na como se fosse o voto de minerva em uma nova eleição de 130 milhões de votos. Enquanto saboreia a corte, a senadora promete que em quinze dias a luz aparecerá. Alguns esperam que o iluminado seja aquele que mais favores ecológicos oferecer à dama da floresta. Já se fala em ministérios, em meia-volta em projetos impactantes, em alteração de planos etc. Cá entre nós penso que a prosperar esta corrida maluca, os candidatos terminarão a campanha usando o chale da Marina, negando o o próprio programa e adotando o modelo da WWF. Tudo em vão.

Seu apoio é importante, tem um simbolismo atual, mas a Marina tem muito menos poder de transferir votos quanto pensam por ai. Os 20 milhões de votos da Marina não lhe pertencem, não são programáticos, não são verdes. São dispersos entre cristãos insatisfeitos com a posição da Dilma favorável ao aborto, cidadãos e cidadãs que prezam o voto ético que ela encarnou bem ao fazer tábua raza das diferenças entre Dilma e Serra, intelectuais, artistas e estudantes que a vêem como a salvadora das gerações futuras e seus companheiros ecologistas. Estima-se que metade de seus votos foram alcançados nas últimas semanas.

Tenho a impressão de que apesar dos esforços de seus amigos petistas do bem, os acreanos Binho, Jorge e Tião no meio, ela se inclinará pragmaticamente pelo Serra. A razão é que a Dilma chegou ao final da campanha com três pregos cravados em sua imagem - a questão do aborto, os desvios éticos da Casa Civil e a espionagem no sigilo fiscal dos tucanos. Adotar uma opção pela  Dilma significaria coonestar com estes fatores deletérios da popularidade de qualquer politico e o que mais Marina precisa neste momento é acumular forças para 2014. Iria ela contra a corrente que se faz no Brasil pela preservação da vida? Duvido.

Mesmo assim, ficando ela com o Serra, com a Dilma ou neutra (como se a neutralidade politica fosse possivel) não creio que seja o xis da questão. A campanha se decidirá objetivamente pela ação dos governadores, senadores e deputados eleitos que terão a possibilidade de usar todas as armas. Isto se daqui pra lá uma nova capa da Veja não mandar tudo pro brejo de vez.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Generais conhecidos, dois exércitos, duas missões. A batalha começa agora.

Vi ontem as entrevistas de três dos principais candidatos na eleição de domingo passado. Tião Bocalom, Tião Viana e Marcio Bittar.

Noves fora os agradecimentos e queixumes de praxe, dois pensamentos enunciados me chamaram a atenção. Um, do futuro governador Tião Viana, ficou explícito em sua promessa de RENOVAÇÃO. Embora o tempo fosse curto, deu para perceber que o senador não está nada satisfeito com o que e com quem está ai. Renovação significa troca, alteração por algo novo. Suspeito que a florestania radical sairá da moda e penso que a tarefa do Tião Viana não será fácil. Haverá muita resistência entre os que passaram superbonder na cadeira, muitos recursos aos padrinhos de sempre e muita militância partidária a ser exibida.

O outro pensamento explícito foi dado por Marcio Bittar que, do alto de seus 52 mil e tantos votos, diagnosticou que a população quer mudança e que a oposição precisa se PREPARAR para governar o Acre. O que seria isto senão acumular saber, experiências, idéias e programas para na próxima apresentar de modo mais elaborado e crível um verdadeiro Plano de Governo? Os nomes já estão postos: ele próprio, Flaviano Melo, Tião Bocalom e Sergio Petecão.

As missões de um e de outro lado da politica local estão dadas. A de um, renovar-se para se manter no governo. A de outro, se preparar para conquistar o poder. Não há trégua, não há tempo a perder, a luta continua.

NOTA DO MOVIMENTO NACIONAL DA CIDADANIA PELA VIDA – BRASIL SEM ABORTO SOBRE AS ELEIÇÕES 2010 E A QUESTÃO DO ABORTO

NOTA
O Movimento Nacional da Cidadania pela vida – Brasil Sem Aborto, de natureza supra-partidária e supra-religiosa, com sede nacional em Brasília, neste momento extremamente importante para o futuro do nosso país, vem a público manifestar sua preocupação com o oportunismo político com que está sendo tratada a questão do aborto, nestas eleições.

É estarrecedor que algo tão importante como a defesa da vida, desde a concepção, seja tratado sem a devida explicitação do posicionamento de cada candidato à Presidência da República, aos governos de Estado, ao Senado Federal e à Câmara dos Deputados. Entendemos que a coerência e a clareza de posicionamento, não só nesta conjuntura eleitoral, deva prevalecer junto aos eleitores brasileiros. Não podemos aceitar que candidatos que manifestaram publicamente, com palavras e ações, posicionamento pela descriminalização do aborto venham agora silenciar sobre suas posições ou declarar-se agora contra o aborto de maneira oportunista, ambígua e eleitoreira, visando confundir os eleitores. Quem efetivamente é contra o aborto não teme posicionar-se claramente contra a sua legalização ou descriminalização, por entender que o direito à vida é o mais fundamental de todos os direitos humanos.

Para contribuir para essa clareza de posicionamento, o Movimento Nacional da Cidadania pela Vida – Brasil Sem Aborto lançou desde o início desta campanha eleitoral a CAMPANHA NACIONAL GOVERNOS E PARLAMENTOS PELA VIDA com o slogan “A VIDA depende do seu VOTO” com o objetivo de identificar os candidatos e candidatas que tem posição contra a legalização do aborto em nosso país e que queiram assinar “Termo de Compromisso” com firma reconhecida em cartório tendo os seus nomes inscritos numa lista por Estado, no site www.brasilsemaborto.com.br

Entendemos que os eleitores brasileiros não podem ficar à mercê dos “lobos vestidos com pele de cordeiro” cuja intenção é GANHAR VOTOS para vencer as eleições e,depois de empossados, mostrar a sua verdadeira face no apoio à cultura de morte que tem como objetivo no governo federal, estadual ou no Congresso Nacional estabelecer políticas de incentivo à prática do aborto no SUS e na articulação para descriminalizá-lo e aprovar uma legislação que o legalize em nosso país, tal como consta no PNDH-3 e no recentemente acordo internacional assinado pelo governo brasileiro denominado de “consenso de Brasília”.

Por que LEGALIZAR a Morte quando queremos Vida?

Brasília, 30 de setembro de 2010

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Dilma assim pensava e declarava em 2007. Não mudou.

Estrategistas tentam salvar a dona Dilma negando sua posição a favor do aborto. Não adiantará.

Os videos abaixo deveriam ser exibidos em todas as igrejas e templos cristãos e espíritas do Brasil. No primeiro, dona Dilma diz com todas as letras que é A FAVOR da descriminação do aborto. No segundo, o quitandeiro de milagres, Edir Macedo, DEFENDE o aborto como solução contra a violência. O raciocínio imundo dele é de que quanto menos pobres nascerem menor a violência.


A verdade precisa ser conhecida. Os falsos precisam ser desmascarados. Os abortistas devem ser revelados. A vida deve ser preservada. 

 

José Serra - uma vitoria com gosto de "por aqui o buraco é mais embaixo".

Grandes jornalistas e cientistas políticos brasileiros se prguntaram nesta segunda-feira por que cargas d'água, no Acre, onde a hegemonia petista dura 12 anos, a dona Dilma teve a pior performance entre todos os estados. Some-se a isto que os líderes petistas daqui são unha e carne com Lula e o espanto é compreensível. De outra parte, por que será que sem vir aqui uma única vez, sem ter um deputado federal ou um senador sequer, o tucano José Serra teve a sua melhor performance entre todos os estados? Caso para Freud? Não. Há razões muito objetivas para explicar o "fenômeno".

Em primeiro lugar, a população acreana tem ótima lembrança do período tucano no governo federal. Os petistas locais não se cansavam de propagar o prestígio que gozavam junto a FHC, dona Ruth e outros. Era comum se propagandear as visitas pessoais e até uma recepção ao então governador Jorge Viana no palácio da Alvorada. Simbolicamente, no funeral de dona Ruth, estava nas primeiras filas o petista Jorge Viana. Recursos muito generosos foram transferidos para o Acre na época. A idéia transmitida era de que "até os adversários gostam da gente". Outros exemplos poderiam ser citados para sustentar que para o Acre, se Lula foi um pai, FHC foi uma mãe. O resultado é que o próprio PT construiu uma imagem positiva dos tucanos nacionais, o que dificulta grandemente a desconstrução atual.

Em segundo lugar e, talvez, mais importante, é o fato de que o presidente Lula e seus ministros tenham se transformado em figuras fáceis no Acre, demonstrando com justiça o prestígio dos políticos locais, suas ações e programas foram de certo modo recobertas pela propaganda do governo local, ou seja, o que é do governo federal quase sempre foi transformado no que é do governo local. Ao observar uma obra federal ou saber da aplicação de recursos federais, o eleior sempre foi levado a ver o presidente Lula em segundo plano, o primeiro era ocupado pelos políticos locais. A popularidade do Lula entre nós não é, certamente, tão elevada quanto em outros estados governados pela base aliada. Não há, por assim dizer, um Lulismo à feição do nordeste. Aqui há Vianismo.

Em terceiro lugar, com menor importância, está o afastamento da Marina Silva do Ministério do Meio Ambiente em grande parte motivada por desentendimentos com a Dilma. Por cá isto soou como ingratidão e desrespeito com a nossa queridinha. Algum peso isto teve no resultado da Dilma que foi menor que a metade do resultado do Tião Viana.

Em síntese, nem é fácil desconstruir os tucanos nacionais e tirar votos do Serra, nem tampouco transferir votos de Lula para a Dilma, já que o próprio Lula não tem por cá toda essa popularidade. Lembremo-nos que ele próprio perdeu para o Alckimin no primeiro turno da eleição passada.

Poderá a situção ser revertida no segundo turno como almeja a FPA? Talvez. Da vez passada, contra o Alckimim, as oposições não tiveram nenhum fôlego para defender seu candidato no segundo turno. Os governistas fizeram campanha sozinhos. Além disso, o resultado eleitoral local de 2010 foi mais animador, o que dificulta uma mudança de posição do eleitor. Por último, o Serra parece apresentar mais viabilidade eleitoral do que o Alckinim e é muto mais conhecido.

Por tudo isso, se as oposições tiverem o engajamento mínimo na eleição do segundo turno, os governistas terão que suar muito para entregar à Dilma uma vitória no Acre.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Sem essa de onda verde.

Há quem afirme com toda convicção que a performance da Marina Silva decorre de uma "onda verde" que teria alcançado uma parcela importante da sociedade, fazendo com que e ex-ministra seja hoje a caudatária de mais de 20 milhões de votos. Alguns até imaginam que ela pode transferí-los. Discordo e explico.

Não há onda verde nenhuma. A votação que a ilustre acreana teve decorre de vários fatores e de uma estratégia que, aliás, ela utilizou em sua primeira eleição ao Senado. Em disputa com os dois favoritos (Aluizio Bezerra e Narciso Mendes) a deputada Marina Silva se posicionou por fora da raia, enquanto os dois se destruíam mutuamente. No final, cansado de agressões e ávido por mudança, o eleitorado tascou o voto na Marina. Aluizio, o "carcará" foi abatido.

Sem nenhum demérito à candidata, muito pelo contrário, penso que ela adotou a mesma estratégia. Estimulou o acirramento do debate entre Dilma e Serra, postou-se no campo ético e moderno, aliou-se com intelectuais e artistas e colheu os resultados. Nos temas polêmicos como o aborto, que derrubou a Dilma, ficou em cima do muro defendendo o plebiscito. Verdadeiramente, o tema verde muito pouco frequentou o debate presidencial, não há, portanto, como ter corrido onda nenhuma.

De qualquer forma, é bastante razoável propor que a opção da Marina Silva no segundo turno seja cortejada pelos dois candidatos. Soma muito e ela pode aproveitar para arrancar compromissos "verdes" que lhe interessem, mas duvido que signifique um verdejamento significativo do eleitorado.

Marcio Bittar - uma vitoria com sabor de vitoria.

Surpreendente, julgo, até mesmo para ele próprio, foi a votação alcançada pelo candidato Marcio Bittar, do PSDB. Depois de sucessivas derrotas am campanhas majoritárias e de não concorrer em 2008, o ex-Deputado retorna à vida pública com uma votação consagradora. Mais de 15% dos eleitores que sairam de suas casas ontem para votar, escolheram Marcio Bittar. É o segundo mais votado em todo o Brasil. Tem, portanto, sobejas razões para comemorar.

Uma das razões que fizeram tal resultado, além, é claro, do carisma e da capacidade de trabalho do candidato, provavelmente é a sua postura que, mesmo sendo severamente crítica ao modelo vigente, não resvala para a mediocridade nem se deixa seduzir pelo denuncismo ôco nem pelo palavreado de botequim. Marcio Bittar é um político cuja arma principal é, pasmem, a política, com coerência e objetividade.

Os efeitos desta votação se fazem sentir imediatamente, pois desde o inicio Marcio Bittar apontava para uma candidatura à prefeitura de Rio Branco em 2012. É, portanto, uma sólida perspectiva.

Tião Bocalom – uma derrota com sabor de vitória.

Uma candidatura quase monocórdia, centrada na produção agrícola, de pequeníssima estrutura financeira, escassos recursos de marketing e propaganda, e um candidato sem carisma pessoal e de pouca experiência política, mas com uma extraordinária tenacidade, vigor e capacidade de trabalho fizeram balançar a hegemonia petista no Acre. Não parecia razoável que, ao final, Tião Bocalom praticamente empatasse o jogo com a poderosa Frente Popular do Acre, à frente seus maiores lideres, os irmãos Viana. A derrota por mínimos décimos percentuais teve sabor de vitória, pois afirmou que é possível ganhar. Serra, Petecão e MarcioBittar ganharam espetacularmente. O eleitor do Acre começou a realizar um movimento de crítica ao modelo vigente e ensaia o desembarque. Deixou nesta um aviso muito claro. O próximo porto surgirá em dois anos.

A oposição fará de oito a dez deputados dependendo da Justiça Eleitoral, elegeu três deputados federais, entre eles os dois mais votados, e um senador. O que fez a oposição para chegar tão longe em condições tão adversas? Arrisco:

Em primeiro lugar, encontrou e explorou uma fragilidade na frente adversária que é a incapacidade demonstrada até agora de dar respostas efetivas, irretorquíveis, definitivas, quanto ao desenvolvimento econômico e geração de emprego no estado. A produção agrícola tomada como bandeira pelo candidato Tião Bocalom não foi efetivamente desmobilizada por dados concretos.

Em segundo lugar, vidraças governamentais como a pavimentação da BR 364 que se arrasta há doze anos, o crescimento da violência urbana e a precariedade do sistema de saúde foram atingidas de modo consistente pelo candidato da oposição.

Em terceiro lugar, há que se reconhecer, o Tião Bocalom é um homem tenaz, sério, firme, que se não atrai admiração e simpatia, gera credibilidade. Sua linguagem e postura inspiram confiança. Sua falta de traquejo político é compensada por um objetivo perfeitamente identificado ao qual se lança com todas as forças.

Desta vez a população o abraçou e disse-lhe claramente que o aceita como líder político importante. Se der mais atenção à construção de um verdadeiro programa de governo, mantiver um diálogo permanente com a população e estabelecer laços efetivos com setores da classe média, empresários e profissionais liberais, muito provavelmente viabilizará seu projeto.

Tião Viana e Jorge Viana - uma vitoria com sabor de derrota.

Aos resultados:

O senador Tião Viana ganhou a eleição para governador no primeiro turno por uma diferença de pouco mais de 1%  em relação ao seu opositor Tião Bocalom.

Para o Senado, Jorge Viana foi o mais votado, porém teve menos de 1% dos votos a mais que Petecão que ganhou a outra vaga.

Edvaldo Magalhães teve votação pífia e ficou no empate técnico com João Correia. Para a Câmara Federal a FPA fez apenas 5 deputados (contava com 6).

Para a Assembléia Legislativa ainda é preciso aguardar a liberação dos votos de alguns candidatos enrolados na Justiça.

José Serra teve no Acre sua maior votação em termos proporcionais (52%). A candidata petista teve seu pior resultado (apenas 23,7%).

Além disso, temos que considerar a extraordinária votação de Marcio Bittar que ultrapassou os 52.000 votos (15% dos eleitores) e faz com que seja o segundo candidato mais votado do Brasil, atrás apenas de Reguffe no Distrito Federal. Outro candidato da oposição, Flaviano Melo foi o segundo mais votado no Acre com mais de 10% dos votos.

Este é o cenário nada animador com que se defronta a FPA no dia de hoje. É preciso ler o resultados das urnas. Leio assim:

Deixando de lado eventuais equívocos de campanha, creio que a FPA quase perdeu as eleições para uma candidatura de baixo carisma, pouca elaboração teórica e escassos recursos financeiros, em grande parte devido à discutível performance de seu projeto - a florestania. O governo de doze anos da FPA, por assim dizer, encardiu, está cansado nos operadores e no método. O anúncio da ZPE e de um processo de industrialização não foi suficiente para lustrar a florestania e renovar as esperanças de milhares de eleitores que se sentem frustrados em suas expectativas. É mais que fadiga, é desilusão, o que leva ao desejo de mudança.

É sintomático que tanto Tião Viana quanto Jorge Viana tenham perdido as eleições na capital do estado, justamente onde fizeram as maiores obras e detém o comando da Prefeitura Municipal há seis anos, dos organismos federais há oito, e da UFAC há dez anos, além de posições importantes em organizações privadas. O eleitorado escreveu com tinta forte nas urnas que não está mais disposto a endossar o mesmo e os mesmos. Quer mudança.

Algumas perguntas prescisam ser respondidas. Estará o novo governador disposto a reciclar a forestania e os florestanos que se perpetuam em seus cargos como se donos fossem? Estará disposto a observar os argumentos dos adversários sem transformá-los em inimigos a serem extirpados? Estará disposto a democratizar o debate amansando os pitbulls da imprensa? Estará disposto a deixar respirar os movimentos sociais?

Alguém poderá dizer que foi o discurso da produção agrícola e do desenvolvimento verbalizado pelo Tião Bocalom que quase venceu. É em parte verdade pois esta é uma área sensível do governo, mas penso que a florestania está perdendo também para si mesma à medida que não consegue olhar-se e reconhecer equívocos e insucessos. Isto signfica enterrar de vez a florestania? Talvez não. Talvez seja possível manter a sua raiz filosófica.