sexta-feira, 30 de abril de 2010

Lula não perde uma oportunidade jamais.

Ontem em cadeia nacional rádio e TV que somente deve ser usada para mensagens oficiais de interesse do Estado, Lula não conseguiu trair a sua própria natureza. A do oportunismo. Quase não se referiu ao dia do trabalho que seria o pretexto da fala, fez um balanço do seu governo e mandou ver:

"Meu período de governo está chegando ao fim. Algo me diz que este modelo de governo está apenas começando. Algo me diz, fortemente, em meu coração, que este modelo vai prosperar. Porque este modelo não me pertence: pertence ao povo brasileiro. Que saberá defendê-lo e aprofundá-lo, com trabalho honesto e decisões corretas."

Os grifos são meus. Se isto não é campanha eleitoral em mensagem indireta, tenho que voltar aos quatro anos de idade quando aprendi a ler.

O Brasil é o Cara!

Um dia desses, refletindo por que raios o Lula tem toda essa popularidade, me perguntei que conceito daria ao seu governo. Quer saber? Acho que ele faz um governo regular. Não tão bom quanto dizem os deputados puxa-sacos que todos os dias estão na tribuna fazendo o servicinho da sabujice. Tem méritos. Seria bom, não fosse a frouxidão ética, o aparelhamento do estado e a incompetência instalada em muitos ministérios. Portanto, me incluo naquele percentual lá dos oitenta por cento que "aprovam" o seu governo.

Agora, quando vejo seu nome entre os 25 líderes mundiais mais importantes, sinceramente não me surpreendo. É a segunda vez. Deveria ser a oitava. O presidente do Brasil que não estiver naquela listinha é ruim. O Brasil não é qualquer coisa, basta vermos o tamanho de nossa economia, a nossa população, nossos recursos, nosso papel no comércio mundial e nosso protagonismo (que palavrinha!) na questão ambiental para nos darmos conta de que estar entre os 25 é obrigação de nosso líder, seja ele quem for. Duro é estar lá sendo presidente do Sudão.

Alguém pode dizer que nunca antes neste país um presidente recebeu tantas capas, tantas referências elogiosas de revistas e intsituições internacionais. É verdade. Mas não muda nada. Pior para quem, tendo a as condições e a oportunidade não conseguiu.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Chutando de faz de conta



No mesmo dia em que o deputado Moisés Diniz rejeita em seu blog o apoio manifestado pelo troglodita Hugo Chavez à candidatura da DIlma, ela própria dá um chega pra lá no MST. Segundo a candidata, não se deve aceitar invasões de terra nem ocupações de prédios públicos.

Companhias temporariamente incômodas é o que são Hugo Chavez e o MST. Dilma sabe que o brasileiro não gosta dos métodos de um e de outro, então é melhor escondê-los atrás da cortina, pelo menos por enquanto. 

Lembrei-me da cena acima do maravilhoso filme de Chaplin (O Garoto).

Eles se borram de medo de nós.


Esta imagem "chupada" do site do Claudio Humberto além de engraçada tem um siginificado especialíssimo. Governantes como Chavez, Castro e outros utilizam-se da força do estado para proibir-inibir a liberdade de expressão, garrotear a imprensa e falsear a informação. Mas todos eles se borram de medo da Internet (simbolizada na foto pelo mouse). Esta eles não podem controlar. Os internautas, blogueiros e twitteiros estão causando estragos em Cuba, Venezuela, Irã, China e em todos os lugares onde o autoritarismo tenta se manter à custa da empulhação diária.

É claro que eles também se aproveitam da internet. Há internautas, blogueiros e twitteiros a serviço dos ditadores. Alguns deles disfarçam, simulam briguinhas, denunciam frivolidades, atraem leitores, mas no fundo estão apenas tentando tomar as rédeas de um poder fantástico que está em nossas mãos. As palavras e a liberdade de escrevê-las sem pedir licença ao dono do Jornal pré-pago (royalties para Hélio Fernandes).

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Acuerdo de los pueblos em Cochabamba. Misturaram coca com estatística.

Conferencia Mundial de los Pueblos sobre el Cambio Climático y los Derechos de la Madre Tierra


22 de Abril Cochabamba, Bolivia

ACUERDO DE LOS PUEBLOS

Hoy, nuestra Madre Tierra está herida y el futuro de la humanidad está en peligro.

"De incrementarse el calentamiento global en más de 2º C, a lo que nos conduciría el llamado “Entendimiento de Copenhague” existe el 50% de probabilidades de que los daños provocados a nuestra Madre Tierra sean totalmente irreversibles. Entre un 20% y un 30% de las especies estaría en peligro de desaparecer. Grandes extensiones de bosques serían afectadas, las sequías e inundaciones afectarían diferentes regiones del planeta, se extenderían los desiertos y se agravaría el derretimiento de los polos y los glaciares en los Andes y los Himalayas. Muchos Estados insulares desaparecerían y el África sufriría un incremento de la temperatura de más de 3º C. Así mismo, se reduciría la producción de alimentos en el mundo con efectos catastróficos para la supervivencia de los habitantes de vastas regiones del planeta, y se incrementaría de forma dramática el número de hambrientos en el mundo, que ya sobrepasa la cifra de 1.020 millones de personas."

Este é o preâmbulo do documento extraído da reunião que levou alguns dias, algumas autoridades, alguns cientistas e muitos ecoalarmistas à Bolívia semana passada. É ou não é o apocalipse? O mais engraçado é que tudo se baseia em 50% de probabilidades. Isto em ciência é exatamente NADA. Esses caras ainda vão terminar se valendo de mãe Dinah para provar suas "teorias".

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Dando corda na cleptocracia

Noticias do planalto dão conta de que o Governo pretende tomar medidas para reduzir o poder do Tribunal de Contas da União - TCU. O negócio é o seguinte:

Do jeito que as coisas funcionam hoje, o TCU faz seu trabalho e, verificando que em determinada obra há sérias irregularidades, coisas assim tipo superfaturamento flagrante, desvio de recursos, favorecimento à empreiteiras e outras enormidades comuns na administração pública, decide interromper a obra, ou seja, dá um pára pra acertar até que a ladroagaem seja apurada e resolvida. A tese é de que a roubalheira não pode continuar, pois significa dinheiro público indo pro ralo. Questão de lógica.

Do jeito que estão querendo que as coisas funcionem, o TCU faz seu trabalho e, verificando que em determinada obra há sérias irregularidades, coisas assim tipo superfaturamento flagrante, desvio de recursos, favorecimento à empreiteiras e outras enormidades comuns na administração pública, ao invés de interromper a obra, ou seja, de dar um pára pra acertar até que a ladroagaem seja apurada e resolvida, ele apenas noticia aos órgãos competentes as práticas verificadas. A tese é de que se a obra parar o povo tem prejuizo ainda maior. Até que tudo seja apurado, a obra foi inaugurada com superfaturamento e tudo. Questão de campanha eleitoral.

O fato é que com um monte de obra do chamado PAC na linha de inaugurações e muitas delas enfiadas até o guindaste na podridão, o governo raciocina que pior que obra não feita é obra pela metade em vista de corrupção. Resultado: Ao invés de prender o ladrão, estão segurando a polícia. Pode?

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Este é o Ciro!

Trabalhei um ano no Ministério da Integração Nacional e tive a oportunidade de acompanhar várias vezes a participação de Ciro Gomes em seminários, debates e reuniões. É um sujeito simplesmente brilhante. Encantador, mesmo. Seu discurso tem sempre começo, meio e fim. Sua mensagem é clara, seu vocabulário, às vezes recorrendo ao palavreado nordestino, é reto, agudo, não permite duplas interpretações.

Ao sair do silêncio nesta sexta-feira não deixou margem à dúvida. É um poço de mágoas. Se sente humilhado, enganado. Penso que a "questão Ciro" ainda vai render. Acompanhem a perfeita análise que faz o jornalista Reinaldo Azevedo.

China - castanha, carne e madeira. É pouco.

Leio na rápida entrevista do bom Angelim que os chineses querem madeira, castanha e carne. Como eu mesmo havia dito antes, é o que temos. Sendo assim, parece boa noticia, não? Em termos.

A listinha de compras dos chineses é pequena e, mesmo assim, complicada. Dos três itens, o único com alguma chance de ter a oferta ampliada significativamente é a madeira. Castanha tem oferta quase imóvel, não a plantamos. Sob ataque dos ambientalistas de xale e coletinho, a pecuária não pode ser ampliada muito mais do que os ganhos de produtividade que no Acre serão poucos porque já estamos em um patamar elevado. Resta a madeira que sob manejo florestal poderá ser explorada com taxas de crescimento razoáveis. Isto se nos órgãos próprios a burocracia permitir.

Pelo jeito a turma realmente ofereceu o que temos e não o que podemos, que é muito mais. Se o resultado foi apenas este, fico decepcionado.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Preparem-se, o frio vem ai.



Pois é. Aquele que realmente comanda o clima, o astro-rei, o sol, entrará em período de menor atividade e, por isso, a terra poderá passar por uma era glacial. Frrrrrrrrrrrrrio pra ninguém botar defeito. Se confirmado, mais energia terá que ser gerada para que os aquecedores livrem AL Gore de ter seus miolos congelados juntos com os de Rajendra Pachauri e todos os carbofóbicos que vivem por ai pulando de seminário em seminário recebendo prêmios uns dos outros.

Quem sabe aquele Nobel fajuto volta pra academia, não é?

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Dilma no Datena - rodando que nem peru.

Sabemos que o Datena faz na Band um programa típco para as classes populares. Seus temas são violência, drogas, policia, desastres urbanas e por ai vai. Ele é rápido e, ao vivo, se transforma num perigo para o entrevistado. Gente de raciocínio lento ou que não tenha na ponta da língua seus pontos de vista corre alto risco.

Pelo jeito a Dilma não sabia disso, ou se arriscou. E se deu mal. A cada pergunta do Datena, uma dificuldade. Guaguejou, se ancorou nas perguntas para ganhar tempo, fez voltas no mesmo ponto, deu respostas tautológicas, repetiu-se e, enfim, demonstrou que é meio fraquinha. Mesmo o entrevistador ajudando não deu conta de emitir uma única ideiazinha razoável. Quando falou de drogas só faltou mandar a conta para as mães. Quando falou de segurança deu uma declaração inédita "é responsabilidade do governo federal, do govero estadual, do governo municipal e da sociedade". Uma pérola, não?

Essa moça vai dar trabalho. Aos marqueteiros.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Cruzada comercial acreana na China - aguardemos.

Noves fora a linguagem ufanista, beirando a pieguice, que jornais e jornalistas estão utilizando para propagandear a visita da comitiva acreana à China, considero importante e necessário que tenha ocorrido. O problema está no enfoque de mão trocada. Explico.

Sem essa de "prospectar mercado para os produtos acreanos", por favor. Que produtos? Quase cem por cento do que se produz é madeira, castanha e carne. Fora disso, nada é economicamente relevante. Não precisaria ir a turma toda pra saber se a China precisa desses produtos, não é mesmo?

Do jeito que estão falando, parece que fomos lá perguntar quais entre os produtos acreanos a China precisa importar. Isto é falso. A verdadeira pergunta é: Quais produtos a China precisa que possamos, talvez, vir a produzir? Se o pessoal voltar com uma listinha razoável de uns cinco ítens já é algo a se comemorar, pois dada a dimensão da sua economia qualquer demanda chinesa pode significar a retirada do Acre da estagnação crônica. Isto se a turma do "não mexe" deixar.

Para desilusão de alguns, garanto que a China não parou para ver os acreanos vendendo, mas aposto que o Acre vai parar pra ver os chineses por aqui comprando. O quê, ainda não sei. Aguardemos o retorno de nossa cruzada comercial.

sábado, 17 de abril de 2010

Serra dez pontos à frente. De quem é o problema?

Quem quiser ver uma análise vagabunda da pesquisa mais recente do Datafolha, na qual o Serra aparece 10 pontos à frente da Dilma, leia ai do lado o Josias de Souza. Depois de fazer uma série de malabarismos, o jornalista conclui que quem está com um problemão é o Serra. Putz!.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

MST - saia dessa, Marina.

Ando acompanhando as declarações da Marina na imprensa. Aqui e acolá um vacilo como aquela entrevista na qual se recusou a denominar ditadura o regime cubano, outras vezes um purismo que soa tão legítimo quanto uma nota de 3 reais, alguns recursos a frases de efeito de pouco conteúdo e assim vai. A pedreira ainda não começou.

A última, porém, merece destaque. O alinhamento transverso ao MST é além de tudo burrice. Não rende votos nem no Movimento que já escolheu Dilma e, de sobra, inquieta setores da classe média que em prol da ética tendem a escolher Marina. Ficar ao lado do MST vai contra a ética, pois o seu emblema é a invasão de propriedade privada e a o extremismo. Seguramente, a sociedade não está a fim de lhe dar uma mãozinha.

Duvido que o José Eli da Veiga tenha lhe dado este conselho.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Uma conversinha no pé do curral

Se voce quiser levar um animal bravo a algum lugar, puxe-o pelo beiço. O beiço é tão sensível que o bicho se aquieta e, sem querer, segue o caminho que lhe apontam. Não recrimino o bicho. Mas gente não é bicho e, se for político, menos ainda.

Digo isto pensando em alguns comentários que ouço e leio. Cuidado "vencedores"! Tratem direitinho aqueles que momentaneamente perderam a capcidade de estrebuchar. A vida é longa e na política quem queima pontes destrói caminhos e chances de voltar por eles. O mundo não acaba aqui.

Conheço alguns que simplesmente não aceitam o alicate no beiço. A qualquer momento podem saltar e largar o condutor no chão. Ainda mais se do outro lado da cerca tiver alguém com uma cuia na mão.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Daime politicas públicas.

Leio no blog do Altino Machado sobre o seminário "Culturas Tradicionais da Ayahuasca: Construindo Políticas Públicas para o Acre", promovido pelas entidades daimistas e adeptos. Pelo programa do evento parece coisa de quem é do ramo. E da folha e cipó, obviamente.

Fico pensando com meus botões. Que coisa interessante. Políticas públicas são algo tão importante, tão presente na vida das pessoas que seitas e adeptos se reúnem (espero que antes de beber o chá) para discutí-las seriamente. Temas como saúde, educação, segurança e outros são debatidos à luz dos interesses da sociedade e, particularmente, dos daimistas, visando muito provavelmente a realização de um futuro melhor.

Da minha parte, acho que o lugar certo não é bem este. Há partidos politicos, associações de classe, sindicatos e tudo o mais para isto. Quando política e igreja, qualquer igreja, se misturam, fico assustado. Mas, é da democracia. Quem quiser que se reúna sobre o que for do seu interesse. Podem levar a política para o daime à vontade, desde que não sirvam o chá nas reuniões de governo...

Engraçado é que, no Acre, apesar de toda a pompa, a oposição ainda não foi capaz de fazer o que os daimistas estão fazendo. Deve ser porque no segundo caso ninguém está a fim de ser o Mestre Irineu. Que ao menos sirva de exemplo.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Senador rebate empulhações de racialistas.

Merece ser lida a carta do senador Demóstenes Torres ao jornalista racialista Elio Gaspari. AQUI

Marina Silva vai se afastando da Dilma...

As declarações da senadora Maina Silva hoje deram uma idéia do rumo que está tomado. Não parece que seja ao encontro da Dilma. De um lado postou-se frontalmente contra a estupidez da candidata petista de chamar de fujões os exilados da ditadura. De outro, concordou com Serra quanto à necessidade de não permitir a separação dos brasileiros entre bons e maus, pobres e ricos.

Penso que por conhecer bem a Dilma, pois comeu dela o pão que o diabo amassou, a ex-Ministra Marina Silva não confia nadinha em sua conversão ao ambientalismo. Na cena atual, a usina de Belo Monte cuja licença foi tirada à fórceps do IBAMA para desempacar o PAC e hoje teve o protesto do diretor de "Avatar", James Cameron, e da atriz Sigourney Weaver.

E o jogo ainda nem começou...

domingo, 11 de abril de 2010

Serra e Dilma - uma diferença abissal.

Sobre o lançamento da pré-candidatura do Serra, nada que já não tenha sido dito pelos analistas politicos. Uma certeza: Lula vai ter que suar como nunca para levar a Dilma nas costas até o dia da eleição.

sábado, 10 de abril de 2010

Dizer o quê?

"Flaviano, Petecão, Bocalon e Márcio Bittar não conseguem nem se reunir em volta de uma mesa. Muito menos ter um projeto de desenvolvimento para o Acre." Edvaldo Magalhães.

Penso que este é o centro da questão. O candidato ao senado pela FPA enfiou o dedo bem no olho da oposição.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Moisés Diniz - pense num sujeito prevenido!

O deputado Moisés Diniz é, seguramente, um homem prevenido. Enxerga longe. Não é fácil pegá-lo de surpresa. Tanto que em Brasilia esta semana para sacramentar o apoio à Dilma no Acre, não descuidou de postar em seu blog uma garantia para o futuro. Segundo ele, vai ser dificil derrotar o Serra no Acre por causa da Marina. Tipo assim: Como somos muito respeitosos, não vamos tirar votos da ex-companheira Marina, então talvez não dê pra ganhar do Serra. Legal, né?

Em outras palavras, segundo o deputado, se não fosse a Marina a peia ia ser grande em cima do Serra. O deputado, muito esperto, contabiliza os votos da Marina como "aqueles que seriam da Dilma". Tenho cá as minhas dúvidas em relação a isto.

Consta que pesquisas recentes dão a Marina em primeiro, Serra em segundo, Ciro em terceiro e, na rabeira, Dilma. Sei que isto é hoje, muitas águas vão rolar. O Ciro, por exemplo, pode deixar a candidatura de lado. Mas se isto acontecer, o que é bem provável, os votos dele seguem majoritariamente para Serra - é o que dizem as pesquisas nacionais, o que aumentaria a diferença entre Serra e Dilma, certo? Além disto, lembremo-nos que na última o xuxu do PSDB ganhou no Acre do próprio Lula e, convenhamos, nesta, nem o Serra é o xuxu nem a Dilma é o nordestino-operário-presidente.

Em síntese, tudo leva a crer que no Acre a Dilma vai levar uma sova daquelas. Sorte dela que os poucos votos da terrinha não influenciarão o resultado final, mas que neguinho vai ter que se explicar, vai. Menos o deputado Moisés Diniz, que já se garantiu.

Pé-de-cabra abre portas mas não elege ninguém

Outro dia, sem querer, causei polêmica ao tratar das candidaturas majoritárias. Penso que nas eleições proporcionais o eleitor vota em quem. Nas eleições majoritárias vota no quê. Houve um bom debate.

Ainda sobre as diferenças entre as duas, penso que do ponto de vista do candidato, o proporcional pode ser candidato de si próprio, já o candidato majoritário precisa ser candidato de um projeto. Nada novo. Alguém já disse isto, apenas concordo. E explico.

Se um sujeito resolve ser candidato a vereador ou deputado, ele pode ser o José Genoíno, o Mendes Thame, ou o Cabide, o Enéas, o Clodovil ou a Cicciolina... não importa muito o que pensa ou o que propõe. Quem quiser que o eleja, seja por sua capacidade, sua presença na mídia, sua performance como celebridade, sua graça ou beleza, afinal ele será minoria mesmo, jamais determinará o rumo das coisas. O máximo que se pode esperar é o arejamento da política. Menos mal. Melhor um cabide honesto do que um paletó malandro.

Mas quando o negócio é com prefeitos, governadores e senadores, o bicho pega. Ninguém está a fim de delegar tal responsabilidade a quem é candidato de si mesmo, de suas vaidades, de seus interesses ou de suas ambições pessoais, sem um projeto, sem um quê. Portanto, não creio que seja boa estratégia forçar uma destas candidaturas com um pé de cabra, entrando pela porta à custa de empurrões, caneladas, cotoveladas ou “um por fora”. O resultado, posso apostar, é a derrota. A razão mesma da candidatura é que derrota o candidato.

Pensei nisto ao ler uma declaração do Marcio Bittar de que somente será candidato ao Senado se for convocado por seu partido e tiver o apoio do PMDB. Pensei nisto também quando li as declarações de outros dizendo que serão candidatos de qualquer jeito.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Pelo dia dos JORNALISTAS

Penso que não há profissionais mais perseguidos pelas várias formas de autoritarismo do que os jornalistas. Justo eles que só podem ser verdadeiramente o que são, em ambiente de liberdade total. Aos que não se rendem, minha admiração e cumprimentos pelo Dia do Jornalista. Aos outros, meu desprezo, ainda que irrelevante.

Mais recursos para a agricultura. Bom, mas não suficiente.

Durante muitos anos trabalhei no INCRA, minha tese de mestrado é sobre o processo de ocupação das terras do Acre, acompanhei e participei ativamente nos anos oitenta e noventa da criação e desenvolvimento de projetos de assentamento, sou, digamos assim, do ramo e, como tal, me mantenho atento ao que acontece por lá. Leio com satisfação no blog do senador Tião Viana, que o governo federal aproveitará a cerimônia de posse do Thaumaturgo Neto em lugar do Cardoso, para anunciar um série de investimentos no setor. São significativos e muito bem vindos os recursos. Parabéns.

Não creio, porém, que sejam suficientes ou decisivos perante a questão agrícola do Acre, ou agrária, se preferirem. Não é apenas da falta de recursos que se ressente a economia agrícola acreana. Falta sobretudo foco, um verdadeiro projeto de desenvolvimento agrícola que de forma coordenada dirija as ações governamentais para determinados cultivos e produtos visando escala, competitividade, industrialização e mercado. Daí em diante a roda gira sozinha. Enquanto isto não for devidamente trabalhado o Acre permanecerá repetindo ano a ano as mesmas demandas, recursos e anúncios.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Quando o silencio vale ouro e as palavras deveriam ser castigadas.

Há momentos, muitos,

em que o silêncio deveria ser

premiado. Senão, sugerido.

Senão, imposto.

Ou, aquele que tombou

não deveria sair de sua maca

para falar asneiras.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Lula, este gênio da comunicação.

Assisti ontem a entrevista do presidente Lula ao Programa Canal Livre, da Band. Sinceramente, enfim começo a entender porque o homem tem toda esta popularidade. O fato é que o Lula é convincente. A não ser que o espectador esteja bem municiado de defesas éticas, programáticas e ideológicas, o que ele fala parece ter todo sentido.

A forma como descreve os encontros com grandes líderes mundiais é coisa para mentiroso de carteirinha ou gênio da comunicação. O homem dá solução para conflitos religiosos milenares e para crises financeiras internacionais como se fossem receitas de bolinhos de chuva. Parece o Zé das Couves falando na feira com o João dos Tomates. Em casa, o Mané que assiste a entrevista espichadão no sofá pensa “este Lula é f...!”

Tem um truquezinho em sua fala que considero genial. Quando as coisas apertam, ele manda os números absolutos. Quando pode nadar de braçada manda os números relativos. E tudo vira o nunca antes neste pais. Claro. Nos próximos anos alguém poderá dizer que nunca antes neste pais isto e aquilo. Escolhidos a dedo os números são a maior fonte de enganação possível.

Quando apertado no PAC, saiu com esta. “No PAC I foram destinados tantos bilhões, no PAC II são mais tantos”. Ora. O PAC I não realizou 15% dos investimentos previstos (a maior parte não saiu do papel) e o PAC II é mera aposta eleitoral. O espectador fica achando que o negócio agora é com o PAC II, sem se dar conta de que o PAC II já está sendo faturado sem que o PAC I tenha sido executado.

Quando confrontado com o PNDH e suas aberrações, não titubeou. Pra ele “Foram os movimentos sociais, quem quiser que debata e derrote-os.” Movimentos sociais uma ova. Aquela ruma de estrume saiu foi do governo que é quem puxa o cabresto de todos estes “movimentos sociais.”

Quando confrontado com a reforma tributária, mandou a conta para os governadores e prefeitos. Peraí. Com exceção da CPMF o governo ganhou todas no Congresso. Porque perderia esta, se quisesse levá-la adiante? Mas ficou a impressão de que a dita cuja não saiu porque os governadores impediram.

A mesma coisa para a reforma trabalhista. Criou uma comissão e a comissão não deu conta, não se entendeu. Que culpa tem o governo, né? Ora. Se era pra não dar conta pra quê o Governo criou a tal comissão? Fica por isto mesmo?

Ainda sobrou tempo e graça para advogar o bigodudo de Honduras. Não é verdade que o Micheletti saiu de casa e deu um golpe. A decisão foi tomada pela Suprema Corte hondurenha que viu na ação do Zelaya uma tentativa de perpetração de um golpe. O verdadeiro golpista era Zelaya. Isto, aliás, já é matéria vencida na opinião pública internacional.

Mas tudo isso e outras ardilezas passa despercebido pela fala extraordinariamente competente do Lula que de mais a mais desenvolveu um sorriso cúmplice com o espectador. Agora, além de falar como se fosse seu amigo de infância, ele sorri como se estivesse combinando algo com você. Sinceramente. Se não sou “passado na casca do alho” teria ontem sonhado com o Lula entre carneirinhos e nuvens de algodão.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Em ano eleitoral, pancadas e carícias. Cuidado!

Outro dia um amigo me perguntou se tenho bronca de sindicato. Eu não. Desde que sua atuação não se converta em braço partidário para bater em adversários ou em mãos sedosas para acariciar governantes, por mim tá de bom tamanho.

A questão é que a maioria dos sindicalistas do setor público (hoje são os que de fato importam) sonha em ser patrão, ou seja, governo. O sujeito não tem horizontes a partir do mérito então se enfia no sindicato e, pela ação política (batendo em adversários e acariciando governantes) ganha relevância no partido. Quando o partido chega ao poder o sujeito salta do sindicato para os cargos de comando aos quais jamais chegaria pelo mérito. Ou, então, vira ele mesmo um político de carreira. O sonho, enfim, se realiza.

O sonho dele, mas e a sociedade? Esta vai pagar o preço de não ser comandada pelos melhores, mas pelos que mais bateram e mais acariciaram. O posto de saúde não vai ser dirigido pelo médico mais preparado e sim pelo servidor mais íntimo do partido, a escola não vai ser dirigida pelo professor mais bem treinado ou mais experiente e sim por aquele que falava mais alto na reunião do sindicato, a segurança não vai ser executada pelo profissional mais habilitado e sim pelo militante mais articulado com o sindicato. Este itinerário alcançou nos últimos anos até os postos mais elevados da administração pública federal, incluindo instituições financeiras o que já é uma temeridade.

A tudo isto os especialistas dão o nome de “aparelhamento do estado”. Isto é, os organismos do estado são ocupados literalmente pelo aparelho partidário, por seus militantes, indiferentemente das capacidades e competências individuais de cada um. Tá certo isto?

Tá não. Em primeiro lugar, porque significa uma injustiça e um desestímulo a quem, de modo legítimo e ético se preparou ao longo do tempo para alcançar o ápice de suas carreiras. Em segundo lugar porque, obviamente, aumenta a ineficiência, o clientelismo e a corrupção. Em terceiro, porque o estado passa a ser, nas mãos dos militantes, máquina de reprodução das condições de perpetuação do poder e não de realização do bem comum. Em quarto, porque contaminando todos os setores termina por solapar o estado de direito. Há mais a lamentar.

Em vista de tudo isto, este ano é bom ter cautela com as pancadas e as carícias de sindicatos e sindicalistas. Os objetivos podem não ser assim tão obvios.

Revista Veja - imperdível.

A revista "Veja" está um primor esta semana. Pelo que lá está, imagina-se o que emergirá do mar de incompetência durante a campanha. É... a vida é dura, Dilma.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Vai dar conta?



Prestaram atenção na largueza do raciocínio? Na extensão do vocabulário? Na sutileza da ironia? Na originalidade do pensamento? Só faltou a metáfora futebolística. Pensndo bem, acho que Lula tinha todo o direito de ser o que é. Mas só ele.