sábado, 29 de agosto de 2009

Marina Silva – uma candidata ainda no alicerce



A senadora deu entrevista à Veja.

COMENTO

Li detidamente a entrevista da Marina à revista “Veja”. Sinceramente, achei fraca. Precisa muito mais para convencer o eleitor. A campanha não será feita apenas de imagens e frases de efeito. Destaco alguns pontos.

Tergiversou nas oportunidades em que foi confrontada com o PT. Não Marina, a crise ética que vive o PT apontada solementepelo senador Flavio Arns não é mero “erro” de um partido imperfeito. É muito mais. E voce sabe disso. Restringir sua divergência à não adoção de seus conceitos pelo governo significa aceitar todo o resto e, pode apostar, todo o resto virá à tona na campanha.

Em relação ao PAC, foi demasiadamente cautelosa, como se não conhecesse o assunto. Falou o obvio. Dizer que “é preciso evitar os riscos e problemas que os empreendimentos podem trazer, sobretudo na questão ambiental” parece muito elementar. Primário mesmo. É preciso conhecer o programa, saber que está empacado e se posicionar sobre isto de modo assertivo.

Quando respondeu sobre a economia praticamente fez uma confissão de ignorância no assunto. Lastimável. Na presidência não poderá dizer que vai consultar os universitários – os economistas – quando tiver que explicar sua política fiscal, por exemplo.

Enfim, alguns podem ver na entrevista algo como simplicidade, humildade, ternura... eu vi um longo caminho a percorrer.

Pré-sal: Pretensão dos governadores é injusta e inconstitucional

Embora tenha sido uma dádiva da natureza e só tenha valor pelo uso que se lhe deu no último século, o estoque de petróleo descoberto na camada do Pré-sal vem provocando polêmicas. A síntese é: os royalties e participações especiais devem ser distribuídos pelos estados brasileiros ou transferidos aos estados adjacentes?

COMENTO

Três estados estão lutando ferozmente com o governo federal para terem isoladamente os benefícios financeiros da exploração do Pré-sal. São eles: Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo. Os três, segundo última publicação da ONU ocupam o andar de cima nos índices de desenvolvimento humano. A renda per capita de cada um é segundo as últimas informações, aproximadamente 1,5 vezes a renda per capita brasileira.

Nesta o Presidente Lula acertou. Os benefícios financeiros da exploração do petróleo, que não tem nada a ver com a capacidade ou com o trabalho do cidadão, não devem se concentrar em uma parte da população, coincidentemente a de maior desenvolvimento. Os governadores, infelizmente não compreendem isto, querem toda a brasa em suas sardinhas. A confusão arrisca até complicar a campanha eleitoral.

Que estes estados sejam indenizados pelos danos ou impactos negativos que por acaso a exploração lhes cause tudo bem, mas neles concentrar a grana paga em royalties é demais. Não bastam os empregos e impostos que serão gerados? Não basta a infra-estrutura que será implantada?

Pode-se mesmo dizer que a pretensão dos governadores de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo é inconstitucional. Se considerarmos que objetivamente privilegia uma região determinada, afronta o princípio estabelecido no Art. 170, inciso VII da Constituição Federal segundo o qual a redução das desigualdades sociais é um dos princípios da atividade econômica. No Art. 165, § 7° institui que “Os orçamentos previstos no § 5º, I e II, deste artigo, compatibilizados com o plano plurianual, terão entre suas funções a de reduzir desigualdades inter-regionais, segundo critério populacional.”

Parece evidente que a intenção dos governadores vai contra os dispositivos constitucionais, portanto, não poderá prosperar.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Instituto Ethos e cientistas alemães - há muitas cartas a serem lidas




Está em todos os jornais: Nesta quarta-feira, sem a subscrição da FIESP, grandes empresas nacionais e entidades ambientalistas lançaram uma "Carta Aberta ao Brasil" sobre as mudanças climáticas. O alvo é a redução das emissões de CO² na atmosfera. Garantem, entre outras medidas, que de agora em diante as emissões das empresas serão monitoradas e divulgadas sistematicamente.


COMENTO

Existem cartas que antes de serem lidas ganham o noticiário. Dependendo dos interesses, nem interessa a leitura. Importante é que estão por aí a dar lições e estabelecer compromissos em nome da sociedade. A carbofobia está na moda.

Outro dia li uma carta. Esta, também sobre as mudanças climáticas, foi escrita por mais de 100 cientistas alemães e endereçada à chanceler alemã, Ângela Merkel. O texto em português pode ser encontrada em http://mitos-climaticos.blogspot.com/2009/08/cientistas-alemaes-contestam-pseudo.html

Nesta ninguém ouviu falar. Nenhum jornal, nenhuma rádio, nenhum artista global, nenhum deputado, ninguém ficou sabendo. Uma pena. Além de contestar as conclusões dos carbofóbicos com afirmações do tipo "Se o CO2 tivesse realmente qualquer efeito e se todos os combustíveis fósseis fossem queimados o aquecimento adicional a longo prazo seria, mesmo assim, limitado a apenas alguns décimos de graus Celsius" , os cientistas fazem em poucas palavras um verdadeiro libelo contra o pensamento único prevalecente na mídia global. Em determinado trecho lê-se "É realmente lamentável o comportamento dos nossos media. Nas antigas ditaduras diziam aos media o que não deveriam relatar. Mas hoje eles sabem isso sem receberem instruções."

Em democracias todas as cartas devem ser lidas.

domingo, 23 de agosto de 2009

Marina, a vida é dura...




Éticos profissionais, corrupção e política

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/eticos-profissionais-corrupcao-e-politica/

COMENTO

A candidatura não anunciada, mas dada como certa de Marina Silva ao Palácio em 2010 já acendeu algumas lamparinas aqui e acolá. A senadora terá que dar muitas respostas.

Os jornais começam a mostrar o que é o PV. De Sarneyzinho no Maranhão ao conchavo com o rei da soja no Mato Grosso, o partido verde coleciona estranhezas à ética e à coerência.

Em outro pólo do debate surge a questão ética. O jornalista Reinaldo Azevedo neste domingo propõe algumas indagações pertinentes. Diz ele “Os criadores de mitos tentam nos fazer crer que ela rompeu com o PT porque, afinal, já não suportava aquela “ética”. É mesmo? Quer dizer que ela suportou bem o caso Waldomiro, o mensalão e o dossiê dos aloprados, mas não resistiu à MP da Amazônia? Podia conviver com a ética que abrigava aquelas práticas e achou que só o suposto desatino do governo na área ambiental é que o tornou impróprio? "

Reinaldo Azevedo é daqueles jornalistas (poucos) que não tem nenhum apreço pelo politicamente correto. Não se intimida diante de mitos ou de correntes de pensamento. Seu fundamento é a lógica, por isso é fácil de ser compreendido e difícil de ser contestado. Se considerarmos que ética não tem hora, é sempre, aí estão alguns sinais do que a Marina enfrentará na campanha. Cuide-se.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Marina, isto é só o começo.



Alguns analistas estão vendo um movimento da imprensa (Rede Globo) no sentido de transformar desde já a senadora Marina Silva em um totem da ecologia. Os demais temas seriam dominados pelos outros candidatos.


Ver no Blog do Altino http://altino.blogspot.com/2009/08/rede-globo-e-marina-silva.html

COMENTO

De acordo com a notícia há uma tendência de transformação da candidatura de Marina Silva em uma cunha funcional aos interesses dos tucanos. Pode ser. É mesmo previsível. Resta saber o que poderá fazer a senadora para escapar desta cilada.

Marina Silva chegou até aqui pilotando uma nave em que só cabe ambientalistas. Não pode reclamar da mídia que sempre a tratou com respeito. Foi com sua ajuda que ela se estabeleceu ícone ambiental. Cabe-lhe agora convencer a população de que não é apenas isso.

Qual o pensamento econômico da senadora? O que ela pensa da política monetária do Meireles? O que ela pensa sobre o desenvolvimento industrial brasileiro? Qual a importância que ela dá ao agronegócio? E o papel das forças armadas? E a reforma tributária? E a previdência social? E sobre o chavismo que se expande na América Latina? E a segurança? E a crise crônica da Saúde? Como reduzir as desigualdades regionais? Etc. Etc. Etc. A vida é dura...

A faixa mais informada dos brasileiros sabe o que pensa a Marina sobre o meio ambiente, o que não é pouco, mas é só. Ou ela se prepara para dar respostas firmes e convincentes sobre todos os temas relevantes da sociedade ou vai ser aprisionada nos temas ambientais, o que certamente não será suficiente para levá-la muito adiante.

Os adversários da Marina não facilitarão seu trabalho. Não darão centralidade ao tema ambiental. Preparar-se-ão melhor para ele, terão respostas mais elaboradas, mas puxarão a brasa para suas respectivas sardinhas.

Já disse antes e reafirmo que a senadora dificilmente repetirá o fraco desempenho do monotemático Cristovam Buarque em 2006. Não pode ser menosprezada. Mas não terá vida fácil. Ela precisa fazer uma longa “imersão” em temas áridos e novos para sua formação basicamente humanista. E, creiam, terá que empunhar arco e flexa.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Os canalhas também envelhecem



Sob a presidência do senador sem votos Paulo Duque, o Conselho de Ética(sic)arquivou ontem as representações contra Sarney e Artur Virgílio.

Comento

Aos 81 anos de idade, senador sem precisar de um voto sequer mercê deste kafkiano sistema eleitoral brasileiro, o Senador Paulo Duque cumpriu ontem seu papel com o rigor de um pistoleiro à antiga. Prometeu e entregou o cadáver da ética que por dever de função deveria proteger.

Seus braços levantados e seu sorriso cínico exibidos perante as câmeras de TV após o fato me lembraram esta frase, dita pela escritora cearense Rachel de Queiroz sobre a rendição do Marechal Petain aos nazistas em 1940. Paulo Duque não é nenhum Petain, é apenas mais um desses políticos de carreira, antigos, atrasados, viciados em conchavos e troca de favores. Um ser menor, mas dele pode-se dizer como Rachel de Queiroz.

Certamente não foi o único naquela cena grotesca de ontem, mas foi, por sua idade e pelo cargo que ocupa, o mais legítimo representante de uma espécie de políticos que precisa ser urgentemente derrotada. Em alguns casos, enterrada.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Procura-se um vice para Marina Silva



Dada como certa, a candidatura de Marina Silva enfrenta agora a escolha do vice. Noticia da “Folha de São Paulo” nesta terça-feira dá conta de que o ex-ministro Gilberto Gil já se colocou à disposição.


COMENTO

Em todas as eleições, os vices servem para dar equilíbrio à chapa. É um contrapeso ao cabeça de chapa que naturalmente possui um determinado viés. Exemplos recentes:

Collor e Itamar. Um, nordestino, jovem e voluntarioso. O outro, mineiro e maduro. Era preciso amenizar o perfil de Collor.

Fernando Henrique e Marco Maciel. Um, paulista, ligado ao grande empresariado, à esquerda e à intelectualidade. O outro, nordestino, conservador. A um paulista típico era preciso somar um nordestino com bases na velha política.

Lula e José Alencar. Um era sindicalista, formado na esquerda, contestador. O outro, mineiro, maduro, sereno, grande empresário. Era preciso tranqüilizar a classe média e o empresariado.


O que faria Gilberto Gil na chapa com Marina Silva? Nada. Ou melhor, puxaria para baixo. Extremaria seu caráter ambientalista, a desconfiança quanto à capacidade de entender e administrar as grandes questões econômicas etc. Gilberto Gil é, por assim dizer, índio da mesma tribo. Não serve.

O vice de Marina Silva precisa ser alguém ligado ao grande empresariado do Sudeste. Alguém que arriscando sua posição empresarial possa dizer “Se eu confio na Marina por que você não confia? Se eu incorporo seu projeto e sua visão de mundo, por que você não faz o mesmo?” Este cidadão, de preferência homem, precisa fazer o contraponto aos opositores naquilo que eles tem de vantagem, ou seja, uma percepção mais consolidada do desenvolvimento econômico. A candidata Marina Silva precisa começar a convencer pela escolha do vice.

Quem se candidata?

Pra onde vai nosso dinheiro?



Ontem foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal a doação de 25 milhões de reais à Autoridade Nacional Palestina para a reconstrução da Faixa de Gaza. É o PL 4.760 de 2009, do Executivo.

Comento

Bondade, solidariedade e humanismo à parte, até porque não se trata de muita grana se comparado ao que se gasta por aqui em futilidades, é bom ter cuidado com o que fazem os países recebedores com o nosso dinheiro.

Ano passado, em iniciativa semelhante, o Brasil destinou 20 milhões de reais à Bolivia para a política de assentamento na fronteira. A causa parecia justa, afinal por ali existem centenas de brasileiros em situação precária do ponto de vista fundiário.

O que fez o Presidente Evo Morales? Notícias recentes (ver posts de 21 e 23 de Julho), indicam que está havendo um fluxo dirigido pelo governo boliviano de índios produtores de coca para a região de fronteira.

Se confirmadas as noticias, de certo modo estamos financiando a plantação de coca na fronteira da Bolívia com o Brasil. Valha-me Deus!

Considerando que a Autoridade Palestina não é nenhum clube de serviços sociais, é bem possível que doações em dinheiro sejam utilizadas para irrigar outras finalidades além daquelas humanitárias.

É bom ter cuidado com essas doações. Muito cuidado.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Marina Silva Presidente – uma candidatura necessária.


Nos últimos dias a imprensa reproduziu várias manifestações de jornalistas e políticos a respeito da candidatura da Senadora Marina Silva à Presidência pelo PV.


COMENTO

Existem avaliações de todo tipo. Colhi várias delas na internet, especialmente nos Blogs do Altino Machado ( http://altino.blogspot.com/ ) que vem dando excepcional cobertura ao assunto. Vejamos:

Deputado Ciro Gomes - “Ela implode a candidatura da Dilma”

Jornalista Kennedy Alencar – “Aos olhos de hoje, seria muito difícil Marina vencer. Mas, no mínimo, sua candidatura faria um estrago danado na envelhecida política brasileira e um bem ao debate público.”

Vereador (PV-Rio) Alfredo Sirkis – “Marina tem um potencial além do eloquente discurso de primeiro turno para depois arrancar compromissos programáticos.”

Jornalista Carmen Munari (Agencia Reuters) “A eventual candidatura à Presidência da senadora Marina Silva (PT-AC) pelo PV trouxe frescor ao cenário político nacional e preocupação, principalmente, aos aliados da pré-candidata Dilma Rousseff (PT), pelo potencial de transferência de votos.”

Governador do Acre Binho Marques – “Como amigo, companheiro e conhecedor de suas virtudes, lhe serei sempre solidário. Também reconheço sua importância na defesa de uma causa maior, uma causa do mundo. Como governador do Acre, tenho responsabilidades que não posso descuidar.”

Jornalista Jorge Bastos Moreno – “O importante é saber que a candidatura Marina da Silva interessa ao povo cansado, desorientado, perdido e decepcionado. Marina é a leveza. É a competência. É a síntese dos Novos Tempos.”

Ex-Deputado José Dirceu – “Independente das razões e motivações da senadora Marina Silva, o fato concreto é que sua filiação ao PV e sua candidatura à presidência da República beneficia a aliança conservadora no país que tem entre seus expoentes Serra, Gabeira e cia”.


Ministra Dilma Rousseff - "Acho que a Marina sempre é bem-vinda. Não acho que seja um problema a Marina".

Senador Cristovam Buarque - “Quero dizer que isso reacendeu as minhas esperanças. Esperança de que mais alguém vai carregar a bandeira de alguma utopia. Porque as candidaturas que nós temos aí são candidaturas exatamente iguais, são candidaturas da aceleração e não da inflexão na história do País.”

Jornalista Reinaldo Azevedo – “Quer sair candidata? Que saia! Vejam só: eu não sou político. Não preciso ficar aqui com receio de tocar o xale da santa. Marina não me diz nada nem me comove. Mais ainda: o preservacionismo de matiz e matriz amazônicos não serve como parâmetro para o resto do Brasil.”

Jornalista Eliane Cantanhêde - “Marina, do Acre, do PV, com a bandeira ambiental, tem tudo para repetir Cristovam Buarque, do DF, do PDT, com a bandeira da educação. Bonito, mas não para ganhar”.

Como se vê, as análises vão do encantamento à descrença. Da minha parte penso na candidatura da Marina como uma tensão necessária ao debate político no sentido de valores e significados além e mais profundamente do que o velho desenvolvimentismo em suas versões à direita e à esquerda. Isto é muito importante.

As declarações que estão sendo publicadas são, na maioria, de cunho eleitoral. Especula-se sobre a candidatura Marina Silva por si e não em si mesma. Quem perde mais com a entrada de um novo ator na cena? De quem ela tira mais votos? Sabe-se lá! Interessa saber que de algum modo as eleições do próximo ano darão à sociedade a oportunidade de um debate mais qualificado do que seria previsível a julgar pelo rebaixamento ético da política nacional. Um debate que tem como centro uma visão estratégica para o Brasil.

Independentemente do percentual de votos que venha a ter, Marina cumprirá um papel de extrema relevância para a sociedade. Infelizmente, pelo menos por enquanto, os analistas preferem especular sobre a funcionalidade da sua candidatura. Depois, falam que a política é que é pobre...

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Por uma Lei Geral de ATER subordinada ao interesse público



O Governo Federal encaminhou à Câmara dos Deputados em regime de urgência constitucional o PL 5665 de 2009, que se quer a Lei Geral da Assistência Técnica e Extensão Rural - ATER para o Brasil.

COMENTO

Desde o desmonte da ATER iniciado por Sarney e levado a cabo por Collor, nunca o Governo Federal se preocupou devidamente com esta que é uma função essencial para o desenvolvimento rural, especialmente para a agricultura familiar. Pode-se afirmar, portanto, que apenas por ser encaminhado o PL já é um grande avanço. Através do MDA, o governo federal lança as bases de uma política nacional de ATER e o programa correspondente. Alvíssaras!

Sem o enfado de analisar item a item o PL 5665, aqui do meu quadrado ouso recolher no mérito algumas impressões. Pontuo.

1. Ainda que à custa dos parcos recursos dos estados e contando com a extrema dedicação dos extensionistas, a ATER de hoje é basicamente pública. São as “EMATERES” que sob diversas soluções administrativas sustentam a mediação do saber científico e tecnológico entre a pesquisa agrícola e agricultura familiar. O PL não parece centrar-se nesta experiência que em alguns casos chega a 50, 60 anos.
2. Entre os princípios da Política Nacional de ATER – PNATER (Art. 3º) não consta que deva ser, pelo menos preferencialmente, pública. Como processo educacional informal financiado com recursos públicos talvez fosse o caso de estabelecer este vínculo.
3. O Programa Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural – PRONATER, cuja execução é centralizada no MDA e INCRA, passa ao largo dos Planos Estaduais de ATER. De certo modo ignora-os, estabelecendo um modelo radial de interface com as centenas de organizações capazes de prestar ATER mediante mero credenciamento da instância local, os Conselhos Estaduais de Desenvolvimento Rural ou similares.
4. O PL facilita maximamente o financiamento e mesmo o surgimento de organizações não-governamentais com fins de ATER (Art. 8º). Se, por um lado, isto é democrático e sob certas condições multiplica a oferta de ATER de modo geral, por outro estimula o surgimento dessas organizações em bases precárias que passariam a operar mediante mero credenciamento dos conselhos estaduais e requisitos bastante simples e genéricos. Lembremo-nos que se trata de recursos públicos a serem executados nos termos do Art. 18 da PL.
5. Em seu Art. 15º, parágrafo único, quando trata do monitoramento e fiscalização é dado aos gestores do PRONATER a faculdade de contratar terceiros para assistir e subsidiar a fiscalização. Não seria o caso de fixar a contratação, pelo menos dos resultados alcançados, em instituições públicas?

Estes são alguns termos que julgo relevantes e, presumo, não passarão despercebidos ao Congresso Nacional. Espero que sejam rapidamente elaborados e não sirvam ao retardamento da aprovação do PL, que é sem dúvida um marco na história da extensão rural e, mais importante, um passo decisivo no sentido da promoção do desenvolvimento rural.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Não menosprezem Marina Silva


Repercutiu em todos os setores a possível candidatura da senadora Marina Silva à Presidência em 2010. O convite veio pelas mãos do PV. Ao que consta a Senadora está refletindo e consultando companheiros. Li sua entrevista ao Altino Machado http://blogdaamazonia.blog.terra.com.br/.

COMENTO


Admiro profundamente Marina Silva, com quem nunca trabalhei e em quem nunca votei. Ela é, como disse antes neste blog, minha candidata ao Prêmio Nobel da Paz. Dizem que Lula é o cara da vez. Uma injustiça. Disse também porque não deveria se candidatar à presidência. Mas, se quer, penso que parte de uma plataforma elevada e tem grande margem de crescimento. Os adversários não deveriam menosprezar suas possibilidades eleitorais. Vamos por pontos para mais objetividade.


  • O rebaixamento ético da política nos últimos anos é algo inédito. Executivo e Legislativo estiveram ou estão na lama. Até os acusadores tem que pedir desculpas por algo antes de continuar acusando. Este é, portanto, um ambiente altamente favorável a uma candidatura que encarne o princípio ético, a moral, a honestidade no trato com a coisa pública. Quem melhor encarna este papel?

  • A despeito de algumas dificuldades inerentes a um processo de mudança paradigmática como é, de fato, a transformação do padrão de consumo e a correta valoração das externalidades do crescimento econômico, o tema ambiental é hoje consolidado na sociedade. Ninguém quer o desmatamento da Amazônia, a poluição ambiental, o aquecimento global etc. Quem melhor se apresenta para cuidar da natureza e zelar pelas futuras gerações?

  • Recentemente foi noticiado que 2 mil ONG’s reclamaram com o Presidente Lula das possibilidades de mudança no Código Florestal. Isto é apenas uma amostra do exército que muito provavelmente engrossará as fileiras eleitorais da senadora. Quem como ela possui tal inserção na base social organizada?

  • Marina Silva é, certamente, uma das pessoas brasileiras mais conhecidas e respeitadas internacionalmente. O tema aquecimento global tomou de assalto as preocupações de pessoas e instituições em todo o mundo e ela, tida como sucessora de Chico Mendes, freqüenta este debate com extrema facilidade. Alguém mais que ela obterá apoio da opinião pública internacional?

  • Marina Silva é, desde sua primeira aparição no Programa do Jô, uma queridinha dos jornalistas e artistas. Há quase 15 anos a imprensa em geral lhe dá uma mãozinha quando está em apuros. Veja-se a sua passagem pelo MMA. Quando perdia para a Dilma no governo, ganhava dela na mídia. Sempre. A imprensa nacional lhe virará as costas na campanha eleitoral?

  • Barack Obama foi eleito, segundo a mídia mundial por uma eficiente estratégia de marketing centrada no uso da internet. Muito provavelmente no Brasil as coisas são algo diferentes, temos nossos rincões, nossos coronéis perambulando por aí, mas é crescente o uso desta ferramenta e seguramente no próximo ano o fenômeno Obama será perseguido por aqui. Quem mais que Marina Silva tem o perfil adequado à atração dos internautas?

  • Cerca de 10% dos eleitores brasileiros possuem entre 16 e 21 anos Mais de 3 milhões darão seu primeiro voto em 2010. É um eleitorado cujo teor de informação sobre política certamente não a qualifica (a política). Este eleitorado foi formado do mensalão pra cá. Ao mesmo tempo, é a população que mais recebeu a boa informação do respeito ao meio ambiente. Quem melhor que Marina Silva criará vínculos com a juventude?

  • Dos governantes se cobrava, até antes do Lula, experiência administrativa. O Presidente Lula conseguiu chegar aos inéditos 80% de aprovação consistente sem nunca antes ter sido sequer prefeito. Fala-se na Dilma como “a gerente”. Quem precisa de “gerente”? Marina Silva é senadora há quase 16 anos e durante seis foi ministra do próprio Lula. A diferença é que não negligenciou com a desonestidade. Saiu porque quis. Quem dirá que ela não tem capacidade administrativa?

  • Marina Silva possui ainda uma peculiaridade muito importante, dependendo do trato eleitoral que se lhe dê. Sua história. É de origem pobre, é negra, era analfabeta até a adolescência. Quando pôde, estudou, engajou-se na luta ambiental, chegou ao Senado antes que o PT chegasse ao poder. Sua arma é a palavra, não enriqueceu, não foi às compras na Daslu. É abnegada. Convive sem alarde com uma doença grave. É firme porque se sente estribada na razão e não no poder. Não é sargento, é sacerdotisa.
Tudo isso e mais poderá sustentar sua candidatura em uma campanha eleitoral decente. Parece bastante razoável que o alto comando da campanha de Dilma tenha ficado em alerta e enviado sinais de dissuasão à ex-ministra. O resultado? Veremos.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

A UNE de cabelos brancos


A UNE faz manifestações contra a CPI da Petrobras.

COMENTO

  • A recente movimentação da UNE contra a CPI da Petrobras é um caso que nem a melhor sociologia explica. Não é normal. Estudante chapa-branca? Onde já se viu um troço desses?

  • Lá pelos fins dos anos setenta fui, na Escola Superior de Agricultura de Mossoró - ESAM, hoje Universidade Federal Rural do Semi-Árido – UFERSA, líder estudantil. Lembro que fizemos a primeira greve da ESAM. Queríamos mais recursos para as residências universitárias e democratização da universidade. Havia também uma questão pedagógica relacionada ao sistema de avaliação. Bons tempos aqueles em que estudantes organizados eram, por definição, “do contra”. Hoje são do “a favor”. Uma lástima.

  • Sou de um tempo em que o governo nos dava boa universidade, crédito educativo, residência universitária, bolsa-alimentação (feira mensal) e mesmo assim a gente descia o pau. Faltava democracia. A UNE de hoje recebe grana da Petrobras com a mão direita e devolve manifestação a favor com a mão esquerda.

  • Nem trato do mérito da CPI. Vai ver não tem nada grave a apurar. Vai ver é luta pardidária. Senador obediente, tudo bem, mas estudante pelego é demais.

  • Que tempos vivemos! Argh.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Viram o Collor? Não mudou nadinha. Já os seus cabelos...

Assisti a sessão do senado, ontem, pela TV. Lá estava ele novamente. O velho Collor de sempre.

    COMENTO

  • Estava ali, em estado natural, o homem que governou o Brasil após o restabelecimento da democracia e caiu derrubado por ela em 1992. O mesmo boçal, agora de cabelos grisalhos, desferindo ataques contra o Senador Pedro Simon. Senti saudades de Mário Covas. O que lhe diria Roberto Freire?

  • Quem apareceu para defender o Simon foi Cristovam Buarque, hoje no PDT, um partido envergonhado entre a memória de Leonel Brizola e os recursos do FAT. Disse o trivial. Que justamente por respeitar a história de Sarney, quer vê-lo fora da Presidência do Senado. Mera firula retórica. Poderia ter sido mais nordestino, pernambucano que é.

  • Os alagoanos Renan e Collor trocam olhares cúmplices. Dialogam como num palco, representando papéis conhecidos. Para o ex-presidente tudo não passa de uma trama urdida pela grande imprensa nacional. Aproveita para botar no balaio o processo que resultou em sua própria expulsão do palácio. Sobrou até para os caras-pintadas.

  • Pergunto-me. Se o impeachment de Collor foi o resultado de uma trama da imprensa, o que terá sido sua assunção ao poder? De playboy a prefeito nomeado, de prefeito de Maceió a Governador de Alagoas, de governador a Presidente. Ele próprio dono de empresas de comunicação. De que trama foi vítima a população brasileira em 1989?

  • Com seu ar prepotente, estribado em decisões judiciais que lhe inocentaram por falta de provas, Collor retorna disposto a tudo. Inclusive a dar lições de moral. Ao seu modo. Boquirroto, ríspido e ofegante, chegou a exigir por duas vezes que o Senador Pedro Simon engolisse as próprias palavras, as digerisse e fizesse bom uso. Que preço temos que pagar pela democracia!

  • A cena grotesca me lembrou uma citação conhecida, de Antero de Quental, que em uma carta pública ao seu rival Ramalho Urtigão disse-lhe “A futilidade em um velho desgosta-me tanto quanto a gravidade em uma criança. Vossa Excelência precisa menos cinqüenta anos de idade ou mais cinqüenta de reflexão”. Estivesse ontem no Senado, o escritor e poeta português teria como destinatário de sua carta o caçador de marajás.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Marina Silva é minha candidata


Leio em vários sites e jornais que Marina Silva poderá vir a ser candidata a presidente em 2010 pelo PV.


COMENTO

  • Já há alguns meses se ouve aqui e acolá que a senadora Marina Silva poderá se candidatar a Presidência da República pelo Partido Verde. Consta no noticiário que o convite foi feito e aguarda decisão. No Acre, adversários e aliados torcem a favor. Uns para afastar do cenário uma fortíssima concorrente. Outros para que uma vaguinha se abra na disputa.
  • Dado que não concordo com algumas de suas teses, pode parecer o contrário, mas tenho enorme admiração pela senadora. Nada a ver com ser “negra, pobre e seringueira”. Tivemos uma “negra, pobre e favelada” que na primeira oportunidade como ministra foi flagrada embolsando uns tostões em duplas diárias. Tenho como certo que cor da pele, sobrenome, condição sócio-econômica, idade, credo, atestado ideológico ou carteirinha partidária não iliba ninguém.
  • Minha admiração pela senadora decorre basicamente de sua coerência e de seu caráter. Ela acredita no que faz e no que diz. Sem ser inflexível para não ser burra, jamais negligenciou na defesa de seus princípios e convicções. É uma pessoa rigorosamente de boa-fé. Destas a quem não se pede o imoral, o ilícito, o aético. Destas que não entregam a alma a interesses mesquinhos sejam de grupos ou pessoas.
  • Marina Silva é minha candidata ao Prêmio Nobel da Paz. Melhor do que qualquer pessoa no mundo ela poderia exercer o papel de mensageira do compromisso ético transgeracional que preside toda a construção do ambientalismo. Uma eficiente pregação em prol da alteração do padrão global de consumo resultaria melhor que qualquer experiência administrativa. Este prêmio que já foi dado ao farsante Al Gore bem poderia ser oferecido a Marina Silva.
  • Presidente do Brasil? Para quê? Para DEPENDER disso que está aí? Para NEGOCIAR governabilidade com aqueles ali? NÃO E NÃO.