segunda-feira, 31 de maio de 2010

O que Marina disse e o que Marina NÃO disse

"Não é assim que se trata um país irmão, até porque o povo boliviano não merece esse tipo de generalização. Nós somos vizinhos dos bolivianos no Acre, sabemos que temos graves problemas ali na fronteira com o tráfico de drogas, mas longe de eu querer atribuir isso a uma ação deliberada do governo e ou à sociedade boliviana." Marina Silva.

Ao criticar o José Serra por suas declarações contra o "corpo mole" que o governo boliviano faz em relação à produção e tráfico de cocaina, Marina  se ateve à forma "não é assim que se trata um pais irmão" e por conta própria refutou algo que o José Serra NÃO disse, ou seja, não houve acusação de que se trata de um narcogoverno que deliberadamente estimula o tráfico e menos ainda que o povo boliviano merece esse tipo de generalização. Esta dedução ligeira ficou por conta da própria para reforçar a crítica e a diferenciação politica com o tucano.

Por estas palavras, sou levado entender que a Marina concorda na essência com o que disse o José Serra, pois senão teria confrontado as declarações com algo como "O governo boliviano não tem culpa do aumento do tráfico de drogas". Isto ela NÃO disse e não disse porque não quis já que tratava do tema. No fundo ela sabe que a acusação tem razão de ser.

Alôôôôô! Por favor, não ponha tapadeiras nos olhos da Marina nem palavras em sua boca. Ela não precisa disso.

Evo Morales, coca, Altino Machado e eu.

"Não apenas o Evo Morales, mas FHC, Lula, Jorge Viana, Binho Marques e todos que virão. E você, Valterlúcio? "

Com este comentário o bom Altino Machado respondeu a uma pergunta que lhe fiz sobre a suposta leniência-conivência-cumplicidade do presidente boliviano com o aumento em seu país da produção de coca e exportação para o Brasil de cocaina e basta-base.

Entendi que ao final me pergunta se sou também leniente. Sabe, Altino, sou careta. Nunca fumei, nunca cheirei, nunca masquei, nunca injetei, nunca sequer bebi algo do gênero seja por diversão, curisosidade ou inspiração religiosa. Nessa de estado alterado da consicência só vou até onde pode levar uma boa cachaça mineira, um vinho numa noite fria ou umas cervejas num dia quente. Isto se estiver acompanhado de bons amigos e bons pratos.

Penso que como cidadão faço a minha parte. Imagine se todos tivessem com as drogas a mesma intimidade que tenho. Não haveria traficantes, pois não haveria consumo.

Compreendo que sua pergunta quer alcançar o comportamento da sociedade e não o meu especificamente. Mas faço do meu a resposta que julgo mais eficiente. Bom mesmo seria ninguém consumir. Aliás, sua pergunta me fez lembrar uma cena do filme Tropa de Elite na qual o Capitão Guimarães acusa o viciado da morte daquele que ele próprio (o capitão) havia matado. Queria dizer o chefe da tropa que no final das contas são os consumidores que mantém as organizações criminosas e toda a violência envolvente. A cena foi acusada de repercutir uma visão "de direita". Nossos humanistas querem licença para cheirar, fumar e injetar sem culpas.

Embora correta, esta visão do combate pelo freio no consumo dá por perdido o enfrentamento da produção e tráfico de drogas. Isto não é bom. Há muita luta a lutar. Dou exemplos.

O Brasil com toda a força e liderança que exerce poderia facilmente financiar na Bolivia um programa de substituição do plantio de coca por outras atividades rurais e, assim, diminuir a oferta da droga. Custaria menos do que o dinheiro que perdemos com a operação que nos tomou as instalações da Petrobras.

Com a força e liderança que tem, o governo brasileiro poderia pressionar politicamente o governo boliviano a empreender esforços de redução da produção de coca. Por menos fomos lá em Honduras bancar um troglodita que queria se perpetuar no poder e estamos dando a mão ao louco iraniano que quer ter a bomba atômica para aniquilar Israel.

Sendo agrônomo, me impressiona que temos a mais competente empresa de pesquisa agropecuária do mundo e não cuidamos de criar/selecionar uma praga ou doença específica para a coca. Bastaria isto para determinar uma queda vertiginosa na produção.

Ok. Não sou especialista no assunto. O que sei mesmo é que o Brasil está perdendo parte de sua juventude, principalmente, para as drogas. Sou pai e isto me assusta mais que qualquer outra coisa. A cumplicidade de Evo Morales com a produção e, consequentemente, com o tráfico de drogas acusada por José Serra apenas põe em termos necessários uma questão que vem sendo descuidada a pretexto do companheirismo de esquerda. Serra apenas colocou o dedo no câncer que alguns teimam em tratar com merthiolate.

sábado, 29 de maio de 2010

Evo, cocaina, crack e cegos.

Partidos e candidatos espertos adotam algumas regras para a sua ação, especialmente em campanha. Uma delas, muito conhecida, do chefe da propaganda hitlerista, Goebbels, diz que uma mentira repetida incessantemente adquire status de verdade. Outra, de Lenin, manda acusar os adversários daquilo que voce faz, daquilo que voce é - uma forma sábia de confundir o eleitorado. A terceira, equivalente à primeira, mas no sentido inverso, manda negar vementemente a verdade obvia pois assim ao cabo sempre restará a dúvida.

O deputado Moisés Diniz vale-se desta última ao defender o índio cocalero Evo Morales. Como negar de modo tão ligeiro o que está à nossa vista todos os dias, em todos os lugares? Não é verdade que em toda a fronteira com a Bolívia, especialmente no Acre, cresceu enormemente o uso e tráfico de drogas nos últimos anos? Como fechar os olhos às cracolândias que surgem país adentro? Como negar que o presidente boliviano é representante, ele próprio, de comunidades produtoras de coca? Como negar sua conivência, portanto cumplicidade, com o crescimento da produção de coca naquele pais?

Não interessa se o Lula é amiguinho do Evo, se financia seu governo, se são fraternos no Foro de São Paulo. Isto não vem ao caso. A realidade é que o Brasil está perdendo uma geração de seus jovens para a coca especialmente na forma de crack e a Bolivia tem muito a ver com isso, ainda que alguns não vejam gravidade no fato.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Alguma dúvida sobre a correlação?



O governo boliviano é cúmplice do tráfico? É.

Causou polêmica a declaração de José Serra sobre o tráfico de drogas. Segundo ele a Bolivia (o seu governo) por não realizar um combate efetivo é cúmplice do tráfico. A Dilma e outros petistas de alto coturno cairam de pau e a imprensa se esforça para transformar o candidato tucano em irresponsável.

Alguns estudos já demonstraram que a produção de coca na Bolivia cresceu 40% nos últimos anos sendo que apenas 3% é destinada ao consumo in natura - a folha. Todo o resto vai para a produção de cocaina e, obviamente, o consumo interno e a exportação. No Brasil as consequências são perceptíveis. Cracolândias nascem à nossa vista em cidades médias e grandes. Seu consumo se expandiu para o interior do país e hoje não há uma cidade onde não seja encontrada.

Vejamos o caso do Acre. Antes era rota eventual de traficantes, agora se tornou corredor permanente do tráfico. Alguém já disse que o comercio que mais cresce em Rio Branco é o de drogas, encontrada facilmente em centenas de bocas-de-fumo. As apreensões que antes eram esporádicas hoje são diárias, banais, nem sequer viram notícia. O governo do Acre não consegue dar combate efetivo à criminalidade que cresce assustadoramente com o consumo e tráfico de cocaina seja em pó ou em pedra.

Parece certo que este processo não se estabeleceu lenta e progressivamente como em outras regiões. No Acre, assim como em Rondônia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul se deu muito rapidamente e recentemente. O que causou tudo isso? Na Bolivia, o seu presidente, o meio índio Evo Morales é membro e representante formal da comunidade cocaleira. Uma de suas ações mais conhecidas foi transferir milhares deles para a fronteira com o Brasil. O pretexto foi realizar a reforma agrária, mas a intenção clara foi acrescentar seus correligionários à população da região que lhe é amplamente contrária. O resultado é que estão plantando coca bem pertinho de nós, e certamente não é para mastigar a folha, o que por lá é permitido.

José Serra sabe disso e falou o que sabe. Com toda razão se pode atribuir a Evo Morales parte da culpa pelo crescimento avassalador do consumo de crack e cocaina no Brasil.

Presidenciáveis na CNI - José Serra

José Serra também comete falhas. Também dá bom dia "a todos e a todas", esta invenção ridícula de moscas de seminário. Mas de resto faz uma fala serena e madura. Chega a ser fluente, quase coloquial em uma platéia formalíssima como aquela da CNI. Coisa de quem se sente em casa.

A sua grande dificuldade é exercer a crítica sobre algo que tem a aprovação da maior parte da população, incluindo banqueiros e industriais. Ainda mais se essa crítica precisa esquivar-se do fato de que ele já esteve lá em uma época em que as coisas não iam tão bem. Mesmo assim, Serra encontra elementos para focar seu discurso e chamar a atenção para novas possibilidades.

Não tem carisma, não encanta a platéia com sentimentos nobres, não desperta afeição nas pessoas. Seu discurso é de gerente moderno, de gente que faz sem descuidar de aspectos menos tangíveis como a questão ambiental, por exemplo. Por ter sido um bom governador do estado mais rico e populoso tem credibilidade para fazer determinadas afirmações. Por fazer politica desde a juventude tem experiência para avaliar politicamente seus adversários. Por ser economista experiente sabe focar problemas que outros só percebem de segunda mão.

Não há dúvidas para ninguém que é, como disse o Ciro Gomes, o mais preparado para o cargo de presidente do Brasil. Dificil vai ser convencer o eleitorado de que isto é mais importante do que o amor ao Lula.

A dança da ilegalidade.

Como era esperado a oposição foi à dança da ilegalidade promovida pelo PT em em seu horário eleitoral. O DEM mostrou ontem em seu programa trechos do encontro em que o candidato tucano se apresentou como pré-candidato. Sem precisar de âncora, José Serra abordou vários assuntos e assumiu o slogan de que o Brasil pode mais.

O PT seguramente entrará com representação pedindo punição ao DEM. É do jogo que ele próprio iniciou confiando que a pena é ridícula - perda de tempo de TV no próximo ano. Deveria a oposição fazer o contrário e se limitar ao estritamente legal, omitindo o José Serra?

Sim, deveria. Desde que pudesse confiar em que as instituições fariam o serviço correto, ou seja, punir exemplarmente a contumácia de ilegalidade promovida pelo presidente Lula em favor de sua candidata.
Mas, sabe-se de antemão que isto não acontecerá. Bastou o MPF ensaiar uma orientação mais firme para que fosse acusada de golpista. Há quem queira licença para delinquir.

Sendo assim, a oposição enfiou o pé na jaca. Fez propaganda do Serra no programa do DEM e certamente fará nos que ainda restam - os do PPS e do PSDB. Assistiremos seguidos exemplos de como se joga a Lei na lata de lixo. Espero que o exemplo não transborde para os estados.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Presidenciáveis na CNI - Dilma Roussef

Dilma Roussef

Se na campanha é lulodependente, nos debates é igual. Com a licença explícita do presidente apropria resultados de projetos dos quais não participou.

Na economia esforça-se para parecer “do ramo". Na verdade, assim como todo o governo, comeu na mão de Henrique Meirelles. Jamais deu um pitaco na política econômica do governo. Nem poderia.

Amenizaram bem a dureza de sua expressão facial com cirurgias e maquiagem mas não deram conta ainda de fazê-la falar fluentemente e com algum carisma. Comete aliás, muitos erros. Prestem atenção de inicio no “comprimento” em lugar de cumprimento.

Sem largar o “pela primeira vez no Brasil” e, falando sobre o governo, se apega às anotações e aos números que carrega ou memoriza antes e se sai bem, é o que se pode dizer de quem faz o básico sem comprometer. Mesmo sem nenhum carisma. Pareceu-me excessivamente burocrática.

Como já ficou demonstrado em muitas entrevistas, quando livre seu raciocínio dá saltos, muda de um argumento a outro sem estabelecer uma conexão adequada entre os dois, o que demonstra insegurança, falta de convicção e firmeza no que diz. Cometeu um erro primário quando estabeleceu como alvo que a renda do Brasil tem que ser no mínimo a renda média. Isto é simplesmente uma ignorância estatística. Só pode ocorrer quando a renda máxima também for, ou seja, quando todos tiverem a mesma renda. Nem Lenin pensou nisto.

Além de reprisar sobre todas as coisas o “nunca antes na historia deste pais”, o seu discurso na CNI foi, para variar, oportunista. Prometeu o que não fez em oito anos (se de fato participava das decisões). Reforma e reformas que pouca gente acredita que fará. Por que faria, se Lula não fez e tem aprovação recorde em todos os segmentos? Por acaso acredita que terá vida mais fácil do que Lula teve com a turma do outro lado da praça?

Dilma dá uma guinada para o social. Veste o modelito Lula, se aproxima das camadas mais pobres lhes garantindo a continuidade das conquistas dos últimos anos. Crescer com inserção social, desenvolver para crescer etc., são emblemas que precisa utilizar para mimetizar-se. Em suma, não comprometeu. Mas não é o tipo de pessoa que encanta quem quer que seja. Não anima a alma do eleitor. No máximo, toca sua segurança, seu projeto.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Uma avaliação dos presidenciáveis na CNI - Marina Silva

Uma avaliação rápida das participações dos presidenciáveis na CNI, em Brasília, nesta terça-feira. O vídeo completo pode ser visto aqui.

Começo por Marina Silva


Tem o uso e o vezo das platéias de ONG’s. Aquela saudação “a todos e a todas” é, além de errada, desnecessária e boba. Apenas marca o discurso ongueiro de “igualdade de gênero”. Tem hora e lugar pra ser usada.

Referiu-se ao pouco tempo disponível, mas esticou o preâmbulo. Deu a impressão de que estava gastando o tempo.

Adiantou um discurso carbofóbico – ai se sentiu à vontade e falou e falou...

Marina flerta com a poesia e jogos de palavras, mas precisa encontrar melhor slogan. Essa de “antecipar o futuro” é coisa de agencia de propaganda. Já se viu muito em comerciais de automóveis e de eletrodomésticos.

Marca a si própria com a história de “Lula não é gerente, FHC não era gerente.” Só faltou dizer “eu também não sou gerente e o Brasil não precisa de gerente”. Com isto se contrapõe à Dilma e ao Serra. A sua melhor fala foi quando respondendo a uma pergunta tratou da Educação.

Marina Silva está se saindo uma grande jogadora de palavras, invertendo-as para novos sentidos em benefício de seus argumentos. Esta capacidade pode ser arrasadora em um debate.

De todo modo é, entre os candidatos, a única que mexe com o coração das pessoas. Enquanto a Dilma e o Serra se apresentam como executivos de uma grande indústria, prontos para viabilizar o maior lucro possível e encher o seu bolso, a Marina apenas exala ternura e sinceridade, enchendo sua alma com conceitos como ética, honestidade, esperança, fraternidade... Enquanto os outros prometem um Brasil maior, ela promete um Brasil mais justo, mais humano.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Marcio Bittar - um brevíssimo testemunho.

Soube do grande sucesso obtido por Marcio Bittar no lançamento de sua pré-candidatura a deputado federal. Sobre o Marcio com quem trabalhei, meu testemunho.

Valoriza o trabalho e o saber. Estuda os problemas que escolhe enfrentar. Realiza a luta política usando a política como arma exclusiva. Recorre a dados e argumentos antes de se posicionar perante questões sociais e econômicas. Não negocia princípios. Não personifica os adversários. Sabe rever as próprias posições quando confrontado com a realidade. Tem sempre um projeto com inicio, meio e fim, ou seja, não faz politica por diletantismo ou por vaidade. Tem o Acre realizado social e economicamente como alvo de sua atuação política.

Com certeza merece cada voto que venha a ter.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Referendo no Acre - e se não acontecer um segundo turno?

O Presidente Lula vem trabalhando desde o ano passado para que as eleições sejam plebisicitárias, o que na prática evitaria um segundo turno. A entrada da Marina Silva pertubou o projeto, mas a saida do Ciro Gomes ajudou. Mais recentemente, com os resultados de pesquisas dando a dona Dilma empatada com o Serra, já há muita gente, especialmente no governo, acreditando que o segundo turno pode não acontecer.

No Acre ocorre algo parecido. Com a candidatura do Rodrigo Pinto é provável que aconteça o segundo turno, mas se as especulações se confirmarem e o Pinto não alçar vôo, é muito provável que o PMDB reveja seus planos e ai o segundo turno não acontecerá pois restarão apenas dois candidatos. De todo modo, pode ser que um determinado candidato liquide a fatura logo no primeiro turno, o que também é razoável supor.

Em resumo, além de estatisticamente provável, é politicamente razoável prever que, como gostaria o PT, o segundo turno não aconteça lá nem cá. Nesta situação, como é que os acreanos vão votar no referendo do horário? Haverá uma eleição só para isto? Quanto custará aos cofres públicos? Onde está o princípio da economia processual?

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Vá e não peques mais. É pouco.

Estava Jesus no templo, absorto, escrevendo no chão e pregando aos discípulos quando fariseus e escribas chegaram trazendo uma prostituta para que fosse julgada conforme o costume - a pena era o apedrejamento. Serenamente, respondeu à insistente platéia que pedia a condenação com a célebre frase "Quem dentre vós nunca pecou que atire a primeira pedra". Como ninguém se julgou suficientemente puro para tal atitude abandonaram o templo deixando-o com a pecadora. Jesus então pronunciou a frase menos conhecida mas ainda mais importante "Vá e não peque mais".

Pensei no episódio bíblico quando li que o Senado modificou e aprovou a toque de caixa o Projeto Ficha Limpa que na verdade deveria receber agora o nome de Projeto Sem Ficha, pois limpa não é. Mutatis mutandi, a nova regra perdoa os pecados, não poucos, cometidos pelos políticos e lhes dá chance de não voltando ao pecado seguirem em frente em suas carreiras. Ainda não há consenso sobre a norma, mas firmando-se o entendimento de quem modificou, só vale daqui pra frente, ou seja, somente de agora em diante a porta do paraiso Congresso está fechada para os sabidamente pecadores.

O que há de errado na novidade é que neste caso aquele que perdoou, o julgador supremo, não foi o povo, mas o próprio pecador. Os cidadãos brasileiros que em milhões de assinaturas de próprio punho e virtuais pediram a proibição do ingresso dos fichas sujas no congresso certamente queriam limpá-lo de vez e não deixá-lo emporcalhado como ficará com as presenças dos parlamentares-prostitutas autoredimidos - ladrões, prevaricadores, peculatários, corruptos e mensaleiros que a lei não alcançará. Felizmente ainda nos resta o voto.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

PMDB-PSDB no Acre. Me dê motivos... pra ir embora...



Diferentemente do que pensam algumas sumidades que fazem da obssessão plano político acreditando na convergência "pelo beiço", o PMDB do Acre pode começar a não se sentir muito bem onde está. O negócio é o seguinte:

O tempo está passando e os acordos estão sendo revistos, firmados, ratificados... Como se diz na gíria, estão virando a ponta do prego depois de batido o martelo. Dilma já empata/ultrapassa o Serra e adquire status de favorita. O PMDB já confirmou o Michel Temer como vice e trabalha firmemente para unir as chapas em todo o país. As divergencias estão sendo superadas a golpes de força ou de convencimento, mas superadas. Nem o caso de Minas Gerais é dado como insolúvel. Todos apostam que ao final Lula enquadrará o PT e todos caminharão juntos com Hélio Costa. Em poucos estados, como a Bahia, a divisão é irreversível.

E no Acre? Bom, no Acre a divergência entre PT e PMDB é muito mais histórica do que de interesse político imediato. Pergunte-se: Onde os interesses eleitorais do PMDB realmente se chocam com os da Frente Popular em 2010 tendo como pano de fundo a chapa nacional? Respondo: Não se chocam.

Façamos de outro modo. Considerando o plano local, é dado como certo pelos analistas que a candidatura de Rodrigo Pinto, sem estrutura financeira e apoio popular exuberante tende a micar antes das convenções levando junto a candidatura ao Senado. Se ocorrer, para onde vai o PMDB? Vai apoiar o Tião Bocalom pelo beiço como gostam de dizer os gênios tucanos com seus bicos enormes? Por que faria isto? Para tentar salvar a pele do Sergio Petecão?

Se, por acaso, a Frente Popular oferecer a coligação proporcional ao PMDB seguindo a tendência e os apelos nacionais, salva-se a candidatura de Flaviano Melo a deputado federal e vai todo mundo pro abraço. Alguém duvida?

Assalto à residencia de Airton Rocha. A próxima vítima pode ser voce.

A invasão da residência do professor Airton Rocha por bandidos é emblemática da situação que vivemos em todo o país. Estamos todos à mercê da bandidagem e carregamos as feridas da violência. Quem já sofreu a violência sabe que seus reflexos perduram por muito tempo na mente das vítimas. Imagino o que passou o professor Airton Rocha e sua família, horas a fio sob a pressão e a ameaça de assaltantes de arma em punho.

Dependendo do lugar as condicionantes de tal nível de insegurança se alteram, mas se mantém o mesmo pano de fundo - a ineficiência do poder público tanto nas causas quanto nos efeitos.  Avalio, sem ser especialista no assunto, que no Acre o crescimento exponencial da violência dos últimos anos tem a ver basicamente com dois fatores: o crescimento do uso e tráfico de drogas que impulsiona principalmente a juventude ao crime e o baixo dinamismo da economia que gera contingentes de desocupados facilmente atraídos pela marginalidade. Os dois fatores se relacionam.

Se estou certo, é preciso atuar fortemente nestas duas frentes, ou seja, no combate ao uso e tráfico de drogas e na remodelação e recalibragem do desenvolvimento regional. São tarefas que exigem antes de tudo humildade para reconhecer equívocos e, depois, coragem para mudar o rumo. Duas raridades na política.

Ficha limpa foi aprovado. E a data de validade?

O projeto ficha mais ou menos limpa foi aprovado ontem no Senado. O ficha limpa mesmo foi antes alterado na Câmara dos Deputados.  De todo modo, é melhor que nada. O busílis agora é a data de validade. Se vale para as eleições deste ano o bicho pega.

Abaixo trecho da matéria do Correio Brasiliense desta quinta-feira.

1 - O Ficha Limpa vai valer para a eleição de outubro?



Esse é um dos pontos mais polêmicos da proposta. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) entende que tem validade por ter sido aprovado antes das convenções partidárias. Os líderes do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), e no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), no entanto, argumentam que para ter efeito a proposta deveria ter sido aprovada com um ano de antecedência. Caberá à Justiça julgar sua extensão.

2 - Quem tem condenação poderá se candidatar?



O projeto Ficha Limpa impede a candidatura de um político condenado apenas em órgão colegiado (a partir de segunda instância). Quem foi sentenciado por um juiz de primeira instância, estará livre para disputar o pleito. Mesmo que o político tenha a condenação de uma Corte formada por desembargadores, ele poderá entrar com um recurso em outra instância para permitir a candidatura.

3 - Políticos que respondem a processo podem disputar a eleição?



Podem. Só ser citado em processo não muda nada. Eles devem ser condenados por um tribunal colegiado.

4 - Os congressistas abrandaram o projeto original?



Sim, o projeto original fruto da coleta de 1,6 milhão de assinaturas era muito mais rigoroso. Impedia a candidatura de um político que tivesse qualquer tipo de condenação. Os deputados jogaram para segunda instância e criaram o efeito suspensivo que poderá garantir a candidatura.
Os senadores concordaram com a ideia e abriram brecha para permitir que condenados antes da lei possam se candidatar.

5 - Os políticos vão conseguir escapar de processo de cassação?



Políticos que renunciarem ao mandato para escapar de processo de cassação de mandato também ficam inelegíveis. O prazo de inelegibilidade para os fichas sujas será de oito anos, em todas as hipóteses previstas pela lei.

A minha desconfiança é de que os senadores estão sabendo que não vale para este ano. Se valesse alteraria profundamente as pretensões políticas de muitos candidatos com influência direta nas coligações certametne em prejuizo dos atuais parlamentares. Nestas condições não creio que  não teria sido aprovado.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Plebiscito sobre a pena de morte para inocentes?

De acordo com o noticiário a candidata Marina Silva propõe plebiscito para que a população escolha sobre a descriminação do aborto e da maconha. Comento.

Embora sinalizando que é contra as duas, penso que a Marina deveria ser menos vacilante ao tratar dos temas. Sua vinculação à doutrina cristã impõe que seja contra o aborto. Ela deveria, portanto, ser militante desta posição religiosa tanto ou mais quanto é da questão ambiental. Aliás, nada mais ambientalmente sustentável do que a preservação da vida que os abortistas querem interromper como quem arranca uma erva daninha do quintal. A saída pelo plebiscito é apenas a mais fácil para quem não quer enfrentar o debate.

Digamos que, em um eventual plebiscito, ganhem os abortistas, o que faria a Marina eleita presidente? Aparelharia o Miistério da Saúde com todo zêlo para que executasse assassinatos de fetos em escala certamente crecente devido à facilitação e iria orar tranquilamente no final da tarde?

Esta passividade da Marina revela um dilema importante. De um lado o cristianismo que em todas as igrejas milita contra o aborto e, de outro, o vínculo com certa esquerda que além de se denominar verde, têm como causa a liberação do uso da maconha e da prática do aborto. Neste ponto, para não perder votos e apoio a Marina sai pela tangente. E sai mal.

Não se pode ganhar todas, ou, como diria um blogueiro amigo, e agora, mané?

Parece que o lance de genialidade autopromocional do nosso presidente não colou lá fora. A turma que realmente dá as cartas não deu a mínima para o acordo meia boca patrocinado pelo Brasil e pela Turquia junto ao Armadin do Irã. O resultado parece ter sido o isolamento do Brasil no Conselho de Segurança da ONU, afastando mais ainda as nossas possibilidades de ingresso permanente no seleto grupo, o que seria a penúltima conquista do nunca antes neste pais (a última seria o Nobel da Paz).

A imprensa internacional e a secretária americana Hilary Clinton estão considerando que a jogada do Lula é, na melhor hipótese, coisa de gente ao mesmo tempo deslumbrada e ingênua. Resultado: Decidiram atropelar e aplicar as sanções ao Irã do mesmo modo. Para nós sobrou o mico, o descrédito e a lição. Para o Lula fica ainda o mantra repetido pelos adoradores e pela imprensa pré-paga: Ele é um pacifista... ele é um pacifista... ele é um pacifista...

Eu mesmo só penso que antes de nos aventurarmos a fazer a paz mundial bem que poderíamos fazer um capacitaçãozinha ali no Paraguai. É mais perto, tem uisque baratinho e sabemos falar portunhol.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Bom pra voces, bom pra nós e estamos conversados.

Mais cem anos de república e não aparecerá alguém com tanta esperteza como o nosso presidente Lula. Este lance do Irã é de tirar o chapéu. Com o acordo meia boca celebrado, a situação fica do jeito que o Armadin-e-jad gostaria, ou seja, alivia a pressão internacional por sanções econômicas contra o Irã e, como vem fazendo sem nenhum escrúpulo, mantém às escondidas o seu programa nuclear até que surja nova crise. Na próxima, o programa estará em estágio mais vançado. Bom pra Armadin-e-jad. E o Lula?

Este vai celebrar a própria inserção como player global e passar nas ventas dos opositores (ainda resta algum?) que nunca antes na história deste pais... voces sabem. Tá, mas se o Armadin não cumprir o acordo como parece mais provável? E dai? O Lula tentou, ora. Quer mais pacifismo que este? Não é o máximo?

Com esta Lula passa à frente da Marina Silva na corrida brasileira pelo Nobel da Paz. Ainda termino gostando deste cara.

Coincidências à parte, a floresta será alvo do ataque de nova espécie de murídeos.

Acabo de ver a entrevista da dona Dilma ao comunicador Ratinho. Nunca antes na história da TV fora do Acre se viu tanta sabujice. Coisa para Demóstenes arrepiar de admiração. Na hora o que me veio à lembrança foi a noticia festejada recentemente de que o empresário Ratinho desvencilhou a papelada para explorar 150 mil hectares de floresta no Acre.

Por falar nisso, não creio que no Acre precisemos de mais algum murídeo. Já não basta?

domingo, 16 de maio de 2010

Cotas raciais. A palavra está com o Supremo.


Em excelente artigo publicado no site http://www.noracebr.blogspot.com/, um dos mais importantes intelectuais brasileiros, que nunca precisou de cotas para ser o que é, José Roberto Militão se posiciona sabiamente sobre esta inominável ameaça à sociedade brasileira que é o sistema de cotas defendido por políticos oportunistas e ongueiros picaretas. Eis um trecho:

"Destarte, tal como decidiu em 1978 a Corte Suprema dos EUA, advogo que a nossa Suprema Corte deva admitir e estimular políticas públicas e privadas de Ações Afirmativas, vetando, entretanto, o uso da segregação de direitos em bases raciais por considerar que isso, viola a dignidade humana de todos, e mais ainda, viola a dignidade humana dos afrodescendentes que não aceitam e jamais postularam o pertencimento a uma ´raça negra´ que o racismo diz ser a ´raça´ inferior. Nossos avós lutaram e resistiram organizados em milhares de Irmandades de Homens de Cor; Homens Pretos, Homens Pardos, Pretos Novos, jamais em Irmandades da ´raça´ Negra, pois ´negro´ é uma classificação racial e não classificação humana."

José Roberto F. Militão, advogado, membro da Comissão de Assuntos AntiDiscriminatórios – CONAD-OAB/SP; ex-Conselheiro e Secretário-Geral do Conselho da Comunidade Negra do governo do estado de São Paulo (1987-1998).

Sem limites para a servidão

Lendo algumas entrevistas, colunas e reportagens fico com a certeza de que precisamos erigir algumas estátuas. Não sei se aos políticos imperiais ou aos jornalistas vassalos.

sábado, 15 de maio de 2010

Cotas raciais. Um tema que justifica a opção para presidente.

O governo federal pretende criar uma cota de bolsas de mestrado e doutorado para negros. A proposta foi endossada pela candidata Dilma Roussef no encontro com os "negros e negros do PT" que não sei o que vem a ser, nem como se constituem, nem muito menos como se reconhecem, pois para isto precisaria um tribunal racial na forma como há na UNB e em outras universidades. Não cosnta que exista.

Nada pode ser mais perigoso para a sociedade brasileira do que o processo de racialização que estamos sofrendo a partir das chamadas cotas raciais. Todo o debate possivel já foi realizado. O STF se dispôs até a ouvir por vários dias dezenas de expositores, intelectuais, cientistas e militantes, mas ainda não decidiu sobre a ação movida pelo Democratas.

Enquanto a decisão não sai, os racialistas avançam. Já estão nos cursos de mestrado e doutorado. Logo vão pedir cotas nas reitorias, no clero, nos cargos de direção das fábricas, nas equipes esportivas, no Itamaraty, no comando das forças armadas... enfim, desconfio que as revistas masculinas devem começar a formar uma banca examinadora da cor da perereca de suas modelos.

Já disse neste bloguinho antes. Estes políticos oportunistas e militantes ambiciosos e  picaretas não fazem idéia do que será a nossa sociedade daqui há vinte anos se esta teoria vagabaunda prevalecer nas políticas públicas. Se não bastassem todos os argumentos científicos e sociológicos exibidos tenazmente por intelectuais como Demétrio Magnoli e muitos outros, é preciso considerar que em tempos de prosperidade, que nunca são eternos, aliás, são historicamente breves, pela baixa competição pelo emprego e oportunidades tais políticas podem não afrontar o cidadão não-negro, mas em épocas de crise certamente as coisas mudam de figura. Ninguém aceitará passivamente que sua vaga conquistada por mérito lhe seja tomada por quem sem mérito apresenta a cor da pele como razão. Eis a semente da discórdia, da separação e do ódio.

Da Dilma Roussef já sabemos o que pensa. É a favor. Prometeu aprofundar a política. Do José Serra destaco um trecho de artigo publicado Folha de S.Paulo em 24 de abril de 2009.

"Aqueles que, em pleno século 21, insistem em ressuscitar o conceito de raça e em criar legislações baseadas na premissa de que elas merecem tratamento diferenciado pelo Estado devem ser contidos em suas ações e pretensões, sob pena de incitarem, em algum momento do futuro, processos odiosos que não podem ser aceitos pela humanidade."

Se não tivesse outros motivos, este me bastaria.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Tempo de cadeia não é parâmetro. Ou é?

Hoje ao sair de uma missa onde foi dar uma rezadinha, a candidata Dilma ao responder uma pergunta sobre a comparação com Nelson Mandela. bem que poderia ter sido um pouco mais humildezinha né não? Poderia dizer algo tipo assim "aquilo foi generosidade do Lula", ou, "o Mandela está acima de comparações, como Ghandi"... sei lá, qualquer coisa que estabelecesse parâmetros razoáveis. Que nada. Sabem o que a nossa mandelinha falou? Que de fato ela só ficou três anos e meio presa enquanto o líder sul-africano que acabou com o apartheid ficou trancafiado durante vinte e sete anos. Tem mais nenhuma diferençazinha não?

Na hora me lembrei do João Acácio Pereira da Silva que ficou trinta anos vendo o sol nascer quadrado. Também não dá pra comparar.

Como diria Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta.

O Jornalista Reinaldo Azevedo adianta em seu Blog (ler aqui) uma questão muito interessante a respeito do comportamente dos partidos de oposição (PSDB, PPS e DEMOCRATAS) nos programas eleitorais a que têm direito nos próximos meses.

Se, diferentemente do PT, cumprirem a lei, sofrerão o prejuizo de não aproveitarem o tempo para fazer campanha, o que nos dias atuais pode ser crucial. Afinal, na soma são trinta minutos em horário que se insere bem no meio do Jornal Nacional. Se, por outro lado, fizerem o mesmo que fez o PT, serão farinha do mesmo saco, todos iguais, como disseram no episódio do mensalão. De certo modo o PT empurrou a oposição para a ilegalidade.

Penso que foi nisto mesmo que apostou o PT ontem à noite, afinal, a punição é ridícula e repercute apenas no próximo ano, quando não existe campanha eleitoral, o que soa inócuo. Se, por acaso, a punição (perda de tempo de TV) fosse aplicada no horário eleitoral gratuito da campanha eleitoral, o que seria mais adequado, duvideodó que aquela peça tivesse ido ao ar.

A situação é aquela sintetizada por Sergio Porto "Restaure-se a legalidade ou locupletemo-nos todos". O PT escolheu a segunda alternativa certo de que a oposição fará o mesmo.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Programa da Dilma, ou, como chutar a bunda da Justiça Eleitoral.

Acabo de ver o programa da Dilma na TV. Sim, porque aquilo ali não pode ser programa do PT. Sabe quantas vezes se falou no PT? Uma. Foi o seu presidente José Eduardo Dutra. Sabe quantas vezes se falou o nome da Dilma? Vinte e uma! Sem contar com as referências a "ela" e os caracteres constantes.

O que vi me fez pensar imediatamente:

1. O jogo será bruto. Não estão nem ai para a Justiça Eleitoral. O programa tripudiou do TSE. Se a moda se irradia para as campanhas estaduais vai ser uma esculhambação geral. Com uns TREzinhos que existem por ai...

2. O Lula tá com medo. Só pode. Ir com tudo desse jeito, entregando o Luz Para Todos que, aliás, foi herdado do FHC e tinha o nome de Luz no Campo, e dividir a politica econômica com a Dilma beira o ridículo. Se nem ele próprio se meteu na política do Banco Central, como poderia a ministra dar pitaco? Que o diga o pobre do José Alencar que quase morreu de tanto pedir pra baixar os juros.

3. O pessoal do marketing está apelando. Comparar a Dilma com o Nelson Mandela? Putz! Estão de brincadeira.

4. Enquanto o Lula fala como se estivesse na sua cozinha, a Dilma não consegue tirar os olhos teleprompter. Sem ele a moça tá frita.

5. Parece que vão mesmo insistir na comparação Lula versus FHC. Adotaram o torneio de duplas. LULA-Dilma contra FHC-Serra. Depois do resultado que deu quando largaram a Dilma sozinha por uma semana, é o que resta.

Espero que o TSE ponha ordem nessa joça.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Aldo Rebelo, do PC do B, em entrevista sobre o projeto de revisão do Código Florestal, do qual é relator.



No áudio dá pra perceber que nem tudo que é vermelho é verde.

Greve como método e o patrão como juiz.

Em seu blog (link ai do lado), o Deputado Moisés Diniz ao justificar sua atuação na negociação com grevistas comete um equívoco ao qual não resisto em me contrapor.

Diz ele que o melhor que se tem a fazer quando o "método não funciona" é mudar o método. Em outras palavras, quando a greve não funciona, é melhor acabar com a greve.

Meu caro Moisés, sem entrar no mérito de sua atuação que, certamente, terá sido de boa fé, permita-me discordar da sua estratégia. Não faz bem a um democrata. Isto é coisa de ditadura. Quem diz quando o "método" funciona ou não? O patrão?

Por que não o contrário? Que tal os empregados dizerem ao patrão para "mudar o método"? Se o seu conselho fosse seguido à risca, ainda estaríamos vivendo algum regime tribal, nenhuma das grandes revoluções teria acontecido e, cá entre nós, Lula não existiria.

Pode até ser mesmo que a greve atual não funcione, pode ser que seus fundamentos não sejam os melhores, pode ser que tenham chegado a um impasse sem solução, pode ser que seja oportunista etc. etc. Mas quem concluirá pela mudança de método será o próprio movimento, senão, terá sido apenas teatro.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Dunga. O homem e sua luta.

Por falar em crack, o Dunga não precisava ser tão radical na luta contra.

Apoio, carinho e autoridade. Foi o que faltou nos últimos anos?

Assistimos nesta terça as inserções do PT na propaganda eleitoral gratuita. A estrela, como não poderia deixar de ser, é a Dilma, a mãe do PAC e de todas as coisas boas que aconteceram no Brasil nos últimos sete anos e cinco meses. Docemente ela promete enfrentar o crack com apoio, carinho e autoridade. E daí?

Dai que parece contraditório. Se tem algo que cresceu exponencialmente nos últimos anos foi justamente o uso do crack. Segundo o próprio PT o Brasil tem hoje mais de um milhão de usuários. Onde estavam o apoio, o carinho e a autoridade?

Somente Kaká poderá salvar o Dunga

Pelo menos em quatro eu não vejo futebol de seleção. Kleberson, Josué, Grafite e Ramires. O Dunga está na obrigação de ganhar. Se perder, será cobrado pelo resto da vida por não convocar quem deveria.  Kaká terá que jogar em dobro.

Vai que é tua Petecão!

Confirmadas as especulações sobre a retirada da candidatura de Rodrigo Pinto ao governo do Acre a eleição fica, por assim dizer, decidida. Sozinho e sem o apoio do PMDB o Tião Bocalom será esmagado pela máquina da frente popular e pela competência do Tião Viana. Teria alguma chance se viesse munido de uma nova perspectiva para o Acre, de uma visão progressista que encantasse a população, de um programa que atraísse as esperanças do empresariado, dos agricultores, dos desvalidos. Mas pelo que vi até hoje tudo isso são palavras ocas aos seus ouvidos.

Outro efeito importante da desistência do PMDB poderá ser a fragilização da candidatura do Sérgio Petecão ao Senado. Explico:

Um dos fatores mais importantes da eleição para o Senado é o projeto ao qual está vinculado, ou seja, a candidatura ao governo que defende. É provável que o Tião Bocalom, sem um projeto consistente, sem as condições financeiras à altura que o desafio exige, com uma chapa proporcional fraquinha e com a antipatia explícita do PMDB sofra um processo de definhamento ao longo da campanha, gerando efeitos deletérios aos interesses do Sérgio Petecão. Um candidato inviável ao Governo é um peso terrível para o candidato ao Senado e disto se aproveitará o Edvaldo Magalhães. Assisti este filme de perto em 1992, quando o saudoso Professor Mastrângelo obteve apenas 1% dos votos e Marcio Bittar perdeu a vaga do Senado por pequena margem. Se naquela eleição o Said Filho tivesse mantido a candidatura, o resultado teria sido outro.

Sendo assim, cabe ao Sérgio Petecão liderar as oposições, turbinar o discurso e a campanha tucana para minimizar o desastre e evitar que a mágoa do PMDB em relação ao Tião Bocalom respingue em seu nome. De agora em diante a bola está com quem pediu pra ser centroavante.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Quando o sol tem preguiça tudo esfria

"El planeta Tierra experimentará a partir de este año una "miniera de hielo" que podría durar entre 60 y 80 años y que disminuirá la temperatura del planeta de 0,2 a un grado centígrado, afirmó hoy un científico mexicano del Instituto de Geofísica de la Universidad Nacional Autónoma de México (UNAM)." Ver aqui

Assim inicia uma matéria do jonal argentino "La Nación" de ontem. Não é nenhuma novidade pois por aqui mesmo o Prof. Luis Carlos Molion já vem dizendo isto há anos. Novidade seria os jornais amestrados e a turma do Al Gore repercutirem a noticia.

sábado, 8 de maio de 2010

Estímulo ao desenvolvimento do dendê. No Pará.

Leio no site da Agencia Amazônia de Noticias (aqui) e na página do Ministério da Agricultura (aqui ) que o governo lança o programa de incentivo ao cultivo do dendê. É o Programa de Produção Sustentável de Palma de Óleo no Brasil - DENDEPALM. Não se animem os acreanos, foi no Pará.

Esta é muito provavelmente uma das estratégias mais eficientes de exploração da terra na região, pois além dos impactos altamente positivos na geração de emprego e renda, lida com espécies agronomicamente adaptadas ao solo e clima locais, o que reduz os riscos da produção.

A implantação de pólos agrícolas há muito tempo é responsável pela geração de riqueza no interior do Brasil. São dezenas de casos. Soja, arroz, feijão, dendê, mamona, trigo, algodão, maçã, uva, melão, morango... até flores são cultivadas com fundamento em um dado básico da economia - especialização e escala da produção. Desde que corretamente identificado e implantado, o pólo entra em uma espiral virtuosa que expande-se com aumento de produtividade e de competitividade à medida que dimiuem os custos unitários de produção.

Seria possível adotar esta estratégia no Acre? Não tenho dúvidas a respeito. Para se ter uma idéia, para cada hectare plantado no Acre existem quatro abandonados. Apenas esta área seria suficiente para, sem derrubar uma paxiúba sequer, quintuplicar a área plantada e inaugurar uma economia real, eficiente e dinâmica.

Por que não o fazem? Sei lá. Já ouvi argumentos do tipo "o acreano não gosta de trabalhar no sol quente". Ou, "a vocação acreana é florestal, temos que valorizar os produtos da floresta". Ou, ainda, "algo assim pode atrair muita gente, temos que preservar o Acre". Só não ouvi alguém que dissesse "tentamos e não funcionou". Vai ver é por isto.

De todo modo recomendo aos nossos candidatos ao governo pensar no assunto.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Pesquisa eleitoral - o bicho pode não pegar

Uma das questões que afloram à luz dos números da pesquisa recentemente divulgada no Acre é que com os três candidatos ao governo a tendência é que haja segundo turno. Mas, se os candidatos forem apenas dois?

Não foram divulgados os números da hipótese de polarização entre Tião Viana X Tião Bocalom ou Tião Viana X Rodrigo Pinto. Este é um exercício que deve ser feito. Não é certo que toda a preferência pelo Rodrigo Pinto seja automaticamente transferida para Tião Bocalom ou vice-versa, ou seja, do ponto de vista da candidatura ao Governo não se pode garantir que a esta altura seja bom negócio para as oposições marcharem unidas com apenas uma candidatura.

Por outro lado, a manutenção das duas candidaturas pode prejudicar as chapas proporcionais que, talvez, individulmente não tenham fôlego para alcançarem seus objetivos.

Está ai um nó a ser desatado.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Pesquisa eleitoral no Acre - o bicho pode pegar.


 

Sou por formação acadêmica um dos que botam fé em pesquisas e, por treino político, um dos que desconfiam de todas elas. É que se  IBOPE vende até a mãe como diz o Ciro Gomes e no Acre sabemos todos, imagine-se o... como é mesmo o nome deste instituto? Deixa pra lá. Tomemos como verdadeiros os números da recente pesquisa publicada no Acre para as candidaturas majoritárias. Antes, algumas ressalvas.

Em primeiro lugar, o atraso. Se foi a campo entre 12 e 16 de Abril, vem com defasagem de 20 dias, o que é de estranhar, pois a tabulação de 700 questionários se faz em 2-3 dias no máximo. Por que demorou tanto?

Em segundo, a ausência da simulação de segundo turno. Se a soma dos índices dos candidatos de oposição é maior que o índice do candidato do governo, é mais do que razoável, é quase obrigatório que se faça a simulação de segundo turno. Não fizeram? Se fizeram, por que não publicaram?

Em terceiro, os interessados. Este é um dado crucial para a comprensão do todo. Quem pagou a pesquisa?

Voltemos aos dados. O que há de aparentemente discrepante é que a esta altura do campeonato, as oposições, mesmo sem nenhuma visibilidade de mídia, desorganizadas e fracionadas e, principalmente, sem um projeto claro e definido, consiga levar a disputa para o segundo turno, sendo que o candidato do Governo, Senador Tião Viana, no extremo oposto dispõe de permanente e absoluta presença nos meios de comunicação, lidera uma frente consolidada e defende um projeto conhecido. De onde vem esta força?

Cedo para afirmar, mas é muito razoável supor que a partir do horário eleitoral, quando as condições de comunicação estiverem mais equilibradas, os partidos e chapas mais organizadas e os pojetos de cada um mais estrutrados e comunicáveis, a possibiidade de um segundo turno seja ainda mais real.

Conta-se ainda os reflexos da eleição presidencial. Ninguém no Acre aposta um real em que a candidata Dilma saia da fim da fila, ou seja, é um peso morto. Desta vez, é melhor para a FPA que ela nem dê as caras no Acre. Restará ao Tião Viana abraçar a Marina que deverá estar muito ocupada para vir aqui bater ponto. Enquanto isso, do lado das oposições, estará o José Serra em condições de realmente promover a chapa local.

Para o Senado os números não surpreendem tanto. Ségio Petecão deu uma lição de estratégia e fez-nos lembrar um ensinamento importante. Para ser é preciso antes de tudo querer e, na política, querer muito. Conseguiu a golpes de força e de inteligência aquilo que outros esperavam que a inércia resolvesse. Dificilmente será batido pelo segundo candidato da FPA que já começa em desvantagem por ser isto. O segundo.

Uma coisa é certa. Se no curso da campanha as coisas continuarem como indicam a pesquisa, merecem um alerta o TRE e o Ministério Público. Atenção!!! As eleições deste ano não serão assim tão franciscanas quanto foi prometido. Podem apostar.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Projeto ficha limpa. Se valer para este ano... sifu.


Foi aprovado ontem na Câmara dos Deputados, o Projeto Ficha Limpa que exclui das eleições aqueles que apresentem condenação por órgão colegiado da justiça. Como foi aprovado em acordo de partidos, provavelmente passará também no Senado. A presunção é de que não valerá para este ano. Há, contudo, controvérsias.

Se valer, quem está fora? É bom dar uma olhada no site Transparência Brasil AQUI . Pesquisando direitinho encontramos listinhas bem interessantes.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Oposição no Acre - a volta ao dilema Nº1.

Não comentei antes porque desconfiava que o acordo formal entre PSDB e PMDB do Acre para manterem suas candidaturas ao Governo e se aliarem na disputa ao Senado não prosperaria à luz da legislação eleitoral. Pelo que divulga o informadíssimo jornalista Luis Carlos em seu blog, o parecer esperado chegou em forma de balde de água fria. Ou detonam uma das candidaturas ao Governo ou nada feito.

O quadro se apresenta mais ou menos assim: Se as oposições se unirem em uma só chapa, o Petecão vira pule de dez para o senado e a chapa federal pode eleger 3 deputados, incluindo ai o principal candidato do PMDB, Flaviano Melo. Se não se unirem, tanto um (Petecão senador) quanto outro (3 federais) resultado perdem força. Como se vê, o negócio para as oposições é mesmo vencerem as resistências recíprocas. Mas quem cederá a vaga? Bocalom ou Rodrigo Pinto?

Como não defendo pessoas, mas idéias e projetos, vou esperar que daí apareça algum.

Dilma e a reserva legal. Direto na fonte.

Veja AQUI o que pensa a Dilma sobre a reserva legal, ponto crucial da reforma do Código Ambiental em discussão no Congresso. Se voce não entendeu bulhufas, calma, seguramente voce não está sozinho.

A parte engraçada ficou por conta do Pimentel. Atento à fala da DIlma, lá pelos 0'53" ele coça a nuca, como quem diz "que m.... é essa?"

Dilma e a cultura. Direto na fonte.

Parece que o pessoal da Dilma brecou a incorporação do vídeo. Tem nada não. Pode ser visto AQUI mas sem a parte em que ela fala da saida dos nordestinos para o Brasil. Sabe como é... o que nao serve, a gente corta, né?

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Dilma - ato falho preconceituoso.



Tirem suas próprias conclusões. Além de todas as obviedades, clichês, cacos, da evidente leitura no teleprompter e da péssima direção, o que mais me chamou a atenção foi a idéia que ela tem de que o sujeito saia do nordeste para o Brasil (aos 10'23"). Parece um ato falho de quem pensa o nordeste de um ponto de vista elitista, que supõe um Brasil de Minas Gerais para baixo.

A parte engraçada é a apresentadora chamando a DIlma pelo nome, assim na camaradagem. Se, por acaso, ela se atrevesse a tanto fora do vídeo, levaria um sopapo no pé da orelha que passaria uns três dias sem escutar novela.

domingo, 2 de maio de 2010

O Serra, igualmente, pisou na Lei.

Este é o drama da impunidade. Quando a lei é frouxa e os agentes públicos, no caso, a Justiça, fecham os olhos ao escárnio contra a lei eleitoral, os candidatos entram em uma concorrência de ilegalidade. Neste sábado, 1º de maio, enquanto o Lula, a Dilma e muitos outros sapateavam sobre a lei eleitoral às custas do dinheiro das estatais, em afronta explícita à lei eleitoral, o Serra, para não ficar pra trás, fez orações no palanque juntamente com evangélicos em Santa Catarina. Falou como candidato, o que não é permitido.

Se transbordar para os estados este comportamento instaura um corrida de ilegalidades afrontosa. Não se pode permitir isto. Esta gandaia não ajuda em nada a democracia.

Sem fósforo, sem alimento.

Ai do lado no link Controversia há um excelente artigo sobre a escassez de fósforo e a alternativa a partir do tratamento de esgotos. Um pequeno trecho:

“Embora o tempo exato seja motivo de controvérsia, está claro que a qualidade das rochas de fosfato que ainda restam está diminuindo, e os fertilizantes baratos em breve serão coisa do passado”, alerta Dana Cordell do Instituto para Futuros Sustentáveis em Sidney. Uma crise de fosfato seria no mínimo tão séria quanto uma crise do petróleo. Enquanto o petróleo pode ser substituído por outras fontes de energia – nuclear, eólica ou solar –, não há uma alternativa para o fósforo. É um elemento básico para todo tipo de vida, e sem ele os seres humanos, animais e plantas não podem sobreviver.

sábado, 1 de maio de 2010

A lei? Às favas com a Lei.

Lula achou pouco. Não tá nem ai para a Lei. Dois dias depois de utilizar indevidamente, como chefe de estado, cadeia nacional de rádio e TV para fazer propaganda eleitoral, foi com tudo no evento das centrais sindicais. Através das estatais bancou o espetáculo e, sem pejo, foi ao palanque juntamente com sua candidata fazer proselitismo. Auto-elogios e referências à continuidade deram o tom do discurso. Além, é claro, do "nunca antes neste país".

É a vulgarização do ilícito. Péssimo exemplo.