quarta-feira, 21 de julho de 2010

Kátia Abreu, Binho Marques e o confronto impossivel.

Ouvi atentamente no blog do Altino os discursos da senadora Kátia Abreu e do governador Binho Marques. O primeiro alegrou os pecuaristas. Tanto que ao final da gravação do Altino se ouve alguém esclamar um "pai d'égua" entusiasmado. O segundo também. O governador fez um discurso amistoso, não tocou no Código Florestal, se declarou "em casa" e até confessou o desejo de possuir uma "fazendinha" que certamente não será para criar carapanã.

Do outro lado, creio, ficaram decepcionados os ambientalistas extremados ou não. Gostariam, talvez, que o governador mostrasse as garras à senadora pecuarista que é a antítese da Marina Silva. Alguns mais abespinhados talvez até o acusem de flertar com os "devastadores" do DEM. Não é isso. O governador Binho Marques certamente tem convicções inabaláveis a respeito da pecuária e dos danos que ela provoca ao meio ambiente. É que há uma grande dificuldade em contrapor argumentos como os que exibe a presidente da CNA. Relembro:

1. A agropecuária como fator de diminuição dos preços dos alimentos, por consequencia, da inflação e do acesso de milhões de brasileiros à comida, especialmente de carne, pois para decepção de alguns, pobre não quer ser vegetariano.
2. A agropecuária como responsável por superávits comerciais - a economia não pode dispensar as commodities. Não somos o Japão.

3. A agricultura como fonte de energia - álcool e biodiesel são produtos estratégicos para o Brasil. Aliás, esta é uma demanda dos próprios ambientalistas.

4. O direito de propriedade como cláusula pétrea da Constituição Brasileira - se querem preservar, que paguem o preço. O confisco é coisa de Chavez, ainda não chegamos lá.

5. O princípio da anterioridade legal "não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal." - quem desmatou na vigência da Lei que o permitia não pode ser incriminado nem penalizado por Lei posterior.

6. Os sucessivos aumentos de produtividade da agropecuária - nos últimos 30 anos a produtividade de grãos no Brasil cresceu em média 125%. Uma das mais altas em toda a economia.

Há coisas que só podem ser ditas quando a platéia é claque. O governador não é ingênuo, sabe disso e muito mais. Sabe, por exemplo que não é hora de comprar briga com a razão. Sua militância e apoio aos ambientalistas não poderiam confrontar um discurso tão firme e embasado quanto o da presidente da CNA.

De qualquer forma não há por que se preocupar. Fica o conforto de que entre as estranhezas, complexidades e peculiaridades do Acre está a de que é uma terra em que fazendeiro vota e faz campanha pra ecologista.

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