sábado, 31 de julho de 2010

Candidatos ao Senado: Qual a sua missão?

Ao invés de fazer de suas campanhas apêndices exclusivos das campanhas ao governo, os candidatos ao senado bem poderiam, a exemplo do César Maia no Rio de Janeiro, criar a sua própria agenda e pautar a campanha trazendo ao debate temas com os quais deverá lidar no Senado. O eleitor precisa saber que senador não é muleta de governador ou vice-versa. Tem uma missão importantíssima a desempenhar além daquela vinculada ao programa de governo que abraça.

Agrupadas em 17 temas, o ex-Prefeito César Maia agendou 52 propostas (ver aqui ) que servirão de base para os seu mandato. Com isto a população em primeiro lugar fica sabendo qual é o papel do senador, em segundo posiciona cada concorrente em relação  aos temas apresentados e, em terceiro, compara os concorrentes. A decisão deixa de ser uma espécie de "me diga com quem andas" e passa a ser "me diga o que tu és". Bem mais razoável, não?

De novo o pum da vaca. Ahhh que preguiça.

O médico com cara de cientista chega para o paciente e munido de uma pilha de papel, laudos e radiografias, faz o seguinte prognóstico: "Voce tem entre 3 e 15,9 anos de vida". Como voce reagiria? Garanto que se fosse comigo nunca mais o patife veria a minha face. Mas, saiba que quando se trata de aquecimento global antropogênico isto é "ciência" da melhor qualidade. Pode crer. Há previsões ainda mais grosseiras.

Mas esta a que me refiro está no lead do artigo de Larissa Rangel, publicado pelo bom Evandro em seu Blog Ambiente Acreano. "De 2006 a 2050, práticas agropecuárias poderão lançar, só no estado do Mato Grosso, entre 3 e 15,9 bilhões de toneladas de gás carbônico na atmosfera. A estimativa é de estudo que defende modelos de conservação para mudar o quadro."
Trata-se de um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Brown e do Centro de Ecossistemas, nos Estados Unidos. Um monte de gente trabalhou muito pra chegar a este resultado. Fico pensando porque com esta precisão fizeram questão de fixar em 15,9 bilhões o limite máximo de emissões. Por que não arredondaram logo pra 16 bilhões? Deve fazer aprte desta ciência evitar números redondos, né?

Sinceramente, tem horas que ler sobre este tema dá uma preguiça...

A manipulação midiática em 10 lições por Noam Chomsky. Tudo a ver.

Pedagógico o texto de Noam Chomsky com "As dez estratégias da manipulação midiática" (ver no link Controversia ai do lado).

Algumas delas, senão todas, são perfeitamente identificáveis quando nos dedicamos a anlisar friamente o que acontece ao nosso redor. Vejamos esta.

1- A ESTRATÉGIA DA DISTRAÇÃO
O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir ao público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais (citação do texto ‘Armas silenciosas para guerras tranqüilas’)”.

Alguém duvida que estamos permanentemente sendo bombardeados por temas e debates que nem de longe tocam os problemas fundamentais da sociedade? Quanto tempo dedicamos a discutir aspectos periféricos e simbólicos sem nos aprofundarmos no cerne do problema? Quantas vezes ficamos furiosos com a forma e nos dispensamos de analisar o conteúdo das questões sociais mais relevantes?

Pensemos.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Resultados de pesquisa do IBOPE no Acre seguem o script.

Ai está. De acordo com a nova pesquisa do IBOPE, Tião Bocalom subiu 3 pontos, Petecão subiu 5 pontos e Tião Viana e Edvaldo Magalhães mantiveram inalterados seus índices anteriores. Jorge Viana é "hors concours". A leitura lógica é dizer que as campanhas são de fato coladas e que os candidatos ao senado dependem em grande medida da performance dos candidatos ao governo que, ao cabo, é que apresentam programas e expectativas efetivamente concorrentes do ponto de vista da opinião pública.

Como disse anteriormente neste bloguinho, a eleição do Petecão que hoje parece mais viável do que a do Edvaldo Magalhães precisa que o Bocalom mantenha uma boa performance. O Edvaldo precisa que Tião Viana seja ainda mais arrasador. E aí é que está o problema. Atualmente com 63% no IBOPE, não é nada fácil para Tião Viana crescer muito além disso. Não é normal um candidato ganhar uma eleição com 70% do eleitorado.

Assessores parlamentares em campanha, cuidem-se.

Estão fazendo um verdadeiro carnaval (ver aqui) por causa da presença da funcionária do gabinete da Marina Silva, a Jane Villas Boas, na campanha presidencial. Bastante conhecida dos acreanos, excelente profissional, a Jane acompanha a Marina há tanto tempo que são praticamente indissociáveis. Consta que a senadora já cuidou de exonerar todos os assessores envolvidos além da Jane.

A Lei nº 9.504/97 elenca uma série de condutas vedadas a agentes públicos na campanha eleitoral (artigos 73 e 78), cuja proibição tem por objetivo principal preservar a isonomia, a igualdade de oportunidades entre os candidatos na campanha eleitoral, a legitimidade do processo eleitoral e a probidade administrativa no seu transcorrer. Mas qual o vereador, deputado estadual, deputado federal ou senador pode dizer com segurança que nenhum de seus assessores dedica parcial ou integralmente seu tempo à campanha eleitoral? Em matéria de ontem o Estadão trata do assunto (ver aqui). São milhares de servidores ligados a gabinetes que nesta época foram deslocados para funções alheias ao dia a dia do Congresso.

A prática da conduta vedada pode ser apurada através de representação, a qual tem que ser ajuizada até a data das eleições, ou mesmo mediante o procedimento do artigo 22 da Lei Complementar 64/90, em sede de ação de investigação eleitoral, que pode ser proposta até a diplomação dos eleitos. O candidato beneficiado, agente público ou não, com o cometimento de conduta vedada, ficará sujeito a pena de multa e a eventual cassação do registro ou diploma, o que não é pouco.

Se tem, portanto, a partir dai, um campo de atuação importante para quem se dedicar a colher provas contra abusos praticados em campanha.

Alô Assuero! O Jaime Amorim vem ai.

                                          Foto da Veja

Com tanta noticia de Bruno e do filho da Cissa algumas coisas passam em branco no noticiário. Uma muito bacana vem de Pernambuco onde Jaime Amorim, um dos chefões do MST, declarou recentemente que depois das eleições que ele espera seja com Dilma presidente, a luta do MST vai levantar outra bandeira. Sua proposta é de que nenhuma propriedade rural seja maior que 500 hectares. Segundo ele, passou disso, a área deve pertencer ao Estado. Assim, vai sobrar terra para que os sem-terra ocupem espaço. De preferência, já plantada, com máquinas, casas e armazéns. Que tal?

Liga Lula!



Este vídeo faz parte da campanha em defesa da vida da iraniana Sakineh Ashtiani. Até a ONU já pediu ao ditador iraniano que poupasse a mulher. Apesar de tudo Lula já disse que não vai se meter porque isso é da lei de lá e precisamos respeitar as leis dos outros paises. O mesmo que disse em relação ao preso cubano Orlando Zapata Tmayo que morreu depois de 85 dias de greve de fome. Lula tem coerência, tem um padrão. Só se mete nas leis alheias para defender cumpanhêro como no caso do golpista de Honduras (lembram do bigodudo chapeludo?). Direitos humanos? Isso é relativo.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Contas na internet. Mais transparência na campanha, mais qualidade no voto.

Site propõe que candidatos prestem contas semanalmente

Por: Ana Cláudia Barros- do Terra Magazine


Já imaginou ter a chance de acompanhar, semanalmente, a prestação de contas de campanha do seu candidato? Esta é a novidade apresentada pelo site da Ficha Limpa, lançado na manhã desta quarta-feira (28), em São Paulo. A iniciativa, capitaneada pela Articulação Brasileira Contra a Corrupção e a Impunidade (Abracci), com o apoio do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), tem, como principal proposta, munir o eleitor com informações sobre os postulantes a cargos eletivos nas próximas eleições.

Ele poderá fazer consultas por estado, partido, entre outros critérios de busca. O site entra no ar na próxima quinta-feira (29), quando ocorre um segundo lançamento, desta vez, em Brasília.


- A ideia é dar continuidade à campanha da Ficha Limpa. Uma vez que a lei está aprovada, fazer um controle social da aplicação dela. Queremos que o eleitor pergunte por que o candidato dele não está na lista – afirma Betina Sarue, da secretaria executiva da Abracci, rede formada por 78 entidades de combate à corrupção e à impunidade.

Na avaliação dela, fazer com que o candidato assuma o compromisso de, toda semana, abrir os gastos de campanha é dar um passo à frente.

- Ele terá que apresentar um termo de compromisso, no qual vai indicar uma página na internet e se comprometer a fazer uma prestação de contas da campanha, semanalmente. Se não cumprir, sairá do cadastro. E vamos dar publicidade a isso, mostrar, em outra lista, quais foram os candidatos descadastrados. Pior do que não estar no site é estar e sair depois.

Betina explica que, inicialmente, o portal só abriria espaço para postulantes sem qualquer condenação na Justiça, mas a proposta foi descartada para não confundir o eleitor. “Decidimos adotar os mesmos critérios da Lei da Ficha Limpa (Lei 135/2010), que veta somente aqueles com condenação por órgão colegiado”.

De acordo com ela, é o próprio candidato que abasetecerá o site com as informações, que são: registro de candidatura no Tribunal Superior Eleitoral (TSE); documento, provando que não tem condenação por órgão colegiado nos crimes previstos na Lei Ficha Limpa; declaração de que não renunciou ao mandato para fugir da cassação; e termo de compromisso, indicando em qual página eletrônica vai disponibilizar os gastos de campanha.

- Ele faz o cadastro, apresenta os documentos, que serão avaliados pela equipe. Se forem aprovados, entra na lista. Os documentos serão abertos para consulta do público em geral. O site vai ser interativo. O objetivo é que o próprio eleitor faça o controle. Ele poderá questionar a prestação de contas, por exemplo. Se a denúncia estiver certa, o candidato será retirado da lista.

A representante da Abracci destaca a importância da internet como ferramenta de qualificação do voto.

O "filho da Cissa".

Assistimos nos últimos dias a superexposição do atropelamento e morte do jovem Rafael, filho da atriz Cissa Guimarães. O músico divertia-se no skate e foi pego por um veículo cujo motorista estaria fazendo um "pega" com um amigo. Ainda não se sabe com precisão o que ocorreu. Depois vieram acusações de corrupção policial, fuga e por ai vai. 

O que me chama a atenção é o excesso, é o empenho das reportagens em transformar o caso em algo extraordinário. Fico com a impressão de que estou obrigado a chorar esta mais que as outras mortes no trânsito, nos assaltos, nos pegas da vida. Fica parecendo uma espécie de "sabe quem voce atropelou?", uma variante macabra do "sabe com quem está falando?" . E se não fosse o "filho da artista da Globo"? Arrisco:

Se não fosse o filho da Cissa, mas o Rafael da Silva, um garoto comum de classe média, os policiais teriam recebido tranquilamente a grana do suborno - os dez mil cobrados do pai do autor do atropelamento, as televisões teriam emudecido após a primeira noticia, os jornais não falariam no assunto e o Rafael seria apenas mais um na estatística. Que Deus tenha o Rafael.Um tanto quanto o outro.

Não é só a picanha que alegra o proprietário rural.

Me chamou a atenção uma noticia recente de "O Globo", segundo a qual na India o preço da terra está em disparada. Por lá o governo vem desenvolvendo um vigoroso programa de energia solar, o que resulta em aquisições de áreas privadas para instalação das placas. Por aqui, por outra via, é também a questão ambiental que está fazendo o preço da terra subir. Os estudos são fartos em demonstrar aumentos superiores a 500% na última década.

Como fator de produção determinado, a terra agrícola entrou desde os anos noventa, principalmente por causa de restrições ambientais, em uma escalada de preços muito forte. Só com o crescimento vegetativo da população e a correspondente necessidade de produção de alimentos, mesmo descontados os aumentos de produtividade, a terra já passa a ser crescentemente escassa, determinando valorização acima da que sofrem os preços médios da economia. Com a "diminuição" da área total agricultável imposta pela regulamentação (reservas indígenas, unidades de conservação, reservas legais...), a escassez é ainda maior repercutindo diretamente nos preços. Some-se a isto a baixa disponibilidade de terras públicas para a reforma agrária, o que obriga o órgão fundiário a comprar terras e temos o melhor caldo para a alegria dos proprietários rurais.

Assim como na India, o desenvolvimento de programas ambientais que incidam de algum modo sobre a terra impondo restrições ao seu uso agrícola terminam por valorizá-la como mercadoria. É do jogo.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Vem ai o Estado Indígena Independente Raposa Serra do Sol. Falta pouco.


Com o Congresso em recesso, passou quase despercebida a noticia dada pela "Folha de São Paulo" que a ABIN anda se interessando pela movimentação daquela turma da Reserva Raposa Serra do Sol no sentido de criar ali um "Estado Indígena Independente". É tarde. Não é de hoje que o governo vem sendo avisado, principalmente pelos roraimenses. De modo surpreendente, pressionado por ONG's, pela opinião pública internacional e pelo próprio governo, até o STF se rendeu, condicionalmente, mas se rendeu e deu corda ao movimento. Expulsaram o brasileiros não-índios e entregaram o comando às ONG's.

Tem coisa no Brasil que só vendo pra acreditar. Uma delas, que vai na mesma linha das políticas racialistas que presumem o pagamento da "dívida histórica com os negros" com  cotas e território quilombolas criados a torto e a direito, é a tentativa de devolver aos índios as suas terras na medida em que eram possuidores. O exemplo mais recente é a execução de um programa que visa identiicar as terras indígenas (certamente para que sejam devolvidas) no Ceará. Caramba! Se isso progredir já vejo o Beach Park servindo de tobogã de curumim.

O resultado desse tipo de alucinação é que em Roraima, quase 50% do território é terra indígena onde só entra quem os índios permitem após consulta à ONG estrangeira que na verdade é quem manda no pedaço.  Há muito tempo, como, aliás, já denunciou o General Heleno, a soberania brasileira foi relativizada. A adesão irresponsavel do Brasil à Declaração dos Direitos dos Povos Indígenas em 2007, na ONU, praticamente reconhece a possibilidade de divisão.

Nós que sempre assistimos de longe as guerras separatistas que, aliás, estão a pipocar mundo afora, podemos ter a nossa ensejada por decisões que deveriam estar categorizadas como crimes lesa-pátria. Está faltando um grito.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Tião Viana e Tião Bocalom com Alan Rick.

Assisti neste fim de semana as entrevistas dos candidatos ao governo do Acre, Tião Viana e Tião Bocalom concedidas ao programa do Alan Rick nos dias 20 e 22 (semana passada). Dois personagens e duas visões de estado bem diversas.

Como candidato da continuidade, Tião Viana tem a seu favor o que foi feito e tem contra si o que, prometido, não foi realizado. Por isso dedica muito tempo a explicar e a fazer remissões ao passado, a ancorar propostas em projetos e personagens anteriores. Afirma desse modo a existência de um projeto no qual acredita e a disposição de dar continuidade, fazendo o aprofundamento e expansão de suas conquistas. Mas isto é mais do mesmo.

Penso que o momento é de debater o futuro. As pessoas estão vivamente interessadas é em saber o que vem agora, o que se pode esperar além de mais do mesmo. Interessante notar que, por outros elementos de comunicação, o candidato demonstra essa visão, mas a explorou muito pouco na entrevista. Somente ao final falou em industrialização e nos setores produtivos.

Como candidato da oposição, Tião Bocalom tem a seu favor a liberdade da crítica e da proposição. Contra si a ausência de uma base técnica e o pouco conhecimento da máquina governamental e do cenário nacional. Poderia superar a deficiência se dedicasse parte de seu tempo e esforços a conceber um projeto para o Acre, mas parece acreditar no “deixa comigo que eu sei o que fazer”.

Pela falta de um programa elaborado, as críticas e propostas do candidato, mesmo aquelas completamente fundamentadas, parecem tiros no ar. Suas propostas quase nunca estão amparadas em fontes e volumes adequados de recursos. Falta um eixo programático, sobram boas intenções.

De qualquer modo, estamos apenas começando a campanha. Aguardemos.

sábado, 24 de julho de 2010

De um lado sobra mediocridade, de outro falta astúcia.

Relendo algumas coisas me deparei com um artigo de César Benjamin publicado pela Folha de S. Paulo em 13/12/08 sob o título "As astúcias da razão". Por oportuno, recomendo aqui e adianto um trecho.

"Não existe, pois, pensamento único. Existe pensamento hegemônico, aquele que se torna senso comum.
Mas, como diziam alguns clássicos, a razão é astuta, quer progredir: o destino de qualquer pensamento hegemônico é atrair a mediocridade, que adora o senso comum. O esforço intelectual mais vigoroso tende a migrar para o pólo contra-hegemônico.
Quando uma corrente ousa reivindicar a condição de pensamento único, é sinal de que sua hegemonia está chegando ao fim, pois está entregue a ignorantes".

Boa leitura.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Comunicado do IPEA - importância da transferência de renda na redução da pobreza.

Em seu comunicado 59, divulgado ontem, o IPEA traz novas informações sobre a economia. Desta vez trata da importância relativa da transferência de renda como política de redução da pobreza no Brasil. Em alguns casos trata os estados individualmente. Como de costume, quando analiso as estatísticas trato o Acre no contexto da região Norte, o que parece mais plausível.

Os números do IPEA dizem que o Piauí é o que teve a maior participação das transferêncas de renda (TR) na renda das famílias. Nada menos do que 31% dos rendimentos das famílias se deve à TR. O Acre é o 19º colocado com 15% dos rendimentos devidos à TR, abaixo da média brasileira (19,3) mas à frente de cinco dos sete estados da região.

Quando se refere à renda per capita das TR, a maior é a do Distrito Federal e a menor é a do Aamapá. A do Acre é a 20ª, estando à frente de quatro estados da região.

Em resumo: O Acre é na região o segundo estado em que a renda das pessoas mais depende da transferência de renda e é o terceiro no valor per capita desta renda.

Eleições no Acre. No horizonte, o rompimento da "semi-estagnação virtuosa".

Pela reação de alguns setores à visita da senadora do DEM ao Acre e ao comportamento do Governador Binho Marques, ficamos sabendo que no governo ou na Frente Popular do Acre - FPA, como queiram, existem duas correntes - uma ambientalista e outra desenvolvimentista. Consta até que o afastamento da Marina tem algo a ver com isso. Se assim é, creio que temos então um bom motivo para debate, pois as divergências internas da Frente se revelariam programáticas e não apenas contigências eleitorais.

Sinceramente, penso que o que chamam de desenvolvimentismo é na verdade a compreensão da necessidade de dar respostas efetivas aos problemas mais relevantes. Quem assume ou se propõe a assumir efetivamente a responsabilidade de governar e produzir resultados objetivos, mensuráveis e adequados à realidade dura dos dados da economia, do emprego e dos indicadores sociais, é obrigado a dedicar sua capacidade criativa e gestora a corrigir os rumos do próprio governo como investidor e, ainda mais, como sinalizador para o setor privado.

Sendo mais explícito, os esforços da "florestania" no sentido da industrialização, seja de base florestal como o megaprojeto do "Ratinho", de base agrícola como a usina de álcool, ou de processamento como a ZPE, podem significar para os ambientalistas uma extrapolação do modelo ou, quem sabe, uma traição à memória de Chico Mendes e aos compromissos com o resto do mundo que tem no Acre uma referência de Shangri-la  da floresta, mas para quem dedica seu olhar aos acreanos que, segundo o IBGE ainda são pobres em 44% e extremamente pobres em 20%, significa o movimento necessário ao rompimento da "semi-estagnação virtuosa" e ao surgimento de um ciclo de desenvolvimento real.

Creio que os irmãos Viana, principalmente, mas também outras mentes do governo, resolveram prestar mais atenção aos dados e à população e compreenderam que após 12 anos de vigência, aquela perspectiva emblematizada em neologismos como "neo-extrativismo" e "florestania" esbarrou em dados da realidade que, não fosse a incompetência da oposição, poderiam até ameaçar a sua permanência à frente do governo.

Não creio, contudo, que haja uma fratura na "florestania" capaz de dar significado essencial  a duas perspectivas de futuro, a duas visões de mundo. Acalmem-se. Se eleito, a julgar pelo programa, Tião Viana não tirará os pés do ambientalismo, apenas procurará expandir seus horizontes para, paradoxalmente, enxergar os que estão mais próximos, os acreanos.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Debates, sabatinas e entrevistas. O resto é dispensável.

A dona Dilma está fugindo de debates como o diabo da cruz, o governador do Rio de Janeiro já disse que não vai a nenhum, outros estão tomando o mesmo rumo, ou seja, nada de arriscar a perder votos em situações que podem fugir ao contrôle.

Sinceramente, penso que o clímax de uma eleição é justamente o debate. Aliás, a campanha eleitoral deveria ser limitada a debates. Nada de propaganda, nada de santinho, anda de cartaz, de musiquinha, nada. Se um sujeito, de modo ético, resolve ser candidato, presume-se que seja conhecido daqueles que vão votar, então, pra quê propaganda? Necessário é o debate e as entrevistas, pois nessa hora é que o eleitor fica sabendo o que pensam os candidatos e os compara. Este pensa assim, aquele pensa assado, o outro pensa queimado e assim por diante.

Ocorre que, segundo os marqueteiros, quem está na frente não deve ir a debates porque nada tem a ganhar. Só a perder. Não sou marqueteiro, mas o pensamento tem lógica e de lógica eu entendo. Faz todo sentido. Fica faltando é o verdadeiro compromisso com o eleitor.

Não ir a debates, embora obedeça a lógica da disputa, não obedece a ética. Em alguns casos é despreparo, em outras é menosprezo, em outras ainda é medo de mostrar o rabo preso... De qualquer forma, será sempre um desrespeito ao eleitor.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Enquanto isso, no sul do continente o clima foge do script.

Quem quiser saber um pouco mais sobre o friozinho básico que está fazendo no sul do continente dê uma espiadinha aqui. A página pertence ao MetSul que é mantida por cientistas do clima. Abaixo uma matéria retirada do site.

O frio segue sem dar trégua há vários dias no Mato Grosso e no Mato Grosso do Sul, o que é incomum. Pelo menos duas mil cabeças de gado já teriam morrido em razão da onda de frio no Mato Grosso do Sul. Nas cidades de Porto Murtinho, Caracol e Bela Vista, são pelo menos 350 registros de cabeças de gado perdidas. Já em Caarapó e Antônio João são outros 700 animais mortos. O número pode ser maior já que há outras mortes que ainda não foram contabilizadas.



Em Iquitos, no Peru, fez 14,2ºC ontem e 15,5ºC nesta segunda-feira. No Paraguai, o problema se repete. De acordo com a Associação Rural Paraguaia, pelo menos mil cabeças de gado pereceram com a baixa temperatura. Na Bolívia, o inusitado. De acordo com a imprensa local, nevou no Chaco boliviano. Nunca antes se tinha visto o fenômeno, informou a Rádio Paparetí.

Quantos jegues voce vê nesta cena?

Kátia Abreu, Binho Marques e o confronto impossivel.

Ouvi atentamente no blog do Altino os discursos da senadora Kátia Abreu e do governador Binho Marques. O primeiro alegrou os pecuaristas. Tanto que ao final da gravação do Altino se ouve alguém esclamar um "pai d'égua" entusiasmado. O segundo também. O governador fez um discurso amistoso, não tocou no Código Florestal, se declarou "em casa" e até confessou o desejo de possuir uma "fazendinha" que certamente não será para criar carapanã.

Do outro lado, creio, ficaram decepcionados os ambientalistas extremados ou não. Gostariam, talvez, que o governador mostrasse as garras à senadora pecuarista que é a antítese da Marina Silva. Alguns mais abespinhados talvez até o acusem de flertar com os "devastadores" do DEM. Não é isso. O governador Binho Marques certamente tem convicções inabaláveis a respeito da pecuária e dos danos que ela provoca ao meio ambiente. É que há uma grande dificuldade em contrapor argumentos como os que exibe a presidente da CNA. Relembro:

1. A agropecuária como fator de diminuição dos preços dos alimentos, por consequencia, da inflação e do acesso de milhões de brasileiros à comida, especialmente de carne, pois para decepção de alguns, pobre não quer ser vegetariano.
2. A agropecuária como responsável por superávits comerciais - a economia não pode dispensar as commodities. Não somos o Japão.

3. A agricultura como fonte de energia - álcool e biodiesel são produtos estratégicos para o Brasil. Aliás, esta é uma demanda dos próprios ambientalistas.

4. O direito de propriedade como cláusula pétrea da Constituição Brasileira - se querem preservar, que paguem o preço. O confisco é coisa de Chavez, ainda não chegamos lá.

5. O princípio da anterioridade legal "não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal." - quem desmatou na vigência da Lei que o permitia não pode ser incriminado nem penalizado por Lei posterior.

6. Os sucessivos aumentos de produtividade da agropecuária - nos últimos 30 anos a produtividade de grãos no Brasil cresceu em média 125%. Uma das mais altas em toda a economia.

Há coisas que só podem ser ditas quando a platéia é claque. O governador não é ingênuo, sabe disso e muito mais. Sabe, por exemplo que não é hora de comprar briga com a razão. Sua militância e apoio aos ambientalistas não poderiam confrontar um discurso tão firme e embasado quanto o da presidente da CNA.

De qualquer forma não há por que se preocupar. Fica o conforto de que entre as estranhezas, complexidades e peculiaridades do Acre está a de que é uma terra em que fazendeiro vota e faz campanha pra ecologista.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Às vezes, povo e ator não se encontram.

Como nem tudo são flores, a FPA tem na eleição presidencial um problema. Se a Dilma sair tão mal na foto quanto parecem anunciar as pesquisas publicadas e as de consumo interno, o governo pode ficar mal no caso da dona Dilma ganhar para presidente. Se, de outro modo, a campanha da FPA conseguir alterar as posições e Dilma passa a Marina, é com esta que as coisas podem azedar.

Há quem argumente que uma derrota da Marina no Acre seria traumático para o projeto em curso, afinal, segundo estes, é a Marina e seu prestígio que sustentam a boa fama do Acre e até a fluidez de recursos para o Estado. Uma derrota sua significaria grave perturbação do ambiente em que se realizam estas conquistas. Pode ser. Mas por que não poderia o José Serra ser vitorioso no Acre, mesmo tendo um candidato local com poucas chances?

Há nesta corrente o pecado original de encarar a política exclusivamente como um jogo entre concepções e personalidades. Não é. Tem povo na história e de vez em quando o povo não está aonde o ator está. Nem que seja ele de primeira grandeza.

Pesquisa do IBOPE comprova o que venho dizendo.

Está em todos os Blogs e jornais a pesquisa do IBOPE. Está aqui também. Serra na frente com 39%, depois Marina com 29% e, por último, a Dilma com 16%. No âmbito estadual, Tião Viana dispara com 63% e Tião Bocalom patina nos 18%.

Como já disse antes, não creio nas pesquisas eleitorais divulgadas. Se for do IBOPE então, melhor ter muito cuidado. Segundo Ciro Gomes, o Montenegro vende qualquer resultado. Nem precisava dizer. Bastam os erros seguidos e os acertos de última hora para denunciar a funcionalidade de seus números. Mas, porém, contudo, todavia, como dizia um velho amigo, se eles estão ai, tratemo-los. 

O fato que intriga os jornalistas de fora do Acre é como o Serra está tão bem em no Acre onde o PT está instalado e bem instalado no governo há doze anos. Ainda mais se considerarmos que o candidato tucano ao governo vai mal das pernas.  Paradoxalmente Dilma está muito mal enquanto seu candidato está nas nuvens.

No plano federal, é claro que parte dos votos que iriam para a Dilma estão sendo drenados pela Marina Silva. Mesmo assim, duvido que fossem suficientes para que a candidata do PT  ultrapassasse o Serra. Uma grande porcentagem dos acreanos não vai aonde vai o Lula. Da vez passada também foi assim. Então, a pergunta é:  Por que, estando o Serra tão à frente, o candidato tucano, Bocalom, não acompanha a mesma tendência?

Penso que os 39% do Serra refletem as possibilidades da oposição no Acre já faz algum tempo. Os números exibidos por Serra são os que teria um candidato ao governo do Acre, pela oposição, que formulando uma alternativa viável, soubesse interpretar e atrair para si os setores da população descontentes com os sucessivos governos da FPA. Este candidato não existe. Mesmo disposta a votar na oposição, uma parcela significativa do eleitorado não se sente estimulada pelo discurso monocórdio e desestruturado do Bocalom. Já disse antes outras vezes e repito. Para governador o eleitor vota no quê. Se não tem opção vai para o abraço de quem está na frente.

E o Senado? Jorge 67%, Petecão 31% e Edvaldo 27%. Parece que o Edvaldo vai comendo pela beirada que nem canjica quente. Hoje, o problema do Petecão é o Bocalom. Muito dificilmente um candidato ao senado se elege com seu candidato ao governo se arrastando. Basta ver os exemplos. Ele tem duas saídas. Ou consegue turbinar o Bocalom e sobe junto, ou o larga de vez, se pendura no Serra e vai cuidar da própria vida numa campanha típica proporcional, supra partidária, sem adversários no governo, sem restrições ao Tião Viana, sem acidez contra a situação vigente no Acre, na base do "sou amigo de todo mundo", o que, aliás, é bem o seu jeitão mesmo.

É possivel turbinar o Bocalom? Difícil. O homem é teimoso. À esta altura deve estar acreditando que a pesquisa foi comprada e a situação real é inversa com ele na frente. Talvez até apareça com uma "pesquisa interna" dizendo isso. Para que o Bocalom levantasse vôo seria preciso alterar radicalmente seu estilo e discurso, talvez enfiar alguma modernidade em seu raciocínio, quem sabe, um pouco de sustentabilidade em sua plantação de mulateiro. Mas, pelo que observo, nem o próprio Serra conseguiria tal proeza.

sábado, 17 de julho de 2010

Cuidado com o fotógrafo!

Sei que em campanha política o candidato não se livra de certos constrangimentos. Café frio, almoço em prato mal lavado, água em copo imundo, beijo em menino com a cara melecada, cheiro no cangote de quem há tempos não viu um sabonete, aperto de mão em quem acabou de sair da privada sem pia, cochicho de quem não escova os dentes... É do jogo. Mas tem coisa que não se deve fazer nem que signifique alguns votos perdidos. Uma delas é se deixar fotografar ou filmar em más companhias.

Fotos são como atestados. Se a foto é junto, dá idéia de afinidade, de convergência ou, no mínimo, de cordialidade. Um exemplo: O cara viaja à Roma e numa dessas consegue ficar junto ao Papa. Beija-lhe a mão e alguém faz a foto. É claro que ninguém vai pensar que o sujeito é amiguinho do Santo, mas fica a certeza de que professam a mesma religião. Outro exemplo: O sujeito topa no aeroporto com um astro do rock e faz a foto. Nunca mais se verão na vida, mas com certeza ambos curtem o mesmo tipo de música.

Do pondo de vista do Papa e da celebridade, nada acontece. Mas do ponto de vista do político, alguém pode pensar "quem com porcos se mistura...". Fica o conselho.

Gelaaaaado!

Parte do Centro-Oeste, o Sudeste e o Sul estão sob uma intensa onda de frio que se estende até o Acre. Recordes estão sendo batidos nos municípios mais frios de Santa Catarina. A hipotermia matou quatro pessoas no Rio Grande do Sul. No Mato Grosso do Sul nem as vacas escaparam, estão morrendo de frio na fronteira com o Paraguai.

Em todo o cone sul já são mais de duzentas mortes causadas pelo frio. Só na Argentina foram 61 mortes, no Peru 64 crianças morreram de pneumonia causada pelo frio. No Uruguai as temperaturas são as mais baixas dos últimos vinte anos. Os prejuizos são consideráveis na economia e no bem-estar das pessoas.

Mesmo assim não me surpreenderia se algum membro da seita de Al Gore se apresentasse para dizer que o frio também é causado pelo aquecimento global via emissões de CO². Tem muitos neurônios congelados e desocupados se espreguiçando embaixo dos cobertores.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

"Pra voce vencer na vida". Um anúncio de progresso ou fadiga intelectual?

Contrariamente ao que li de jornalistas acreanos, certamente muito mais entendidos no assunto do que eu, penso que o slogan de campanha "Pra voce vencer na vida" do candidato ao governo pela FPA, Tião Viana, diz muita coisa. Explico:

1. Em primeiro lugar e, mais evidente, o slogan  remete para a idéia de que a política serve para que o indivíduo cresça na vida, ou seja, ele, o indivíduo, é o destinatário das políticas públicas e não a comunidade, o grupo, a tribo ou qualquer outra fração social. Isto tem nome, e não é socialismo ou algo que o valha.

2. Em segundo lugar, vem a idéia de vencer como sinônimo de subir na vida, ou, em outras palavras, progredir, ganhar dinheiro, se possível enriquecer. Esta é uma declaração de que o Estado tem como função promover o cidadão em suas potencialidades.

3. Em terceiro lugar, Tião Viana anuncia uma era de oportunidades, sem o que não haveria como o indivíduo vencer na vida. Isto significa a determinação no sentido de alargar horizontes e libertar-se tanto quanto necessário de certas convicções retrógradas que retém a marcha do progresso.

4. Em quarto lugar, o candidato estabelece uma inegável coerência com determinadas nuances de seu mandato. A exploração de petróleo no Juruá e a implantação de uma ZPE no Acre são projetos em nada obedientes à cartilha do ecologismo extremado que determinados setores teimam em afirmar no Acre.

Em suma, interpretando o slogan do candidato, penso que Tião Viana começa desde já a sinalizar para um processo de alteração fundamental no ritmo e na forma do projeto alcunhado de florestania. Talvez, dando um "balão" na oposição, promova ele próprio uma revisão do modelo e instaure uma espécie de pós-florestania que a oposição não teve capacidade sequer para propor.

Pode ser isto ou, como supõem outros, mera fadiga intelectual da Companhia de Selva. Esperemos.

Lula quer um burocrata de bunda "de quatro". Quem se habilita?

Quem como eu passou a maior parte da vida com a bunda sentada na cadeira, estudando, lendo, aprendendo, escrevendo, trabalhando, mas que por isso mesmo conhece o presidente Lula um pouquinho, não ficou chateado com sua fala de hoje "a gente não pode ficar a vida inteira esperando a vontade de um burocrata que tá com a bunda na cadeira, com ar-condicionado, sentado, sem se preocupar como é que o povo está vivendo...". Trata-se apenas de mais uma de suas vinganças contra quem estudou. O que irrita é outra coisa.

A fala entrou num contexto em que o presidente tratava das licenças ambientais. Segundo ele os caras de bunda sentada lá no IBAMA só atrapalham. Está errado. A questão não é de vontade do burocrata de bunda sentada, mas de obediência ao que os caras de bunda em pé criaram como norma para depois desafiarem com seus projetos políticos.

Na hora de fazer média com as ONG's, governos e midia, os caras de bunda em pé aprovam qualquer coisa, autorizam todas as limitações, reconhecem todas as restrições e condicionantes. Querem mais é sair na foto do politicamente correto. Na hora de cumprir as próprias exigências querem dar o fora e jogar a jabulani no colo do cara de bunda sentada. Assim, não dá. A não ser que os burocratas do IBAMA queiram passar de bunda sentada a bunda de quatro.

Marina na Record. Apesar de tudo, uma presença marcante.

Na sabatina da TV Record, que pode ser vista aqui, a candidata Marina Silva embora sempre desenvovlta, demonstrou mais uma vez que está se especializando em fazer frases, adotar neologismos e fugir de perguntas. Às vezes fica meio esquecidinha também.

Como seu colega de chapa é bilionário, a pergunta relativa ao imposto sobre as grandes fortunas ficou sem resposta. Preferiu enaltecer o enriquecimento pelo trabalho, embora, em outro momento, respondendo ao questionamento sobre seus bens declarados que são de 150 mil reais, tenha declarado que fez opção por não acumular, daí ser tão pobrinha.

Sobre a discriminação do aborto, se diz contra mas manda para o plebiscito. Sobre a maconha, idem. Sobre a adoção por gays, não sabe. Sobre o Daime, relativiza o uso, mas nunca tomou e não sabe se regulamentaria o uso. Sobre as culpas de Lula, nem pensar em reconhecê-las. Neste último caso ela prefere perder o juizo a perder votos.

Marina nada de braçada mesmo é quando fala de meio ambiente e de Amazônia. Com facilidade mandou o pau no Ministro da Agricultura e no Ministro Mangabeira Unger. Quase pedindo desculpas ao Aldo Rebelo, considera seu relatório um retrocesso e repete o erro de dizer que o texto anistia mais de quarenta milhões de hectares desmatados ilegalmente. É falso. Uma pequena parte pode ser considerada ilegal, dado que à luz da legislação vigente à época, os desmatamentos além de legais eram estimulados e financiados pelo Estado. 

O toque mais interessante foi quando em sua análise sobre os programas assistenciais, mandou o cacête na distribuição de sacolões que chamou de clientelista e formadora de currais eleitorais. Foi ai que tive um "estranhamento" e achei a nossa Marina meio esquecidinha.

Na Espanha os cubanos não esqueceram o presidente Lula

Os presos politicos cubanos libertados e transferidos para a Espanha não pouparam "elogios" ao presidente Lula em suas primeiras declarações à imprensa. Um trecho da fala de Omar Rodríguez Saludes diz tudo.

"Lula se aliou ao crime e não à justiça. Orlando Zapata podia ter tido possibilidades, mesmo que remotas, de sobreviver se Lula da Silva tivesse intercedido pessoal e publicamente por ele. Ele diz que está feliz com a nossa liberação, mas nós estaríamos felizes se ele tivesse advogado por Zapata".

Não é segredo nem para os presos cubanos que o nosso presidente goza de grande intimidade com os Castro. De vez em quando vai lá ou manda outro graúdo do partido fazer uma visitinha cordial do tipo "estamos com voce", "conte com nosso apoio" etc. Sendo assim, os dissidentes presos julgavam que poderiam contar com uma palavra de aconselhamento, um pedido mesmo, no sentido de aliviar um pouco a truculência do regime, melhorar as condições dos presos, reduzir penas, soltar quem não devia estar preso... Que nada! Em suas declarações a respeito de Cuba o nosso presidente dá uma de Pôncio Pilatos. Segundo ele, temos que respeitar as leis dos outros países, ou seja, fuquiú pra voces.

Com essa mania de se aliar a regimes ditatoriais na base do pragmatismo comercial ou na base do coleguismo autoritário, Lula nos deixa mal na foto. Na Espanha, os cubanos mostraram isso e mandaram um recado. Que tal ir lá e pedir aos Castro para soltar os outros dissidentes?

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Um ranking de transparência dos governos estaduais. Vamos mal.

Vale a pena dar uma olhadinha aqui para ver o ranking de transparência publicado pelo site Contas Abertas. Não conheço em detalhes a metodologia utilizada para chegar aos indicadores, mas o site costuma ser criterioso. 

Além do ranking, o site oferece uma análise detalhada de cada unidade da federação. Aqui voce pode ver o que encontraram no portal do Acre.

Uma curiosidade: Alguém se atreve a descobrir o que tem em comum os últimos colocados no ranking?

Autoritarismo em forma de permissividade.

A mais recente jabuticaba brasileira está para ser criada pelo Governo com este projeto abestado de controlar as palmadas que os pais dão em seus filhos. Era só o que faltava. O Estado quer entrar na minha casa para dizer que se o guri resolver testar minha autoridade com um tapa no rosto, por exemplo, devo deixar que o faça sem ao menos dar-lhe uma palmada na perninha travessa.

Trata-se de mais um surto autoritário de quem de vez em quando atravessa o samba da democracia demonstrando que quando criança não apanhou o que mereceu.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Em São Paulo querem eleger este sujeito para o Senado.

Quando rasgar dinheiro não é sinal de loucura.

"Certo dia, bateu à porta um menino tão magro e de olhos tão tristes que ela rasgou ao meio a única nota que tinha. Ficou com metade da cédula e deu a outra metade ao menino. Dilma não sabia que meio dinheiro não valia nada. Mas já sabia dividir".

Com esta nota os marqueteiros da dona Dilma querem estimular nossos instintos mais doces. Quanta bondade, quanto despreendimento, não? A historinha me fez lembrar uma parecida que aconteceu comigo e serve até hoje para que minha família acuse a minha "tolerância zero" com determinadas situações. Relato abaixo.

Naquele tempo havia cinema em quase todas as cidades. Em Mossoró - RN, onde cresci, ainda nos anos sessenta existiam três, embora a população urbana não passasse de uns 40.000 habitantes. Eu e meu irmão mais novo íamos ao cinema sempre no domingo à tarde, era o vesperal. Certa vez, meu pai me deu uma nota cujo valor era suficiente para pagar os ingressos dos dois e comprar algumas balas ou saquinhos de pipoca. Tudo certo até que meu irmãozinho cismou de querer a parte dele no dinheiro. Argumentei que era impossivel e tal. Ele insistiu, insistiu, insistiu e começou a chorar no meio da rua. Eu não tive dúvidas, rasguei a nota ao meio e dei-lhe uma metade. Igualzinho consta na historinha da dona Dilma. Chegando ao Cine Pax, pedi na banquinha de revista uma cola, recuperei a cédula e fomos ver Giuliano Gemma lutar contra Black Jack em "O Dólar Furado".

A nota acima não diz a idade que tinha a candidata Dilma à sua época, mas eu tinha 10 anos e fiquei o tempo todo de ôlho na metade que meu irmão pôs no bolso. Eu era criança e impaciente, mas não era burro.

terça-feira, 13 de julho de 2010

O Acre sumiu parcialmente na pesquisa do IPEA. Mesmo assim deduz-se que a geração de renda é o XIS da questão.

Ocupou boa parte dos telejornais desta terça-feira, a pesquisa do IPEA (ver aqui ), que segundo alguns analistas saiu agora de encomenda para dar estardalhaço à diminuição da miséria nos últimos anos e projetar sua erradicação se tudo "continuar" etc e tal. Fui dar uma olhada para ver a quantas anda o meu querido Acre. Surpresa! Não está lá. As tabelas e gráficos referentes aos estados excluem sem nenhum aviso o Acre e Roraima dos principais dados.

Os dois estados só aparecem nos gráficos relacionados à taxa de crescimento necessária para que cada unidade federativa e o Brasil erradiquem ou diminuam pobreza a 4% da população até 2016. Quando informa sobre o percentual de pobreza absoluta, de pobreza extrema e o índice de desigualdade da dsitribuição de renda, o IPEA esqueceu Acre e Roraima. Terá sido a pressa?

Mesmo assim os dados permitem destacar:

1. Entre os estados da Região Norte, o Acre é o que apresenta o maior nível de pobreza extrema em 2008 (20,1% da população). Por causa disso, precisa diminuir a pobreza a taxas de 2,5% ao ano (a maior da região) para que em 2016 a pobreza extema seja praticamente erradicada (0,1% da população).

2. O Acre é também o estado que apresenta o maior índice de pobreza na Região (44,2% da população). Se tiver um decréscimo da pobreza da ordem de 2,9% ao ano, em 2016 ainda terá nesta faixa nada menos que 19,4% da população. Algo como a situação atual do Rio G. do Sul.

Como se vê, embora os dados do Acre estejam incompletos, esmiuçando direitinho dá pra deduzir que continuamos a depender de um projeto de desenvolvimento realmente direcionado para a geração de emprego e renda. A pesquisa do IPEA, por ser atual, dá uma boa indicação aos candidatos do que fazer para o Acre ir pra frente e em seis anos reduzir drasticamente a pobreza. A pergunta é: Podemos alcançar esta meta? Pensemos.

Só para pensar. Não é melhor ver a Copa na telinha?

Publicada no site Controversia (link ai do lado), os jornalistas André Fontenelle e Letícia Sorg fazem uma boa abordagem sobre a Copa do Mundo de 2010 no Brasil. O título é provocador. Precisamos de uma Copa do Mundo?

O Brasil não é exatamente um exemplo de pontualidade em seus grandes projetos. Está ai, para confirmar, o PAC empacado. Nada foi ou será inaugurado no prazo estabelecido. A Copa vai exigir recursos inicialmente calculados em 20 bilhões de reais, o que significa que sairá pelo triplo, no mínimo, a julgar pelas obras dos jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro. Por aqui a regra é atrasar para fazer em cima da hora a preços estratosféricos justificados pela pressa. No final nossos impostos pagama a conta.

Não há nada melhor a fazer com toda esta grana? Que tal investir alguns bilhões em educação? Ou em segurança?

Sei, sei. Penso assim porque não vou a estádios e prefiro ver futebol na TV. Pode ser.

A sociedade devora seus filhos.

O terrível assassinato da Sra. Ana Eunice acontece no exato momento em que uma pesquisa sobre homicídios no Brasil posiciona o Acre entre os de menor índice de ocorrência desta espécie delitiva. Em termos proporcionais à população, o índice até caiu entre 1997 e 2007. O Governo nem pôde comemorar a estatística como sempre faz. O bandido "Carioca" não permitiu quando assassinou friamente, sem motivo algum, a mulher que manteve como refém durante horas.

Por não haver motivo algum para o assassinato, dado que em seguida o homicida se entregou tranquilamente se jactando do "desfecho honroso", a sociedade se pergunta estupefata: o que levaria um homem a tal atrocidade?

Não sou psicólogo, não sou polícia, não sou do ramo. Mas posso pensar que aquele indivíduo em seu ato macabro desafiou a sociedade. "Voces me terão, mas eu terei voces. Eu, desgraçado, preso, acorrentado... Voces, apavorados, trêmulos, mudos".

Mizael matou Mercia, Bruno matou Eliza, o "Carioca" matou Ana, a sociedade mata seus filhos.

O que dizer diante da barbárie?

                                                       Saturne dévorant ses enfants, Goya

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Mapa da Violência - O Acre bem na foto, embora...

A análise do Mapa da Violência publicado pelo Insituto Sangari precisa ser realizada com critério e reservas. Em primeiro lugar porque a pesquisa trata apenas e tão somente dos dados de homicídio que, sabemos todos, embora seja o clímax da violência, não a retrata em toda a sua dimensão. Em segundo lugar, porque observado ligeiramente pode mascarar os reais dados da criminalidade como um todo, ou seja, nem sempre a criminalidade e a violência resultam em homicídios. Portanto, não se deve tomar o "Mapa" como estatística sobre a segurança de modo geral.

Recentemente vem sendo divulgado que no Rio de Janeiro, o propalado êxito do programa de Unidades Pacificadoras que fez despencar o número de homicídios e agressões nas favelas ocupadas deve-se de fato a negociações realizadas entre policia e traficantes. Algo do tipo "Trafiquem, mas não matem". O resultado é que a bandidagem está bombando sob a guarda do própio estado. Numa situação dessas, a criminalidade diminuiu ou cresceu? Na estatística aparecerá como declínio.

Assaltos à mão armada, invasão de residências, tráfico de drogas, agressões contra a mulher, furtos, roubos e estupros que afetam gravemente a nossa sensação de segurança e enchem de boletins as delegacias não aparecem no Mapa do Sangari.

Alguém poderá sugerir que esta segunda violência acompanha a primeira (o homicídio). Será? Está ai o caso do Rio de Janeiro para dizer que não. 

Com estas ressalvas é bom que o Acre, por exemplo, apareça bem no Mapa dos Homicídios (ver aqui ). Segundo a pesquisa, entre 1997 e 2007 o Acre despencou da 12ª para a 22ª posição no ranking de homicídios por número de habitantes. Rio Branco caiu de 12ª para 21ª capital mais violenta. Não é pouco, embora não traduza fielmente a violência, a criminalidade e a sensação de segurança da população.

sábado, 10 de julho de 2010

"Em Cuba, ser negro e ser criminoso é a mesma coisa na perspectiva do regime". Carlos Moore.


Aos que se interessam pela questão cubana, especialmente nestes dias de libertação de dissidentes feitos prisioneiros políticos, recomendo a leitura aqui da entrevista de ontem do intelectual cubano exilado Dr. Carlos Moore dada ao Afropress. Abaixo dois pequenos trechos.

"A meu ver, aquilo que explica tudo o que está acontecendo em Cuba no momento, é o fato de estarmos diante de um sistema de governo e de economia totalmente falidos. O sistema de governo e de economia em Cuba esta em uma crise terminal. E, conseqüentemente, pela primeira vez em cinqüenta anos de Revolução o descontentamento da população é algo geral, tocando praticamente todos os setores do país". 

"Esta nova oposição não quer violência, nem quer o retorno da velha sociedade injusta e segregacionista de outrora. Ela quer uma transição pacífica para um regime que respeite os direitos fundamentais da população; ela quer eleições, a implementação imparcial da justiça; a liberdade de associação; a liberdade para a criação de movimentos sociais autônomos e de partidos políticos diferentes; enfim, a existência de uma imprensa livre".


Boa leitura

Liberdade, liberdade, abra as asas sobre Cuba

Muito raramente publico aqui algo que não seja um comentário meu a respeito de assuntos que me interessam e julgo interessar a algumas poucas pessoas que me dão o prazer da visita. Hoje abro uma exceção e publico na forma de artigo um longo comentário feito por "Maria", desde a Espanha, sobre meu último post "O regime de Cuba é democrático, tanto é que lá existe eleições. Basta?". Volto em azul.

Caro blogueiro,

Seria prudente o senhor reservar sua sensibilidade para pessoas realmente necessitadas dela: os milhões de desplazados que existem pelo mundo passando por fome, privação de todos os direitos de saúde, sem possibilidade de estudo, de emancipação cultural, condenados a viver da forma possível, muitos deles levados a entrar em conflito com a lei e privados de liberdade. Sensibilidade merecem os opositores do regime espanhol, muitos presos acusados de terrorismo. A igreja católica espanhola, extremamente reacionária, ignora a existência desses: os “malos” que não estão inscritos na defesa dos evangelhos.

O último relatório da Comissão Cubana para os Direitos Humanos contabiliza a existência de 167 presos políticos na ilha e informa que somente neste semestre ocorreram mais de 800 prisões arbitrárias contra dissidentes. A ONU faz a mesma conta. A Anistia Internacional aponta 53 prisioneiros da consciência.

Em Cuba qq delinqüente pode ser assediado e rapidamente virar um preso político. Qualquer um que não deseje trabalhar, pode se dedicar a vender charutos roubados nas fábricas, ron ou outro produto subtraído do Estado, ou seja, pode prejudicar o patrimônio comum, que se for presos, por roubar, agredir, matar, estando disposto a falar que Cuba é uma ditadura, já terá status de “dissidente”. O que há em Cuba, e isso não é novo, são pessoas vivendo dos dólares para fazer em Cuba a contra-revolução. Mas um fato é notório: em Cuba jamais houve uma dissidência de valor, gente de outra estirpe, distinta desses ‘exército’ de vive atrás de dinheiro.

Quem fala dessas obstruções ignora o direito que qq estado tem para se defender de grupos pagas por potências estrangeiras, para atuar na defesa de grupos forâneos ao país. Quem incentiva essas ações são os grupos de Miami, interessados em recuperar em Cuba o regime semi feudal que havia antes de 59. Essas análises ignoram essa conjuntura de agressão permanente que apenas muda de feição. Essa bandeira de apontar Cuba como uma detratora do regime cubano não é nova. Vem desde Ronald Reagan.

Esse discursinho reducionista, que pretende anular o que é manter uma luta de meio século, sem trégua, é idêntico ao difundido pelo governo espanhol, pela igreja espanhola, por todos os setores dessa sociedade capitalista que está nadando aqui contra a maré para enfrentar a crise mundial que chegou forte neste país. Os trabalhadores estão como reféns, vendo seus direitos e salários indo para o ralo. Do fim deste capitalismo podre, ninguém fala. Aqui entre as notícias das viagens das infantas, das briguinhas entre os nobres das famílias reais, do casamento de Alberto de Mônaco, o mundo vai rolando com os mesmos esquemas de exploração do proletariado. Esses brasileiros que se dispõe a repetir de qualquer forma essas asneiras contra Cuba, aqui se sentiriam no céu! Maravilha: Chavez é louco, porque os espanhóis querem! E os neocolonizados assim repetem!
 
Essa previsão é a coisa mais recorrente aqui escrita. Essa peça de dominó já deveria ter caído junto com o leste europeu. Mas os defensores dessa surrada tese ignoram que Cuba está muito distante no histórico e no geográfico.

A libertação dos presos que recebem dinheiro dos grupos de Miami é reflexo dessa política que não esconde o anúncio de milhões destinados a recuperar a democracia em Cuba. O orçamento para 2011 já foi anunciado. E essa gente queima dinheiro? Para onde vão esses dólares, senão para pagar a imprensa hegemônica pelo mundo, senão para manter em Cuba milhares de gente sem trabalhar, havendo emprego, vivendo a custa dessa animosidade!

O mais impressionante nesse recente episódio foi a lástima que manifestou a “dama dos verdes”, preocupada que os familiares foram liberados para viver na Espanha! Seguirão eles recebendo sua mesada!? Do que irão viver sem a ajuda os democráticos do norte? Aqui na Espanha, onde me encontro, há uma ampla propaganda nos meios de comunicação, do que será oferecido aos dissidentes: glória, dinheiro, casa, emprego,... Isso sempre começa assim e acaba em divórcio como seria o esperado em qq relação permeada por interesses pouco claros. Não raramente, quando essas pessoas tem que viver trabalhando e encarando a vida, aflora o seu caráter cheio de culto ao dinheiro, ao consumismo. O governo cubanos já havia feito a oferta para trocar esses dissidentes pelos 5 cubanos presos nos EUA. Mas disso ninguém fala!

A defesa das conquistas da revolução da cubana não é para qq um! Está destinada aos que acreditam que o mundo não se quedó sem utopias! E nesse meio, nada pior do que um ex-esquerdista, que necessita, para se firmar, fazer uma negativa de tudo que um dia acreditou. Os erros existem em Cuba, mas a esperança ainda é o forte dos milhões de cubanos que lá estão na defesa da dignidade que conquistaram. Isso não é para qq um, é para os que sabem lutar.

O que esses cubanos pensam, como eles atuam, o que eles defendem, isso é que o ponto da questão aqui ignorado, a essa gente não é dado o direito de falar que Cuba pode ser um país destruído por essa guerra que se move contra ela, mas vencido nunca. Esse papel de lacaio do imperialismo não cabe mais nessa ilha, ainda que para muitos o chique seja isso, capitular assimilar o que dizem “eles”. E tem mais aos cubanos que estão lá lutando, pouco importa a falastronice dessa gente. Isso não é novo.

Que desejo me sobra que as pessoas pudessem ver aqui, na terra desses padres que vão a Cuba em missão humanitária, como há pobres pelas ruas com um olhar humilhado estendendo a mão para receber uma moedinha de euro! Que triste a invisibilidade dessa gente aos que estão preocupados em salvar as “vítimas do comunismo”!

Cara leitora Maria,

Como eu disse antes, imensurável é o valor da liberdade. Liberdade para divergir sem ser afrontado em sua privacidade, para ter e manifestrar suas próprias convicções sem ser por isto afastado de seu local de trabalho, para desenvolver sua luta mesmo que seja contra o regime instalado sem ser preso e acusado de ladrão, para desenvolver as próprias idéias, talentos e aptidões sem que o fruto disto seja apropriado pela burocracia estatal... Enfim, liberdade para se realizar plenamente. Liberdade que o seu comentário não demonstrou que há em Cuba. Porque não há. Simples.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Peidei mas não fui eu.


A confusão em torno do programa de governo que a dona Dilma me fez lembrar a campanha do Lobão. Depois de rubricar mais de 70 páginas e entregá-las ao TSE como programa de governo, a candidata se saiu com esta: Rubriquei mas não li. Assinou sem ler nem saber o que era, mais de 70 páginas?

Espero que, no caso de ganhar a eleição, tenha mais cuidado ao assinar os papéis que lhe põem à frente.

Pego no flagra, ou, não quero nem ver...


Que a logomarca da Copa do Mundo de 2014 é horrivel, nem se discute. Uns já enxergaram ali uma mãozinha de quatro dedos denunciando o Lula agarrando o troféu, o que já diz tudo. Outros acham que o número em vermelho quer dizer mais do que o ano da Copa e por ai vai.

A idéia mais interessante que vi foi a de que se trata de um sujeito com a mão (amarela) encobrindo o rosto naquele movimento típico de quem é pego fazendo a coisa errada. Na minha terra dizia-se com "cara de menino flagrado na lata de açúcar". Os dedos verdes na verdade são os cabelos da criatura. Da minha parte, penso que é um sujeito tapando o rosto para não ver a m.... acontecendo. A julgar pela montanha de dinheiro que vai rolar na preparação da Copa, tudo a ver.

O regime de Cuba é democrático, tanto é que lá existem eleições. Basta?

De vez em quando trato aqui de uma questão que me parece importante que é a já vacilante ditadura cubana. Sensibiliza-me profundamente a existência de pessoas punidas e encarceradas apenas por pensarem de modo diferente do que preconiza o sistema dominante.

O último relatório da Comissão Cubana para os Direitos Humanos contabiliza a existência de 167 presos políticos na ilha e informa que somente neste semestre ocorreram mais de 800 prisões arbitrárias contra dissidentes. A ONU faz a mesma conta. A Anistia Internacional aponta 53 prisioneiros da consciência.

Em janeiro deste ano um grupo de 59 artistas e intelectuais não-dissidentes divulgou uma “Carta de repúdio às proibições culturais” em Cuba contendo várias inquietações. Destaco duas:

- Obstrução da participação de um grupo de companheiros que levavam bandeiras ecologistas e socialista-autogestionárias na manifestação pelo Primeiro de Maio de 2008; alguns dos quais foram posteriormente separados de seus centros de trabalho;

-Separação de seu centro de trabalho e das organizações políticas onde militavam vários trabalhadores, por receber e/ou publicar críticas propositivas no espaço digital Kaos en la Red (socialista e contrahegemônico); alegando a instituição o uso incorreto da rede digital;

Estas são apenas algumas referências recentes que retratam as coisas em Cuba como elas são.

Há, contudo, quem ancorado em razões legítimas, porém engajadas, se filie à velha concepção de luta anti-imperialista, o que quer dizer anti-americana, para defender o regime cubano. Nesta perspectiva apontam as eleições como uma espécie de garantia contra o rótulo de ditadura imputado ao regime dos Castro. Não creio que baste. Em muitos casos, o processo eleitoral embora seja um recurso próprio da democracia é utilizado contra ela. Aí está o Chavez utilizando as eleições em seu intinerário de autoritarismo. Os exemplos históricos são muitos.

O momento atual é crítico para Cuba cujo regime dificilmente sobreviverá além dos Castro. A libertação dos presos que “receberam dinheiro dos EUA para atividades anti-regime” não é um gesto de boa vontade, é um movimento necessário para que se mantenha a ditadura possível.

Sei que não é nada fácil desgrudar das utopias. Também fui apaixonado pela Ilha. Mas desapaixonei assim que tive noção exata do valor da liberdade.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Ditadura cubana cederá. Mais recuo virá.

Apesar do silêncio de grande parte da mídia e governos, muitos deles ativistas do atraso e cúmplices do ditador cubano, a opinião pública internacional obrigou o regime castrista a recuar. Ontem foi divulgado que serão libertados algumas dezenas de presos políticos. Mesmo assim o jornalista e psicólogo Guillermo Fariñas mantém a greve de fome que faz há quase quatro meses. Só voltará a se alimentar depois da libertação prometida. Não confia no irmãos Castro.

Os democratas de todo o mundo estão prestes a ter uma vitória. Aos poucos está desmoronando uma das últimas e, talvez, mais simbólicas ditaduras. Seus admiradores, sócios e bajuladores perderão.

Desgraça! Políticos ficam "pobrinhos" de uma hora pra outra.

Além da confusão do plano de governo da dona Dilma, que mandou um assinado, depois mandou outro sem assinar e em seguida declarou que nenhum está valendo, comédia mesmo são as declarações de bens dos candidatos. Dá dó de ver como são "pobrinhos". Tudo classe média. Prestaram atenção no valor dos bens declarados? Fazenda vira terreno, o gado some, mansão vira casinha de 200 contos, carros de luxo desaparecem... É tanta desvalorização que de uma hora para outra o mercado imobiliário ficou deprimido. Tá tudo baratinho. 

Uma boa medida que o TSE tomaria em favor da ética na política seria pedir à Receita Federal que avaliasse os bens declarados pelos políticos no registro de suas candidaturas. Já pensou na correria para refazer as contas?

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Plano de Governo de Tião Bocalom - Liberdade para produzir, empregar e escrever estultices.

O Programa de Governo apresentado pela coligação “Liberdade e Produção para Empregar” liderada pelo candidato Tião Bocalom tem a sua marca. Certamente foi pensado e escrito por ele e somente ele. Não creio que alguém mais tenha sido consultado para que fosse daquele modo apresentado.

Em um documento de 14 páginas não numeradas, sem capa, sem apresentação, sem abordagem teórica, sem sustentação em dados, sem o mínimo cuidado, estão elencadas 86 (oitenta e seis) “propostas”. Todas iniciando por verbos tais como implantar, criar, construir, incentivar, apoiar, estabelecer... Em suma, promessas largadas ao vento sem razão de ser, sem diagnóstico, sem justificativa, sem harmonia entre si, sem visão de estado, sem passado e sem futuro.

Para o item que chamou de “Produção e Geração de Emprego e Renda” o candidato dedicou 44 (quarenta e quatro) “propostas”, chegando a escolher a espécie - o mulateiro, a quantidade – um milhão de árvores, e o faturamento – R$ 350 milhões de um tal programa de reflorestamento. Uma pérola de planejamento.

Com a qualidade que se esperaria de um jovem de nível médio de ressaca, antes do café, numa segunda-feira pela manhã, o documento é um desastre como programa de governo. Uma vergonha.

Quando vejo o Estado ser tratado desta forma em uma campanha política, fico pensando o que seria dele governado do mesmo modo. Infelizmente, ainda há nos dias de hoje quem pense que o Acre é uma fazenda e o governo é um depósito de materiais de onde se vai tirando tudo o que os poucos neurônios conseguem imaginar.

Alguém no PSDB que não seja um dos lambe-botas que o infestam atualmente precisa chamar a atenção do candidato para este tipo de postura. Não recomenda que a sigla, representativa de quadros importantes da inteligência nacional, seja exposta em um documento tão primário que chega a ser ridículo.

Que o mulateiro dobre no lombo de quem pensa que o Acre é penico.

Eis os Planos de Governo dos Tiões.

Os programas de Governo dos candidatos Tião Bocalom e Tião Viana estão disponíveis aqui para os interessados. Como sou chegado a planos e programas vou dar uma boa espiada em ambos. Boa leitura.

Apenas Marina Silva apresenta programa de governo à Justiça. Esperemos.

A nossa senadora Marina Silva expôs aqui o seu programa de governo na forma de diretrizes. São na verdade compromissos que a candidata faz com o eleitor. Todos muito claros, sem meias palavras, sem tergiversações. Quem votar na Marina sabe porque está votando, sabe o que esperar e, principalmente, sabe o que cobrar.

Custou o quê? Nada. Quem sabe o que vai fazer, quem já pensou verdadeiramente nas questões que vai enfrentar e avaliou os meios de que dispõe não tem medo de se expor. Vota quem quer. 

Diferentemente da Marina, a dona Dilma assinou e mandou para o TSE as diretrizes do seu partido, o PT. Lá pelo meio consta toda aquele chavismo do PNDH -3. Controle da midia, ameaça ao direito de propriedade, descriminação do aborto, racialismo e outras sandices. Quando viu que pegou mal, recuou, limou o chavismo e mandou outro mais limpinho, sem assinar. Agora não se sabe qual está valendo, se o que assinou mas diz que assinou sem ler, ou o que não assinou e jura que leu, sendo que a diferença entre os dois é apenas aquele esquerdismo exagerado.

O Serra limitou-se a registrar alguns discursos. Não sei quem fez pior.

No Acre continuamos esperando que os programas de governo dos Tiões (é assim que se escreve Archibaldo?) sejam expostos na internet para que possamos com eles nos identificarmos e fazermos nossa escolha a partir de termos mais concretos do que vou continuar X vou mudar.


Da série Pergunte ao Candidato - 5

Voltou à cena, por constar do programa de governo original da dona Dilma, a questão da liberdade de expressão, mais precisamente o controle da midia. Que governos não gostam da imprensa é regra. Quando não conseguem trasnformá-la em mural de jornalistas pré-pagos (royalties para Hélio Fernandes), fazem boicote, asfixiam financeiramente, açulam os cães do fisco etc. Chavez conseguiu através do chamado controle social, procuração para fechar TV's e jornais que não se ajoelharam. É o jeito deles.

Em determinados setores do governo Lula, prospera a mesma intenção, aliás revelada novamente anteontem no programa de governo da sua candidata. Caro eleitor, há uma ameaça no ar. Voce pode ser ainda mais vítima do controle da imprensa.

Portanto, pergunte ao seu candidato se ele votará em favor do "projeto de controle social da midia". Se ele votar, mude de estação quando ele estiver falando na rádio, desligue a TV quando ele aparecer. Vote em outro.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Alô Tião! Cadê o programa de governo?

Noves fora as trapalhadas de mudar de programa em cima da hora argumentando equívocos e confusão, a dona Dilma registrou o seu no TSE. A segunda versão alivia a primeira naquilo que havia de excessivamente duro, embora fosse sabidamente o original. A maquiagem encobriu o controle da mídia, o desprezo pela propriedade privada de terras e outros chavismos contidos no PNDH - 3. Mas o "plano" está lá e todos podem saber do que se trata.

Serra usou discurso como plano. Não deu forma adequada ao texto e simplesmente passou à frente falas de auditório. No meu entendimento, um equívoco. Mas está lá e é de conhecimento de todos. Ele que arque com as consequências.

Se através de plano, programa, diretrizes, agenda, compromissos ou cartinha ao eleitor, não interessa, quero saber o que pensam os candidatos em quem vou votar. Eu e um monte de gente aguardamos que o Tião, um e outro, informe ao povo acreano o que pretende fazer como governador.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

O frigorífico milagroso do Acre. É isto que desmoraliza certos projetos.

Lendo as noticias do Acre me deparo com uma surpreendente e alvissareira. Está em andamento um projeto de implantação de um frigorífico específico para ovinos no estado. Muito bom saber que as atividades vão crescendo e já demandam um investimento de porte no setor. Dados os controles e os preconceitos contra a produção agropecuária, tudo que vier é lucro.

Estava com esta sensação de felicidade quando li no meio da matéria divulgada no "AC 24 horas" que "A estimativa é de que o frigorífico gere 20 empregos diretos e em torno de cinco mil empregos indiretos, através da mobilização dos produtores familiares que estão envolvidos na criação de ovinos." Valha-me meu bom pastor! Quer dizer que para cada emprego direto vão surgir 250 indiretos? Isso não é economia, é mágica, é macumba, é coisa de extraterrestre, é mula-sem-cabeça. Cético e agrônomo que sou, fui ver o assunto em outras fontes.

Achei uma noticia de outubro do ano passado de que em Rondonópolis está sendo implantado um frigorífico com a mesma finalidade, só que cinco vezes maior. São 104 empregos diretos. O povo de lá deve ser meio bobinho porque só contabilizam 450 empregos indiretos, mais de dez vezes menos. Em maio deste ano a experiencia se repetiu em Campo Verde, também no Mato Grosso.

Para não ficar no Centro-Oeste, dei uma olhadinha no Nordeste onde carneiro e bode é prato de todo dia. Lá o povo é ainda mais bobinho, pois os 120 empregos diretos gerados pelo frigorífico a ser inaugurado em Juazeiro na Bahia só conseguiram resultar em 400 indiretos.

Francamente. O pessoal precisa dar mais um pouco de atenção ao que declara, ao que estima e, principalmente, ao que escreve. Se houver oferta de animais e mercado suficientes para manter em atividade o frigorífico e, com isto, preservar o emprego dos 20 funcionários, se poderá com otimismo gerar 100 empregos indiretos. Fiquemos satisfeitos com isto. Quanto aos cinco mil reportados na matéria, é melhor abafar o assunto.


O IDEB aponta. Qualidade é o busílis da educação.

A boa noticia é que segundo o IDEB, avaliação que o MEC faz sistematicamente para medir a qualidade do ensino básico, embora a média seja baixa, o Acre tem boa performance na região Norte. É o segundo nas classes de 1 a 4ª série e o primeiro nas classes de 5ª a 9ª e do ensino médio. No total, fica em primeiro na região. Menos mau.

O problema aqui é a média em si. Muito baixa em todo o Brasil. A média nacional é pouco maior que a média acreana nos três estratos pesquisados. O crescimento é muito lento, denunciando a dificuldade de atingimento das metas programadas.

A situação não é muito boa em nenhm estado. Nem no DF os dados se afastam muito da média nacional, o que demonstra a irradiação de um modelo ineficiente. Não há estados excepcionalmente virtuosos na educação básica. Nem poderia, dadas as características do sistema.

Aliás, mesmo quem não é especialista na área (meu caso) percebe com facilidade a baixa capacidade das crianças e jovens em relação às matérias fundamentais. A maior parte deles chega à universidade sem conseguir escrever razoavelmente um bilhete sequer. Chega a pesquisa e confirma.

Tudo isso leva a concluir que corremos o sério risco de não darmos conta do potencial de desenvolvimento econômico que se anuncia aos quatro ventos, pré-sal no meio. Ao próximo presidente incumbe, talvez, a tarefa de resdesenhar o ensino básico para ser além de universal, eficente. Eis um bom tema para o debate.

domingo, 4 de julho de 2010

As ONGs funcionaram como um eficaz instrumento neoliberal.

Excelente texto de Gilberto Felisberto Vasconcellos, publicado no site CONTROVERSIA, (link ai do lado). Abaixo, um trecho:

"O assistencialismo ongueiro é tão despolitizante quanto o pós-modernismo, a mais recente ideologia do imperialismo na área da cultura. O pós-modernismo divulga que a história acabou, que não há outra alternativa senão o capitalismo, que a “cidadania globalizada” é a realidade do século XXI com a “sociedade civil internacional”, que o marxismo está morto (a queda da União Soviética é identificada com o fim do socialismo) que nada é possível ser feito politicamente em termos nacionais na era da globalização, que a classe social é um conceito obsoleto, o qual deve ser substituído pela idéia de “identidade” e de gênero, ou seja, o que conta é a condição de lésbica, de gay, de afrodescendente."

Pensemos.

Mais uma vítima da ditadura cubana.

O dissidente cubano, psicólogo e jornalista Guillermo Fariñas, pode morrer a qualquer momento. Dará cabo da própria vida em greve de fome que já dura 131 dias. O que ele quer é apenas que os presos políticos da ditadura cubana sejam libertados.

Em países que sofreram ditaduras terríveis como o Chile ( ver aqui ) os democratas exigem alguma ação no sentido de salvar a vida de Fariñas. Por aqui, mesnosprezo, escárnio e silêncio total das autoridades, muitas delas sócias e amantes do ditador cubano. Políticos e jornalistas que costumam latir contra atentados aos direitos humanos nas portas das delegacias enfiam o rabo entre as pernas.

Que tempos vivemos!

sábado, 3 de julho de 2010

Vai dar Alemanha - está comendo a bola

Felipe Melo - o psicopata

Em entrevista após o fracasso de ontem, o jogador inventado por Dunga, Felipe Melo, comportou-se como um psicopata na delegacia. Perguntado sobre o lance da expulsão que manietou o time, declarou que "foi um lance de jogo, o juiz entendeu que foi falta...". É um demente. Só pode.

Lembra das entrevistas daqueles criminosos psicopatas que estupram e matam e são pegos, mansamente, tomando refrigerante no boteco da esquina? Normalmente eles se comportam como se não fosse com eles "Eu estava bêbado ai aconteceu isso ai...". Uma ova!

Esse Felipe Melo é um irresponsável. Pior. Não faz a mínima idéia do que significou sua brutalidade. Demonstra falta de compromisso, justamente o caráter que Dunga julgou haver passado à seleção. Uma fraude.

Pero, estamos en bueña compañia...

O projeto do ratinho. Alguém o conhece?

Um amigo me pergunta o que acho do projeto do Ratinho. Não conheço o projeto. Pode sr bom e pode ser mau para o Acre. Projetos com esta magnitude não deveriam se desenvolvidos sem transparência total. Não é nada trivial que 150 mil hectares sejam de algum modo explorados em regiões remotas da Amazônia. Note-se que se trata de um projeto privado, não de uma daquelas concessões do SFB abrigados na Lei de Florestas Públicas.

As manifestações de organizações indígenas são um sinal a ser observado. O melhor a fazer é "abrir geral". Mostrar à população, detalhadamente, os termos, duração e impactos do projeto. Enquanto não se fizer isto crescerá a árvore de dúvidas e maledicências.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Vergonha. Para quem tem.

O Brasil teve o que mereceu. Time fraco, técnico incompetente, orquestra sem maestro e sem partitura. Desafinou e "dançou".

quinta-feira, 1 de julho de 2010

ZPE - Tião Viana faz gol já no aquecimento.

Não se pode deixar de registrar a assinatura do Decreto que cria a ZPE do Acre pelo presidente Lula, nesta quinta-feira, juntamente com outras cinco. Foram contemplados, além de Senador Guiomard, os municípios de Boa Vista (RR), Parnaíba (PI), Bataguassu (MS), Fernandópolis (SP) e Aracruz (ES).
Não conheço o projeto específico, mas, em tese, tem um grande significado para a economia do Acre.  Se considerarmos o tamanho da economia acreana pode-se atribuir ao projeto a importância de "divisor de aguas" no desenvolvimento do estado.

As finalidades de uma ZPE tem tudo a ver com as questões mais cruciais com que se debate o estado há anos. Basta ver os objetivos clássicos de uma ZPE, que são basicamente: atrair investimentos estrangeiros e nacionais; reduzir desequilíbrios regionais; fortalecer o Balanço de Pagamentos; promover a difusão tecnológica; criar empregos; promover o desenvolvimento econômico e social do país e aumentar a competitividade das exportações.

O candidato ao governo Tião Viana, líder do processo de criação da ZPE, faz assim um movimento consistente no sentido de instaurar uma perspectiva econômica completamente diversa daquela planejada pelos arautos do atraso. De certo modo, recicla a "florestania".

A implantação de uma ZPE não é, contudo, coisa simples. Para se ter uma idéia, das 17 que foram antes criadas nenhuma encontra-se em funcionamento pleno no Brasil.  Nove delas,  criadas antes de 1994, estão em vias de perderem autorização.

A uma tarefa gigantesca corresponde um esforço hercúleo. Portanto, mãos à obra.

Tendência chavista.

Recomendo a leitura do editorial do jornal "O Globo" de hoje.


Serra na CNA - nadando de braçada.

A Dilma não foi porque só vai a debate que possa responder lendo no teleprompter. A Marina não foi porque só iria ao debate se soubesse antes as perguntas que iria responder. Serra foi assim mesmo e se deu bem.

Bastante à vontade, sem discurso lido e durante o tempo que quis (tinha todo o tempo para si), José Serra expôs e respondeu perguntas do setor ao mesmo tempo mais competente e mais odiado da economia brasileira. Demonstrou, no mínimo, que vem fazendo um grande esforço para se inteirar dos problemas da agropecuária. Falou como economista que sabe a importância relativa e estratégica da agropecuária para o Brasil. Sem precisar usar boné.

De passagem, não se esquivou de enquadrar o MST. "O MST é um movimento que se diz de reforma agrária quando, na verdade, usa a idéia da reforma agrária para uma mudança de natureza revolucionaria socialista no Brasil".

Talvez tenha sido isto que espantou as concorrentes.

Um certo Indio da Costa.

Sobre o companheiro de chapa de José Serra, considerando o que foi noticiado a respeito, tanto pode ser uma grande tacada como uma grande merda (Lula falou, também posso). Explico.

O fato de ser desconhecido não é exatamente relevante. Isto a campanha vai dar conta. A questão é como este cidadão será conhecido, com que atributos será apresentado à população, que papel desempenhará na campanha. Tarefa para o marketing.

O certo é que trata-se de uma novidade e, só por isso, já gerou impacto importante. De ontem para hoje se falou mais em Índio da Costa do que em qualquer outro assunto da pauta política. E isto é bom para a campanha. A apresentação do Michel Temer, por exemplo, passou praticamente despercebida.

Além disso, não é nenhum poste. No primeiro mandato como deputado federal já se colocou acima do baixo clero relatando o projeto ficha limpa, um dos projetos mais importantes dos últimos anos. E relatou bem. Dizem que é metido a galã. Se isto fosse defeito pior para o Temer que casou aos sessenta e dois com uma moça de vinte anos.

Aguardemos o que farão os marqueteiros.