terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Assim não dá.

AQUI voce pode ler uma matéria cujo título é "Onda de frio na Europa pode ser consequencia do aquecimento global". Não é ótimo?

Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Isto é que é "ciência". Einstein estava por fora.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Volto logo

Desculpem a ausência. No lugar onde estou há dificuldades de acesso à internet. Volto logo. No horizonte, um recomeço.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Feliz Natal

Fim de ano, festas, sonhos, planos, perspectivas. Quem sabe um cavalo de pau na estrada do engano. Talvez aprofundar o estudo, gerar conhecimento, atualizar as idéias, crescer. Sempre é tempo. Nunca, porém, mudar o caráter, os conceitos e a fé.


Boas festas, feliz Natal saúde, paz e prosperidade. Que a traição dos ingratos e avarentos jamais os alcance.

sábado, 18 de dezembro de 2010

O time do Tião entra em campo.

Acabo de ler a lista de secretários do Governo Tião Viana. A rigor, entre os que conheço, nada a opor. Não vi ali despreparados ou corruptos de carteirinha. É boa noticia que não tenha cedido a algumas pressões e descartado a formação técnica de seus auxiliares. A pretexto de "humanizar o governo" havia quem apostasse na politização plena de cargos e funções de mando. Agora é esperar e torcer para que o gesto realize a intenção.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Ainda sobre os salários dos parlamentares e altos executivos.

Se tem algo irritante é ver jornalistas e apresentadores de jornais e de programas de variedades na TV baixando o pau nos parlamentares, especialmente quando tratam dos salários recentemente aumentados. Numa listinha rápida, Xuxa, Faustão, Luciano Huck, Angélica, Hebe Camargo, Ratinho, Luciana Ximenes, Gugu Liberato, Tom Cavalcante, Marcelo Taz, Jô Soares (esqueci algum imbecil?), ganham em média mais de UM MILHÃO DE REAIS por mês. Alguns se aproximam dos DOIS MILHÕES DE REAIS. Sem contar os apresentadores de telejornais, na raia miúda até o Marquito, aquele banguela que acompanha o Ratinho, ganha mais que um Ministro de Estado. E vêm me falar de altos salários? Vão se catar!

Se querem baixar o pau no lombo dos parlamentares se refiram aos que fazem, e grande parte faz, maracutaias com as verbas idenizatórias e de gabinete que ao invés de serem gastas com a destinação própria servem para engordar os bolsos de deputados e senadores. Que se crie mecanismos para prevenir, controlar e fiscalizar o uso destas verbas, ou, se desnecessárias, que sejam eliminadas. Que rompam com o efeito cascata que leva a aumentos injustificáveis que alcançam até o município do Jordão, no Acre.

Fui durante algum tempo, ocupante de cargo em comissão no executivo federal. Um salário vergonhoso. O sujeito é obrigado a ver seu único blazer ficar puindo em sucessivas lavagens quinzenais. Em determinado momento o camarada já é reconhecido de longe pela gravata que usa eternamente. Tem gente que aproveita as diárias das viagens para economizar uns trocados, se hospedando em espeluncas e comendo sanduiche.

Eu nem considero, como muitos fazem, que os baixos salários são estímulo à corrupção. Não acredito nisso. Corrupto não precisa de estímulo, precisa é de oportunidade. Baixos salários são estímulo à preguiça, ao serviço mal feito e, principalmente, ao acolhimento de incompetentes e ladrões que perseguem uma oportunidadezinha para se dar bem. Se em cada nível o Presidente, o Governador e o Prefeito cortasse pela metade o número de cargos em comissão e pagasse em dobro aos que ficassem, e destes exigissem preparo, idoneidade e competência, o serviço público seria muito mais eficiente.

Acre - o progresso vem aí? É preciso.

Conversei recentemente com um dos membros do primeiro escalão do governo acreano. Na pauta, as perspectivas para os próximos quatro anos. Meu interlocutor dá uma boa notícia. Tião Viana vem com tudo para implementar um novo padrão de intervenção nos setores básicos da economia. A industrialização será a ponta do iceberg de um processo amplo que tem como fundamento a exploração em escala do potencial produtivo do Acre.

Bom sinal. Aprendi que para resolver um problema, o primeiro passo é reconhecer que ele existe. Fazendo as contas e percebendo que a economia de base agrícola tem muito que contribuir para a geração de riqueza e oportunidades no estado, o novo governador poderá emitir para a sociedade sinais claros de que inaugurará um ciclo de real desenvolvimento, o que, paralelamente, servirá para quebrar o discurso obviamente exacerbado de que no Acre nada se produz. Está na hora.

Este Cabral descobriu descobriu o caminho das "pedras". Só pode.

Nos ensina a historia oficial que desviando-se do "Caminho das Índias", um certo Cabral, o Pedro Álvares, veio dar no Brasil. Por causa disso cá estamos nós, neste pais maravilhoso, rico e miscigenado. Dizem que, apesar de tudo, o nosso descobridor morreu esquecido na cidade de Santarém, provavelmente em 1520.

Mais de quinhentos anos depois surge na política nacional, outro Cabral, o Sérgio, atual governador do Rio de Janeiro. Este parece que se desviou dos bons costumes e encontrou outro caminho, quem sabe o das pedras bem conhecidas dos cariocas. Só pode. O homem, que ja faz parte daqueles que defendem a liberação das drogas "leves", seja lá o que isso signifique, anteontem defendeu a liberação do aborto e ontem se posionou firmemente a favor da legalização dos bingos. O argumento que usa para os três casos é o mesmo. Segundo ele precisamos deixar de ser hipócritas. Já que a turma toda dá um tapa num baseado, qual o problema em liberar? Já que tem aborto a três por dois, o Estado tem mais é que liberar e ajudar as meninas a fazer um abortozinho básico sem riscos pra própria saúde. Já que não dá pra combater a jogatina, o melhor é legalizar e cobrar uma grana (impostos) dos comandantes do jogo.

Como seria o Brasil do novo Cabral? Já pensou? Drogas, aborto e jogo liberados? Que projeto de sociedade subsistiria a este concerto macabro?

Felizmente, pelo menos por enquanto, estamos conseguindo frear este tipo de alucinação. O Congresso, não pelo amor fraterno, mas pela dor da pressão popular, ainda não cedeu às tentativas recorrentes no sentido de solapar de vez as bases morais de nossa sociedade. Este Cabral, sabemos, não morrerá pobre (o Silveirinha que o diga) que nem o outro, mas com boa vontade do povo ainda será eleitoralmente esquecido.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Salários altos para uns, baixos para outros. A culpa é de quem contrata.

O que faz uma remuneração ser justa? Só pode ser o trabalho realizado em troca, certo? Funciona com o pedreiro que contratamos e deveria funcionar com os políticos. Ai é que está o Xis da questão dos salários dos parlamentares e executivos do setor público. Em anos de convívio com alguns deles, posso afirmar que há alguns (poucos) para os quais este salário, já aumentado, é injusto por ser baixo frente à tarefa executada. Em contraparte, há outros (a maioria) para os quais um salário mínimo seria exagero pois na prática estão ali em prejuízo da sociedade, portanto deveriam ter renda negativa.

Sendo assim, o Tiririca terá um supersalário, já o Roberto Freire pagará para trabalhar. A culpa é nossa que estamos elegendo (contratando) mais tiriricas e romários do que Robertos Freire ou Ariostos de Holanda.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Cadeiras vazias. Umas, de homens, outras, de dignidade.

Na semana passada o Prêmio Nobel da Paz foi colocado simbolicamente sobre uma cadeira vazia, denunciando ao mundo a ausência do ganhador, o chinês Liu Xiaobo, que está encarcerado em algum lugar da China, condenado a onze anos de prisão por ter publicado manifesto em defesa da liberdade de expressão e de eleições multipartidárias.

Hoje foi a vez de Guillermo Fariñas, dissidente cubano que em luta pela libertação de presos políticos na ilha dos Castro fez diversas greves de fome. A última, quase fatal, durou 135 dias até que alguns dos presos fossem libertados. Na solenidade realizada em Estrasburgo, em que ele deveria receber o Prêmio Sakharov de Direitos Humanos, havia também uma cadeira vazia sobre a qual foram depositados o Diploma e a bandeira de Cuba.

No vídeo abaixo, do Jornal Nacional de hoje, os apresentadores deixaram de dizer que a ausência de Fariñas foi causada pela proibição de que deixasse a Ilha, mesmo por alguns dias. Os ditadores cubanos pretenderam com isto evitar que em pronunciamentos e entrevistas o dissidente chamasse a atenção do mundo para a falta de liberdades individuais em Cuba.




Por aqui, ao invés de cadeiras vazias, o que temos é uma verdadeira farra de confortáveis poltronas, em parte ocupadas por gente que deveria estar presa.

Abaixo a declaração de Guillermo Fariñas ao Parlamento Europeu responsável pela premiação.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

"Quem é que aqui não teve uma namoradinha que teve que abortar?” Sérgio Cabral. Mais um pouco e ele mata a namorada.

Venho nos últimos dias, também por dever de ofício, estudando uma questão que me parece muito importante e que faz parte da agenda atual que é a capacidade de suporte da terra frente a demanda mundial de energia, alimentos no meio, o que desemboca no velho dilema malthusiano.

Me inclino a acreditar, como já referi anteriormente neste bloguinho, que o aquecimento global é apenas um catalisador da opinião pública. O Xis da questão é mais embaixo. Tem a ver diretamente, como fizeram entender Bill Gates (ver post anterior) e outros líderes mundiais do nível de Davi Rockfeller, com o aumento da população a níveis não suportáveis pela base de recursos.

O que isso tem a ver com Sérgio Cabral? Tem tudo. O Governador do Rio de Janeiro, aquele cuja polícia tomou o "complexo do alemão" sem prender nenhum chefão e sem apreender um tostão furado nem um brinquinho de ouro, defendeu hoje a adoção da prática abortista como política de estado sob o véu de política de saúde.

A defesa do aborto que se faz no mundo todo nos dias atuais é coerente com a pregação eugenista de Bill Gates e outros "aquecimentistas". Se é verdade que mesmo proibidos os abortos são de um milhão anuais no Brasil, a quantos chegaremos com a liberação? No Reino Unido de cada 100 mulheres que engravidam, 20 praticam o aborto. Entre as mulheres de até 20 anos de idade, o índice é de 36%. Na China são praticados 13 milhões de abortos por ano. Agora responda: a que classe social pertencem as jovens abortadeiras?

Sérgio Cabral, assim como Edir Macedo, Bill Gates e outros da espécie querem acabar com a pobreza eliminando os pobres no ventre da mãe. Desconfio que o "liberou geral" em relação ao aborto no planeta terá efeito "ambiental" maior do que todas as COP's dos próximos 20 anos.

Em tempo. A frase  do Sérgio Cabral lembra aquela do goleiro Bruno, do Flamengo, quando indagado sob agressões de um colega à namorada. "Quem já não saiu na mão com a esposa...?". Poucos meses depois ele deu sumiço à amante.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Em tempos de COP 16 é bom ter a mente aberta.

Em fevereiro deste ano, ninguém menos que Bill Gates, um dos homens mais ricos do mundo, fundador e dono da Microsoft, resolveu entrar com tudo no debate do aquecimento global. Em reunião extremamente concorrida em Long Beach na California - EUA, ele fez em pouco mais de oito minutos (vídeo abaixo) um discurso sintetizando suas idéias sobre o tema.

Pragmático que é, Bill Gates apresentou rapidamente e de modo simples um panorama global relacionado aos efeitos das mudanças climáticas, fazendo questão de assinalar que os mais pobres serão os mais prejudicados. Em seguida propôs de modo bastante elementar a questão do aquecimento global. 

∑ CO² → Aumento de Temperatura → Efeitos Negativos

Até ai nada novo, isso quase todo mundo está dizendo. Segundo os aquecimentistas, mais CO² implica mais calor que implica efeitos negativos (derretimento dos gelos, elevação do nível dos oceanos, savanização, desertificação, inundações, perda da produção de alimentos, desaparecimento de espécies...).

A partir dai é que o pensamento de Bill Gates começa a adquirir foco. Ele pretende reduzir o aumento das emissões a ZERO. Isto significaria na sentença anterior:

 ∑ CO² = ZERO → Aumento de Temperatura = ZERO → Efeitos Negativos = ZERO

Se o incremento de CO² for ZERO, teremos ZERO de aumento de temperatura e ZERO de efeitos negativo. Beleza!

É aí que ele apresenta sua segunda equação, a mais importante, aquela que poderá produzir o resultado
∑ CO² = ZERO e salvar a humanidade.

CO²  = P x S x E x C

Onde:

CO²  = Dóxido de Carbono
P = Pessoas
S = Serviços por pessoas.
E = Energia por serviço
C = CO² por energia.

Qualquer aluno de quinta série sabe (ou deveria saber) que para obter um resultado ZERO em CO² se precisaria que pelo menos uma das variáveis fosse ZERO. É daí que Bill Gates parte para construir seu modelo. De inicio propõe que "através de vacinas, saúde e serviços de saúde da reprodução" o aumento populacional poderia ser reduzido a 15% ou 10% do que é hoje. Isto significa que a maior parte, ou seja, 85% a 90% da redução de CO² seria alcançada com a despopulação do planeta. Ótimo saber disso.

Para as outras variáveis sobrariam 15% a 10% do esforço de redução. Meio que an passant Bill Gates cita a utilização de energias renováveis e inovações como Fundos para Pesquisa, Incentivos de Mercado, Impostos e Regulação. Tudo somado, a redução se aproximaria de ZERO como pretendido na equação.

A ideía "genial" e eugenista do Bill Gates não é nova. Políticas de redução da taxa de natalidade são antigas e sempre encontraram alguma resistência. A novidade é que, segundo o próprio Bill Gates, para isso sejam utilizadas vacinas em larga escala. Estariam elas sendo aplicadas juntamente com aquela da gripe suína, por exemplo?

Bill Gates apresentou uma farsa. A verdadeira equação, aquela que preside toda a farsa Al Goreana agora endossada por Bill Gates e todo o lenga lenga do aquecimento global é mais simples ainda. Até exclui o CO². Começa com a sentença:

∑ P → Aumento do Consumo de Energia → Colapso do Sistema

Vale dizer: O aumento da população é que, através do consumo de energia, detona o equilíbrio planetário que garante a vida humana. Seguindo o raciocínio, a equação verdadeira de Bill Gates é:


Et = P x S x Es

Onde:
Et = Energia Total
P = Pessoas
S = Serviços
Es = Energia por Serviço

A terra possui uma capacidade limitada de gerar energia e, portanto, de suportar a sua população dado certo nível de consumo. Esta capacidade está ameaçada pelo crescimento populacional. Na impossibilidade de alterar o padrão de consumo das pessoas (S) e diminuir substancialmente o consumo de energia por serviço (Es), sobra diminuir o número de pessoas (P) que pressionam a base de recursos. Resta saber de quais pessoas estamos falando. Já que cada americano equivale a 20 africanos em consumo de energia, talvez o esforço nem fosse assim tão grande, mas duvido que esta ideia tenha passado pela mente de Bill Gates.

Às vezes fico pensando como os gênios são tão simples e nós, os normais, tão complicados.

Abaixo o vídeo de Bill Gates.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Em Cancún, mais um fracasso. A questão é outra.

Em Cancún, no México, a COP 16 se encerra hoje com mais um fracasso anunciado. Há quem acredite piamente que os ambientalistas que lá estiveram discutiram o clima global. A maiorira deles também pensa assim. Não foi nada disso, nem será. Na realidade o que está em discussão permanente sob a capa de aquecimento global é puro neomalthusianismo.

Se todos os humanos vivessem como os ingleses a terra suportaria apenas 2,5 bilhões de seres. Se vivessem como americanos não passaríamos de 1,5 bilhões. Hoje já somos quase 7 bilhões e seremos 9 bilhões em 2050. O que está sendo debatido verdadeiramente é como impedir que a população mundial continue crescendo e aumentando os níveis de consumo - a base natural de recursos não suporta este ritmo.

A verdadeira questão não tem a ver com a temperatura global. Se trata de responder: Quantas pessoas podem viver na terra? Os vídeos abaixo são esclarecedores.



quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Analfabetismo segundo a PNAD - escarafunchando honestamente os números do Acre.

Publicação do IPEA nesta quinta-feira, com base na PNAD - Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios, demonstra um avanço importante na diminuição do analfabetismo no Brasil. Vejamos o que dizem os dados sobre o Acre:

1. Entre 2004 e 2009 o Acre não conseguiu acompanhar o avanço médio brasileiro na diminuição do analfabetismo da população total acima de 15 anos de idade. Embora tenha reduzido a taxa de analfabetismo de 17,3 para 15,4, mantém o maior índice da região. A média nacional é de 9,7% e a regional é de 10,6%. A variação da taxa nacional foi de 15,3% e da taxa regional foi de 16,9%.

2. Quando se trata, porém, do analfabetismo funcional (até 4 anos de estudo), os dados do Acre são promissores. O Acre teve a maior variação da taxa de redução de analfabetismo funcional no Brasil (33%). A taxa caiu de 16,5% para 11% no período. Isto coloca o Acre em posição melhor que a média regional que é de 12,6%.

3. Na faixa entre 15 e 64 anos, os números do Acre são mais animadores. A diferença da taxa estadual não é tão distante quanto no caso da população total acima de 15 anos e, embora apresente ainda o maior índice de analfabetos (12,7%) a variação na taxa no período 2001-2009 é próxima das médias nacional e regional.

4. Ainda nesta faixa (15-64 anos), repetindo o cenário global, o Acre apresentou a maior queda de analfabetismo funcional (32,8), passando de 15,5 a 10,4 da população. Neste caso, o Acre ocupa a quarta posição entre os estados da região Norte.

Das conclusões acima uma indagação se faz: Por que os números do Acre são significativamente diversos entre analfabetsimo e analfabetismo funcional? Ou, por que o analfabetismo funcional cai fortemente enquanto o analfabetismo puro se mantém? A explicação lógica para quem como eu não pertence ao "quadrado" da educação é que mais pessoas estão cursanso mais que 4 anos de estudo. Há maior permanência daqueles que, tendo oportunidade, ingressam no sistema escolar, o que é bom pois significa que teremos uma maior média de anos de estudo da população o que implica maior capital humano.

Isto e mais pode ser encontrado AQUI

Agricultura familiar - os jovens se mandaram. E agora?

Nos últimos meses fiz algumas viagens de estudos a respeito da agricultura familiar com foco na implementação de políticas de assistência técnica e extensão rural. Além da crescente urbanização, um dado muito forte colhido em campo (não sei ainda se o IBGE detectou) foi o envelhecimento da população rural. Mesmo em regiões de agricultura familiar estruturada como o Paraná, as propriedades estão vazias de jovens. A próxima geração no campo será ainda menor e isto aponta para uma questão muito grave. Quem vai produzir alimentos para as populações urbanas?

Estava ouvindo uma palestra de um líder nacional dos trabalhadores rurais quando me veio à lembrança uma frase do professor Otávio Reis Filho (já falecido) que certamente muitos conheceram, principalmente no Acre e em Ouro Preto onde se instalou posteriormente. Disse-me ele um dia: Rapaz que aprende português, matemática, historia e geografia não fica no seringal. Se referia, lógico, à dificuldade de oferecer serviços básicos como educação, por exemplo, e ao mesmo tempo manter o seringueiro na floresta. Pois é. Parece que também não fica na agricultura.

Sei. Alguém pode dizer que o abandono do campo decorre é da falta de habitação de qualidade, de energia elétrica, de televisão, de escola, de esporte, de lazer, de acesso à tecnologia... Será? Não pelo que vi em algumas regiões do Paraná. Há muitas localidades em que nada disto é escasso, entretanto, nas habitações encontramos apenas o velho casal e no máximo um dos filhos. As meninas se mandam assim que podem para a cidade mais próxima e elas estão cada vez mais próximas e atrativas. Um ou outro se divide entre a atenção aos pais e à propriedade e a suas obrigações na cidade - estudo e trabalho.

Bom, mas se cada vez mais ele pode usufruir na propriedade de condições anteriormente exclusivas das áreas urbanas, por que raios ele se manda mesmo assim? Não sei. Sociólogos, geógrafos, antropólogos devem saber. O que sei por enquanto é que a renda da agricultura familiar é muito baixa. Estudos recentes demonstraram que é menor que a renda do trabalho doméstico nas cidades, ou seja, ganha-se mais em um trabalho doméstico na cidade, com 8 horas por dia, carteira assinada e folga no fim de semana do que no campo, onde não há dia nem hora para o trabalho duro em condições nem sempre salubres e com altos graus de incerteza quanto ao mercado.

No nordeste a situação é ainda pior, pois a renda agrícola e os equipamentos e serviços urbanos são ainda menores. Em uma pequena vila no interior do Rio Grande do Norte, pertencente ao município de Santa Cruz, no meio da tarde o que vimos foi uma paralisia total. Velhinhos nas janelas esperam o anoitecer, poucas mulheres transitam na rua sem asfalto, alguns garotos jogam bola na quadra e, ao indagar de que vive aquela gente, a resposta é rápida: O bolsa-família e as aposentadorias daqueles velhinhos são a economia local. Nada mais. Onde está todo mundo? Está na cidade, a agricultura "não dá camisa".

Há tentativas de superação dessa realidade. Lá mesmo naquela vila, um grupo de mulheres conseguiu fundar uma associação para beneficiamento de frutas e hoje consegue vender sua produção para a merenda escolar, por exemplo. Em um assentamento do MST, no Paraná, uma associação também liderada por mulheres conseguiu se inserir no mercado local a partir do beneficiamento de produtos de suas lavouras, mas também reclamam da rentabilidade e da crescente escassez de mão-de-obra no campo. Das famílias assentadas apenas 30% permanecem, as outras repassaram seus lotes para outros e buscaram outras oportunidades.

Tudo leva a crer que é preciso que os governantes encontrem formas eficientes de aumentar a renda da agricultura familiar para que ela cumpra o seu papel que, aliás, não é trivial.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

O Alemão é aqui, ali e acolá.

Apesar das reclamações devidas aos excessos praticados pela polícia na ação de guerra do Rio de Janeiro, não há no Brasil quem não apóie a tomada de territórios do comando de traficantes. As populações locais agradecem e fazem planos apostando que a situação será sustentada em longo prazo pela permanência do aparelho de segurança e por obras sociais há anos ausentes do complexo do Alemão. Se assim for, ótimo.

Em todas as cidades brasileiras assiste-se com certa inveja o que está acontecendo no Rio de Janeiro. Cada um de nós gostaria de ver replicada a apreensão de grandes de grandes quantidades de armas e drogas e a prisão de traficantes e homicidas.


Tomemos o exemplo do Acre. Precisamos de uma ação daquele tipo em nossas periferias? É claro que numa cidade do tamanho de Rio Branco ainda não há territórios dominados pelo tráfico que exija uma ação igual, mas há é uma dispersão espacial de criminosos e resultados práticos em termos de violência que sugerem a necessidade de uma ação rasa de identificação e desmantelamento de grupos criminosos e das "bocas de fumo" que segundo gente do ramo se contam às centenas.

Que em cada grande cidade o poder público execute sua guerra específica contra o tráfico. Dormiríamos mais tranquilos.

Um brevíssimo ensaio sobre a ingratidão.

Refletindo sobre a ingratidão, esta vileza que me persegue, deparei-me recentemente com uma frase do escritor Alexandre Dumas, autor de "Os Três Mosqueteiros" e de "O Conde de Monte Cristo". Disse ele: "Há favores tão grandes que só podem ser pagos com a ingratidão".

O pensamento de Dumas é coerente com a idéia de que o devedor odeia o credor e o favorecido odeia o bemfeitor porque a ele se sente aprisionado. Especialmente quando se trata de dívidas intangíveis, não monetárias, o vínculo entre eles perde a capacidade de valoração e, sendo assim, a dívida não pode ser paga jamais. Ao devedor resta, na tentativa de livrar-se do laço moral, fugir da dívida, passar para o outro lado da rua, virar as costas ao passado. Mas poderá o ingrato continuar impunemente a colecionar credores com os quais não cruza a calçada? Este é seu drama. Em algum momento não terá mais a quem enganar.

E aquele que sofre a ingratidão, como se sente perante a vida que não acaba aí? É possivel continuar confiando nas pessoas, dedicando-lhes amizade e consideração? Como manter e estabelecer novas relações sem contabilizar as perdas e, com isto, depreciar a fé e o amor ao próximo? Este é seu drama. Em algum momento terá que confiar.

NADA SE COMPARA

Assim como na renda, na educação, na saúde, no saneamento, na moradia...

A lista abaixo é a classificação da qualidade do ensino nos estados brasileiros segundo o PISA -  Programa Internacional de Avaliação de Alunos, mas bem poderia ser o ranking de pobreza. Se estou certo, não há saída para a educação fora do desenvolvimento econômico e vice-versa. Pensar que se pode resolver um dos lados da equação isoladamente é bobagem.

1. Distrito Federal - 439 pontos
2. Santa Catarina - 428 pontos
3. Rio Grande do Sul - 424 pontos
4. Minas Gerais - 422 pontos
5. Paraná - 417 pontos
6. Espírito Santo - 414 pontos
7. São Paulo - 409 pontos
8. Rio de Janeiro - 408 pontos
9. Mato Grosso do Sul - 404 pontos
10. Goiás - 402 pontos
11. Rondônia - 392 pontos
12. Mato Grosso - 389 pontos
13. Paraíba - 385 pontos
14. Bahia - 382 pontos
15. Tocantins - 382 pontos
16. Pernambuco - 381 pontos
17. Amapá - 378 pontos
18. Ceará - 376 pontos
19. Pará - 376 pontos
20. Roraima - 376 pontos
21. Piauí - 374 pontos
22. Sergipe - 372 pontos
23. Acre - 371 pontos
24. Amazonas - 371 pontos
25. Rio Grande do Norte - 371 pontos
26. Maranhão - 355 pontos
27. Alagoas - 354 pontos

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Royalties para todos ou salve o "Emirado de Ipanema".

Como previsto, o Presidente Lula anunciou que vai vetar o projeto aprovado pelo Senado que distribui os royalties do pré-sal entre todos os estados da federação de conformidade com a distribuição dos fundos constitucionais FPM e FPE. Certamente com a concordância da presidente que entra, o presidente que sai assume o ônus e recupera a distribuição anterior que privilegia os estados chamados "produtores", leia-se Rio de Janeiero, São Paulo e Espírito Santo.

Já escrevi sobre isso. Estes estados não produzem nada. O petróleo está lá nas profundezas da terra sob o as profundezas do mar, coincidentemente no que chamam de área geograficamente pertencente a estes estados. E só. O petróleo mesmo pertence ao Brasil e em benefício de seu povo deve ser utilizado e não para criar um emirado em Ipanema.

Isto, aliás, está previsto na Constituição Federal que em seu artigo 170, inciso VII, estabelece a redução das desigualdades sociais como princípio, o que significa dizer que tudo o mais terá que considerá-lo como pressuposto.

O Senador Simon, seguindo o Deputado Ibsen enfrentou os arreganhos de Sérgio Cabral et caterva e propôs uma distribuição mais justa em termos que estabelece mínimos de participação e níveis crescentes de acordo com as características da população em termos de renda.

Como referência, os municípios do Acre que no conjunto receberam de royalties em 2009 cerca de 2,5 milhões de reais, passariam a receber com a emenda Simon mais de 32,7 milhões. Só Rio Branco teria mais 17 milhões de reais a mais. O Estado do Acre seria beneficiado em mais de 400 milhões de reais.

Esta forma talvez não seja a mais justa, mas certamente será mais correta do que a proposta pelo Governo Federal que despreza os estados "não produtores" sob a presunção de que a partir do Fundo Social haveria alguma compensação, o que soa ridículo.

Com o "erro" bilionário admitido pelo Governo na previsão orçamentária e com o arrocho fiscal anunciado já para 2011, esta é uma boa hora para testar o compromisso dos parlamentares com seus eleitores. Os eleitos em outubro dirão em 2011 de que lado estão. Se preferem assegurar recursos futuros para todos os estados e municípios da federação ou se estão mais interessados em agradar hoje ao governo federal.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Pé no freio e olho na gastança. Os estados e municípios que se cuidem.

A julgar pelos comentários em Brasília e pelas noticias de jornais, a dona Dilma está afiando a tesoura e vai cortar do orçamento um valor altamente significativo. É o ajuste fiscal negado durante a campanha eleitoral mas que acerta o tom do controle da inflação. Com a política monetária já apertada, a saída agora é pela política fiscal restritiva. O negócio é tirar dinheiro de circulação. Resultado: Baixo crescimento, baixa geração de empregos. Parece que taxas chinesas são mesmo coisa de chineses.

Segundo Mantega, vai sobrar para projetos que estão tramitando no Congresso Nacional. A PEC 300 (que cria um piso nacional salarial para policiais), o aumento do salário mínimo acima dos 540 reais e o reajuste dos servidores do Judiciário de 56 por cento serão jogados pra escanteio. O custeio da máquina pública também será fortemente afetado.

O freio nos gastos públicos que ameaça até obras empacadas no PAC é de deixar os novos governadores ressabiados. Algumas promessas podem ficar pelo meio do caminho, portanto, o melhor a se fazer é cuidar das contas e iniciar o governo em marcha lenta. Nada de ousadia.

Interessante que justamente agora está em discussão a distribuição dos recursos do Pré-sal entre os estados. Do jeito que está, o Rio de Janeiro, principalmente, perde uma bolada, mas estados pequenos serão muito beneficiados. O Acre, popr exemplo terá mais de 400 milhões anuais de recursos novos. Não é pouco. O presidente Lula, porém, promete vetar, o que obrigará o parlamento a derrubar o veto se quiser manter uma distribuição mais justa daquela dinheirama. Está ai uma boa causa para os nossos parlamentares.

Ou reduz as emissões de CO² ou Booom! Sem pressão, claro.

O vídeo abaixo foi produzido pela ONG ambientalista 10:10 e rapidamente retirado da sua página com um pedido de desculpas. Trata-se de uma campanha para que cada habitante reduza em 10% as próprias emissões de carbono na atmosfera. Um exemplo de como o eco-facismo nos ronda.


Na pauta, subsídios à agricultura. Comissão de Agricultura aprova o PL 5424/09

A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural aprovou na quarta-feira (01-12), o Projeto de Lei 5424/09, do deputado Carlos Melles (DEM-MG), que autoriza o Executivo a conceder subsídio de R$ 500 por ano a produtores rurais por cada hectare plantado ou explorado. O projeto prevê também a atualização desse valor a cada dois anos, até o limite de R$ 750. O produtor continuaria recebendo outros subsídios, como os concedidos ao seguro rural e ao escoamento da safra.

A proposta que pretende, imitando o que já é corrente nos EUA, Europa, China e Coréia do Sul, subsidiar a agricultura, assegurando ao produtor uma renda mínima pela área efetivamente cultivada. No Brasil, sabe-se, há muito tempo a agropecuária é âncora da política de controle da inflação. Ocorre que nos últimos meses estamos, mais uma vez, experimentando uma alta importante dos preços dos alimentos provocada pelo aumento dos custos. Subsidío na veia como propõe o Deputado pode ser uma política eficiente dependendo dos setores nos quais será aplicada.

Como não creio que a sociedade esteja disposta a subsidiar plantações de soja, bem que um de nossos parlamentares poderia propor uma emenda direcionando o subsídio de R$ 500,00/ha à agricultura familiar onde, de fato, é produzida a maior parte dos alimentos que vão à mesa do brasileiro médio.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Campeão!!!

Molion antecipa Cancún

Em entrevista ao Canal Livre, da Band, o mais importante climatologista brasileiro, professor Luis Carlos Molion, antecipa o fracasso da COP 16. Em bom português ele expõe o dilema neomalthusiano por trás da histeria de ambientalistas afobados. Abaixo, a primeira parte. O restante pode ser visto AQUI

sábado, 4 de dezembro de 2010

As sutilezas do mau caratismo

Nos últimos dias, tentando entender a calhordice dos homens para que pudesse sossegar minha alma, reencontrei o psicólogo e escritor brasileiro Ezio Flavio Bazzo. Entre seus livros tão guardados que penso que os escondi de mim mesmo há um que merece já no título um momento de reflexão. "AS SUTILEZAS DO MAU CARATISMO ou As engrenagens da miséria existencial" é uma coletânea de 508 pensamentos e aforismos através dos quais identificamos teorias, fatos e personagens com os quais lidamos cotidianamente.

Abaixo alguns termos:

"Cada dia me torno mais convicto de que os verdadeiros revolucionários são aqueles que conseguem ficar fora, tanto da cretinice da direita quanto da cachaceira esquerdóide. Pertencer a um desses bandos apesar de ser fácil é perder-se na mesmice de uma manada desvairada..."

"Ontem, concluí definitivamente: quando uma mulher casada dá as costas a um homem que a assedia, não o faz por fidelidade ao marido, mas para exibir ainda mais seus atributos"

"E a família do corrupto? Se faz de tonta, finge não saber de nada e reparte as maletas dos dólares com a mesma cumplicidade que os filhotes de chacal quando este aparece em casa com uma imensa carniça..."

"O que é mais insuportável nos outros e em nós mesmos é a imutabilidade de nosso caráter, dos nossos complexos, da nossa linguagem e dos nosso vícios..."

A agricultura familiar exige prioridade

Participei esta semana, em Recife, de um seminário sobre Assistência Técnica e Extensão Rural no Brasil. Presentes representantes de todas as empresas estaduais de ATER, da EMBRAPA, da ASBRAER, do MDA e dirigentes dos principais movimentos sociais (CONTAG, FETRAF e MPA).

A ATER, que vive um novo momento desde que o governo passou a dar efetiva importância à agricultura familiar precisa acompanhar e, muitas vezes, se antecipar às transformações no campo, que são aceleradas. É preciso produzir mais e melhor.

No Acre, mediante as condições oferecidas o trabalho realizado merece a defesa dos extensionistas. O problema é que a ATER recebe comandos ditados pelo modelo implementado. Se há problemas importantes na viabilização econômica da agricultura no estado, eles devem-se à rigidez da política de desenvolvimento.

No plano nacional, alguns sinais permitem otimismo em relação ao desenvolvimento da agricultura familiar. A presidente eleita anuncia que seu alvo é a eliminação da pobreza, o que não fará sem contemplar a agricultura familiar e sem a participação dos extensionistas. A EMBRAPA criou recentemente a diretoria de transferência de tecnologia e o MDA deverá criar a secretaria nacional de ATER. Vários programas como o PAA e PNAE estão evoluindo fortemente em todo o país e o PRONAF cresce a cada ano em termos de contratos e volume de financiamentos.

Tudo isto significa que existem no Brasil instituições, recursos financeiros, metodologias e programas de promoção da agricultura familiar. Entretanto, todos estes mecanismos somente funcionarão em um ambiente adequado em termos de prioridade e amparo político. Prioridade para a agricultura familiar, afinal, é do que se trata.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Escolhas difíceis as de Tião Viana.

Se, como se anuncia, o governador eleito do Acre, Tião Viana, fará uma mudança geral na equipe de governo, depara-se então com uma questão importante. Os novos secretários precisam ter, no mínimo, o "tamanho" dos anteriores. Isto quer dizer que não basta apenas mudar nomes para sinalizar uma alteração substancial no ritmo e forma de governo. É preciso mudar para melhor.

Em primeiro lugar é preciso saber: Teremos novos nomes fazendo mais do mesmo ou novos nomes fazendo algo novo?

Se é mais do mesmo a mudança de nomes já carrega uma pena aos que saem pois significa dizer que não foram capazes de realizar o máximo daquele projeto, e isto implica que os novos dirigentes devem ser, obrigatoriamente, reconhecidos como mais capazes, do contrário temos ai uma injustiça evidente.

Se o que está em causa é realizar um novo projeto, o novo dirigente não precisa ser comparado ao anterior mas a si mesmo, ou seja, deve demonstrar em seu curriculum a experiência e a capacidade correspondente ao novo desafio. A sociedade espera, então, nomes à altura.

Especialmente nas atividades finalísticas, ou seja, aquelas relacionadas com as funções básicas do estado e com a promoção do desenvolvimento econômico, o momento exige elevada credibilidade de seus gestores. Os novos secretários precisam liderar processos difíceis de alteração da modus operandi e, para isto, devem ter experiência, autoridade e capacidade inovativa. A tarefa não é para amadores.

domingo, 28 de novembro de 2010

Fichas sujas fora do governo. Em Minas.

Não é só o deputado estadual Tchê, do Acre, que quer apenas fichas limpas no secretariado. Em Minas Gerais o governador eleito Anastasia resolveu ele mesmo abraçar a lei em suas nomeações para o secretariado e avisou aos aliados. Só aceita a companhia de fichas limpas. Esta moda vai pegar. Espero.

A segurança alimentar do acreano em xeque.

Mais uma vez os números são duros com o Acre. A segurança alimentar do acreano ainda é um alvo distante. Se mais de 50% da população não tem garantia de alimentação adequada, aproveite-se a informação para refazer o planejamento e execução das políticas públicas.

A informação também serve, é obvio, para reforçar o discurso da oposição. Creio que é possível enfrentá-lo com ações determinadas e consequentes de promoção do setor rural. Continuar na perspectiva de que da floresta transbordarão efeitos econômicos capazes e suficientes para garantir a renda necessária à aquisição de alimentos já se demonstrou equivocado.

Ao invés de aprofundar o erro, insistindo em ações de baixo impacto na economia, deve-se concentrar esforços em um programa vigoroso de exploração agrícola das áreas já desflorestadas. A fruticultura tropical pode ser a base deste processo.

sábado, 27 de novembro de 2010

Projeta-se uma nova extensão rural.

Em outra viagem de trabalho para aprender um pouco mais sobre agricultura familiar e extensão rural estive esta semana no Paraná. De leste a oeste, de Curitiba a Marechal Rondon, um exemplo adequado de combinação das principais variáveis do desenvolvimento. Não é demais dizer que estamos em um processo vigoroso de avanço da extensão rural no Brasil. Os principais desafios da agricultura - produzir mais, melhor e em menos área - convocam os extensionistas para uma nova interpretação do papel da agricultura familiar e obrigam o Estado a valorizá-los.

O desafio de erradicar a pobreza proposto pela presidente eleita exige a promoção desta parcela da população brasileira a níveis de renda mais elevados e sustentáveis, o que implica acesso a tecnologias e formas de organização. Como implementar no campo as políticas relativas a este objetivo central sem a participação efetiva da extensão rural?

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Tiririca vem ai. Talvez com menos letras e mais caráter que alguns que conheço de perto.

O texto abaixo é de Ezio Flavio Bazzo, um escritor e cronista que acompanho há tempos. Merece uma reflexão.

Ezio Flavio Bazzo

Não apenas o Tiririca é a cara falsificada do Brasil, mas também as leis e a justiça que quer impedi-lo de assumir seu cargo no Congresso Nacional. Que raciocínio é esse que possibilita e que até obriga analfabetos a votarem e a elegerem e que ao mesmo tempo os interdita de se candidatarem e de serem eleitos? E se uma pesquisa verdadeira demonstrasse que 70% (sendo otimista) de nossos eleitores têm o mesmo grau de escolaridade e de “substância”que o Tiririca? Pobreza mental da ameba residual que ainda trazemos ou aos tiriricas da vida ainda se resguarda apenas o status de bucha de canhão e de massa de manobra?

Se o Tiririca (com seu analfabetismo) não tem “substância” para ser deputado, como é que a tem para ser eleitor, e mais ainda, um homem público de televisão, formador de opinião e com uma audiência diária e nacional muito maior que a de qualquer parlamentar? Se a dialética dos nobres senadores e dos nobres deputados continua sendo “pão e circo” qual é o problema se um palhaço autêntico ingressar em suas fileiras? Pelo que tenho notícias, meus antepassados, aqueles que construíram Veneza, não sabiam interpretar texto nenhum e nem sabiam direito se Radicchi se escrevia com ch ou com x. Além disso, aqui entre nós, desde que se fundou a Republica nunca se exigiu dos deputados mais do que duas competências: contar dinheiro e saber quanto é 20%.

Falsidade ideológica? Que porra é essa? Não sejamos perdulários! Se nunca tivemos ideologia alguma como poderíamos falsificá-la? Somos de uma estirpe que sempre confundiu ideologia com teologia e mesmo quando nos gabamos de algum ponto de vista “revolucionário”, no fundo, continuamos sendo apenas um parafuso ou uma porca da grande engrenagem ocidental chamada Opus Dei.

Se quiserem processar alguém por esse bafafá todo, que processem o MEC por tê-lo deixado crescer alienado das letras; que processem o STE por eternizar a perversão do voto; que processem o Ministério das Comunicações pelas concessões esdrúxulas das rádios e das Tvs; que processem os partidos que o usaram malignamente e que processem até mesmo Platão por ter legado ao mundo a República, essa legitima égua de Tróia.

Enfim, por tudo isto, defendo a posse do Tiririca. E como moro a uns poucos quilômetros do Congresso Nacional, prometo estar fielmente lá nas arquibancadas sempre que o nobre deputado colocar as quatro patas na tribuna.

Meus cumprimentos ao Deputado Tchê.

Não conheço pessoalmente o Deputado Tchê, mas conheço o projeto ficha limpa. Perfeitamente adequada e oportuna a apresentação pelo deputado acreano de proposta estabelecendo as mesmas restrições para a ocupação de cargos no governo do Acre. Poderá, por isto, fazer história no Brasil a partir do exemplo que dará a outras assembléias legislativas. Algum deputado bem poderia fazer o mesmo na Câmara Federal.

A lógica preside o argumento. Se não pode ser eleito deputado, senador, governador ou presidente, por que raios um ficha suja pode ser secretário de estado? Penso que o erro é limitar a restrição a determinados cargos. O certo seria universalizar o impedimento a todos os cargos de livre nomeação, mas isto pode ser resolvido na tramitação do projeto.

Já é um absurdo que o preenchimento dos cargos de confiança não observe o mérito, servindo muitas vezes de acolhimento de correligionários, a nepotismo e compadrios. Com o projeto do deputado acreano fica estabelecido, pelo menos em tese, um maior grau de honestidade daqueles que indicados passem a fazer parte do staf mais elevado do governo.

Especificamente no Acre, penso que o projeto vem em boa hora e desconfio que não prosperaria sem o OK do governador eleito Tião Viana. Bom sinal.

Um ano depois da COP 15 e do Climategate.

Na próxima semana se realizará em Cancún, no México, a COP 16 que é 16ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas. Com muito menos estardalhaço que a COP 15 do ano passado em Copenhagen, políticos e cientistas de todo o mundo tentarão decidir o futuro da humanidade. Eles são "os caras".

No ano passado a reunião foi perturbada pelo escândalo conhecido como Climategate que revelou algumas impropriedades éticas de cientistas engajados na tese alarmista AGA - aquecimento global antropogênico. Tais distorções tiveram da imprensa um tratamento compreensivo, na base de "o fim justifica os meios", mas na verdade causaram um rombo significativo na teoria.

Hoje, um ano depois, sabe-se mais daquele escândalo e de suas consequências na credibilidade da tese AGA. Recentemente a Royal Society de Londres, principal instituição científica da Grã-Bretanha flexibilizou a sua posição sobre o aquecimento global causado pelo homem. Em um documento publicado após uma rebelião de mais de 40 dos seus membros, o novo guia da Royal Society para a mudança climática, diz que não há a certeza propalada sobre o aumento da temperatura prognosticado pela Sociedade. Trata-se de uma atualização do documento Climate Change Summary of Science.

No vídeo abaixo, do site climategate.tv, seu criador James Cobertt mostra um excelente resumo dos eventos em torno do climategate e dos acontecimentos que ocorreram neste 1 ano de aniversário do Climategate.

Péssimo para os que querem contar a história antes dela mesma.

Para salvar as florestas, o REDD.

Em artigo publicado ai do lado no link Outras Palavras, Henrique Rattner, professor da FEA (USP) e do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), mesmo pagando tributo ao alarmismo em relação ao aquecimento global, desenvolve com inteligência e simplicidade o tema REDD – redução de emissões por desmatamento e degradação. Abaixo um trecho do artigo.

"A segunda grande ameaça vem dos seres humanos. Estima-se que a população mundial cresça em 50% nas próximas quatro décadas, chegando a nove bilhões. Três milhões de famintos viverão nos países pobres, particularmente nos trópicos. A população do Congo, atualmente 70 milhões, irá dobrar neste período, elevando na mesma proporção a demanda por mais alimentos. Devido à baixa produtividade agrícola, aumentará a pressão por mais terras cultiváveis. Mas o maior risco de desmatamento nos trópicos é consequência da expansão da agricultura e da pecuária, impulsionada pela demanda global por alimentos, fibras e biocombustível. O crescimento explosivo do cultivo da soja no Brasil levou à invasão do cerrado, a savana brasileira que contém nas raízes de suas plantas quase a mesma quantidade de carbono que a floresta úmida da Amazônia."

O professor é muito bom no diagnóstico e na solução para salvar as florestas. Esqueceu de dizer aonde será produzido o alimento que saciará a fome mundial.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

O mundo não acaba aqui.

Um pequeno lembrete a um delinquente moral:

Como disse o poeta Augusto dos Anjos em "Versos íntimos", o beijo, amigo, é a véspera do escarro, a mão que afaga é a mesma que apedreja.

Sorte que existe a Lei de Causa e Efeito que prefiro observar do ponto de vista espiritual. À toda ação moral correpondem efeitos morais semelhantes que retornam ao agente inicial. O melhor é que diferentemente da física, no campo das relações humanas e espirituais a reação nem precisa vir daquele que foi alvo da ação. Depois de realizada todo o cosmos conspira pelo retorno.

Ainda não é o fim.

sábado, 20 de novembro de 2010

Prêmio merecido ao RECA

Não costumo dar a mínima atenção às premiações recebidas por ONG's e personalidades, especialmente na área ambiental. Quase sempre são convescotes onde se premiam uns aos outros para turbinar carreiras e projetar interesses. O caso do Sergio Lopes tendo em referência o Projeto RECA foge a esta regra.

O RECA é uma excelente experiência e o Sergio certamente merece as homenagens que receberá do MMA. É mesmo de estranhar que o projeto não tenha sido replicado em outras regiões do Acre e da Amazônia. Está ali, a meu ver, uma das sementes mais férteis da viabilização de espaços economicamente deprimidos e ambientalmente ameaçados. Com adaptações a produtos, agricultores, infra-estrutura, mercado e aptidões específicas, muito provavelmente alargaria as possibilidades de promoção do desenvolvimento rural.

Muitos RECA's articulados poderiam promover a escala de produção necessária à conquista de mercados, gerando renda e emprego diretamente na atividade agrícola e em outros setores a ela associados. Esperemos que o prêmio ao Sergio Lopes sirva para animar os nossos dirigentes.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Saindo de uma e entrando em outra. É o Brasil.

Nem começou o governo eleito em 2010 e as especulações para as eleições de 2012 já começaram. No Acre o pessoal está bem assanhado. Na oposição, pelo menos 4 candidatos já se posicionam.

Marcio Bittar, ainda sem pisar no chão, começa a arquitetar um modo de golpear o Tião Bocalom no ninho dos tucanos. Penso que Marcio não será candidato. Se for, não será eleito.

Tião Bocalom pensa em reeditar a campanha deste ano. Tem todas as chances de ser candidato e melhores ainda de estabelecer acordos. Se der mais consistencia ao próprio discurso e apresentar um projeto para a cidade, será competitivo.

João Correia saiu bem dessas eleições. Não havendo acordo com outros partidos o PMDB pode lançá-lo isoladamente e aguardar o resultado, afinal um segundo turno é bem provável.

Luiz Calixto certamente se apresentará. Não creio que queira ser vice de quem quer que seja. Seu estilo duríssimo lhe garante certo espaço.

Entre os governistas há muito silêncio e incertezas. A dotação de emendas parlamentares para o próximo ano pode dar algumas pistas entre os atuais deputados federais. Neste campo ainda aposto em um nome novo, quem sabe uma versão masculina da Dilma.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Não se abandona um companheiro ferido na estrada.

Com a frase acima, o engenheiro conhecido como Paulo Preto, diretor de grandes projetos do governo de São Paulo, ex-assessor, arrecadador de campanha e outras coisas mais do candidato José Serra, deu em entrevista à imprensa um recado duro ao candidato. Sentiu-se abandonado quando em meio ao bombardeio da campanha o seu "amigo" esqueceu até que o conhecia. Este foi talvez o golpe mais duro na campanha do tucano que até então vinha atacando a Dilma do ponto de vista ético aproveitando as estrepolias da Erenice e dos diretores dos Correios. Estava ameaçado o discurso de honestidade do candidato.

Não quero discutir o mérito das relações entre o Paulo Preto e José Serra. Não as conheço. Quero me referir à condição de companheiro largado e esquecido. Quando José Serra respondeu a um repórter "Não conheço Paulo Preto", além do temor das consequências de uma possivel apuração das relações entre os dois, demosntrou ingratidão e covardia. Não encarou os fatos, não assumiu suas responsabilidades. Foi pusilânime.

O que tinha Paulo Preto contra o Serra para mandar aquele recado? Não faço a mínima idéia, mas era algo importante, pois em seguida o Serra recuperou a memória. Talvez alguma ação não muito republicana. Conhecendo o caráter do Paulo Preto, o Serra achou melhor se lembrar do companheiro ferido na estrada. Vai que o homem resolve falar, né?

Mas fosse o Paulo Preto um homem honrado e, mesmo assim, largado na estrada, ferido, teria como ser lembrado? Penso que não, pois homens honrados não ameaçam já que não tem cumplicidades a delatar, não possuem "podres" a exibir, não participam de fraudes. Fico pensando que talvez seja nisso que se amparam certos calhordas para abandonarem companheiros honrados feridos na estrada. Eles tem certeza de que a honra inibe a delação. O resultado esperado é que os amigos abandonados morram na estrada ou sejam resgatados pela sorte.

Mas se, de repente, um homem que não seja um Paulo Preto, que seja reto, honesto e leal, mas mesmo assim, se considere abandonado na estrada, resolve falar? Não para delatar pessoas e crimes, pois deles não participa, mas para provar o mau caratismo, denunciar a vilania, demonstrar a torpeza, exibir a alma maldosa, revelar o egoísmo, a avareza e a insensibilidade daquele que o largou na estrada. Estaria este homem deixando de ser honrado, reto, honesto e leal? Ainda mais se tratando de um homem público, é lícito ao mau caráter se escudar no silêncio das boas criaturas para praticar suas perversidades?

Tenho pensado muito nisso.

domingo, 14 de novembro de 2010

Lá e cá, acertos e desacertos.

Em viagem de trabalho, aprendendo um pouco mais sobre a extensão rural e a agricultura familiar. Quanto mais eu vejo mais me convenço da grande diferença entre o discurso e a realidade. Não fosse o bolsa-familia e as aposentadorias de nossos velhinhos...

O que leio na imprensa nacional me diz que nunca antes na historia deste pais uma eleição teve ressaca tão grande. Dentro do governo e fora dele. Vitoriosos não acertam o passo para governar e derrotados não se acertam para fazer oposição.

No Acre a expectativa em relação a 2012 já está fazendo falar quem deveria calar. Alguns se apressam para tomar lugar no volante do busão da oposição, outros gritam hoje para no futuro negociar e conquistar um lugarzinho na janela, os mais experientes esperam o resultado da luta fraticida.

O governador eleito parece primeiramente preocupado em delinear uma agenda de desenvolvimento para só em seguida preencher as desejadas caixinhas do organograma. Isso é bom. Alguns sinais indicam que certos latifúndios de poder serão preservados. Isso é mau. Aguardemos.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Como disse Rui Barbosa concluindo poema de Cleide Canton.

Publico o vídeo abaixo movido especialmente por notícias e impressões recentes.

Entrelinhas

É uma M... mas é a MINHA M... Não me peçam para dizer mais nada.

Alguém reconhece o lead implícito?

Ainda o voto do nordestino pobre e analfabeto.

Em artigo publicado ai do lado no site OUTRAS PALAVRAS a extraordinária economista, socióloga e atual professora do Departamento de Economia da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), Tânia Bacelar de Araújo, com quem, aliás, tive a honra de trabalhar na elaboração do PAS - Plano Amazônia Sustentável em 2003, faz um esforço bem sucedido par explicar a expressiva maioria obtida por dona Dilma no Nordeste. Segundo ela "Não é o voto da submissão – como antes – da desinformação, ou da ignorância. É o voto da auto-confiança recuperada, do reconhecimento do correto direcionamento de políticas estratégicas e da esperança na consolidação de avanços alcançados – alguns ainda incipientes e outros insuficientes. É o voto na aposta de que o Nordeste não é só miséria (e, portanto, “Bolsa Família”), mas uma região plena de potencialidades."

Um de seus argumentos é de que o emprego formal cresceu no Nordeste a uma taxa de 5,9% contra uma taxa nacional de 5,4%. Não creio que esta diferença se tenha dado no interior do nordeste, mas sim nas áreas litorâneas, onde se vinculam empresas ligadas ao Petróleo e à construção civi, principalmente.

Já disse antes que não me atrevo a tirar conclusões precipitadas a respeito disso. Precisaria, antes, fazer um cruzamento estatístico entre as seções ou municípios mais pobres e de maior anlfabetismo com seus resultados eleitorais e ver a importância relativa dos números no resultado geral. Não se pode negar os avanços dos últimos anos mencionados pela professora, de todo modo, visitando o interior do Ceará onde nasci, sinceramente, não vi ainda nenhum aspecto efetivo de libertação do eleitor como pretende a Tânia. Pelo contrário, nestas regiões o que fica patente, queiramos ou não, é o aprisionamento ao Bolsa Familia e às velhas práticas clientelistas, embora com agentes renovados. Quer saber, cogite-se eliminar o programa e veremos até onde vai a "auto-confiança, a esperança e o reconhecimento" das populações pobres e anlfabetas, sejam no nordeste ou em qualquer outro lugar.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Yo acuso al gobierno cubano - Joan Antoni Guerrero

Em carta aberta, o dissidente cubano Joan Antonio Guerrero acusa a ditadura castrista de descumprir o compromisso de libertar presos politicos, especialmente aqueles que não querem ser expatriados.

7 de Noviembre del 2010

Este 7 de noviembre se vence el plazo que el régimen cubano había dado para conceder la libertad a 52 presos políticos, de una lista de presos políticos que supera el centenar.

Hemos llegado al fin de este plazo y la única conclusión clara es la siguiente: se han producido destierros masivos de opositores y sus familiares al extranjero, pero no se ha hecho ninguna liberación efectiva en Cuba. Permanecen presos políticos de la Primavera Negra en la cárcel, cuyos nombres habían salido en los listados iniciales.

Los presos políticos que aun permanecen encarcelados son, paradójicamente, quienes han rechazado salir del país. "Paradójicamente", pues estas deberían ser las excarcelaciones más fáciles de llevar a cabo, en cuanto los injustamente encarcelados no necesitan engorrosos trámites para residir en el extranjero. El mensaje es claro: no hay espacio para la oposición ni para la libertad en Cuba.

Por otro lado, los destierros que se han producido hasta el momento no pueden considerarse liberaciones, ya que los ciudadanos cubanos aspiran a vivir en libertad en su país, y no en el extranjero; en paralelo, ha habido un aumento de la represión, nuevos encarcelamientos, actos de violencia contra la oposición interna, amenazas de muerte a las Damas de Blanco, persecución, acoso y golpes a la madre de Orlando Zapata Tamayo, a quien el régimen intenta amedrentar con el objetivo de que abandone la isla.

En definitiva, los cubanos siguen viviendo en un estado de terror y el castrismo sigue carbonizando cualquier esperanza de futuro, mientras afianzan su control las élites corruptas, amparadas por el sistema castrista, el cual no muestra ningún interés en contemplar el respeto de los derechos humanos para todos y cada uno de los cubanos.

En esta fecha queremos recordar que en el interior de las cárceles de Cuba siguen decenas de presos políticos y que, en consecuencia, la dictadura no ha cumplido con su promesa. Una promesa que sólo sería el principio de un proceso de cambio que va a ir, tarde o temprano, abriendo nuevos espacios de libertad en una isla que no pertenece al castrismo, ni a ninguna ideología.

Este hecho exige que desde cualquier instancia se redoblen los esfuerzos para demandar la libertad inmediata e incondicional de todos los presos políticos: aquellos que, en cualquier sociedad democrática, no se encontrarían en la cárcel por haber ejercido los derechos fundamentales de cualquier persona.

Tenho a impressão de que A Ilha está por um fio. A qualquer momento se romperá a linha de aço com que os Castro comandam a vida e a morte em Cuba.

domingo, 7 de novembro de 2010

Nem "O Globo" escapa do diversionismo de nossos analistas.

No jornal O Globo de hoje, em matéria com o título  Derrota de Dilma indica fim do dominio do PT no estado, acreanos, petistas no meio, anunciam a queda do vianismo e a derrota da FPA em novos embates. Com mais ou menos razão tenta-se explicar os resultados das eleições e assinalar algumas perspectivas.

A parte inusitada fica por conta da acusação que faz o jornalista Antonio Alves de que os sucessivos governos da FPA escolheram controlar a imprensa. "No Acre não existe imprensa, existe assessoria de imprensa. Quem ganha o governo leva a imprensa de contrapeso. A tentação de dominar os meios de comunicação parece irresistível." Demorou pra notar, hein?

Já o deputado eleito, Sibá Machado, prefere ver na derrota da Dilma uma questão de antipatia "As pessoas simplesmente não gostaram dela e pronto. Não tem explicação." De tão simplista, a opinião nem parece refletida.

Se de fato está selado o fim do petismo-vianismo no Acre como sugerem os entrevistados, o que não me parece certo, a causa central não é, seguramente, nenhum dos aspectos mencionados de modo ligeiro na matéria. O autoritarismo e o controle da imprensa são muito importantes - já assinalei isso em outro post, mas não determinariam o resultado proposto se houvesse satisfação com o desenvolvimento econômico do estado e com os serviços básicos prestados.

A propósito, o jornalista Nelson Liano Jr. faz uma abordagem hoje no jornal A Gazeta "Politica é como nuvens" que me parece bem mais próxima da realidade quando aponta questões cruciais a serem enfrentadas pelo novo Governador - industrialização do estado e solução da questão da saúde pública. É mais do que isso, mas este é o sentido das ações que podem recuperar o prestigio eleitoral da FPA.

O que dá para perceber de algumas declarações vindas da FPA é que a ficha caiu mas não se sabe aonde. Ou, então, não querem saber. Um sem numero de causas secundárias que são apresentadas para o desfecho da campanha com a acachapante derrota da dona Dilma parece estratégia para driblar o adversário sem de fato enfrentá-lo.

Pensemos, seguindo o raciocínio destes renitentes, que de agora em diante cessará a pressão sobre a imprensa, a rede pública de rádio e TV terá espaços fraternalmente divididos com a oposição, os sindicatos serão desaparelhados, os cargos serão preenchidos pelo mérito e não por aquela carteirinha, a administração será humanizada (era desumana?), na ALEAC a oposição jamais será atropelada pelo rolo compressor do governo, as instituições federais terão completa autonomia e as prefeituras terão o mesmo tratamento na efetivação de convênios. Que tal? Uma mudança e tanto, não?

Pois é. Mas não adiantará. Como se pode notar as mudanças são de estilo, de forma e não de conteúdo naquilo que é a função mesma do governo, ou seja, prestar serviços públicos de boa qualidade e direcionar os investimentos para criação de atividades que gerem oportunidades de emprego e renda. Este sim deve ser o alvo da mudança.

sábado, 6 de novembro de 2010

No governo, continuar é recomeçar. Sempre.

Um dos problemas da transição entre governos de continuidade é o açúcar que os de agora lançam sobre os dados do presente para adoçar a boca dos donos do futuro. Uns na tentativa de serem reconduzidos à sua parte no latifúndio do governo, outros para minimizarem o próprio fracasso.Quem entrega sua pasta sempre dirá que fez o máximo e que entre o antes e o depois a diferença é extraordinária. O nunca antes neste país (ou estado) virou vício de linguagem. Quando juntar todas as partes e resultados dos últimos quatro anos o novo dono do pedaço deve se perguntar por quê não teve a unanimidade dos votos de tão boa que a coisa está. Até se compreende que queira jogar a culpa no eleitorado, este ingrato.

A tendência de quem apresenta os relatórios de gestão é sempre superfaturar os resultados, os indicadores e as estimativas, fazendo com que o novo governante acredite que seu trabalho será tocar adiante o que já está em andamento com insuperável sucesso, ainda que na realidade signifique o itinerário do fracasso.

Outro dia conversei com um membro do alto escalão do governo. O homem parecia tão seguro dos dados que exibia que precisei contrapor seu júbilo com estatísticas oficiais. Não se deu por vencido. De cara foi logo dizendo: "Estes indicadores não servem, foram criados para realidades diferentes da nossa".  Ah, não. Esta cantilena de novo, não.

O meu conselho (se pudesse ser ouvido) aos novos governantes, mesmo os da continuidade é: OUÇA O RELATÓRIO DAS RUAS E RECOMECE.

Um abacaxi daqueles de Tarauacá (que dona Dilma ainda não conhece)

Interessante ler o artigo do jornalista Hélio Fernandes AQUI. O velho jornalista, com 90 anos de idade e mais lucidez que muitos boys da grande imprensa identifica com precisão um nó górdio do próximo governo. Um trecho vai abaixo:

"Dias antes do segundo turno e da ratificação do nome de Dona Dilma, o secretário do Tesouro (corretíssimo) publicou no Diário Oficial e revelou em entrevista, os números das DÍVIDAS: a interna e a externa. Ninguém escreveu, elogiou, protestou, analisou ou debateu esses números. Parece que não têm importância, na verdade é a altura deles que impede o investimento, compromete nosso desenvolvimento, mantem o país enganado em 'berço esplêndido'."

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Quando é obvio, tanto faz nos EUA como no Acre.

Bem longe do Acre, após as eleições parlamentares nos EUA, o senador democrata por Indiana, Evan Bayh, publicou um Artigo muito interessante tratando do futuro do seu partido e, por consequência, do governo Obama.

Se não soubesse antes, juraria que o autor é um membro lúcido da FPA.

O projeto. Sempre o projeto.

Recorto da coluna do Claudio Humberto: Aécio: PSDB precisa de 'projeto'


"O senador eleito Aécio Neves (PSDB), disse nesta quinta (4) que, antes de ter um nome para concorrer à Presidência da República, em 2014, o PSDB precisa definir um "projeto" a ser apresentado ao eleitorado do país. A declaração foi dada em resposta ao presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra e também pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que defendem que o PSDB antecipe para 2012 a escolha do seu candidato a presidente."

No Acre, o governador eleito Tião Viana convoca o professor Rego para dar feição a uma versão renovada do projeto em curso, se reúne com colaboradores e pede contribuições. Segundo suas próprias palavras, aguarda nova idéias de politicas públicas.

Estão certos os dois. O Aécio por saber que um dos problemas das oposições é a ausência de um projeto que marque claramente as diferenças entre o que pretendem e o que pretende o governo. Não dá pra ir às urnas em 2014 confundindo o eleitor com uma idéia de continuidade mitigada por tons de crítica. O Tião Viana por saber que na sua versão original a florestania deu o que tinha. Não dá pra ir em 2014, com pit stop em 2012, com mais do mesmo.

E as oposições no Acre vão com quê? Estarão contando apenas com a popularidade do senador Petecão para ganhar o Governo? Ou contam com a memória eleitoral de 2010 em torno de Tião Bocalom? Sei que sou insistente nesse negócio de projeto, mas, como se vê, não estou sozinho.

Se, como indicaram as urnas, uma vitória das oposições no Acre deixou de ser especulativa e passou a ser real, é preciso que seus representantes dediquem alguma energia ao desenho e proposição de um verdadeiro projeto de desenvolvimento para o Acre, em analogia ao que pretende fazer Aécio Neves em nível federal. Enganam-se aqueles que ainda embriagados pelo resultado de 3 de outubro ratificado no segundo turno pensam que agora é sentar e esperar o tempo passar.

Anotem. O governador Tião Viana é um político experiente, conhece bem o Acre e foi moldado em doze anos de convívio nas mais altas esferas políticas e administrativas do pais, tem bom conceito no Congresso e na opinião pública nacional, exerce boas relações com setores importantes da alta administração. Alem disso, lembremo-nos, a Dilma ganhou, o fluxo de recursos não cessará por causa da derrota no Acre. Por tudo isso o novo governador pode sim recuperar parte do eleitorado acreano, principalmente se, como anuncia, reciclar o projeto em curso e revigorar a administração, descupinizando-a e desbolorando-a.

Aguardemos.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

As cores dos mapas dentro dos mapas.

Os resultados do segundo turno das eleições geraram um mapa eleitoral publicado em vários jornais que, aproveitado por jornalistas e blogueiros (eu no meio) deu margem a comparações com mapas (abaixo) de analfabetismo e de pobreza. A alta correlação entre estes mapas possibilita interpretações diversas. Cada um que se responsabilize pela sua. Trato aqui de duas e, ao final, opino.




Interpretação 1.

A blogueira Adriana Vandoni recorrendo à tese de um amigo pesquisador cujo nome deixa de informar  explica que "Quanto menos tempo de estudo, mais concreto é o pensar. Não existe o pensamento subjetivo, não existe o longo prazo. Apenas o imediato, o acordar, tomar café, sair, voltar, comer e dormir. Já a pessoa com mais tempo de estudo aprende a raciocinar de forma mais ampla e percebe a subjetividade dos fatos. Quanto menos estudo a pessoa tem, mais fisiológica é sua forma de pensar."

Daí, conclui a blogueira que havendo correlação entre o eleitorado da Dilma e o analfabetismo, como parece gritante nos mapas acima, se poderia afirmar que a Presidente foi eleita por pessoas que pensam mais concretamente e valorizam as próprias exigências fisiológicas. É como dizer que o analfabeto vota com o estômago e, por isso elegeu a Dilma. Por outro lado, possuindo uma capacidade de pensar mais elaborada, os eleitores de maior grau de instrução valorizam a subjetividade dos fatos. Em resumo, os mais instruídos votam com o cérebro, portanto, mais conscientemente.

Estabelecida esta dicotomia, a parte mais ao norte e nordeste (em vermelho nos dois mapas) elegeram a Dilma.

Interpretação 2.

Hoje, em artigo publicado em vários veículos no Brasil, o sociólogo e presidente do Vox Populi, Marcos Coimbra tenta desfazer a versão apontada de que o Brasil atrasado (norte e nordeste) venceu o Brasil desenvolvido (centro-oeste, Sudeste e Sul). Para isto ele faz o exercício correspondente. Divide o eleitorado em dois, ou seja, norte e nordeste X centro-oeste, sudeste e sul, soma os votos de cada um e conclui que a Dilma ganha nos dois. Pronto. O Brasil seria assim plotado todo de vermelho (abaixo) e fica então evidenciado que não se pode atribuir à pobreza e ao baixo nível de instrução a vitória da Dilma.




Interpretação 3 (a minha).

Antes de frequentar a academia, aprendi com o poeta maranhense João do Vale que "dentro de um morcego tem um menorzinho e, se procurar direito, dentro do outro tem outro morceguinho."

Ora. O que faz o Marcos Coimbra é brincar com o leitor manipulando o universo do eleitorado. É evidente que no corte macro a Dilma ganha e o mapa fica vermelho. Quanto mais profundo o corte, mais aparecem as diferenças. Por isto, no corte municipal se pode ver o azul prevalecendo espacialmente nas regiões centro-oeste, sul e sudeste. Além disso, é com cortes iguais que se pode fazer comparações adequadas.

O que se pode afirmar sem medo de errar é que, considerando o nível municipal de análise, a Dilma foi vitoriosa na maioria dos espaços em que também se verificam as maiores taxas de analfabetismo e de pobreza (mapa abaixo). Inversamente, Serra ganhou na maioria dos espaços em que se verificam os menores índices de analfabetismo e de pobreza. Ponto.

Mapa da Pobreza



É possivel extrair dai que a eleição da Dilma se deve à ignorância e à pobreza? Esta é uma conclusão que não me permito, embora possa deduzir dos mapas que, majoritariamente, nos municípios de maior pobreza e analfabetismo foi ela que ganhou a eleição. Para dizer em que medida estes grupos foram importantes na sua eleição seria necessário um exercício estatístico simples mas trabalhoso que não farei.

Afirmar porém, como faz Marcos Coimbra a partir da divisão do território em dois, que o Brasil é todo vermelho, como diria o deputado acreano Moisés Diniz, seria a versão dos ganhadores.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

A lição que nem a FPA nem o Altino nem a Marina querem assimilar.

Como sempre, leio com muita atenção o que diz o Altino Machado em seu Blog, o mais prestigiado entre os acreanos e, talvez, da Amazônia. Em seu último post ele identifica nos resultados eleitorais recentes, uma lição dos eleitores que, segundo ele, reclamam da atual maneira de governar adotada pela FPA. Aponta razões do tipo  "o governo é perseguidor", "o governo cerceia a imprensa", "mente demais na propaganda", "o pessoal do governo é muito arrogante", "só tem vez no governo uma panelinha", "que manda mesmo é gente de fora", "acreano não tem vez" que explicariam o fio da navalha em que se encontra a florestania.

Ainda que concorde que as razões citadas estão mesmo por ai, desconfio que são tópicas. Estas não são as razões do povão. Sinto dizer, mas o buraco é mais embaixo, sim senhor. A razão de fundo é, principalmente, a limitada capacidade do projeto em curso de gerar empregabilidade e real desenvolvimento econômico. Além disso, ainda, os problemas na prestação eficiente de serviços básicos como saúde e segurança, a tutela dos sindicatos, a intimidação da imprensa, o desequilíbrio na relação com os outros poderes e a influência desmesurada nas organizações do estado incluindo a UFAC e até em organizações privadas. Portanto a verdadeira lição é de conteúdo.

Não duvido da capacidade do Governador Tião Viana de alterar este processo que expressa e, ao mesmo tempo, corrói a hegemonia conquistada. A sua experiência de 12 anos no Senado e sua participação permanente nas políticas do governo o garantem. Tenho dúvidas é de que o seu entorno ofereça as condições para tal com rapidez e profundidade.

De sua entrevista publicada hoje no jornal A Gazeta, extraio alguns bons sinais. Não renunciará à capacidade técnica de sua equipe, não haverá exclusivismo partidário em sua equipe, espera novos desafios de políticas públicas. Não é muito, mas como se tratava de uma entrevista relacionada com o resultado eleitoral da Dilma e não de Plano de Governo, penso que precisam ser registrados.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Mapas fundamentais para compreender o eleitorado.



No quadro acima dois mapas se comparam. O primeiro é do analfabetismo - quanto mais vermelho maior o percentual de analfabetos por município. O segundo é do resultado eleitoral - nos municípios em vermelho ganhou a Dilma e quanto mais forte o tom maior a diferença percentual. Nos municípios em azul a vitoria foi do Serra.

Como se vê, a correlação é gritante. O quadro foi retirado de uma análise que merece ser lida na página da Adriana Vandoni AQUI.

Abaixo temos o mapa da pobreza no Brasil. Quanto mais escuro, maior o índice de pobreza no municipio. Outra coincidência.

Mapa da Pobreza no Brasil



Nem precisa ser gênio pra saber quem são, aonde estão e por quê votam os brasileiros.

Acre, o mais tucano dos estados brasileiros. Por que será?

Com 7 em cada 10 votos acreanos, José Serra deu a maior lavada nas eleições presidenciais deste domingo. Pode-se dizer que o Acre é o mais tucano entre os estados. Parece piada, mas é o que os números dizem, apesar de o Estado viver sob hegemonia petista há 12 anos e ter mais 4 pela frente com o mesmo grupo no comando. Dos 22 municípios, paradoxalmente, a Dilma só venceu naquele em que o prefeito é tucano (ainda é?). Parece que quem nasceu para ser dindin jamais será sorvete.

Rio Branco também deu a Serra o seu maior percentual de votos entre as capitais brasileiras com 73,29%. De quebra, o Acre apresentou os dois municípios onde a Dilma foi menos votada em todo o Brasil. Em Porto Acre teve apenas 19% dos votos. Em Capixaba teve 20%. Os dois municípios são governados pelo PT.

Pelo que foi noticiado, ressabiados com os resultados contrários no primeiro turno, os líderes da FPA se empenharam como nunca para reverter a situação. Seria uma tarefa possivel, já que em 2006 aconteceu uma virada em favor de Lula. O melhor argumento era de que o eleitorado da Marina Silva no primeiro turno voltaria ao seu campo natural. Não voltou, ou não era mais a FPA o campo natural daqueles votos.

Nas primeiras palavras de avaliação do resultado, o novo senador Aníbal Diniz, certamente surpreso com o comportamento do eleitorado diz "Precisamos entender o que levou o eleitorado do Acre ter essa postura de hostilidade ao Lula e a Dilma". Não sou da FPA mas dou uma ajudinha ao Senador em quatro pontos listados sem ordem de importância.

1. Os votos acreanos na Marina Silva (23% no primeiro turno) eram em parte, também votos de rejeição à Dilma, pois a futura presidente foi identificada como algoz da senadora no Ministério do Meio Ambiente. Precisaria que a Marina viesse pessoalmente explicar a sua relação com a Dilma e pedir votos para ela. Como se manteve neutra, prevaleceu a rejeição.

2. Com um eleitorado pequeno e majoritariamente ligado à religião, as informações sobre a postura pró-liberação do aborto da Dilma se consolidou. A oposição usou fartamente este argumento para convencer os cristãos, o que fez com que se criasse uma maior resistência à mudança de voto.

3. A estratégia política da FPA no governo sempre foi apropriar-se da autoria e da realização dos projetos do governo federal no Acre. Se formos cotejar friamente no noticiário, veremos que nos últimos 12 anos nenhuma das obras ou projetos implementados é federal. Todos, sem exceção, foram divulgados como ações de responsabilidade do governo estadual. Na base do juntos e misturados até o bolsa-família em determinado momento deu carona ao "adjunto da solidariedade" para que se pudesse compartilhar o mérito. Neste sentido, o governo federal, Lula e Dilma junto, praticamente sumiram. No imaginário popular aparecem como pano de fundo e não como protagonistas. Não há Lulismo no Acre. Bom para a FPA, mas péssimo para a Dilma.

4. Diferentemente do segundo turno da campanha de  2006, desta vez a oposição foi à luta. Ao invés de se dispersarem e tomarem o rumo das praias em férias, os principais líderes tomaram o caminho dos municípios do interior e dos bairros da capital reafirmando a campanha do primeiro turno. Com o empate técnico para o governo e a vitória na capital, a oposição no Acre está com auto-estima elevada e pretende manter acesa a expectativa do eleitorado.

A questão que agora se apresenta é se, com a performance apresentada, reduz-se a força da FPA em Brasília, ou se haverá algum prejuízo em termos de transferência de recursos, de aprovação de projetos, de continuidade de obras etc.

É inegável que o resultado não aumenta o prestigio pessoal de alguns personagens, mas não creio que se reflita em menos apoio objetivo ao desenvolvimento do Acre. O estado é pequeno, suas demandas são pequenas vis a vis o orçamento da união e, de todo modo, serão 2 senadores e 5 deputados federais a dar sustentação ao governo. Além disso, o Acre, a terra de Chico Mendes, é emblemático. Não pode, por isto, ser largado ao vento, sob pena de se constituir pela voz da Marina Silva, principalmente, em ponta de lança a cutucar a sustentabilidade do projeto Dilma. Se alguém disser que o Acre terá menos atenção por causa da votação do segundo turno estará mentindo ou declarando uma vilania sem limites.

Por outro lado, os tucanos locais e seus aliados alcançam perante a cúpula de seu partido um prestígio que nunca possuiram. Aquele pensamento "por lá não temos chance" que contaminava as avaliações partidárias sobre o Acre foi eliminado. Está todo mundo dizendo que no Acre "We can". Assim, fica mais aceso o alerta à FPA. O Governador Tião Viana cuide em fazer em um ano alguns "milagres" bem concretos e perfeitamente comunicáveis, senão... 2012 vem ai.

Serra "é apenas o começo".

O discurso do Serra foi surpreendente. Tenho certeza de que a maioria esperava uma fala mais simples, de reconhecimento ao vencedor, de desejo de sucesso, de agradecimento e só. Não foi. O José Serra de certo modo chamou a responsabilidade para si e para seu partido. Longe de pendurar as chuteiras, ele calçou as luvas e foi para seu lado do ringue. Pelo visto não dará refresco.

Fato é que a oposição ganhou as eleições para o governo estadual em 10 estados que reúnem 52% da população, entre eles alguns dos mais importantes da federação e, a partir dai, pode articular com Aécio Neves no Congresso, e Beto Richa, Anastasia e Alckmin entre os governadores, uma trincheira em defesa de questões que ele mesmo explicitou - a liberdade e a democracia.

Haverá, contudo, dificuldades internas. A fila anda e quem está na vez do comando é Aécio Neves.

domingo, 31 de outubro de 2010

Dilma - um discurso previsível.

No primeiro discurso da Dilma, nada além da ratificação de promessas de campanha, a mão estendida à oposição, especialmente aos governadores eleitos, com a manjada promessa de relação sem privilégios ou compadrios, os agradecimentos ao Deus Lula (estes com toda razão) e nada mais. Um texto simplório, para dizer o mínimo. Luis Dulci faria bem melhor. De qualquer forma é bom guardar e cobrar depois, principalmente aquele trecho em que fala de liberdade de imprensa e de meritocracia na administração pública.

Agora é aguardar a formação do ministério. Imagino o tamanho da fatura que será apresentada por uma bancada de 400 deputados federais e mais de 50 senadores, todos sedentos por cargos e privilégios. Começar o governo com uma manada deste tamanho não será nada fácil. São bichos famintos. Talvez não haja leite para tantos bezerrinhos.

Continuemos

Ganhou o Lulismo. Ganhou o continuísmo. Continuemos, pois.

Marina Silva e Vianas sob alta arapongagem

Se confirmada a noticia divulgada por Mino Pedrosa AQUI e repercutida em blogs acreanos de que os Vianas e a Marina Silva estiveram sob arapongagem do governo federal, fica demonstrado mais uma vez que os subterrâneos são o território onde transitam com mais facilidade agentes do governo, bem ao estilo dos dossiês que fizeram contra os tucanos paulistas. Seria o escorpião provando do próprio veneno.

No que toca ao Jorge Viana, pelo menos na entrevista ao Alan Rick, não demonstrou qualquer preocupação com os seus arquivos apreendidos, devidamente copiados e sob análise pericial. A sua preocupação pareceu ser em relação à origem e interesse da investigação. Quer identificar com clareza o inimigo.

Já a Marina Silva, que entra agora como alvo de arapongagem incluindo o Fábio Vaz, seu marido, deverá se indignar. Imagine se ela vai calar perante uma ameaça ao seu capital mais valioso que é a postura ética e ilibada. Atentar contra este caráter de sua vida pública seria pôr em risco toda a sua formulação estratégica. A não ser que julgue melhor não mexer no lixo.

Marina Silva e sua estratégia.

Leio no portal Terra, com link no Altino Machado ai do lado, algumas declarações da Marina Silva. Entre elas, aquela cantilena pasteurizante de que Serra e Dilma são parecidos, são gerenciais, centralistas e nada estratégicos. Parece que a nossa Marina escolheu como estratégia, dizer que não é estratégico aquilo que não embarca na canoa do alarmismo ecológico. Segundo ela, parece, cuidar da saúde, da segurança e da educação dos brasileiros é menos estratégico do que criar unidades de conservação e reduzir o desmatamento.

Revelando mais uma vez o apego a chavões e frases feitas a Marina está adotando o termo "estratégico" como se fosse dona de sua definição. Para ela o bom é ser estratégico e estratégico é aquilo que ela acha que é estratégico, ou seja, bom é o que ela acha que é bom, o resto não serve. Dizer que o plano real foi uma sacada "estratégica" do FHC é uma bobagem sem limites. Nada de estratégico, o que houve ali foi um plano econômico feito por encomenda por economistas para debelar a inflação. FHC estava olhando para o presente, para a inflação estratosférica em que viviamos e nada mais. Se ao menos tivesse falado na lei de responsabilidade fiscal ou no Avança Brasil, mas o real? Tolice.

Do mesmo modo se pode dizer do Lula. Se tem algo que falta no Lula é pensamento estratégico. Lula não pensa além da próxima eleição. Se há algo de estratégico no seu pensamento ele guarda para seus encontros com Chavez, Evo Morales e Fidel Castro. Fora disso, distribui migalhas aos pobres, navega com a maré, encantoa a imprensa, pelega os sindicatos, aparelha o estado, satisfaz a voracidade da banca nacional e internacional e toca seu barco com pretensões ilimitadas.
 
É aceitável que a Marina pense estrategicamente. Ela é uma visionária, enxerga certo ângulo do movimento da ordem mundial em sua marcha, imagina que pode se antecipar a ele... até ai tudo bem, mas não dá para apropriar-se do termo e zerar o pensamento alheio sobre o futuro.

sábado, 30 de outubro de 2010

Gran finale na Globo. Agora é com o povo.



Os candidatos encerraram ontem na TV Globo suas campanhas. Foi um bom debate, um formato diferente, linguagem corporal à vista. Deu pra ver, por exemplo, que a Dilma caminha que nem sargento mostrando pra recruta quem manda no pedaço e deu pra ver a serenidade do Serra. Quem vai ganhar? Não sei. Penso que será ganha por menos de 4 pontos percentuais de diferença. É apenas uma intuição.

De todo modo esta eleição ficará marcada na história como aquela em que o governo federal, impunemente, se colocou descaradamente a operar em favor de uma candidatura. Nunca antes neste país um presidente da república havia jogado a liturgia do cargo no lixo, neste caso para empenhar pessoalmente ministérios e estatais na eleição de uma candidata sem lastro e sem lustro. Se o exemplo for seguido à risca daqui em diante, adeus democracia, adeus alternância do poder, adeus liberdade.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Escarafunchando as pesquisas, dá outra coisa.

Do Blog do Jamildo AQUI

"O publicitário Marcelo Teixeira, da empresa Makplan e que já trabalhou para tucanos e petistas pelo Brasil, analisou os últimos números da pesquisa Datafolha e diz que Dilma pode até ganhar as eleições, mas que as chances maiores de vitória são do candidato tucano José Serra. Quando todo mundo dizia que Dilma levaria no primeiro turno, em entrevista exclusiva ao Blog de Jamildo, analisando os mesmos dados do Datafolha, ele antecipou que haveria segundo turno."

De tanto ver pesquisas fraudulentas (As publicadas no Acre viraram piada) não acredito em nenhuma delas, porém, há quem se dedique a trabalhar com elas. Certas coisas fazem sentido.