quinta-feira, 30 de setembro de 2010

O aborto une Dilma e Edir Macedo. Vade retro.

O vendilhão de milagres, Edir Macedo, acudiu a dona DIlma na questão do aborto. Segundo ele são boatos, mas ele próprio defende o aborto. Interessante que em nenhum momento a dona Dilma, inclusive na entrevista de hoje, disse que é contra a descriminação; Ela diz textualmente que é contra o aborto porque se trata de uma violencia contra a mulher. Não diz que é contra por causa do feto. É que as perguntas estão sendo feitas de modo errado. Não se deveria perguntar se os candidatos são contra o aborto, mas sim se são contra a descriminação do aborto, o que é muito diferente.

De qualquer forma, temos a partir de hoje um novo elemento para julgar. A presença na campanha do mercador de milagres ao lado da Dilma. Se não houvesse outro motivo, este bastaria para decidir um voto ético.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

No ventre das urnas uma vida pulsa.

Enfim, o aborto entrou na cena com a força que merece. Movida pelo prejuizo eleitoral que a posição a favor da descriminação do aborto causou entre católicos e evangélicos, a dona Dilma desdisse hoje o que já disse outras vezes. As posições dos presidenciáveis a respeito são claras. A Dilma é a favor, a Marina quer plebiscito e José Serra é contra.

O trecho abaixo é de uma entrevista à revista Marie Claire dada pela candidata Dilma Roussef no ano passado. O grifo é meu. A posição à favor da matança de fetos é, juntamente com os escândalos da Casa Civil, um dos principais fatores de queda da candidata nas últimas pesquisas. Agora, de última hora, ela está revendo a posição.

Revista Marie Claire - Uma das bandeiras da Marie Claire é defender a legalização do aborto. Fizemos uma pesquisa com leitoras e 60% delas se posicionaram favoravelmente, mesmo o aborto não sendo uma escolha fácil. O que a senhora pensa sobre isso?

Dilma Roussef - Abortar não é fácil pra mulher alguma. Duvido que alguém se sinta confortável em fazer um aborto. Agora, isso não pode ser justificativa para que não haja a legalização. O aborto é uma questão de saúde pública. Há uma quantidade enorme de mulheres brasileiras que morre porque tenta abortar em condições precárias. Se a gente tratar o assunto de forma séria e respeitosa, evitará toda sorte de preconceitos. Essa é uma questão grave que causa muitos mal-entendidos.

Um vídeo do Pastor Piragine AQUI está fazendo um estrago danado entre os evangélicos. Mais recentemente o pastor Silas Malafaia, da Assembléia de Deus, retirou o apoio à Marina SIlva por causa da dubiedade de sua posição.  Abaixo uma trecho de sua resposta a uma manifestação do PT. As íntegras podem ser vistas AQUI

Silas Malafaia - O PT está na vanguarda da defesa do aborto e da PL 122. Estes são fatos reais, verdadeiros. Inclusive, no último dia antes do recesso parlamentar no senado no ano de 2009, se não fossem os senadores Magno Malta e Demóstenes Torres, a líder do PT teria aprovado na calada da noite, por voto de liderança, a PL 122. Isto é uma vergonha, e vocês querem que a liderança evangélica fique quieta!

Debate na Globo - Tião Viana, Tião Bocalom e Tijolinho

Acabo de ver o debate ao vivo na TV Globo entre os candidatos ao governo do Acre. Notei mais agressividade do que no anterior e uma estratégia diferente do Senador Tião Viana. Desta vez escolheu a desqualificação do opositor. É uma forma usual, mas arriscada de enfrentar o adversário, pois este pode se fazer de vítima e angariar a simpatia do eleitor, enquanto o outro passa por arrogante. Em 2002 o Crsitovam Buarque perdeu uma eleição praticamente ganha porque humilhou Roriz no debate.

O Tião Bocalom mantém um pecado mortal em debates. Não se vai a um embate desses sem números decorados ou numa fichinha ao alcance da mão. Determinadas afirmações adquirem mais credibilidade quando sustentadas em números. Boas réplicas poderiam ter sido dadas se o Bocalom estivesse tecnicamente preparado.

Outro dado é que quando se tem um debatedor tipo Tijolinho, se deve utilizá-lo para ancorar acusações ao outro que não terão respostas, ou afirmações em beneficio próprio que não serão refutadas. Isto não foi utilizado pelo Bocalom tanto quanto poderia.

O resultado é que, novamente, o preparo de Tião Viana não foi derrubado pelo ataque doTião Bocalom.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Lá vem o segundo turno. Esperando Marina.

Há quem pense como eu que se trata apenas de acerto para se aproximarem do resultado correto às vésperas da eleição, mas se acreditarmos nas pesquisas, com a meia volta que a carruagem deu vai haver segundo turno para as eleições presidenciais sim. Depois da descoberta das lambanças da Erenice na Casa Civil e do crescimento discreto, mas consistente, da Marina Silva, é provável que na segunda-feira o segundo turno se inicie com a dona Dilma na frente, mas segundo o DATAFOLHA, com uma diferença de apenas 13 pontos, o que obriga o Serra a tomar da Dilma nada menos que 7% dos votos. Não é pouco. Mas é possivel.

Se as eleições de Minas e de São Paulo forem resolvidas com vitórias dos candidatos tucanos no primeiro turno, é muito provável que a candidatura tucana adquira mais musculatura, pois os governadores dos dois estados mais importantes eleitoralmente estarão liberados para fazer campanha pró-Serra, sem o acanhamento atual que, por razões óbvias, os impede de confrontarem como gostariam a candidata do Lula 96% popular. Aécio Neves, por exemplo, eleito senador, poderá com o Anastasia a tiracolo ser muito mais incisivo e efetivo na cmpanha. Alckmin idem. Os exemplos são muitos.

Isto sem contar que até lá novas e reveladoras reportagens podem puxar o cobertor das falcatruas intra-governamentais. Não creio que os jornais e revistas tenham se intimidado pelo arreganho de autoritarismo dos que querem controlar a imprensa.

Outro fator importante, talvez o principal, será a Marina Silva, pois, reconheçamos, ela sai da campanha com um grande capital de votos e credibilidade. A quem ela declarará o voto? Em outra ocasião ela disse que no segundo turno o eleitor se esquiva do pior. Quem é, para a Marina, o pior? Se estivesse em julgamento a Dilma e o Serra, não tenho dúvidas de que a sua opão de voto seria pelo Serra. Mas não é. Neste enredo tem Lula, tem PT, tem petistas, tem história, tem florestania, tem Acre...

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

O debate da Record. Só Marina brilha.

Mais um debate, mais algumas performances para confirmar as candidaturas. Eu vi:

O Serra, como sempre, preparado, focado, sabe o que quer, sabe o que diz. Mas diz o mesmo do mesmo jeito. Sem brilho, sem carisma, sem empatia. É de fato um gerente, Seguro, franco, minucioso, mas opaco. Sua personalidade gera admiração mas não arregimenta fãs. Em eleições isto pode siginificar muita coisa.

A Dilma nem faz questão de refutar que foi inventda pelo Lula. Também não tem brilho, não gera sentimentos fraternos, gera expectativas. Seu mantra é "o Brasil mudou com o Lula e vai continuar mudando". Faz o trivial sem se comprometer. Esquiva-se como dá quando apertada do ponto de vista ético. Foi bem treinada.

O Plinio faz a parte bem humorada, embora trate de questões sérias. Ontem lhe deram uma atiradeira que ele usou pra todo lado. Não feriu de morte ninguém, mas causou incômodo principalmente à Dilma que incompetente ou conivente é responsável pela Erenice.

A Marina é a única que brilhou no debate. Tem treino e dominio das palavras. Tem sutilezas quando ataca e quando defende. Nas entrelinhas de sua fala incomoda os adversários, sua linguagem tem linha direta com o povo. Frases de efeitos e mesmo velhos pensamentos tomam vida nova em sua fala.

Se houve um vencedor no debate, penso que foi a Marina.

domingo, 26 de setembro de 2010

Hélio Bicudo. Aos 88 anos de idade na defesa da democracia.

Abaixo um pequeno trecho da entrevista do jurista Hélio Bicudo à gazeta online. Enquanto isso, jornais, joralistas e blogueiros tão progressistas quanto pré-pagos insistem em acusar a imprensa brasileira de golpista. Eles querem que as Erenices e suas famílias tenham licença para roubar.

Entrevista - Como militante político, imaginava voltar às ruas em defesa da democracia e da liberdade de imprensa?


Hélio Bicudo - A gente fica frustrado, depois de uma longa luta em prol da democracia, ver o que estamos vendo. E acho que não temos democracia, até pela maneira pela qual se conduz a vida pública, onde um grupelho toma conta do governo, pondo nele seus parentes, seus amigos... Não é o governo do povo. Veja a própria constituição do Supremo Tribunal Federal, onde não se fez uma consulta maior para a escolha dos ministros. Ela foi pessoal, feita pelo próprio presidente. Leis passam na Câmara e no Senado, por atuação da presidência da República, que transformou o Legislativo em algo sem a menor expressão.

sábado, 25 de setembro de 2010

Não, dona Dilma, a maior violência do aborto é contra a criança.



Mais uma vez a dona Dilma se enrola quando fala do aborto. Neste caso foi no debate promovido pela CNBB, onde ela jamais diria o que já disse em outras ocasiões. Note-se quem em nenhum momento a candidata trata do feto, da vida a ser assassinada. Segundo ela o "aborto é uma violência contra a mulher". É claro que é. Mas é mais ainda uma violência contra a vida do ser indefeso assassinado pelas abortadeiras.

Como recurso à enrolação o governo vem tratando o aborto (a dona Dilma repete) como questão de saúde pública. O povão não entende isso, não entende o que vem a ser. A pergunta deveria ser feita em situações mais claras. Eu perguntaria: Uma determinada mulher descobre que está grávida e por motivos pessoais não deseja ter filhos, não quer aquela criança. O estado deveria prover os meios para que ela faça um aborto seguro? Pronto. Simples assim. É sim ou não. Não tem talvez, não tem essa de saúde pública, não tem embromação.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

A liberdade de imprensa se aprimora pela liberdade de errar.

Um primor, o artigo do jornalista Ronald Carvalho publicado no Blog do Noblat acerca da liberdade de imprensa e da tentativa que o governo faz de restringí-la.  Abaixo, um trecho.

"O jornalismo é um vigilante de seu tempo. Cabe a ele escarafunchar o ilícito para que a Polícia, o Ministério Público e a Justiça cheguem à verdade da transgressão. Não exijam que uma reportagem seja perfeita. Ela foi feita para cometer erros.

Aos poderes públicos, pertence a função de corretor de ortografia da verdade. Todos os grandes escândalos comprovados nos últimos tempos, quando denunciados, continham erros que quase desmereciam a denúncia."

Noticias corretas e governos nem tanto.

Observando a movimentação de partidos, sindicatos, entidades e blogueiros ligados ao governo tentando acuar a imprensa, impedindo-a de investigar e noticiar as bandalheiras praticadas na administração pública, fico pensando que este pessoal andou fazendo estudo de caso das relações da imprensa com os governos locais. Quem sabe, o Maranhão tenha servido de inspiração para a definição de “como fazer com que a imprensa divulgue a noticia correta”.

Ultimos dias de campanha - uma nascente, dois rios, uma foz.

A semana está encerrando com dois movimentos distintos, porém originados no mesmo fato. O primeiro é o debate com direito a reuniões públicas em torno da liberdade de imprensa. Personalidades e intelectuais de todos os campos assinaram e publicaram um MANIFESTO no qual procuram alertar a sociedade para os excessos praticados pelo presidente Lula em sua desenfreada ação eleitoral em defesa de sua candidata, o que inclui, como vimos nas últimas semanas, a precipitação de tentar conter no grito a liberdade de imprensa - "a opinião pública somos nós!". Do outro lado, ou seja, do lado do governo, partidos, sindicatos, organizações e blogueiros financiados com recursos públicos acusam a grande imprensa de golpista, de tentar acuar o presidente e de representar a elite brasileira contra os interesses dos trabalhadores. Nesta quinta-feira fazem manifestação (que ironia!) na sede do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo.

O segundo é a alteração da tendência verificada nas pesquisas eleitorais. A última, do DATAFOLHA colheu uma pequena queda da Dilma e um pequeno crescimento dos opositores. Na soma, menos 5% de chance de liquidar a eleição no primeiro turno. Comparados com os índices da eleição passada (que teve segundo truno), os atuais apontam na mesma direção.

O fato que originou tudo isso foi a divulgação de que a Casa Civil, ainda sob o comando da dona Dilma, através de seu braço direito, Erenice Guerra, e sua parentalha (da Erenice) instalada em postos da administração pública, havia se transformado em quitanda de facilidades, na base do "mamãe resolve". Houve quem confessasse ter recebido 200 mil reais de propina dentro do Palácio do Planalto. Como efeito dominó vários apadrinhados caíram, a começar pela própria Ministra Erenice. Antes, houve a repercussão da violação do sigilo fiscal de pessoas próximas ao candidato José Serra. Ao divulgar os fatos a imprensa foi apontada pelo próprio presidente como adversária política a ser derrotada.

Então, temos o seguinte: Os fatos - quebra do sigilo fiscal de adversários do governo e o descalabro ético praticado a partir da Casa Civil; um desdobramento politico - debate entre organizações contra e a favor da total liberdade de imprensa; um desdobramento eleitoral - fortalecimento da perspectiva de segundo turno identificado nas pesquisas de intenção de voto.

De qualquer maneira os dois movimentos se encontrarão em 3 de outubro com a fala das urnas. Se a dona Dilma ganhar as eleições no primeiro turno, muito provavelmente o  movimento restritivo da liberdade de imprensa tomará corpo, será "legitimado pela vontade popular" que terá sacramentado o governo em toda sua extensão e derrotado a "imprensa golpista". Se houver segundo turno, ganha a liberdade de imprensa e a oposição que terá derrotado o viés autoritário do governo.

Ocorre que em eleições dez dias é muito tempo. Até lá, muita água vai rolar. Ou lama.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Os intocáveis malfazejos.

Andei vendo alguns debates ocorridos em vários estados nos últimos dias. Me chamou a atenção o comportamento de alguns candidatos, principalmente daqueles que ocupam ou ocuparam o governo e tem contas a prestar. Os caras se acham intocáveis, não aceitam acusações nem cobranças. Até desenvolveram algumas táticas para fugir às responsabilidades. Na primeira tentativa do adversário de mostrar erros, escândalos, desvios ou mesmo o não cumprimento de metas, o perguntado logo se sensibiliza, faz cara de ofendido e humildemente reclama a elevação do nível do debate, diz que não quer baixaria etc. Outra tática é mandar cobrar do Tribunal de Contas que aprovou totas as despesas. Não é engraçado? Com isto, verdadeiros meliantes se esquivam de responder ao que interessa que é o que fizeram quando governaram.

O caso de Joaquim Roriz no DF é emblemático. Depois de ser governador por quatro vezes, o candidato é hoje acusado por todos os lados. De velhos adversários da esquerda a antigos colaboradores da direita, todos têm motivos para lhe mandar o pau. Precisa ver é a cara de coitado que faz o Roriz. Suas respostas inciam sempre por dizer que não vai entrar na baixaria. Ora, ora. Vai não por quê? Que negócio é este? Para que serve então o debate?

No fundo tudo isso é resultado de um fenômeno peculiar que ocorre na sociedade brasileira que é a aversão ao conflito. A maioria do eleitorado não gosta da troca de acusações, dedos em riste, palavras fortes, postura veemente. Prefere se entreter com o tal debate de "propostas" que de tão iguais praticamente homogeneizam os candidatos. Os marqueteiros descobriram isso e blindam seus candidatos com essa pantomima.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

MANIFESTO EM DEFESA DA DEMOCRACIA


Abaixo vai o MANIFESTO que intelectuais e personalidades do porte de Ferreira Gullar, D. Paulo Evaristo Arns, Miguel Reale JR, Hélio Bicudo e Marco Antonio Villa estão assinando em reação ao itinerário de autoritarismo seguido pelo presidente Lula. Eu sou apenas um brasileiro que ama a liberdade. Atrevo-me e assino.

MANIFESTO EM DEFESA DA DEMOCRACIA
Em uma democracia, nenhum dos Poderes é soberano.
Soberana é a Constituição, pois é ela quem dá corpo e alma à soberania do povo.
Acima dos políticos estão as instituições, pilares do regime democrático. Hoje, no Brasil, os inconformados com a democracia representativa se organizam no governo para solapar o regime democrático.
É intolerável assistir ao uso de órgãos do Estado como extensão de um partido político, máquina de violação de sigilos e de agressão a direitos individuais.
É inaceitável que a militância partidária tenha convertido os órgãos da administração direta, empresas estatais e fundos de pensão em centros de produção de dossiês contra adversários políticos.
É lamentável que o Presidente esconda no governo que vemos o governo que não vemos, no qual as relações de compadrio e da fisiologia, quando não escandalosamente familiares, arbitram os altos interesses do país, negando-se a qualquer controle.
É inconcebível que uma das mais importantes democracias do mundo seja assombrada por uma forma de autoritarismo hipócrita, que, na certeza da impunidade, já não se preocupa mais nem mesmo em fingir honestidade.
É constrangedor que o Presidente da República não entenda que o seu cargo deve ser exercido em sua plenitude nas vinte e quatro horas do dia. Não há “depois do expediente” para um Chefe de Estado. É constrangedor também que ele não tenha a compostura de separar o homem de Estado do homem de partido, pondo-se a aviltar os seus adversários políticos com linguagem inaceitável, incompatível com o decoro do cargo, numa manifestação escancarada de abuso de poder político e de uso da máquina oficial em favor de uma candidatura. Ele não vê no “outro” um adversário que deve ser vencido segundo regras da Democracia , mas um inimigo que tem de ser eliminado.
É aviltante que o governo estimule e financie a ação de grupos que pedem abertamente restrições à liberdade de imprensa, propondo mecanismos autoritários de submissão de jornalistas e empresas de comunicação às determinações de um partido político e de seus interesses.
É repugnante que essa mesma máquina oficial de publicidade tenha sido mobilizada para reescrever a História, procurando desmerecer o trabalho de brasileiros e brasileiras que construíram as bases da estabilidade econômica e política, com o fim da inflação, a democratização do crédito, a expansão da telefonia e outras transformações que tantos benefícios trouxeram ao nosso povo.
É um insulto à República que o Poder Legislativo seja tratado como mera extensão do Executivo, explicitando o intento de encabrestar o Senado. É um escárnio que o mesmo Presidente lamente publicamente o fato de ter de se submeter às decisões do Poder Judiciário.
Cumpre-nos, pois, combater essa visão regressiva do processo político, que supõe que o poder conquistado nas urnas ou a popularidade de um líder lhe conferem licença para rasgar a Constituição e as leis. Propomos uma firme mobilização em favor de sua preservação, repudiando a ação daqueles que hoje usam de subterfúgios para solapá-las. É preciso brecar essa marcha para o autoritarismo.
Brasileiros erguem sua voz em defesa da Constituição, das instituições e da legalidade.
Não precisamos de soberanos com pretensões paternas, mas de democratas convictos.



Debate na Gazeta. Tião Viana, Tião Bocalom e Tijolinho. O que vi.

Vi o Tião Viana com a tranqüilidade de quem já se considera eleito. Está nadando de braçadas, acima do bem e do mal. Tem a maior experiência politica, detém as informações, os dados, os fatos e um programa de governo. Tem defesas. Pode escolher o que responder, pode deixar o adversário de “saia justa” com perguntas além do seu conhecimento, pode apontar números absolutos que confirmam suas teses, pode dizer que o Acre mudou, pode exibir o apoio do governo federal atual e futuro (pelas pesquisas, Dilma também está eleita), enfim, pode se dar o direito inclusive de não debater o que julgue incômodo e, ainda, por vezes, fazer campanha para os candidatos ao Senado.

Vi o Tião Bocalom com a tenacidade de quem precisa crescer. Nas suas condições, está correndo atrás, como se diz por ai. Tem uma artilharia, alguns dados, fatos, convicções e exemplos. Não tem é um programa que organize suas idéias e que dê sentido a suas propostas que sempre soam desarticuladas, sem o necessário embasamento teórico e prático. Em matéria de planejamento Bocalom não passou da fase do brainstorm.

Vi o Tijolinho como é o Tijolinho. Uma dessas particularidades da democracia que servem para legitimá-la.

Penso que foi um bom debate. Poderia ser melhor se tivesse sido mais politizado, afinal é de política que estamos tratando. Muitas perguntas de cunho político poderiam ter sido feitas. Muitas posições poderiam ter sido cobradas e muitos compromissos poderiam ter sido assumidos de modo mais firme.

O tom hilariante ficou por conta do apresentador na introdução, se é que me entendem.

RESEX Chico Mendes e pagamento por serviços ambientais - tréplica ao autor do artigo

O pesquisador e professor da UFAC Raimundo Cláudio, autor da pesquisa e do artigo que ao final propõe que a diferença entre a renda na atividade sustentável e a renda necessária à reprodução familiar na RESEX Chico Mendes seja paga pela sociedade a título de remuneração por serviços ambientais prestados na área, fez no blog do Evandro (Ambiente Acreano) uma RÉPLICA ao post deste blog que, por questão de espaço e forma, prefiro treplicar aqui mesmo.

Caro Professor Raimundo Cláudio.

Em primeiro lugar, parabéns pela pesquisa e também pela proposta. Poucas vezes temos lido algo a respeito das RESEX que não sejam loas e falsificações da realidade crua com a qual se defrontam diariamente os moradores das reservas extrativistas.

Em segundo lugar, um esclarecimento. Não fui eu que "decretei" o fracasso das reservas. Isto foi obra da própria incapacidade de sua concepção original de prever como, aliás, sustentei à época em que morava no Acre e participava deste debate, a inviabilidade econômica da produção local em um sistema de livre concorrência.

Em terceiro lugar, uma ressalva. Os outros dois eixos além do econômico, ou seja, o ambiental e o social, somente podem ser considerados resolvidos em termos do que viria a ser não fosse a reserva.

Se me permite trocar em miúdos para facilitar a compreensão dos leitores do blog, a prudencia ambiental não foi alcançada em termos absolutos, dado que houve significativa alteração da cobertura vegetal exigida pela pecuarização na área. Pode-se dizer, contudo, que em vista da tendência verificada à época da criação da reserva, muito provavelmente houve um ganho importante de manutenção da floresta.

Quanto ao social, dá-se o mesmo. Não parece razoável afirmar que os moradores da RESEX Chico Mendes tenham experimentado grande ascenção social ou que mediante indicadores sociais tenham se diferenciado significativamente da média regional. Pode-se dizer, contudo, que lá permaneceram em grande parte, evitando o esvaziamento da área e, muito provavelmente, uma mudança radical para pior em seu modo de vida.

Se estou certo, é no eixo econômico que no seu próprio dizer não está resolvido, que as coisas se complicam. Sem ele, a prudencia ambiental fica ameaçada (pecuarização) e os indicadores sociais não avançam como necessário. Lembremo-nos que a RESEX Chico Mendes comemorou aniversário de 20 anos. Se durante este período ao invés de fracionar a sociedade em bonzinhos-preservacionistas e mauzinhos-devastadores, os governos tivessem dedicado um olhar científico ao problema, teriam cedo constatado que neoextrativismo ou outro neo que se queira só funciona combinado com neosubsídio. Sem ele é neoatraso.

A imprensa livre em risco.

O texto abaixo é parte do Editorial do "Estadão" desta terça-feira que merece ser lido, relido, debatido e transmitido.

"Assim, movido por sua arraigada tendência ao autoritarismo messiânico que é a marca de sua trajetória na vida pública, Lula parece cada vez mais confortável na posição de dono de um esquema de poder que almeja perpetuar para alegria da companheirada. Um modelo populista, despolitizado, referendado pela aprovação popular a resultados econometricamente aferíveis, mas que despreza valores genuinamente democráticos de respeito à cidadania, coisa que só interessa à “zelite”. Tudo isso convivendo com a prática mais deslavada do patrimonialismo, coronelismo, clientelismo, tráfico de influência, cartorialismo, aparelhamento e tudo o mais que Lula e seu PT combateram vigorosamente por pouco mais de 20 anos, para depois transformar em seu programa de governo. E em toda essa mistificação o repúdio às elites é a palavra de ordem e a imprensa, o grande bode expiatório."

Encimado nos píncaros da glória e popularidade, Lula escolheu como alvo a imprensa, aliás, a imprensa que não se ajoelha. Sindicatos, jornalistas e blogueiros pré-pagos fazem côro. Querem mais espaço para participarem do botim aos cofres da viuva ainda que signifique mais arrocho em suas gargantas. Muitos se comportam como leão de circo, não se incomodam com a ameaça do chicote desde que na outra mão o domador lhe mostre um biscoito.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Revista Veja é alvo de pesquisa na PUC.

Como diz um amigo, recomendo VIVAMENTE a leitura do texto publicado no site  CONTROVERSIA que, aliás, é uma entrevista do jornalista Rodrigo Vianna com o também jornalista Fábio Jammal Makhoul a respeito da pesquisa realizada por este último, cujo título "a Veja e o anti-jornalismo" resume o resultado a que chegou após escarafunchar a revista Veja.

Depois de entender que para alguns imprensa boa é imprensa a favor, recomendo que visite o site do jornalista entrevistador Rodrigo Vianna. Lá se pode ver entre as páginas que ele indica quem são aqueles que ele considera "jornalistas éticos", o que a revista Veja, decididamente não é.

domingo, 19 de setembro de 2010

Eles compram remédios superfaturados e nós TAMIFLU.

Uma dos nós da rede de propinagem incrustrada no Gabinete Civil da República foi a compra do remédio TAMIFLU, específico para a gripe suína que andou alarmando muita gente em 2009, eu no meio. O governo, premido pelas circunstâncias rsolveu comprar de uma vez só nada menos que 400 milhões de reais do remédio. Não conheço ninguém que tenha que tomado o dito cujo, mas mesmo que tenha sido muito utilizado, o que duvido, sobrou TAMIFLU no balde. Daqui mais um tempo, com a validade vencida, vai tudo pro lixo.

Engraçado que o remédio só tem um fornecedor, portanto, com comprador exclusivo no Brasil (o governo) e com vendedor esclusivo (o laboratório), não havia a menor necessidade de uma fornada tão grande do medicamento. O governo poderia ir comprando de acordo com as necessidades. Acontece que nestas condições a propina é tão mais alta quanto a compra, então o governo mandou no teto, embora a necessidade estivesse no piso. Segundo narrativa de Vinícius de Oliveira Castro, o aloprado que deu com a lingua nos dentes, foi por isto que um sujeito lhe jogou um envelope com 200 mil reais no colo, nas dependências da Casa Civil, sem que ele tivesse qualquer participação no negócio. Com TAMIFLU no balde, a grana é na cuia grande.

RESEX Chico Mendes. Se assim é, assim seja. Mas sem enrolação.

O bom Evandro publica em seu blog Ambiente Acreano exertos do estudo  Pagando pelos Serviços Ambientais: Uma proposta para a Reserva Extrativista Chico Mendes, de autoria dos pesquisadores Raimundo Claudio Gomes MACIEL1, Bastiaan P. REYDON2, Jeísa Accioly da COSTA3 e Gardênia de Oliveira de Oliveira SALES4 publicado na revista Acta Amazônica, vol. 40(3) 2010: 489 – 498.

Li o texto integral do artigo no link recomendado pelo Evandro e chego mais uma vez à conclusão de que sempre estive certo em relação às RESEX. Diferentemente do que supunham os autores do neo-extrativismo e outros neologismos, é muito baixa a rentabilidade dos "produtos dos povos da floresta" como normalmente os chamam romanticamente politicos e ongueiros, o que obriga os moradores das reservas extrativistas a migrarem suas atividades no sentido da pecuária com consequências imediatas na cobertura florestal, declarando o fracasso das RESEX em sua concepção.

Os autores da pesquisa calcularam que a renda necessária para reprodução familiar na região da RESEX Chico Mendes fica em torno de R$ 9.376,00/ano/UPF. Ocorre que a sua produção sustentável, basicamente castanha e borracha, alcança em média apenas R$ 2.840,00/ano/UPF, ou seja, 30,2% do que uma familia precisa para apenas sobreviver naquelas circunstâncias e ambiente. Não está previsto no estudo qualquer perspectiva de acumulação de riqueza.

O estudo propõe que a sociedade arque com a diferença como pagamento por serviços ambientais prestados na área ocupada pelas familias. Isto seria suficente para estancar o processo de pecuarização e, em médio e longo prazo possivelmente fazê-lo regredir ao ponto de mera constituição de reserva de valor.

Isso tudo tem nome. Mesmo a pretexto de serviços ambientais, chama-se SUBSÍDIO, é transferência de renda da sociedade para determinado grupo e como tal deve ser encarado por governantes sérios. A pergunta é: A sociedade deseja pagar, via SUBSÍDIO, 70% da remuneração da atividade própria dos moradores das reservas extrativistas? Pergunte-se à sociedade, exerçam com ela um debate claro nestes termos e ela dará uma resposta. Da minha parte, sou a favor. E que os governantes anunciem em todos os lugares, com todas as letras, que adotará tal politica de SUBSÍDIOS. Ao mesmo tempo parem de enganar a população com neologismos e slogans que ao invés de ajudar, apenas politizam e, por isto, retardam a solução de um conflito que não é, como preferem alguns, entre bonzinhos e mauzinhos, mas apenas de viabilidade econômica.

sábado, 18 de setembro de 2010

Mais escândalos, mais "eu não sabia" e mais "efeito teflon".

O fio da meada foi puxado e parece que não acaba nunca. O Gabinete Civil da Dilma era uma quitanda de facilidades operada, pelo que se sabe até agora, por seu braço direito Erenice Guerra. A revista Veja desta semana traz mais escândalos. Não há como contestar, aquilo ali era uma zona.

O mantra "eu não sabia" já começa a ser recitado. Se colou no mensalão, por que não haveria de colar agora? A campanha blinda a candidata que não fala mais com a imprensa. Quem fala é Lula em campanha. E dá-lhe a mistificação de sempre. Em lugar de explicar, é hora de confundir. A aposta é que não há mais tempo para que a população perceba o que acontecia na ante-sala da Dilma quando ela era Ministra.

Do lado do Serra uma visivel perplexidade com os fatos e, mais ainda, com a anestesia a que o povo foi levado por anos de mstificação. O "teflon" de Lula serve à Dilma. Nada gruda na candidata. Nem o fato de seu braço direito estar enrolada até o pescoço em falcatruas de toda ordem.  A campanha do Serra não consegue empolgar as pessoas, não consegue vencer o peso do Lula, não consegue mobilizar a razão. Caminhamos assim para a eleição da Dilma em primeiro turno.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Pesquisas eleitorais. Por enquanto, jogue-as no lixo.

"Na política local, pesquisa confiável só se vai ter mesmo no final do mês." Silvio Martinello.

Poucas pessoas no Acre tem tanta vivência politica de lado a lado quanto o dono do jornal A Gazeta, Silvio Martinello. A frase acima, que pinçei de suas gazetinhas publicadas hoje, famosas por dizerem em um ponto e uma virgula o que outros precisam de uma página, o bom Silvio admite que os institutos de pesquisa, IBOPE no meio, só são confiáveis às vésperas das eleições. Concordo com ele em parte.

Explicando a frase curta do Silvio, o que acontece é que antes da última pesquisa os institutos são instrumentos de manipulação eleitoral. Servem a quem pagar e dão os resultados sob encomenda com o objetivo de projetar algumas candidaturas, de soterrar outras, de animar a militancia, de angariar recursos financeiros, de estimular acordos etc. A população, bombardeada com os números dos institutos tende a correr para os braços de quem está na frente. É o efeito manada. Com baixa consciência politica o cidadão não quer "perder o voto".

Os institutos somente se aproximam da verdade às vésperas da eleição como diz o Silvio porque precisam manter a credibilidade perante os números reais revelados pelas urnas. Se errar por muito perde a credibilidade e o freguês. A minha discordância parcial do Silvio é em relação ao aspecto "local". É certo que em nível nacional a coisa fica mais dificil porque há a concorrência, mas isto os institutos resolvem atribuindo as diferenças à "metodologia", esta palavrinha mágica e distante da população que serve para encobrir acordos nacionais tão escabrosos quanto os locais.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Companheiro nem sempre é companheiro.

Tem um ditado muito comum nos dias de hoje que diz o seguinte "Companheiro é companheiro e f.d.p é f.d.p." Nao faço a mínima idéia de onde surgiu mas cabia direitinho na forma como o governo trata seus membros, partidários e aliados. Os exemplos são inúmeros. Desde a queda do Zé Dirceu que só se consumou pelo empurrão do Roberto Jefferson  muitos outros casos provaram que o presidente Lula tem dificuldades para agir contra companheiro. Lembra do escândalo do Senado? O companheiro Sarney contou com tanta solidariedade que o companheiro senador Tião Viana foi sacrificado. Companheiro é companheiro, mas tem companheiro mais companheiro que outros.

Dizem que o presidente tem bom coração. Acho que ele tem é esperteza. Com escândalos pipocando aqui e ali é bom ir se livrando dos incômodos mesmo que sejam companheiros. Na situação atual, melhor perder o braço direito da Dilma do que votos que possam levar a campanha para o segundo turno. O ditado acima está sendo reescrito para "Companheiro f.d.p. é f.d.p e f.d.p companheiro é companheiro."

Toda vitória vale a pena? Ao que parece, na política sim.

Dizem que é de Ulysses Guimarães a tese de que em política nunca se deve estar tão perto que não se possa separar e nem tão longe que não se possa juntar. Um pensamento de quem sabia das coisas e fazia politica como poucos. Uma lição de prudência.

A questão é: quais os limites do perto e do longe? Como se define estes limites na política? Penso nisso sempre que vejo ardorosos inimigos andando de mãos dadas e velhos companheiros se esbofeteando.

Para os mortais que cultivam certos valores éticos, se determinado politico passa anos atribuindo a outro má conduta, atos ilícitos, corrupção, desvio de recursos, incompetência na administração, estaria seguramente extrapolando os limites do longe, ou seja, da possibilidade de se juntar, afinal, não é razoável juntar-se ao que não presta. Por outro lado, se determinado político passou anos a fio de braços dados com outro, lhe fazendo elogios, endeusando-o, ressaltando suas virtudes e caráter, estaria também extrapolando os limites do perto, ou seja, da possibilidade de separar. Em qualquer dos casos seria incoerência não permitida aos olhos de Ulysses Guimarães.

Nestas eleições, mais que nas outras, estamos assistindo o desfile de incoerências da espécie. Outro dia, num debate entre os candidatos ao governo do DF, para o qual concorre com grandes chances de vencer o ex-ministro Agnelo Queiroz, o vi confrontado com esta questão. Como ele explicaria compartihar a chapa com Tadeu Filipelli sendo que este foi durante décadas ligado ao Joaquim Roriz, seu secretário de obras, e para todos os efeitos um ladrão contumaz? A resposta foi tosca, mas emblemática. Segundo o candidato, aquela era uma aliança nacional vitoriosa.

Agnelo Queiroz deu o braço ao que sempre considerou o segundo maior "ladrão" da história de Brasilia (o primeiro maior seria o Roriz), extrapolando de longe todos os limites éticos e mesmo a prudência invocada pelo doutor Ulysses, para ganhar a eleição. A companhia de um "ladrão" não o incomoda desde que o resultado eleitoral lhe seja favorável.

É o que vejo acontecendo a torto e a direito principalmente nas alianças da candidata Dilma nos estados. De Collor a Jader Brbalho, passando por Sarney et caterva, há exemplos de abraços com gente de quem outrora se falava barbaridades, muitas delas verdadeiras. Os inimigos de hoje são outros. Que provavelmente serão os amigos de amanhã e por ai vai.

Ulysses estava errado. Era de outra época e de outra estirpe, acho. Nos dias de hoje não há o longe nem o perto. Não há limites para juntar nem para separar. Aboliram todos os escrúpulos em nome da vitória. Feio é perder, o resto não interessa.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Baixaria é outra coisa.

Quando vejo argumentos como os recentemente exibidos pela Marina Silva, do tipo "não devemos politizar as denuncias" ou "não podemos deixar que as denúncias sejam aproveitadas politicamente", fico pensando que os desonestos, ladrões e corruptos acharam um jeitinho manhoso de se safar. Qualquer coisa que se diga contra alguém, lá vem a cantilena de que é baixaria, oportunismo eleitoral etc.

Ora, ora. Isso é argumento de safado que não tem como se explicar. Eleição é pra isso, é para mostrar antagonismos e diferenças. Se a Receita Federal se transformou na "casa da mae jaoana" onde qualquer um tem acesso aos dados de qualquer um, preferencialmente de adversários políticos, é agora que o assunto tem que ser discutido. Se o Gabinete Civil da Presidência se transformou na quitanda onde se vende influência politica para realização de contratos, pois esta é a hora de sabermos. Quem for acusado que se defenda, se puder.

Acho o fim da picada este negócio de não responder as acusações com essa mania de "baixaria". Campanha eleitoral não pode significar silêncio sobre o crime, ou sobre a incompetência de membros do governo ou da oposição. Pelo contrário. É hora de mostrar.

Baixaria é mentir, é enganar, é dizer que fez o que não fez, é acusar sem provas, é exibir dados falsos, é prometer o impossível, é fugir da responsabilidade. Acusar com provas, insistir no esclarecimento dos escândalos, mostrar a realidade dos fatos e dados, exigir o cumprimento de promesas anteriores é campanha da melhor qualidade.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

O "consultor" filho da Ministra Erenice escreve como age. Sem noção.


Eis o desmentido do filho prodígio da Ministra Chefe do Gabinete Civil da República. Depois de lê-lo, responda: Voce contrataria este gênio como consultor? Entregaria a ele a responsabilidade de redigir um contrato? Permitiria que ele construisse a "argumentação e o embasamento legal" de um contrato milionário? Ou o mandaria de volta à escola de primeiro grau?

No final do mês de dezembro do ano de 2009, o sr. Fábio Baracat, me procurou com o problema de que a empresa ao qual se dizia sócio, e que inclusive, apregoava que estava assumindo o controle total, a MTA Linhas Aéreas, estava quase expirada sua autorização para voar e solicitando ajuda no sentido de trabalhar e resolver tal situação. Informei ao senhor Fábio que, estando cumpridas todas as regras e requisitos de segurança operacional, havia a possibilidade legal prevista na legislação vigente, da concessão de outorga pelo Diretor Presidente da ANAC, pelo expediente AD REFERENDUM, conquanto a empresa também estivesse regular quanto suas obrigações jurídico fiscais. Eu construí a argumentação e o embasamento legal da referida peça e a encaminhei ao representante legal da empresa aqui na cidade de Bsb, que a protocolou no órgão competente. Por razão deste serviço prestado, solicitei a gentileza de meu irmão, que a CAPITAL emitisse nota fiscal contra a pessoa jurídica indicada pelo senhor Fabio Baracat para cobrança do pagamento. Os documentos fiscais e contábeis, encontram-se a disposição para eventuais esclarecimentos.
Cumpre informar que conheci o sr. Fabio em meados de 2008, apresentado a mim pelo meu amigo e compadre Vinicius e que durante certo período, foi de meu círculo de amigos, tendo inclusive, sido apresentado em momento social, a minha mãe, que a época, era Secretária Executiva da Casa Civil, na condição de amigo meu, nada mais do que isto.
Ressalto que não houve a busca por clientes, mas sim, um suposto empresário, que a época se dizia uma amigo, que na verdade era um agenciador de cargas para a mencionada empresa aérea, solicitando a produção de um trabalho, junto a área do direito aeronáutico que eu detenho relativo conhecimento, e este trabalho foi produzido e apresentado de maneira satisfatória ao órgão regulador pelo procurador constituído a época dos fatos. Me foi perguntado, se já havia recebido “empresários” e feito negociatas no escritório Trajano e Silva. Informo que isto nunca ocorreu, já fui lá inúmeras vezes, visto que meu tio trabalha no referido escritório e sou bacharelando em Direito, sendo que constantemente, vou ao escritório para a complementação de minha graduação e que, inclusive, a época em que fiz o trabalho acima mencionado para o senhor Fábio, solicitei a permissão de recebê-lo na sala de reuniões do escritório, visto que não dispunha de espaço razoável para expor o trabalho feito ao referido “empresário” Fábio Baracat.
Por último esclareço, que a época da constituição da CAPITAL, meu irmão me solicitou que esta fosse registrada no meu endereço residencial, em razão da impossibilidade financeira de estabelecer o escritório numa sala comercial, ademais, meu irmão me informou que deu entrada no encerramento da empresa já no início deste ano corrente
Espero ter respondido aos questionamentos.
Atenciosamente,
Israel Guerra

Não votem em abortistas.

Um dos principais temas da atualidade está deixando de ser devidamente debatido nesta campanha. O Aborto. As igrejas se acovardaram porque por outros laços são ligados aos abortistas, ao "politicamente correto", aos partidos ou aos dirigentes facilitadores de suas ações. Pastores e padres calaram-se. Candidatos se submeteram. A sociedade não sabe em que está votando.

 
Recomendo que vejam o vídeo abaixo.


Algum partido ou candidato deveria ter a coragem de pôr este video em sua propaganda eleitoral na TV e em seguida mostrar a cara de quem é a favor do aborto.

Sem título

Reunião social na piscina. Com água no gogó.

O aspecto mais pedagógico do último escândalo envolvendo a Casa Civil foi o cuidado que o "Ronaldinho" da Erenice teve ao apresentar o seu amigo empresário à mãe toda poderosa. Tem relógio? Tira. Tem caneta? Tira. Tem chaveiro? Tira. Tem pulseira? Tira. Tem gravata? Tira. Tira qualquer coisa que possa embutir uma microcâmera e deixa com o porteiro. Na saída recebe de volta. Tudo para garantir que não haveria escuta ou filmagem do assunto certamente muito republicano que tratariam na reuniãozinha.

Depois, em nota, o mesmo "Ronaldinho", ou seja, Israel Guerra, declara que apresentou o amigo à mãe em ocasião social. Social? Já pensou numa reunião social na casa de nada mais nada menos que a chefona da Casa Civil, em que não se pode exibir um relógio, uma gravata, uma caneta? E aquela mont blanc de 2 paus serve pra quê? E o Rolex de 8 paus? E aquela gravata Armani, o sujeito usa pra ir ao shopping? Sim, porque em reunião social importante os caras mandam tirar. Onde chegamos...

Dias depois se descobre que de fato o garoto prodígio da mamãe tem uma certa vocação para Sherlock. A firma que ele abriu antes era justamente para cuidar de segurança e coisa e tal. Outra lição. quem disso usa, disso cuida.

Se a moda pega, em breve reunião social com gente do alto escalão do governo tem que ser na piscina. Dentro, com água até o gogó.

Tá pegando fogo. E não é apenas o cerrado.

A coisa tá ficando quente. Novas revelações dos escândalos do Gabinete Civil da Presidência que pelo jeito deve funcionar como a privada da república, reviravoltas em campanhas eleitorais em Brasilia e Minas Gerais, indefinições em outras tantas, prisão de aloprados no Amapá, queimadas pra todo lado, anúncio de demissão em massa na ilha dos irmãos Castro e, no Acre, além da greve de fome do João Correia e da grana na Antonia Lucia, a academia dá o ar da graça através de um excelente artigo do professor Gerson Albuquerque publicado nos blogs do Altino e do Evandro - Ambiente Acreano (links ai do lado).

Tudo isto enquanto esperamos as revistas do fim de semana. Não é demais imaginar que mais escândalos serão revelados. Como diz uma amigo, no Brasil, escândalo e estrada ruim não acaba nunca.

De todos os fatos mais recentes ressalto o anúncio dos ditadores cubanos de que vão botar na rua 500 mil dos 3 milhões de funcionários públicos que há por lá. É coisa pra dedéu. A razão é a incapacidade de continuar pagando seus salários que são, aliás, miseráveis. A pergunta é: O que farão na rua estes primeiros órfãos do regime em colapso? Outra pergunta é: O que faziam tantos funcionários que podem ser assim demitidos sumariamente sem levar à breca os serviços públicos?

De acordo com a BBC aos demitidos serão emitidas 460 mil licenças para abrirem seus próprios negócios e mais de cem tipos de atividades profissionais particulares passarão a ser permitidas. Outra novidade é que os autônomos poderão contratar funcionários – antes, a lei permitia apenas que parentes do licenciado trabalhassem na microempresa. Não se sabe ainda com que financiamento, com que materiais, com que tecnologia já que em Cuba a situação é de miserê total. De qualquer forma significa claramente que o fim está começando. Todo apoio às mudanças em Cuba!


PS. Será que foi o Itamaraty que conseguiu convencer Fidel a abrir o regime e não disse pra ninguém?

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Sobrou para quem? Para o assessor do assessor.

Para variar, quebrou do lado mais fraco. Sobrou para o funcionário de quarto escalão do Gabinete Civil que pediu demissão. No andar de cima fica tudo como está e se arma a pantomima de uma investigação da Comissão de Ética. Se valer a tese de que as pessoas não precisam ser virtuosas, a Ministra Erenice, mãe do novo "ronaldinho dos negócios" não virtuosos permanecerá no cargo com todo o prestígio do governo. Um "belo" exemplo.

A eleição da não-virtuosa.

Gostei do debate de ontem. Foi o melhor até agora. Teve debate na essência da palavra, teve acusação e defesa, teve cara feia, fugas, evasivas e momentos engraçados. Assim é que é. Debate sem isso é convescote. Ainda pode ser melhor.

Além da contenda entre o Serra e a Dilma que pôs a candidata algumas vezes no canto do ringue, tendo que justificar falsamente a sua sucessora na Casa Civil com aquela historia de que o negocio é com o filho e não com a Erenice, uma frase me chamou muito a atenção. Segundo a Dilma a pérola vem do ex-ministro Marcio Tomaz Bastos. Teria dito o culto advogado que "As pessoas não precisam ser virtuosas, mas as instituições sim". Como é que é?

Sinceramente, isto me parece a confissão mais absurda de vulgarização da ladroagem, da roubalheira, da corrupção e da falta de ética. Uma senha para o crime. Imagino o gerente ladrão diante do delegado: Senhor, quem tem que ser virtuoso é o Banco, não o funcionário. E o Delegado: Você me dá 6% e tá liberado. Quem tem que ser virtuosa é a Justiça e não o delegado.

Então, a candidata não acha que tem que ser virtuosa? Seus ministros não precisarão ser virtuosos? Sua filha não precisa? A ética foi definitivamente banida, jogada no ralo? Parece que foi mesmo. Deve ter sido isso que pensou o filho da Erenice quando começou a vender a influência da mãe à base de 6% por êxito. Deve ser nisso que acredita ao presidente Lula quando ultrapassa todos os limites para eleger sua candidata. Está tudo explicado.

O conceito de virtude da candidata que, pelo jeito, ela segue à risca, é de assustar. Primeiro porque, de certo modo absolve ex-ante a si própria. Se libera para não ser virtuosa, não precisa. Em segundo porque sinaliza que tipo de governo e dirigentes podemos vir a ter. Já pensou? Um governo que passará à história como o governo dos não-virtuosos construindo instituições "virtuosas"? Nem Kafka pensou nisso.
Devo ser muito atrasado, muito conservador para acreditar que em primeiro as pessoas precisam ser virtuosas. Somente se elas são, as instituições que dirigem poderão ser. E quanto mais virtuoso for o dirigente e mais alto o seu cargo, mais virtuosa será a instituição porque o exemplo vem de cima. Governador ladrão não pode punir vigia ladrão.

Aliás, por falar nisso, ando sentindo muito a falta da palavra honestidade nessa campanha. Já prestaram atenção? Antigamente esse pessoal não falava em outra coisa. Houve um tempo em que a palavra de ordem era a revolução ética, as instituições passadas a limpo, os ladrões na cadeia, os corruptos expostos em praça pública. Hoje reina o silêncio. Duvido que se encontre uma vez só esta palavrinha mágica na propaganda eleitoral da candidata. O pessoal parece que tá com vergonha de dizer que fará um governo honesto. Pode parecer piada.

domingo, 12 de setembro de 2010

Debate dos presidenciáveis hoje na Rede TV

Com a campanha esquentando e a explosão semanal de escândalos envolvendo governos, partidos e candidatos, o debate de hoje na Rede TV tem tudo para não ser aquela modorra da última vez. Isto, é claro, se a candidata do Governo não resolver cancelar a presença por "problemas de agenda". Não seria a primeira vez.

Segundo o site da Rede TV "O debate terá a participação das jornalistas Patrícia Zorzan, repórter especial do departamento de jornalismo da RedeTV!, e Renata Lo Prete, editora da coluna "Painel" da Folha, que farão perguntas aos candidatos durante dois blocos do programa. Nos outros três blocos, os candidatos terão confronto direto entre si quando abordarão temas ligados à saúde, educação, segurança, economia etc Ao todo, o debate promovido em parceria pela RedeTV! / Folha terá um total de cinco blocos. O programa terá início às 21h e terminará às 22h30 - com transmissão simultânea pelo portal da emissora, o RedeTVi, e pelo UOL (Universo OnLine), portal do Grupo Folha."

Tem tudo para ser um bom debate.

Aborto para quem quiser aborto.


Prestem especial atenção ao que diz a nossa futura presidenta lá pelos 3:50 da gravação. Pode-se deduzir que a partir do próximo ano, quem quiser pode procurar o posto de saúde para extrair um dente cariado, uma unha encravada ou um feto incômodo. É tudo questão de saúde pública.

Está comprovado que a corrupção diminuiu

A julgar pela reportagem da revista Veja que pega o braço direito da dona Dilma, ou seja, a dona Eurenice Guerra, enrolada em assuntos nada republicanos juntamente com seu filho prodígio nos negócios, o mínimo que se pode dizer em defesa do governo é que a corrupção está diminuindo. Agora só cobram 6%.

sábado, 11 de setembro de 2010

Um bilhetinho para o João Correia

Caro João.

Uma das coisas que aprendi na vida foi que em determinados momentos críticos de nossa vida, por mais intensos que sejam, por mais dramáticos que nos pareçam, por mais fundo que invadam a nossa alma, por mais dor que nos causem, os fatos, aqueles que dão razão ao nosso sofrimento, não significam nada para as pessoas. Elas simplesmente não ligam.

Voce tem razão em protestar. Voce tem razão em querer algo que lhe pertence e lhe foi tomado. Voce merece reparação por ter virado, injustamente, chacota de internautas do Brasil inteiro. Voce tem o direito de manifestar sua indignação contra o poder que, quando absoluto, anula a cidadania. Voce tem o dever de exemplificar por sua ação na justiça a ação cabível a cada um que se sinta violado.

Contudo, permita-me dizer, não creio que este seja o caminho. Voce não sairá bem dessa greve de fome. A Justiça não se move assim, voce bem o sabe. Este é um recurso extremo utilizado por pessoas extremadas em luta extrema. Não é o caso. Volte para casa, para sua família e seus amigos. Creia, apenas eles se importam.

Uma fábrica de teflon. Fazer o quê?

Quem tiver a oportunidade de ler a Veja desta semana vai tomar conhecimento de mais um escândalo. Desta vez é com o braço direito (Erenice Guerra) do braço direito (Dilma) do presidente Lula. Não se sabe se hoje o braço de um virou o braço do outro, mas o certo é que temos como Ministra-Chefe do Gabinete Civil, o cargo mais importante da república depois da presidência, uma senhora de quem poucos brasileiros lembram o nome. Só se sabe que é a primeira-amiga da Dilma.

O escândalo envolve filhos e amigos da Erenice. Intermediação de negócios e privilégios com a presença da própria Ministra. Propinagem alta na base do "mamãe resolve". Coisa de em país sério, de Justiça justa, derrubar  uma penca de corruptos. No Brasil, não vai dar em nada. Na eleição, então, impacto zero. Basta o pai do povo ir lá e dizer que a mãe do povo não tem nada com isso, que tudo é invenção da oposição e pronto. Lula transfere até efeito teflon. O povo perdeu a capacidade de se indignar. Ah que tédio.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Lula no futuro pós-Dilma. Serra nos fez um convite à reflexão.

Uma das afirmações que fez o José Serra na sabatina do Globo foi de que se a Dilma for eleita, o Lula não se elege mais nem deputado federal. Como os repórteres insistiram no assunto querendo uma explicação, o Serra com cara de esfinge mandou que pensassem, afinal, são todos (os jornalistas), pessoas inteligentes.

É claro que a expressão "se a Dilma for eleita, o Lula não se elege mais nem deputado federal"  carrega uma força desmesurada. O que o candidato quis dizer é que o Lula depois dessa está fora. Eu não sou jornalista nem sou tão inteligente quanto os que lá estavam, mas me danei a pensar sobre o assunto. Convido-os a fazerem o mesmo. O que aconteceria com Dilma na presidência para deixar tão mal o pai do povo? Serra tem uma teoria.

Sabatina do Serra no Globo. Quem sabe, sabe.

Uma entrevista extraordinária, daquelas que marcam a diferença entre quem sabe e quem diz que sabe, entre quem fez e quem diz que fez, foi a sabatina do José Serra no Globo nesta Sexta-feira.

Quem quiser pode ver a sabatina no site da globo. Se não fugir de mais essa ainda virá a Dilma.

Demétrio Magnoli. "Lula delinquiu institucionalmente"

O Brasil informado conhece o sociólogo Demétrio Magnoli, intelectual que vem nos últimos anos esgrimando contra a implantação das cotas raciais como política de governo no Brasil. Seu livro "Uma gota de sangue" representa a mais lúcida resistência a esta tentativa levada a efeito por ongueiros e politicos oportunistas de racialização de nossa sociedade. Esperemos que no STF a cláusula de todos somos iguais perante a Lei derrube todo o arsenal funesto que estes maus brasileiros tramam contra a nação.

Mas o caso aqui é outro. O sociólogo de entrevista sobre a aparição na mídia, do próprio chefe da nação, em defesa de sua candidata, declarando como frutrica o escândalo da receita federal. Merece ser lida e refletida. Por hoje e pelo amanhã.

Como já declarou Ciro Gomes, IBOPE vende resultados. Esta não saiu na Globo.

O senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) classificou nesta quinta-feira (2) como "criminoso" e "preocupante" o objeto da denúncia feita ontem (1º) pelo senador Papaléo Paes (PSDB-AP). Segundo ele, um encarregado do Ibope teria oferecido a manipulação do resultado das pesquisas ao coordenador de campanha de um dos candidatos ao governo do Amapá. A fraude custaria R$ 1 milhão e abrangeria todas as pesquisas até o segundo turno. A oferta foi gravada.


- O senador Papaléo Paes ligou para o Dr. Montenegro, que é o dono do Ibope. O Dr. Montenegro disse que era uma empresa terceirizada que eles contratavam em Belém para fazer a pesquisa no Amapá. Essas pesquisas agora começam a me deixar, digamos assim, completamente incrédulo. Ora, se isso acontece no Amapá, o que não estará acontecendo, por exemplo, em Roraima? - questionou.

Mozarildo observou que em Roraima o Ibope também apresentou pesquisas "um pouco preocupantes". Ele lembrou que na campanha eleitoral de 2006, as pesquisas do Ibope sempre apresentavam sua adversária na frente. Somente às vésperas da eleição, ela apresentou uma leve vantagem sobre Mozarildo, que venceu a eleição com 13% de vantagem.

A matéria completa pode ser vista aqui

Da série pergunte ao candidato - 6. Transparência nos gastos.

Caro eleitor.

É da lei que os candidatos apresentem as contas da campanha. O sujeito fica obrigado a dizer quanto gastou e de onde tirou o dinheiro correpondente e exatamente coincidente com os gastos. Não é tarefa para qualquer um fazer esta contabilidade de modo sério.  Mas é o que tem que ser feito.

O mais comum é que os candidatos declarem a menor. Eles dizem que vão gastar 100, arrecadam 500, arrumam recibos de doação para os 100 e comprovação de gastos de 100. Apresentam a papelada ao TRE e ponto final. Mas e os outros quatrocentos? Bem estes somem na certeza de impossibilidade técnica de acompanhamento pelos órgãos de controle.

O sujeito manda fazer 1.000 cartazes, diz que foram apenas 100. A gráfica dá o recibo dos 100. Quem vai contar para provar que foram 1.000 e não 100? O sujeito aluga 50 carros, declara 10 e quem vai contar, fotografar, provar que foram 50? O sujeito contrata uma equipe de marketing por 500 mil, declara 50 mil, tem o recibo de 50 mil, quem vai provar que foram 500 mil? Por estes e outros caminhos é que campanhas aparecem tão baratas que nem precisamos ser experts para sabermos que as contas foram falsificadas.

Então, é o seguinte: quando for escolher seu candidato pergunte quanto ele gastou na campanha e compare com a campanha que voce vê na rua e na TV. Se perceber que a coisa não bate, escolha outro. Se é que vai achar outro, é claro.

José Serra na TV - um indignado com as calças sujas.

Não entendo os marqueteiros do Serra. Nem o Serra. Ontem em seu horário de propaganda eleitoral, quando se esperava (foi noticiado) que faria uma forte defesa aos ataques que sofreu do próprio presidente da república, que em mais um momento de confusão com a posição de militante partidário desferiu-lhe golpes baixos, lá vem o Serra com cara de viado que viu caxinguelê, como diria Raul Seixas, e diz "estou indignado" como quem diz que viu o lobo mau. Peraí. Qualquer sujeito quando diz que está indignado faz cara de indignado ou então não está indignado coisa nenhuma. Onde já se viu! No popular "estou indignado" equivale a "estou puto". O sujeito é agredido, violado, quer dar ao fato repercussão nacional e transferir insatisfação ao eleitor e me vem com uma frase e uma expressão enssossa daquelas!?  Tá com medinho de quê?

Eu é que estou indignado com a falta de indignação do Serra. Que negócio é este? Minha cidadania está em risco, meu sigilo pode ser acessado sem ordem judicial a qualquer momento por um aloprado ou por um funcionário mau caráter, ou por um falsário, ou por um concorrente, e tudo que um candidato de oposição tem a dizer em minha defesa é "estou indignado". Bem que Ciro Gomes disse que o Serra não tem sentimentos.

A não ser que tenha sido contido pelos marqueteiros. Mas ai era o caso de ficar indignado com os marqueteiros e demiti-los todos. Que raios de marqueteiros são estes? Era o momento de dizer com toda franqueza que a invasão do sigilo fiscal corresponde na vida comum a vasculhar as nossas gavetas, a mexer em nosso computador, a ver as nossas contas e saber em que gastamos nosso dinheiro, a acessar a nossa senha e tirar nosso extrato bancário. Em linguagem simples e direta, é a isto que a Receita Federal nos expõe ao ser leniente com estas invasões imotivadas.

Só uma conclusão me parece razoável: Serra se borra de medo do Lula. Punto e basta.

Fidel. Perante a morte, igual a todo mundo.

O misto de Zumbi histórico e Zumbi humano, ditador cubano Fidel Castro, disse esta semana que o sistema de Cuba não serve mais nem pra Cuba. É mesmo, santa? E veio notar isso agora às portas da morte?

Engraçado que quando os cubanos disseram isto foram condenados. Muitos deles ao paredão. Milhares tiveram que dar no pé, ou na mão, atravessando o mar que separa a Ilha da costa Americana. E os admiradores do sistema cubano aqui na América Latina? Se sentirão traídos ou dirão "se o comandante falou, deve estar certo". Mas e as conquistas? Os sistemas de saúde e de educação? A resistência ao "imperialismo americano". Vai tudo pro mesmo ralo?

Penso que Fidel está começando a ensaboar as mãos para que os anéis saiam com mais facilidade, do contrário perderá os dedos. Os dele e os de muitos outros que por aqui e por ai ainda perdem tempo cantando loas ao regime castrista. É, meu caro, diante da morte, sobra apenas o arrependimento. Espero que a declaração não seja apenas um soluço de lucidez e se trasnforme em medidas concretas de abertura do sistema, começando pela soltura de todos os presos de consciência.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Francenildo, o caseiro e bobalhão.

Vi hoje no programa do PSOL o caseiro Francenildo com cara de paisagem, sem menhuma indignação, aproveitar seu tempinho de fama para acusar o José Serra de oportunista por estar falando da quebra de sigilo fiscal de sua filha e de seu genro.

Muito engraçado. O Francenildo que foi acusado até de receber "um por fora" para dizer o que disse na época em que foi invadido e passou semanas nas páginas de jornais e revistas, não tem nenhuma vergonha em emprestar agora sua cara e fala abobalhada para fazer côro aos que no final das contas invadiram os sigilos dele e dos tucanos. Só faltou botar a culpa no Serra. Ora, ora. Ele botou a boca no mundo, por que o Serra deveria ficar quieto?

Oportunismo, uma ova! Trata-se de alertar a população, eu no meio, de que nem meus dados nem os de ninguém estão seguros. Que a estrutura que manda neste país não contém os violadores de sigilo, seja por interesse politico, comercial ou sei lá o quê.

A invasão dos sigilos fiscais de qualquer ou de todos só não explode o governo porque estamos no Brasil, esta república infantil e acocorada. Fosse nos EUA nem Obama escaparia da avalanche provocada pela indignação da opinião pública. Por aqui temos que aceitar placidamente que o Presidente da República solenemente acuse a vítima. Que vergonha!

Dilma fugiu de novo. A campanha foi terceirizada.

Quanto mais o tempo passa, mais os candidatos se mostram, menos a Dilma, que se esconde dos debates e na própria propaganda delega ao presidente Lula o ataque ao adversário. Ataque, aliás, despropositado e somente possivel em um pais como o Brasil, onde as regras são frouxas e se permite ao presidente da república o papel de militante, sem nenhum zêlo com a liturgia do cargo.

Ontem no debate da Gazeta-Estadão mais uma vez a sua ausência serviu para que os adversários deixassem de debater com a virtual presidente da república e se limitassem a fazer ironias, acusações e, às vezes, piadas, com a candidata. Os brasileiros não merecem isso.

Medo de quê? De responder sobre a quebra do sigilo fiscal das pessoas? Sobre a perda de mais de um bilhão de reais no Ministério de Minas e Energia? Sobre a experiencia como gerente da loja de 1,99?Ora. Isto é bobagem perante os cinquenta e tantos por cento que tem nas pesquisas. Nada pode abalar um candidatura com este nivel de aceitação. Ou pode?

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Onde estão os Juízes?

Imperdível a coluna de Dora Kramer hoje no Estadão. Qual dos brasileiros pode se sentir traquilo depois da fala do Presidente Lula ontem no programa eleitoral da Dilma?

Um fato tão grave quanto ter o sigilo fiscal invadido com finalidades estranhas à Lei é tratado pelo mandatário da nação como algo menor, corriqueiro, apenas um factóide de campanha. A vítima está para ser transformada em culpada por reclamar. Segundo o Lula, o boi levado ao matadouro não pode berrar. Se berrar, não pode ser ouvido.

Que ente é este que não respeita nem se submete às Leis? Que sistema é este que assegura ao seu maior garantidor - o presidente, o direito de fraudá-lo continuadamente apenas ancorado na alta popularidade conquistada na eterna verborréia de palanque? Não há juizes nesta terra de meu Deus?

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Quantos Cleíltons existem por ai?

"Acredito que o Acre ficou estacionado 12 anos se fechando para outras possibilidades. Só neste governo, talvez reparando ou não os erros do governo anterior de sua própria gema, começam a ver o Acre dentro da perpectiva de uma economia global. Se até os pecuaristas denominam algumas de sua atividades com sustentáveis, porque passamos tanto tempo insistindo pela "vitrine ecológica"? Ainda bem que estamos aos poucos saindo desse marasmo ideológico. Espero que isso não seja apenas um estopim eleitoral." 

Com este comentário ao meu último post, Cleílton Pessoa, geógrafo, professor de Geografia Licenciatura - UFAC, com especialização em Meio Ambiente, História da Amazônia e Economia do Setor Público, atualmente cursando Mestrado em Desenvolvimento Regional, assim como eu identifica um movimento recente, correto, diga-se de passagem, no sentido de dar consequencia prática ao mandato executivo que é, ao final, de realização do progresso, da geração de emprego e renda, da promoção do desenvolvimento econômico e não apenas uma escolha entre os bonzinhos e os mauzinhos.

O interesse e a posição do Cleilton, que não conheço pessoalmente, mas pelo que li é um cidadão realmente interessado no Acre, me inspira a refeletir sobre o papel da nossa Academia durante tanto tempo, que não foi capaz de promover um debate consistente sobre a questão do desenvolvimento regional.

Centenas de professores na UFAC e nas outras universidades, mestres e doutores, ficaram anos a fio estudando, produzindo e repassando conhecimentos a milhares de estudantes que se tornaram ou se tornarão servidores públicos, dirigentes, empresários, profissionais liberais, aceitaram passivamente ou aderiram cegamente a um modelo cujos resultados não correpondem nem de longe à expectativa. Estariam aprisionados no sonho que nunca termina? Teriam se curvado definitivamente perante o mito Chico Mendes? Estariam acuados pela hegemonia politica instaurada? Teriam sido esmagados pelo aparelhamento das instâncias de direção? Que universidade é essa que só tem gente "a favor"?

A vanguarda do pensamento, o núcleo mais efervescente da criação, a arena mais legítima do confronto de idéias teria sido submetida à onda do politicamente correto, que possui entre suas características a esterilização do debate?

Não tenho as respostas. Alguém tem?