quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Um politico estranho. Muito estranho.


                                         José Roberto Arruda

Em 2001, senador pelo PSDB e em franca ascensão política, José Roberto Arruda foi flagrado no escândalo do painel do Senado. Depois de ser encostado na parede pelas provas, foi lá na tribuna, chorou, confessou, se arrependeu e pediu o boné. Foi pra casa lamber as feridas. Na eleição seguinte (2002), repetiu a narrativa, humanizou-se perante a população e foi, proporcionalmente, o deputado mais votado do Brasil com 26,5% dos votos do DF. Em 2006 foi eleito governador (o único do Democratas) no primeiro turno, derrotando tucanos e aliados do Presidente Lula em plena capital federal. Faz um governo de muitas obras, nenhuma acusação de desvio ético e é favorito à reeleição apesar de todo o prestígio do Presidente Lula.

Onde está a estranheza? Está em que durante o seu Governo, mais de uma vez demonstrou que não dá pra brigar com a realidade. Aceita os números como eles são e declara a própria insatisfação com os setores da administração que não atingem os objetivos e metas traçadas. A Segurança é um exemplo. A Saúde, outro.

Ao invés de dizer que as coisas estão uma maravilha, que o DF é o melhor lugar do Brasil para morar (embora o IBGE diga isso), ao invés de dizer que as críticas são “intriga da oposição”, Arruda se antecipa, exige explicações públicas de seus secretários e, algumas vezes, ele mesmo confessa determinadas ineficiências. Tipo: “Não está bom. A população merece muito mais e tem razão em reclamar. As causas são conhecidas e vamos ter que melhorar isto.”

Onde já se viu isso? Não conheço outro exemplo. Não sei por que, mas parece que os governadores e prefeitos de modo geral são instruídos por seu staff de comunicação a negar sempre. Igual marido infiel. O mundo tá se acabando e o camarada não entrega. Muitas vezes até põe a culpa nos outros. Pode até funcionar, mas marido não é gestor público.

Não seria mais fácil, mais simples e, principalmente, mais honesto, reconhecer o problema, explicar as causas e propor soluções publicamente? Afinal, ele está lá por um mandato, veja bem, MANDATO popular. Foi o povo que o nomeou nas urnas. Não pode ser enganado. Ao invés de condenar o fiscal, não é mais honesto consertar a obra? Ao invés de esconder ou negar os péssimos indicadores, não é mais prudente calibrar o projeto? Ao invés de satanizar ou calar a oposição, não é mais coerente reconhecer-se falível e consertar os próprios erros?

Ninguém hoje em dia espera que seu governador seja um super-homem, um semi-Deus onisciente e onipresente. Espera que ele seja honesto com a coisa pública e honesto na comunicação com o povo. Ou não?

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