terça-feira, 3 de novembro de 2009

Políticas racialistas ameaçam a nossa paz


Sou um homem de muita sorte. Deus me vê e me cuida. Em muitas oportunidades senti Sua mão em minha vida. A principal delas foi quando no dia 14 de dezembro de 1996. Pelas sete horas da noite, o telefone tocou, atendi e nada ouvi. Cinco minutos depois a campainha da minha casa tocou. Fui atender, ninguém estava lá. Ao fechar o portão olhei para o chão e a vi. Um bebê recém-nascido em uma caixa de papelão, alguns panos, um pequeno bilhete com algumas informações e uma luz que inundou nossas vidas – minha e de minha esposa. Ela havia nascido 20 horas antes.

Hoje é uma adolescente típica de classe média. Sabe de toda a história desde os quatro anos de idade, quando perguntou à mãe se havia saído de sua barriga. A verdade antes de tudo.

Sou branco. Ruivo, para ser mais objetivo. Meu pai e meus tios eram ruivos. Tenho um irmão ruivo. Herança deixada pelos holandeses no nordeste. Minha esposa é branca, sua mãe, porém, mestiça. A filha que Deus me pôs à porta é mestiça. Seguramente seria aprovada em qualquer destes tribunais raciais que nos querem impor.

Como cidadão, pai de uma filha mestiça, venho acompanhando com muito interesse a discussão racial no Brasil. Sou radicalmente contrário a qualquer política que tenha como pano de fundo o fracionamento da sociedade em grupos. As chamadas políticas afirmativas de cunho racial são efetivamente a realização de um equívoco histórico de grandes e terríveis conseqüências, a pior delas, a semeadura e o cultivo do germe do racismo.

Não quero que minha filha seja considerada diferente de ninguém. Ela não é diferente de ninguém, a não ser por suas aptidões e potencialidades físicas e intelectuais. A cor da sua pele não a diferencia entre os humanos. Seus traços faciais, seus olhos amendoados, seus lábios espessos, seu cabelo vasto não devem lhe obrigar nenhuma desvantagem, nem garantir qualquer vantagem. Não é justo. Não é ético. É um erro.

Outro dia um amigo me disse o seguinte: “Você não é negro. Não sabe pensar como um”. Pois é. Não sou. Não sei pensar como um se isto quer dizer recuperar como atual um processo histórico que nunca houve, de racismo no Brasil. Mas isto é pensar errado, é insistir em uma tese que não bate com a realidade.

Sei, porém, pensar como um se isto significar obter por mérito próprio, superando dificuldades, um lugar digno na sociedade. Sei por que foi isto que me trouxe até aqui e é isto que espero que faça a minha filha.

O povo brasileiro precisa acordar para mais esta iniqüidade que está sendo tramada por parlamentares e organizações vitimadas pelo festival de esquerdismo bocó que assola o país. As políticas de cotas raciais são uma ameaça ao nosso povo. Não tenho dúvidas em afirmar que este tipo de campanha só prospera pela omissão da maioria. É preciso ação.

2 comentários:

  1. Valterlucio, o maior erro da política no Brasil é tentar editar uma nova onda de racismo. As cotas raciais em escolas e universidades é algo retrógrado e sem propósito. Cada pessoa deve ocupar o lugar que lhe é devido pela sua competência e oportunidade, impor condições para isso é um absurdo.

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  2. Concordo plenamente. Pena que um certo esquerdismo de quinta categoria e alguns oportunistas passem por cima de tudo em troca de fama e prestigio. Dá uma olhada no "Estatuto da igualdade racial". Até na empresa privada estão exigindo cotas!

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