segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Quantos muros nos cercam?

Alguém já disse que se quiseres unir mentes, mesmo as divergentes, lhes aponte um problema comum. Se o problema for suficientemente critico, elas dedicarão seus melhores esforços para encontrar uma solução. Se você for suficientemente esperto pode induzi-las a tomar determinado rumo e se tornar líder de todos elas. Lembrei-me disso enquanto lia um material sobre a COP 15 de Dezembro em Copenhagen.

É a UNFCCC – Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, que realiza há 15 anos as Conferências das Partes (COP), momento em que são atualizados e firmados compromissos internacionais em relação às mudanças climáticas, tendo como pressupostos as declarações do IPCC – Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, de que a natureza do aquecimento global é antropogênica, ou seja, o homem, seus usos e consumos estão emitindo CO² e outros gases de efeito estufa em escala suficiente para mudar o clima no planeta. A mídia global se encarrega de informar a má nova.

Eis o problema que une todos os habitantes da terra, acima de todas as divergências e condições de desenvolvimento. Os maiores poluidores – os americanos dirão aos mais famintos – os serra leoninos, que se o aquecimento global não for contido o mundo acaba. E mais, acaba primeiro para os pobres. Nessa hora até os esquálidos “coroncos” de Freetown tremem nas bases. Vão ter que fazer a sua parte.

Já que existe um problema crítico e todos foram comunicados a respeito, é hora da solução. Fala-se em redução de até 80% das emissões de carbono. Os experts surgem de todo lado. Um deles, representante de ONG’s famosas, Lester Brown, sugere um plano de salvação mundial. Energia alternativa, alimentos “orgânicos”, taxas, protecionismo ambiental, MDL, compensações, etc. etc. etc, são saídas na ponta da língua de qualquer pessoa “antenada”. Alguns mais ousados são taxativos: propõem a redução da taxa de natalidade. Menos gente, menos CO². Outro propõe uma cota individual de CO² por habitante, ou seja, se o sujeito exceder a sua cota receberá punições (espero que nãos sejam físicas).

Vivemos sob uma corrente de fé. Os aquecimentistas ignoram qualquer contestação. Estão acima disso. O IPCC é a Igreja, o desaquecimento global a religião. Al Gore é nosso pastor. O CO² é o “capiroto”. Somos o rebanho do século 21.

Na ONU já se fala sem pudor em criação de uma governança ambiental global e de um organismo para esta tarefa gloriosa. Termo pomposo para dizer que serão criadas regras, objetivos e metas a serem seguidas por todas as nações. Tudo isso só pode terminar em você, afinal é você o poluidor, certo? Ou seja, você, seus hábitos, suas preferências, seu modo de vida, seu comportamento, sua formação, a sua família, a sua liberdade individual, tudo terá que obedecer a uma nova ordem mundial.

Esta pequena reflexão é a minha homenagem à queda do Muro de Berlim.

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