segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Oposição sem projeto é um leão sem dentes.




Li com muita atenção a entrevista do ex-deputado Marcio Bittar publicada no site Juruá Online neste domingo, dia 15 de Novembro. Sem me entranhar nas questões partidárias e eleitorais, quero aqui tratar muito rapidamente de um dos vários temas que abordou e que considero essencial. É o que segue.

Em determinado trecho Marcio afirma “A oposição precisa se profissionalizar. Não dá para discutir alianças e estratégias sem números, sem ciência e sem gente trabalhando nisso. Como se vai enfrentar um governo que tem um projeto, ao qual tenho críticas, mas que têm um projeto que o Brasil e o mundo reconhecem? Não adianta eu não reconhecer. A oposição trabalhou um projeto que eu liderei . Nesse momento o projeto que nós começamos juntos em 2006 deveria ser aprofundado principalmente porque temos a pré-candidatura do Serra liderando todas as pesquisas.”

A síntese é: não dá pra enfrentar o Governo sem um projeto alternativo. Não dá pra pedir ao povo a substituição do que está ai sem dizer o que vai pôr no lugar.

Concordo plenamente. A oposição no Acre vem sendo derrotada não apenas eleitoralmente, mas politicamente, o que é muito diferente, embora boa parte dos políticos nem imaginem o que seja. E por quê? Porque se ausenta de um debate programático. Se prende, quando muito, à crítica eventual, que mesmo fundamentada não é acompanhada de uma proposta que tenha viabilidade e se assente em uma formulação teórica razoavelmente adequada aos dias de hoje.

Dou um exemplo. Quando a oposição critica a “florestania” e aponta sua incapacidade de geração de emprego e renda nos níveis adequados, no que está certa, não consegue dizer com clareza o que poderia fazer para promover um desenvolvimento intensivo em mão-de-obra. O máximo que consegue é adotar um discurso radicalmente produtivista. Veste-se com uma armadura anti-ecologista, extemporânea, ignorando a realidade atual e as economias vinculadas à preservação ambiental. Com isto dá passos para trás e volta aos anos setenta, unindo-se ao passado e a tudo que ele representou na memória do povo acreano.

Com muita facilidade os partidos governistas acusam: a oposição não tem projeto. Isto é fatal.

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