terça-feira, 12 de julho de 2011

A metade do trabalho é não roubar nem deixar roubar. Mas pense num troço dificil!

Não roubar nem deixar roubar. Ponto final. Só isso e metade do trabalho de um governante estaria realizado. A população pode perdoar decisões equivocadas, compreender dificuldades inesperadas etc. Mas não o roubo. O que se impõe é não roubar nem deixar roubar, absolutamente. Sem nenhuma espécie de concessão, sem essa de facilitar as coisas "para o partido", sem aquela de "prestigiar quem nos ajudou na campanha", sem encher o bisaco em épocas de vacas gordas advinhando futuras vacas magras. Será tão difícil ser honesto na administração pública? Conto aqui duas historinhas que os mais jovens certamente não conhecem.

Quando fui secretário de finanças nos primeiros meses da administração Mauri Sérgio em Rio Branco, a primeira trombada de dei foi com um grupo de canalhas instalado na Câmara dos Vereadores, que queriam compensar no erário o apoio que "davam" ao prefeito no legislativo. Gastei muito dinheiro na campanha, estou endividado, dizia um. O prefeito não cumpriu comigo, preciso de compensação, dizia outro. Agora é nossa vez, dizia o mais vagabundo. Se o prefeito quiser que a matéria passe vai ter que "rezar", dizia o mais violento. Tudo aquilo se traduzia em mais verba para a Câmara dos Vereadores e em facilidades na contratação de obras e serviços. Fiz um levantamento e uma análise de tendência. Não, os gastos requeridos não batiam com o histórico. Pisei no freio, mostrei-lhes a planilha e em menos de dois meses já se lia nos jornais uma moção de desagravo em que os "ilustres" edis me consideravam persona non grata. Guardo-a com orgulho.

A segunda trombada que dei foi com a canalha que repetia o mantra perverso "eu sempre ajudei, eu tenho direito, agora é nossa vez". Era gente do proprio partido e de partidos aliados apresentando a fatura. Aquilo me soava como a cobrança de uma dívida falsa, de um crédito inexistente. Que fatura, cara pálida? Além de nomeações, muitas vezes de gente duvidosa, o que queria aquela gente? Queria facilidades, licitações dirigidas, pagamento de notas falsas e serviços não realizados, superfaturamentos. Parti pra ignorância, como se diz no nordeste. Olha aqui, prefeito, ou essa gente sai da minha antesala, ou saio eu da prefeitura! Me deram cinco tiros, cai fora e a canalha se fartou.

Depois dessa, cheguei à conclusão de que os melhores aliados de um governo estão na oposição. Não pedem, não superfaturam, não nomeiam parentes incompetentes, não vendem sem entregar e, muitas vezes, quando a coisa é bem feita, ainda são obrigados a elogiar. Não é uma maravilha?

Estava pensando nisso enquanto lia que a dona Dilma sacramentou o Paulo Sergio nos transportes. O PR, assim como os outros, está naquela do "eu ajudei, agora é nossa vez". Neste caso, ao que parece, não tem ninguém pra levar tiro.

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