quinta-feira, 21 de julho de 2011

A fome na Somália tem a ver, creiam, com o código florestal brasileiro.

Um relatório da Pardue University aponta, entre as principais causas da formação de preços dos alimentos, a demanda por biocombustíveis nos EUA. Uma constatação importante é que um número siginificativo de agricultores está migrando da produção de alimentos para a produção de milho para atender a demanda de etanol. Outro ator importante é a China que aumenta suas reservas de soja. Explicando:

O negócio é o seguinte. Os caras do IPCC disseram que a queima de combustíveis fósseis via emissões de CO² estão aquecendo o seu traseiro e, por causa disso, é preciso substituí-lo por combustíveis mais "limpos". Bastou isso e o etanol se apresentou rapidinho como o combustível adequado. Nos EUA o etanol vem do milho, no Brasil vem da cana-de-açúcar. Para cumprir as metas dos ambientalistas, os governos tascaram subsídios e o agricultor que é besta, mas nem tanto, correu para os braços do governo com a espiga na mão. Mais milho, mais área plantada, mais etanol e menos... alimento! Claro. Menos alimento, alimento mais caro. Claro, de novo!

Na China, com mais gente, e põe gente nessa história, consumindo mais por habitante, os estoques de soja foram ao limite inferior. Que fez o governo? Aumentou a compra e quer repor os estoques. Maior a demanda, maior o preço, claro. Juntando EUA e China, o mundo vem a reboque.

OK. tem fatores climáticos, perdas de safras... mas isso sempre houve e sempre haverá. Lá na Somália houve seca, mas se o mundo produzisse alimento farto e barato a situação seria outra.  Certo é que os preços dos alimentos continuam altos e nada aponta para uma diminuição. Pelo contrário. Com as restrições ambientais em regiões produtoras, como o Brasil, por exemplo, a tendência é de aumento. Menos área a ser explorada, maior o valor da terra, maior a renda, maior o preço... quem estudou sabe.

Indiretamente, o resultado disso tudo tem a ver com as imagens divulgadas ontem pelas televisões do mundo todo sobre a Somália. A ONU, aliás, declarou nesta quarta-feira situação de fome no país (é o nível mais alto de alarme) e pede ajuda internacional. Nada menos que 50% da população passa fome, e não é aquela fomezinha de nordestino na seca não. Como diria o poeta paraibano Jessier Quirino, é hunger, honger, hambre, la faim, 饥饿, 飢餓, quer dizer, FOME internacional, daquelas grandes.

É nessas horas, juro, que gostaria de ver os nossos ongueiros e companhia, Graziano e Marina no meio, todos na Somália, defendendo a reserva legal de 80% em cada propriedade e a produção de etanol em lugar de feijão. Como a mentira é o método desta gente, não duvido que venha algum vagabundo dizer que a fome na Somália é causada pelo aquecimento global.

Nos vídeos abaixo, uma pequeníssima mostra do que ocorre na Somália, enquanto por aqui propriedades seculares são impedidas de plantar e colher.



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