sábado, 2 de julho de 2011

Itamar, o Franco.

Se, como Ministro da Fazenda, foi FHC que implantou o Plano Real que nos tirou da barafunda financeira e administrativa, Itamar Franco, como Presidente da República foi o seu maior avalista, seu patrocinador. Esta é certamente a maior obra de sua passagem pela presidência. Mas deixou também lições de caráter.

Confrontado com a iminência de assumir a Presidência, Itamar não levantou um dedo para derrubar Fernando Collor de Melo, coisa rara na política. Assumiu por contingência e no exercício do cargo deu seguidas demonstrações de honestidade. Em determinado momento, sem que hpuvesse provas, mas para preservar a credibilidade do seu governo, sacrificou momentaneamente seu maior amigo, Henrique Hargreaves, e o afastou até que restasse provada sua inocência. Um grande exemplo de compromisso com a verdade e com o pais acima de partidos e interesses pessoais. Hoje em dia tal comportamento é praticamente impensável. Depois do "eu não sabia" foi inaugurada a era da dissimulação, do deboche, do "todo mundo faz". O sujeito só sai o cargo que vilipendiou ejetado com um pé na bunda dado pelas provas provadas, mesmo assim, com garantias de retorno assim que a maré baixar.

Morreu um homem que depois de ser Presidente da República precisou de amigos para manter um nível de vida à altura de sua posição na história. Não enriqueceu, não vendeu consultorias milionárias, não traficou influência, não vendeu prestígio travestido de palestra. De tão verdadeiro era tido pelos lagartos da política como inflexível. Morreu Itamar, o Franco.

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