segunda-feira, 4 de julho de 2011

Lester R. Brown e a escassez de alimentos. Um problema verdadeiro e uma teoria falsa.

No site Controversia (link ai do lado) pode ser lido o ARTIGO do Lester R. Brown, presidente do Earth Policy Institute, publicado na revista Foreign Policy e reproduzido pelo jornal O Estado de S.Paulo. Trata-se de um membro proeminente da "teoria" do aquecimento global antropogênico, tem dezenas de livros publicados, recebeu o prêmio do meio ambiente da ONU e foi mencionado pelo Washignton Post como "um dos mais influentes pensadores do mundo".

A questão central do artigo é o que ele chama de geopolítica dos alimentos. No seu entendimento, a escassez de alimentos poderá alterar a correlação de forças que comanda o funcionamento da política global e ameaçar a paz mundial. No último parágrafo Brown dá a receita alarmista:

"Se não conseguirmos aumentar o rendimento agrícola com menos água e conservar os solos férteis, muitas áreas agrícolas deixarão de ser viáveis. E isso vai muito além dos agricultores. Se não conseguirmos nos mexer com velocidade de um tempo de guerra para estabilizar o clima, talvez não sejamos capazes de evitar uma disparada dos preços dos alimentos. Se não conseguirmos acelerar a mudança para famílias menores e estabilizar a população mundial, mais cedo do que mais tarde, as filas de famintos continuarão a aumentar. A hora de agir é agora – antes que a crise dos alimentos de 2011 se torne a nova normalidade." Lester R. Brown (negritos meus).

Ele quer mágica. Em primeiro lugar, "aumentar o rendimento agrícola com menos água". Esqueceu ele o teor de água nos grãos? Em qualquer lugar do mundo, a produtividade agrícola cresce quando principalmente, entre outras técnicas, se recorre à irrigação. É uma questão agronômica de fisiologia vegetal. Com suprimento e contrôle de água, não apenas se obtém maior produtividade por safra como também mais safras no tempo. Fora disso resta a agricultura de sequeiro cuja produtividade é baixa. De modo significativo, mais alimento em área de sequeiro implica mais área plantada.

Em segundo, "estabilizar o clima" é obra divina, o que, penso, não seja a esperança do Brown. O clima é, por definição, instável. Por mais que queiram os carbofóbicos, até agora não se inventou um modo de frear a sua dinâmica.

Em terceiro, o Brown propõe atuar na demanda e "estabilizar a população mundial". Este é o ponto. Pena que não diz como se faria isto nem aonde. Seria, por acaso, ao estilo Bill Gates, com esterilização em massa por meio de vacinas de africanos, indianos, chineses e sul-americanos? Seria com campanhas para liberar e patrocinar a realização de abortos?

Por "esquecimento" Brown não toca em sua receita final em uma questão que permeou todo o texto, que é a conversão de áreas plantadas com culturas alimentares em plantio de grãos com finalidade energéticas. Poderia ter listado uma quarta recomendação, ou seja, "inibir a produção de biocombustíveis". Apesar de saber e referir que a expansão das plantações para biodiesel se dá às custas da disponibilidade de área para alimentos, assumir tal recomendação seria entrar em contradição com os carbofóbicos que têm na substituição do petróleo uma de suas âncoras. Brown não chegaria a tanto.

O artigo de Brown serve, ao cabo, para demonstrar como é difícil, mesmo para alguém com a sua estatura intelectual, enfrentar um problema verdadeiro - a escassez de alimentos, com uma teoria falsa - aquecimento global antropogênico.

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