segunda-feira, 13 de setembro de 2010

A eleição da não-virtuosa.

Gostei do debate de ontem. Foi o melhor até agora. Teve debate na essência da palavra, teve acusação e defesa, teve cara feia, fugas, evasivas e momentos engraçados. Assim é que é. Debate sem isso é convescote. Ainda pode ser melhor.

Além da contenda entre o Serra e a Dilma que pôs a candidata algumas vezes no canto do ringue, tendo que justificar falsamente a sua sucessora na Casa Civil com aquela historia de que o negocio é com o filho e não com a Erenice, uma frase me chamou muito a atenção. Segundo a Dilma a pérola vem do ex-ministro Marcio Tomaz Bastos. Teria dito o culto advogado que "As pessoas não precisam ser virtuosas, mas as instituições sim". Como é que é?

Sinceramente, isto me parece a confissão mais absurda de vulgarização da ladroagem, da roubalheira, da corrupção e da falta de ética. Uma senha para o crime. Imagino o gerente ladrão diante do delegado: Senhor, quem tem que ser virtuoso é o Banco, não o funcionário. E o Delegado: Você me dá 6% e tá liberado. Quem tem que ser virtuosa é a Justiça e não o delegado.

Então, a candidata não acha que tem que ser virtuosa? Seus ministros não precisarão ser virtuosos? Sua filha não precisa? A ética foi definitivamente banida, jogada no ralo? Parece que foi mesmo. Deve ter sido isso que pensou o filho da Erenice quando começou a vender a influência da mãe à base de 6% por êxito. Deve ser nisso que acredita ao presidente Lula quando ultrapassa todos os limites para eleger sua candidata. Está tudo explicado.

O conceito de virtude da candidata que, pelo jeito, ela segue à risca, é de assustar. Primeiro porque, de certo modo absolve ex-ante a si própria. Se libera para não ser virtuosa, não precisa. Em segundo porque sinaliza que tipo de governo e dirigentes podemos vir a ter. Já pensou? Um governo que passará à história como o governo dos não-virtuosos construindo instituições "virtuosas"? Nem Kafka pensou nisso.
Devo ser muito atrasado, muito conservador para acreditar que em primeiro as pessoas precisam ser virtuosas. Somente se elas são, as instituições que dirigem poderão ser. E quanto mais virtuoso for o dirigente e mais alto o seu cargo, mais virtuosa será a instituição porque o exemplo vem de cima. Governador ladrão não pode punir vigia ladrão.

Aliás, por falar nisso, ando sentindo muito a falta da palavra honestidade nessa campanha. Já prestaram atenção? Antigamente esse pessoal não falava em outra coisa. Houve um tempo em que a palavra de ordem era a revolução ética, as instituições passadas a limpo, os ladrões na cadeia, os corruptos expostos em praça pública. Hoje reina o silêncio. Duvido que se encontre uma vez só esta palavrinha mágica na propaganda eleitoral da candidata. O pessoal parece que tá com vergonha de dizer que fará um governo honesto. Pode parecer piada.

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