terça-feira, 23 de novembro de 2010

Tiririca vem ai. Talvez com menos letras e mais caráter que alguns que conheço de perto.

O texto abaixo é de Ezio Flavio Bazzo, um escritor e cronista que acompanho há tempos. Merece uma reflexão.

Ezio Flavio Bazzo

Não apenas o Tiririca é a cara falsificada do Brasil, mas também as leis e a justiça que quer impedi-lo de assumir seu cargo no Congresso Nacional. Que raciocínio é esse que possibilita e que até obriga analfabetos a votarem e a elegerem e que ao mesmo tempo os interdita de se candidatarem e de serem eleitos? E se uma pesquisa verdadeira demonstrasse que 70% (sendo otimista) de nossos eleitores têm o mesmo grau de escolaridade e de “substância”que o Tiririca? Pobreza mental da ameba residual que ainda trazemos ou aos tiriricas da vida ainda se resguarda apenas o status de bucha de canhão e de massa de manobra?

Se o Tiririca (com seu analfabetismo) não tem “substância” para ser deputado, como é que a tem para ser eleitor, e mais ainda, um homem público de televisão, formador de opinião e com uma audiência diária e nacional muito maior que a de qualquer parlamentar? Se a dialética dos nobres senadores e dos nobres deputados continua sendo “pão e circo” qual é o problema se um palhaço autêntico ingressar em suas fileiras? Pelo que tenho notícias, meus antepassados, aqueles que construíram Veneza, não sabiam interpretar texto nenhum e nem sabiam direito se Radicchi se escrevia com ch ou com x. Além disso, aqui entre nós, desde que se fundou a Republica nunca se exigiu dos deputados mais do que duas competências: contar dinheiro e saber quanto é 20%.

Falsidade ideológica? Que porra é essa? Não sejamos perdulários! Se nunca tivemos ideologia alguma como poderíamos falsificá-la? Somos de uma estirpe que sempre confundiu ideologia com teologia e mesmo quando nos gabamos de algum ponto de vista “revolucionário”, no fundo, continuamos sendo apenas um parafuso ou uma porca da grande engrenagem ocidental chamada Opus Dei.

Se quiserem processar alguém por esse bafafá todo, que processem o MEC por tê-lo deixado crescer alienado das letras; que processem o STE por eternizar a perversão do voto; que processem o Ministério das Comunicações pelas concessões esdrúxulas das rádios e das Tvs; que processem os partidos que o usaram malignamente e que processem até mesmo Platão por ter legado ao mundo a República, essa legitima égua de Tróia.

Enfim, por tudo isto, defendo a posse do Tiririca. E como moro a uns poucos quilômetros do Congresso Nacional, prometo estar fielmente lá nas arquibancadas sempre que o nobre deputado colocar as quatro patas na tribuna.

Um comentário:

  1. Olha Valter, sinceramente, conheço políticos letrados, muito piores do que o Tiririca, se ele se assessorar bem, pode até fazer alguma coisa, mas, acho que se deixará manobrar pelos cobra criadas que lá já estão.

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