quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Não se abandona um companheiro ferido na estrada.

Com a frase acima, o engenheiro conhecido como Paulo Preto, diretor de grandes projetos do governo de São Paulo, ex-assessor, arrecadador de campanha e outras coisas mais do candidato José Serra, deu em entrevista à imprensa um recado duro ao candidato. Sentiu-se abandonado quando em meio ao bombardeio da campanha o seu "amigo" esqueceu até que o conhecia. Este foi talvez o golpe mais duro na campanha do tucano que até então vinha atacando a Dilma do ponto de vista ético aproveitando as estrepolias da Erenice e dos diretores dos Correios. Estava ameaçado o discurso de honestidade do candidato.

Não quero discutir o mérito das relações entre o Paulo Preto e José Serra. Não as conheço. Quero me referir à condição de companheiro largado e esquecido. Quando José Serra respondeu a um repórter "Não conheço Paulo Preto", além do temor das consequências de uma possivel apuração das relações entre os dois, demosntrou ingratidão e covardia. Não encarou os fatos, não assumiu suas responsabilidades. Foi pusilânime.

O que tinha Paulo Preto contra o Serra para mandar aquele recado? Não faço a mínima idéia, mas era algo importante, pois em seguida o Serra recuperou a memória. Talvez alguma ação não muito republicana. Conhecendo o caráter do Paulo Preto, o Serra achou melhor se lembrar do companheiro ferido na estrada. Vai que o homem resolve falar, né?

Mas fosse o Paulo Preto um homem honrado e, mesmo assim, largado na estrada, ferido, teria como ser lembrado? Penso que não, pois homens honrados não ameaçam já que não tem cumplicidades a delatar, não possuem "podres" a exibir, não participam de fraudes. Fico pensando que talvez seja nisso que se amparam certos calhordas para abandonarem companheiros honrados feridos na estrada. Eles tem certeza de que a honra inibe a delação. O resultado esperado é que os amigos abandonados morram na estrada ou sejam resgatados pela sorte.

Mas se, de repente, um homem que não seja um Paulo Preto, que seja reto, honesto e leal, mas mesmo assim, se considere abandonado na estrada, resolve falar? Não para delatar pessoas e crimes, pois deles não participa, mas para provar o mau caratismo, denunciar a vilania, demonstrar a torpeza, exibir a alma maldosa, revelar o egoísmo, a avareza e a insensibilidade daquele que o largou na estrada. Estaria este homem deixando de ser honrado, reto, honesto e leal? Ainda mais se tratando de um homem público, é lícito ao mau caráter se escudar no silêncio das boas criaturas para praticar suas perversidades?

Tenho pensado muito nisso.

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