segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Acre, o mais tucano dos estados brasileiros. Por que será?

Com 7 em cada 10 votos acreanos, José Serra deu a maior lavada nas eleições presidenciais deste domingo. Pode-se dizer que o Acre é o mais tucano entre os estados. Parece piada, mas é o que os números dizem, apesar de o Estado viver sob hegemonia petista há 12 anos e ter mais 4 pela frente com o mesmo grupo no comando. Dos 22 municípios, paradoxalmente, a Dilma só venceu naquele em que o prefeito é tucano (ainda é?). Parece que quem nasceu para ser dindin jamais será sorvete.

Rio Branco também deu a Serra o seu maior percentual de votos entre as capitais brasileiras com 73,29%. De quebra, o Acre apresentou os dois municípios onde a Dilma foi menos votada em todo o Brasil. Em Porto Acre teve apenas 19% dos votos. Em Capixaba teve 20%. Os dois municípios são governados pelo PT.

Pelo que foi noticiado, ressabiados com os resultados contrários no primeiro turno, os líderes da FPA se empenharam como nunca para reverter a situação. Seria uma tarefa possivel, já que em 2006 aconteceu uma virada em favor de Lula. O melhor argumento era de que o eleitorado da Marina Silva no primeiro turno voltaria ao seu campo natural. Não voltou, ou não era mais a FPA o campo natural daqueles votos.

Nas primeiras palavras de avaliação do resultado, o novo senador Aníbal Diniz, certamente surpreso com o comportamento do eleitorado diz "Precisamos entender o que levou o eleitorado do Acre ter essa postura de hostilidade ao Lula e a Dilma". Não sou da FPA mas dou uma ajudinha ao Senador em quatro pontos listados sem ordem de importância.

1. Os votos acreanos na Marina Silva (23% no primeiro turno) eram em parte, também votos de rejeição à Dilma, pois a futura presidente foi identificada como algoz da senadora no Ministério do Meio Ambiente. Precisaria que a Marina viesse pessoalmente explicar a sua relação com a Dilma e pedir votos para ela. Como se manteve neutra, prevaleceu a rejeição.

2. Com um eleitorado pequeno e majoritariamente ligado à religião, as informações sobre a postura pró-liberação do aborto da Dilma se consolidou. A oposição usou fartamente este argumento para convencer os cristãos, o que fez com que se criasse uma maior resistência à mudança de voto.

3. A estratégia política da FPA no governo sempre foi apropriar-se da autoria e da realização dos projetos do governo federal no Acre. Se formos cotejar friamente no noticiário, veremos que nos últimos 12 anos nenhuma das obras ou projetos implementados é federal. Todos, sem exceção, foram divulgados como ações de responsabilidade do governo estadual. Na base do juntos e misturados até o bolsa-família em determinado momento deu carona ao "adjunto da solidariedade" para que se pudesse compartilhar o mérito. Neste sentido, o governo federal, Lula e Dilma junto, praticamente sumiram. No imaginário popular aparecem como pano de fundo e não como protagonistas. Não há Lulismo no Acre. Bom para a FPA, mas péssimo para a Dilma.

4. Diferentemente do segundo turno da campanha de  2006, desta vez a oposição foi à luta. Ao invés de se dispersarem e tomarem o rumo das praias em férias, os principais líderes tomaram o caminho dos municípios do interior e dos bairros da capital reafirmando a campanha do primeiro turno. Com o empate técnico para o governo e a vitória na capital, a oposição no Acre está com auto-estima elevada e pretende manter acesa a expectativa do eleitorado.

A questão que agora se apresenta é se, com a performance apresentada, reduz-se a força da FPA em Brasília, ou se haverá algum prejuízo em termos de transferência de recursos, de aprovação de projetos, de continuidade de obras etc.

É inegável que o resultado não aumenta o prestigio pessoal de alguns personagens, mas não creio que se reflita em menos apoio objetivo ao desenvolvimento do Acre. O estado é pequeno, suas demandas são pequenas vis a vis o orçamento da união e, de todo modo, serão 2 senadores e 5 deputados federais a dar sustentação ao governo. Além disso, o Acre, a terra de Chico Mendes, é emblemático. Não pode, por isto, ser largado ao vento, sob pena de se constituir pela voz da Marina Silva, principalmente, em ponta de lança a cutucar a sustentabilidade do projeto Dilma. Se alguém disser que o Acre terá menos atenção por causa da votação do segundo turno estará mentindo ou declarando uma vilania sem limites.

Por outro lado, os tucanos locais e seus aliados alcançam perante a cúpula de seu partido um prestígio que nunca possuiram. Aquele pensamento "por lá não temos chance" que contaminava as avaliações partidárias sobre o Acre foi eliminado. Está todo mundo dizendo que no Acre "We can". Assim, fica mais aceso o alerta à FPA. O Governador Tião Viana cuide em fazer em um ano alguns "milagres" bem concretos e perfeitamente comunicáveis, senão... 2012 vem ai.

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