terça-feira, 9 de novembro de 2010

Ainda o voto do nordestino pobre e analfabeto.

Em artigo publicado ai do lado no site OUTRAS PALAVRAS a extraordinária economista, socióloga e atual professora do Departamento de Economia da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), Tânia Bacelar de Araújo, com quem, aliás, tive a honra de trabalhar na elaboração do PAS - Plano Amazônia Sustentável em 2003, faz um esforço bem sucedido par explicar a expressiva maioria obtida por dona Dilma no Nordeste. Segundo ela "Não é o voto da submissão – como antes – da desinformação, ou da ignorância. É o voto da auto-confiança recuperada, do reconhecimento do correto direcionamento de políticas estratégicas e da esperança na consolidação de avanços alcançados – alguns ainda incipientes e outros insuficientes. É o voto na aposta de que o Nordeste não é só miséria (e, portanto, “Bolsa Família”), mas uma região plena de potencialidades."

Um de seus argumentos é de que o emprego formal cresceu no Nordeste a uma taxa de 5,9% contra uma taxa nacional de 5,4%. Não creio que esta diferença se tenha dado no interior do nordeste, mas sim nas áreas litorâneas, onde se vinculam empresas ligadas ao Petróleo e à construção civi, principalmente.

Já disse antes que não me atrevo a tirar conclusões precipitadas a respeito disso. Precisaria, antes, fazer um cruzamento estatístico entre as seções ou municípios mais pobres e de maior anlfabetismo com seus resultados eleitorais e ver a importância relativa dos números no resultado geral. Não se pode negar os avanços dos últimos anos mencionados pela professora, de todo modo, visitando o interior do Ceará onde nasci, sinceramente, não vi ainda nenhum aspecto efetivo de libertação do eleitor como pretende a Tânia. Pelo contrário, nestas regiões o que fica patente, queiramos ou não, é o aprisionamento ao Bolsa Familia e às velhas práticas clientelistas, embora com agentes renovados. Quer saber, cogite-se eliminar o programa e veremos até onde vai a "auto-confiança, a esperança e o reconhecimento" das populações pobres e anlfabetas, sejam no nordeste ou em qualquer outro lugar.

2 comentários:

  1. Parece preconceituoso, mas acredito mesmo que um movimento separatista que emancipasse o Nordeste do resto do país seria bem-vindo... Se eles não sabem e nem querem escolher bem seus governantes, deveriam então só eles ser submetidos aos descalabros do PT, pagar impostos extorquidores e financiar grana fácil para políticos inescrupulosos do congresso e do senado. Assim o resto do país poderia enfim exercer a democracia e o desejo de alternância de poder, eles que se fodessem nas mãos dos populistas petralhas...

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  2. Caro
    O que leio em seu comentário já se leu anteriormente tratando de coronelismo, votos de cabresto, fisiologismo, oligarquias agrárias etc. A questão não é nordestina, mas de um povo sujeito à manipulações e personalismos.

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