quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Um brevíssimo ensaio sobre a ingratidão.

Refletindo sobre a ingratidão, esta vileza que me persegue, deparei-me recentemente com uma frase do escritor Alexandre Dumas, autor de "Os Três Mosqueteiros" e de "O Conde de Monte Cristo". Disse ele: "Há favores tão grandes que só podem ser pagos com a ingratidão".

O pensamento de Dumas é coerente com a idéia de que o devedor odeia o credor e o favorecido odeia o bemfeitor porque a ele se sente aprisionado. Especialmente quando se trata de dívidas intangíveis, não monetárias, o vínculo entre eles perde a capacidade de valoração e, sendo assim, a dívida não pode ser paga jamais. Ao devedor resta, na tentativa de livrar-se do laço moral, fugir da dívida, passar para o outro lado da rua, virar as costas ao passado. Mas poderá o ingrato continuar impunemente a colecionar credores com os quais não cruza a calçada? Este é seu drama. Em algum momento não terá mais a quem enganar.

E aquele que sofre a ingratidão, como se sente perante a vida que não acaba aí? É possivel continuar confiando nas pessoas, dedicando-lhes amizade e consideração? Como manter e estabelecer novas relações sem contabilizar as perdas e, com isto, depreciar a fé e o amor ao próximo? Este é seu drama. Em algum momento terá que confiar.

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