sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Um debatezinho micha. E perdi o jogo na Globo.

Acabo de ver o debate na Band. Debates no Brasil são engraçados, o cara que é melhor não pode ser muito melhor senão fica com fama de arrogante, parecendo humilhação - já aconteceu, eu vi, entre Cristovam Buarque e Joaquim Roriz. Tem que ser melhor por critérios muito sutis, distantes da minha compreensão.

No lugar do Serra, quando a Dilma falou aquela bobagem dos milhões de empregos como se os contextos fossem os mesmos, eu a mandaria voltar ao banco escolar e estudar um pouquinho de economia para não ficar repetindo propaganda como se fosse realidade. Bastaria dizer que em oito anos de FHC o Brasil cresceu mais no mundo que nos oito anos do Lula.

Serra foi o que é. Mais preparado, mais experiente, tem mais conteúdo, é mais "eu sei, eu posso". É, contudo, contido na provocação, na firula, no drible. Quer ganhar o jogo sem dar dribles, sem dar chapéu, sem fazer gol de letra. Poderia, por exemplo, para lembrar a questão da Bolívia, perguntar por que cargas d'água o tráfico de pasta base e o consumo de crack no Brasil praticamente surgiu e se tornou a praga que é nos últimos oito anos. Onde estava a Dilma? Serra pensa que está jogando xadrez. A Dilma está na bola de meia, onde vale inclusive caneladas.

A Dilma, poupada, não comprometeu-se tanto quanto eu esperava. É fria. Está treinada. Leva no lombo, mas não se abala. Tem sempre a salvação na comparação com o ontem, contabilizando pedra fundamental e ordem de serviço. É ai que fatura em cima do Lula. Se está comemorando, tem motivos. Não foi tão mal.

A Marina foi mal preparada. Perdeu oportunidades e praticamente levantou a bola para o chute dos adversários em suas perguntas. A jaguatirica pareceu uma gatinha de sofá. Perdi as fichas que apostei nela.

O Plínio é o que é. Um dinossauro socialista. Só pensa em pegar a terra dos outros e dar pro MST fazer a revolução de cem anos atrás. Poderia ao menos fustigar com firmeza os adversários com perguntas incômodas. Nem isto. Pelo menos, agora saabe-se que existe.

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