sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Transferência de votos não é pra qualquer um nem de qualquer jeito.

Por falar em transferência de prestígio contabilizado em votos, no Acre, o politico de maior popularidade, o ex-governador Jorge Viana, que já entrou na campanha eleito para o senado juntamente com seu irmão Tião Viana para o governo, está com dificuldades para eleger seu companheiro de chapa Edvaldo Magalhães, que dava como certo que a campanha encangada seria suficiente. Não seria a primeira vez, dado que em 2002 o próprio Jorge, com a Marina Silva, tiraram do quase anonimato e elegeram Senador, Geraldo Mesquita Júnior.

O que acontece agora com o Edvaldo Magalhães que, pelo menos por enquanto, não consegue ultrapassar seu principal opositor, o deputado federal Sérgio Petecão? A estratégia é a mesma, deveria ter o mesmo resultado. Não é bem assim.

Penso que a transferência de votos como fenômeno político tem uma característica bastante peculiar, ligada ao candidato beneficiário, que é o status de seu nome decorrente de sua expressão e atuação política. Explico.

Se o candidato é retirado do anonimato, sem nenhuma popularidade, muito provavelmente a rejeição ao seu nome também é mínima, o que permite liberdade total para construção de uma personalidade politica capaz de atrair e vincular o voto ao do primeiro candidato. Mas quando se trata de alguém já posto na vida pública, mesmo que positivamente como é o caso de Edvaldo Magalhães, a coisa se complica porque no decorrer de sua trajetória ele não colecionou apenas apoio e admiradores mas também rejeição e adversários. Além do mais, sua personalidade política já está determinada. Não pode ser apagada e reescrita conforme o modelito adequado à eleição. Há quem goste e quem não goste.

Vejamos a eleição presidencial. Por que o Lula escolheu no dedaço uma desconhecida? Entre muitos motivos, creio que foi porque os políticos à sua volta, os velhos companheiros, todos eles apresentavam níveis de rejeição importantes. Seria dificil transformar uma Marta Suplicy, por exemplo, em uma presidenciável, embora ela tenha muito mais experiência política do que a Dilma. Isto explica também porque em São Paulo, berço do petismo e do sindicalismo, Mercadante amarga índices péssimos. São Paulo já conhece Mercadante, não dá pra repaginá-lo de uma hora pra outra.

Então, o que fez Lula? Buscou uma candidata politicamente nula, que pudesse ser modelada com o perfil necessário à transferência de prestígio, e assim fez. O primeiro toque foi o gerencial. Era preciso que tivesse capacidade administrativa, daí não se cansou nos últimos dois anos de lhe atribuir este predicado. A mulher que faz, que exige, que cobra, que realiza. O segundo toque, mais recente, foi o da afetividade. A mulher-gerente não poderia ser dura, masculinizada, então dá-lhe estética e marketing. A Dilma adquiriu além de um rosto suave, um sorriso tão permanente que parece plastificado. O terceiro foi a linguagem. A antiga rispidez deu lugar a frases mansas, medidas, refletidas e a gestos contidos. O quarto foi a da  mimetização que antecede a transferência, ou seja, ela precisaria ser parecida com o Lula, o que foi resolvido com a história de pai do povo e mãe do povo. Pronto. Está ai o produto "vendendo" como água.

Então, estamos sabendo. Se for transferir votos, escolha um poste e comece cedo.

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