quarta-feira, 18 de agosto de 2010

PEC 300 - os policiais foram enganados.


Voces viram no Jornal Nacional e nos outros. A coisa é séria. De ontem pra hoje, a Câmara dos Deputados resolveu, obedecendo orientação do governo, dar um chega pra lá nos policiais e mandar pras calendas a votação da PEC 300, criando um clima de insatisfação perigoso para a segurança pública. O deputado acima foi relator da PEC 300.

Na verdade isto nunca, veja bem, nunca, esteve em cogitação. O que aconteceu foi que alguns deputados policiais militares, obviamente ligados à corporação, identificaram ai uma mina de votos em ano eleitoral. Fizeram reuniões, arranjaram aliados também interessados nos votos dos quartéis e danaram-se a realizar assembléias nos estados, manifestações etc. Os policiais se organizaram, o movimento pegou corpo e cresceu, mas do outro lado, o governo federal jamais cogitou arcar com o ônus financeiro correspondente. São bilhões de reais que o governo não dispõe. Nenhum governo.
A questão é simples. Não há grana. Mas não tiveram coragem de amarrar o guizo no pescoço do gato e foram empurrando com a barriga, até que agora a corda quebrou.

Não há grana para o piso nacional dos policiais, nem para os enfermeiros, nem para a criação de uma policia penal, assim como não há grana para uma infindável corrente de categorias que seria puxada por estes aumentos. Por que um policial teria 3.500 reais como piso enquanto um professor com nivel universitário e 30 anos de carreira não ganha 2.000 reais sequer? Sei. No acordo, os valores haviam sido retirados do texto por inconstitucionalidade, mas é certo que foram mantidos enquanto expectativa de vencimentos, portanto desencadeiariam uma progressão inadministrável de demandas em todos os setores.

Basta isto para demonstrar que esta é uma luta sem futuro. E os deputados sabiam disto quando insuflaram o movimento. Nenhum deles acreditou de fato que um soldado viesse a receber em inicio de carreira este valor, ou que um oficial recebesse inicialmente 7.000 reais. O que ocorreu foi puro oportunismo eleitoral. Agora, estamos prestes a ver uma reação sem precedentes.

O que acham que poderá acontecer se no Brasil inteiro, de forma organizada, os policiais resolverem cruzar os braços, ou fazer uma operação padrão, daquelas em que o sujeito está mas é como se não estivesse em serviço? Se com eles trabalhando e morrendo a cada dia estamos nas mãos da bandidagem imagine...

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