quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Extra! Extra! "Eles" estão chegando.

Não. Não conheço em profundidade as causas da violência. Não sei falar da questão da segurança como de outros assuntos. De violência eu entendo apenas o sentir e o sofrer. E sinto. Sinto muito que o Acre esteja enfim revelando-se de tal modo violento e perigoso.

Penso, contudo, que não se trata de um processo explosivo, agudo, como se de uma hora para outra os criminosos de prática e de mente despertassem para a ação, fazendo reféns, assaltando à luz do dia, invadindo casas e lojas, vilipendiando jovens e crianças, humilhando famílias, matando inocentes. Não há uma horda de assassinos saqueando uma cidade indefesa.

O que parece razoável afirmar é, por um lado, que o caldo de cultura em que se desenvolve a violência começa a produzir safra maior e frutos mais podres e, por outro, que por alcançar as classes mais abastadas, já não é possivel escondê-la.

Lembro que ouvi por diversas vezes de um dono de jornal em Rio Branco, em 2006, que a noticia que mais incomodava o governo era a violência e, por isto, seus meios de comunicação privilegiavam este tema enquanto todo o resto da mídia, aliada ao governo, se dedicava às boas noticias.

Ocorre que enquanto a violência diária se restringia aos bairros periféricos a sua repercussão era mínima. Muitas vezes a vítima até se confundia com o criminoso. Era coisa "entre eles", e "entre eles" ficava. Agora mudou. A cidade cresceu, o consumo e tráfico de drogas inundou a cidade, o desemprego de entrada no mercado de trabalho não teve solução e a coisa mudou. A violência da periferia transbordou para o centro nos pegando de calças curtas. Agora é entre eles e nós. Dai a revolta, a tristeza, o medo.

Não sei se o aparato de segurança do Acre é suficiente em número, em qualificação, em equipamentos, em recursos financeiros. Talvez até seja. Já disse antes que não entendo muito de violência. De qualquer modo, é certo, não está correspondendo às necessidades. Se é assim, quantos mais homens e equipamentos e recursos e tecnologia e inteligencia e gestão serão necessários? Os comandantes dirão.

Talvez seja a hora de, por outro lado, pensar também em quantos empregos e empresas e terra e agricultura e indústria e cursos e recursos e infraestrutura e investimento produtivo e esporte e cultura serão necessários para que "nós e eles", sem distinção, possamos viver minimamente em paz.

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