segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Tião Viana e Jorge Viana - uma vitoria com sabor de derrota.

Aos resultados:

O senador Tião Viana ganhou a eleição para governador no primeiro turno por uma diferença de pouco mais de 1%  em relação ao seu opositor Tião Bocalom.

Para o Senado, Jorge Viana foi o mais votado, porém teve menos de 1% dos votos a mais que Petecão que ganhou a outra vaga.

Edvaldo Magalhães teve votação pífia e ficou no empate técnico com João Correia. Para a Câmara Federal a FPA fez apenas 5 deputados (contava com 6).

Para a Assembléia Legislativa ainda é preciso aguardar a liberação dos votos de alguns candidatos enrolados na Justiça.

José Serra teve no Acre sua maior votação em termos proporcionais (52%). A candidata petista teve seu pior resultado (apenas 23,7%).

Além disso, temos que considerar a extraordinária votação de Marcio Bittar que ultrapassou os 52.000 votos (15% dos eleitores) e faz com que seja o segundo candidato mais votado do Brasil, atrás apenas de Reguffe no Distrito Federal. Outro candidato da oposição, Flaviano Melo foi o segundo mais votado no Acre com mais de 10% dos votos.

Este é o cenário nada animador com que se defronta a FPA no dia de hoje. É preciso ler o resultados das urnas. Leio assim:

Deixando de lado eventuais equívocos de campanha, creio que a FPA quase perdeu as eleições para uma candidatura de baixo carisma, pouca elaboração teórica e escassos recursos financeiros, em grande parte devido à discutível performance de seu projeto - a florestania. O governo de doze anos da FPA, por assim dizer, encardiu, está cansado nos operadores e no método. O anúncio da ZPE e de um processo de industrialização não foi suficiente para lustrar a florestania e renovar as esperanças de milhares de eleitores que se sentem frustrados em suas expectativas. É mais que fadiga, é desilusão, o que leva ao desejo de mudança.

É sintomático que tanto Tião Viana quanto Jorge Viana tenham perdido as eleições na capital do estado, justamente onde fizeram as maiores obras e detém o comando da Prefeitura Municipal há seis anos, dos organismos federais há oito, e da UFAC há dez anos, além de posições importantes em organizações privadas. O eleitorado escreveu com tinta forte nas urnas que não está mais disposto a endossar o mesmo e os mesmos. Quer mudança.

Algumas perguntas prescisam ser respondidas. Estará o novo governador disposto a reciclar a forestania e os florestanos que se perpetuam em seus cargos como se donos fossem? Estará disposto a observar os argumentos dos adversários sem transformá-los em inimigos a serem extirpados? Estará disposto a democratizar o debate amansando os pitbulls da imprensa? Estará disposto a deixar respirar os movimentos sociais?

Alguém poderá dizer que foi o discurso da produção agrícola e do desenvolvimento verbalizado pelo Tião Bocalom que quase venceu. É em parte verdade pois esta é uma área sensível do governo, mas penso que a florestania está perdendo também para si mesma à medida que não consegue olhar-se e reconhecer equívocos e insucessos. Isto signfica enterrar de vez a florestania? Talvez não. Talvez seja possível manter a sua raiz filosófica.

Um comentário:

  1. Adolfo Viana Hitler4 de outubro de 2010 17:47

    Não há raiz filosófica para um embuste, um blefe. Não, Tião já declarou que não precisa 'de gente que atentou para a honra de sua família' para ajudá-lo a administrar o Acre, como se vê a arrogância não vai larga-lo. Ele, a arrogância e a prepotência mantem um triangulo amoroso doentio. Nem mesmo o fato de ter chegado ao Palácio Rio Branco no mata-mata, o faz rever coisa alguma, seu egocentrismo não o permite... O pior homem é aquele que se recusa a crescer mesmo quando a vida lhe dá provas contundentes de que sua prática está inteira fundamentada no erro. Será justamente esse homenzinho quem vai dar para os tucanos a virada total e irreversível em 2014, torço mesmo que ele não mude, que continue duro, carrasco da democracia, empedernido e de coração duro para os anseios populares, quero que ele próprio cave a sepultura petista onde irá se deitar.

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