segunda-feira, 18 de outubro de 2010

"Politização" como fuga da realidade.

A julgar pelos jornais acreanos, o governador eleito Tião Viana está em vias de "politizar" a sua administração como forma de manter a hegemonia que a FPA conquistou no Acre. Esta politização significa repartir cargos e postos de mando na daministração. A decisão decorre da avaliação de que a baixa performance nas recentes eleições resultou de governos excessivamente técnicos que teriam afastado os políticos do povo. Será?

Diz a lógica que de uma avaliação correta pode decorrer uma decisão correta. Como na medicina, é o bom diagnóstico que embasa o bom tratamento. Pode ser que tenham razão os jornalistas, asssesores e políticos acreanos que chegaram àquela conclusão, afinal, são especialistas no assunto. Alguns, obviamente, mais interessados do que especialistas. Cá do meu canto, desconfio que não. E explico.

Esta avaliação tem como referência a eleição ao Senado. Dizem seus defensores que o Petecão ganhou apenas com simpatia, explorando uma personalidade popular, alegre, mais de forma do que de conteúdo. Isto significaria que o Tião Viana no governo deve seguir o mesmo caminho. O sorriso entrou na moda.

Pode ser que o modelo simpatia do Petecão o tenha ajudado a quase igualar seu oponente, ninguém menos que o ex-Governador Jorge Viana, mas com certeza não foi a causa mesma da sua eleição. Assim como não foi o que moveu 49% dos eleitores a votar em Tião Bocalom, que de simpático não tem nadinha.

O que efetivamente deveria assombrar a florestania não são os sorrisos do Petecão, do Bocalom, do Marcio Bittar ou do Flaviano Melo. O que ameaça a sua continuidade é isto mesmo. A continuidade. O que colou no eleitor foi a obstinada marcha da oposição na crítica aos resultados de 12 anos de governos que reprisam o tema da preservação, e que apesar de algumas tentativas em outros sentidos concentra-se em setores de baixo dinamismo econômico. Pode-se cobrar da oposição uma melhor elaboração de seu projeto, mas ficou provado que no diagnóstico esteve certa. Foi isto que sustentou a eleição do Petecão e a votação surpreendente do Bocalom, do Marcio, do Flaviano... Quem se elegeu fazendo gracinha foi o Tiririca.

Creio que pensou nisso o então candidato Tião Viana quando propôs a industrialização como nova força motriz da economia local. De certo modo isto significa uma reciclagem necessária no projeto em curso. É nisto que ele deveria apostar. O revigoramento da FPA não se fará mediante o loteamento do governo, mas pela adoção de políticas que enfrentem o desafio da empregabilidade, principalmente.

A respeito, é bom ler a entrevista do Adem Araújo ao site AC 24 Horas. Entre outras declarações o homem de frente de um dos maiores empreendimentos genuinamente acreanos afirma: "Nessa época falta até mandioca. Banana a gente começa a importar de Rondônia para atender nossos clientes, mas mantemos aqui esses pequenos negócios: o produtor de açaí, o de hortaliças, como já falei. O restante vem de fora mesmo. O Acre ainda não tem uma produção que atenda o mercado. Nosso desejo é dar oportunidade para o pequeno produtor que deseja realmente trabalhar, que esteja enquadrado dentro das exigências de qualidade. Hoje temos um nível de qualidade em que o produtor tem que está alinhado. Nosso foco foi e será sempre a satisfação do nosso cliente."

Não parece o discurso da oposição? Parece e é. Para o bem dos acreanos, esta é a realidade que o governador Tião Viana deve enfrentar e não o chôro dos surubins.

Um comentário:

  1. Valter, uma eleição não e não pode ser um concurso "miss simpatia", se o fosse, os azedos Tião Viana, Jorge Viana e Tião Bocalom, não teriam chance alguma. Tião Viana fará um governo que talvez não seja melhor que o do Binho, não há o que a Frente Popular possa fazer mais, a esta altura do campeonato, para ganhar esta partida, "não tem mais o apoio da torcida". O povo acreano já viu que "eles" são iguais ou piores do que aqueles que eles classificavam de "maus", "a turma do mal" e outras coisas. Márcio Bittar se elegeu porque fez um trabalho, mesmo perdendo três eleições, Petecão se elegeu pela esperança do povo e porque simplesmente "não havia outro candidato que falasse a língua do povo". Edvaldo é ininteligível e João Correia é um doutor. O targiversante Tião Viana vai começar este governo mal, muito mal. Terá que governar e se preocupar em se defender dos processos eleitorais. Seus ajudantes, serão o continuísmo "do continuísmo", apenas postos pra acomodar a "cumpanheirada" que perdeu eleição, inclusive vindos de outros lugares. O Acre vai continuar "o mesmo, do mesmo", infelizmente!

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