sexta-feira, 22 de outubro de 2010

O SISA - Sistema de Incentivos a Serviços Ambientais do Acre. Devagar com o andor.

Embora pouco esclarecedora, pois não fixou metas nem estimou receitas, a entrevista do Eufran Amaral ao Alan Rick deu uma idéia básica do que está em causa com a criação do SISA - Sistema de Incentivos a Serviços Ambientais. Penso que é, antes de tudo, uma questão de justiça. Além disso, é uma boa alternativa para a remuneração de proprietários e posseiros sob restrições de uso da terra. Mas, creiam, não é nenhuma panacéia. Há limites para o programa e efeitos bastante discutíveis.

Uma das características da comercialização de carbono sequestrado na Amazônia é servir para "limpar" as indústrias poluidoras em outros lugares do mundo. Em outras palavras, às custas da compensação que pagam por serviços ambientais (sequestro de carbono, por ex.) as indústrias poluidoras do mundo desenvolvido estariam liberadas para continuar crescendo e se expandindo, enquanto por aqui...

É preciso que a população não seja enganada achando que daqui pra frente podemos ficar nos embalando na rede enquanto a Europa nos paga serviços ambientais de uma floresta imobilizada, ou que a renda dai proveniente seja suficiente para determinar o desenvolvimento regional. Mesmo porque nesse mercado de carbono sempre há mais discurso do que grana, ainda mais se considerarmos a crise fiscal que abala o mundo desenvolvido. Desde que efetivo, o SISA pode ser importante como intermediário de uma economia apenas marginal. O real desenvolvimento econômico, aquele que gera empregabilidade, que muda a vida das pessoas, que promove suas aptidões e potencialidades, que realiza o sonho de prosperidade tem outra centralidade, fatores e razões de acontecer. De todo modo, penso que o Acre ganha com esta proposta.

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