segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Sem essa de onda verde.

Há quem afirme com toda convicção que a performance da Marina Silva decorre de uma "onda verde" que teria alcançado uma parcela importante da sociedade, fazendo com que e ex-ministra seja hoje a caudatária de mais de 20 milhões de votos. Alguns até imaginam que ela pode transferí-los. Discordo e explico.

Não há onda verde nenhuma. A votação que a ilustre acreana teve decorre de vários fatores e de uma estratégia que, aliás, ela utilizou em sua primeira eleição ao Senado. Em disputa com os dois favoritos (Aluizio Bezerra e Narciso Mendes) a deputada Marina Silva se posicionou por fora da raia, enquanto os dois se destruíam mutuamente. No final, cansado de agressões e ávido por mudança, o eleitorado tascou o voto na Marina. Aluizio, o "carcará" foi abatido.

Sem nenhum demérito à candidata, muito pelo contrário, penso que ela adotou a mesma estratégia. Estimulou o acirramento do debate entre Dilma e Serra, postou-se no campo ético e moderno, aliou-se com intelectuais e artistas e colheu os resultados. Nos temas polêmicos como o aborto, que derrubou a Dilma, ficou em cima do muro defendendo o plebiscito. Verdadeiramente, o tema verde muito pouco frequentou o debate presidencial, não há, portanto, como ter corrido onda nenhuma.

De qualquer forma, é bastante razoável propor que a opção da Marina Silva no segundo turno seja cortejada pelos dois candidatos. Soma muito e ela pode aproveitar para arrancar compromissos "verdes" que lhe interessem, mas duvido que signifique um verdejamento significativo do eleitorado.

Um comentário:

  1. Marina é novidade para a cena política nacional, nada mais natural esse assédio da imprensa, todos empolgados à caça de novidades sobre ela e suas excentricidades ambientalistas, suas bijuterias indígenas, seu tom acadêmico enfadonho, suas eternas propostas de melhoriaas sociais a partir do desenvolvimento sustentável (coisas muito boas mas que não vingaram nem no Acre, sua terra de origem, como a florestania à qual ajudou a implantar, e que tornou-se o maior equívoco por estas bandas)... Deixa o povo do Sudeste ouvir aquela lenga-lenga por mais de quinze anos como os acrianos pra ver se eles continuam pensando a mesma coisa sobre ela... ô mulher chata!

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