terça-feira, 6 de outubro de 2009

IDH – Neste ritmo só chegaremos ao andar de cima em 2031.

Saiu o IDH para 2007. Segundo o relatório do PNUD divulgado neste domingo, o Brasil estacionou no índice de desenvolvimento humano - passou de 0,808 para 0,813, e não saiu da 75º posição entre os 182 países elencados.


COMENTO

O vilão por aqui foi a expectativa de vida que contrabalançou os avanços na renda, por exemplo. Expectativa de vida tem a ver com saúde, obviamente, mas tem também com violência, com acidentes de transito, com mortalidade infantil e assim por diante. Na verdade, expectativa de vida é um indicador fortíssimo, afinal, melhores condições de vida só podem implicar mais vida. Se não tem mais vida...

Certamente vai haver grita contra os dados. Diante de tanta euforia com a economia, copa do mundo e olimpíadas, e às vésperas de uma campanha eleitoral, não fica bem dizer que continuamos no 75º, ainda que listados entre os de Alto Desenvolvimento Humano.

Alguns economistas dirão que o IDH é um indicador limitado. É verdade, mas só assim poderia ser aplicado a 182 países. Outros, como o representante do Ministério da Saúde, dirão que o IDH divulgado é ainda de 2007, portanto não mede os avanços recentes. É verdade, mas isso serve para todos, logo, mantém o efeito comparação. O fato é que em alguns setores estamos remando mais devagar que outros países e isto irrita muito certas autoridades.. Não tem graça nenhuma estarmos atrás de vizinhos como o Uruguai, Chile e até da Venezuela que só não compra de fora a gasolina que põe em seus carros (todos importados).

Obviamente o Brasil não estancou. Está andando, porém, em ritmo inferior ao possível e desejável e certamente demorará a inserir-se no clube do andar de cima. Aliás, desta vez a o PNUD resolveu dividir os países em quatro categorias, agrupando os de MUITO ALTO desenvolvimento humano (índice maior que 0,900). Antes o piso de 0,800 colocava no mesmo balaio o Brasil, a Venezuela, a Noruega e o a Islândia que, obviamente, não são “bananas do mesmo cacho”.

Há no relatório um dado que por enquanto parece despercebido pelos analistas. A taxa anual de crescimento do IDH está diminuindo. Segundo o Relatório a taxa média de crescimento do período 1980-2007 foi de 0,63% ao ano. A do período 1990-2007 foi de 0,79% ao ano e no período 2000-2007 foi de 0,49. Em miúdos, o Brasil teve melhor desempenho entre 1980 e 2000 do que nos últimos sete anos. No ritmo atual (0.49% ao ano) só alcançaremos o IDH 0,900 daqui há 24 anos.

Se é assim como é que fica a revolução da era Lula? Não fica. Não se fazem revoluções de uma hora para outra. Não se fazem revoluções por fora da educação e do desenvolvimento tecnológico. Não se fazem revoluções mantendo o atrelamento às velhas bandeiras sindicais.

O “nunca antes neste pais” é só retórica mesmo. Quem diz é o PNUD.

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