sábado, 10 de outubro de 2009

Em quatro anos o MST recebeu 115 milhões de reais do Governo para substituir o Governo.

A informação foi dada pelo Ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, ao Deputado Ronaldo Caiado do Democratas.

COMENTO

Escrevi há algum tempo, ainda quando trabalhava no INCRA, que um grave problema brasileiro é que estávamos fazendo uma reforma agrária tardia, recriando então uma agenda defasada e conflitos idem, porém em ambiente moderno.

Hoje, a visibilidade, a comunicação e organização, o acesso aos meios de mobilização etc., são extremamente ágeis, proporcionando aos movimentos sociais como o MST, variadas formas de ação. Entre elas o acesso a recursos públicos. Outra, a influência na nomeação de dirigentes de organizações do estado. Mais uma, as alianças pragmáticas com partidos, associações, sindicatos e igreja.

Por outro lado, o Brasil cresceu muito e urbanizou-se. Em 1950 36% da população viviam nas cidades, hoje são 85%. Em 1970 havia 3.972 municípios, hoje são 5.564. A obrigatória proximidade dos centros urbanos oferta e ao mesmo tempo atrai contingentes para o MST. O candidato a um pedaço de terra não é mais aquele típico agricultor, meeiro, parceiro, filho de agricultor ou ex-agricultor disposto a se embrenhar no campo, domar a terra e dela tirar o sustento da família. Os tempos são outros. O chamado sem terra é na verdade um excluído genérico. A luta pela terra é para ele apenas um meio para alcançar melhores condições de vida, de preferência pertinho da rodovia e do baile-forró do sábado à noite.

O fato do MST acessar tão significativa soma de recursos reflete a sua capacidade de formatar-se como movimento organizado aproveitando-se das facilidades criadas no Governo sob sua própria pressão, visando manter e expandir sua ação tanto no território quanto nas funções do estado. Daí escolas técnicas e até faculdades sob o domínio do MST. O mesmo se pode dizer da assistência técnica e extensão rural. Logo virá um sistema de saúde, quem sabe um de segurança... não é difícil imaginar onde vai dar o curso dessas águas.

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