sábado, 24 de outubro de 2009

Em defesa do MST, intelectuais escorregam na estatística e na democracia.


Um grupo de 58 intelectuais brasileiros e 13 de outros países assinaram um documento com o título “Manifesto em defesa do MST - Contra a violência do agronegócio e a criminalização das lutas sociais”.

COMENTO

O texto é uma solidarização com o MST e, ao mesmo tempo, um ataque ao agronegócio brasileiro. De certo modo ratifica um confronto que no meu entendimento não deveria haver. Os dois setores (agricultura familiar e agronegócio) não são excludentes. Na verdade, a agricultura familiar só consegue viabilizar-se social e economicamente quando incorpora elementos típicos do agronegócio, como tecnologia, organização da produção e informação de mercado.

Já de inicio os intelectuais acusam a mídia de divulgar as imagens da destruição do laranjal como ato de vandalismo. Se não foi, poderiam ter aproveitado para dizer o que foi aquilo.

Em seguida endossam a justificativa do MST em torno da titularidade do domínio da terra invadida. Ora, enquanto em última instância não for decidida que se trata de terra pública, ela é privada e como tal tem que ser tratada.

Mais à frente o documento acusa o aumento da concentração fundiária nos últimos anos. É ai que escorregam feio. Deveriam consultar um estatístico. Os dados do IBGE são distorcidos e todos sabemos disso há muito tempo. Num post de domingo, 18, tratei do tema. O fato é que a concentração fundiária medida pelo IBGE não é a concentração propriedade fundiária, esta sim alvo do processo de reforma agrária. A diferença é que a primeira inclui imóveis de grande extensão, porém legalmente insusceptíveis de aproveitamento pelo processo de reforma. Cada vez que uma grande área de reserva é registrada, por exemplo, o índice de GINI cresce, o que não quer dizer que a propriedade da terra tenha ficado mais concentrada como querem os intelectuais. Pelo contrário.

Em outro ponto o manifesto trata da violência e afirma “A estratégia de luta do MST sempre se caracterizou pela não violência, ainda que em um ambiente de extrema agressividade por parte dos agentes do Estado e das milícias e jagunços a serviço das corporações e do latifúndio. As ocupações objetivam pressionar os governos a realizar a reforma agrária.” Certamente os intelectuais jamais possuíram um pedaço de terra, do contrario não considerariam pacífico que um bando armado de facões, foices e, muitas vezes, revolveres e espingardas, invadam uma propriedade privada, expulse seus donos, repito, donos, e aproprie seus bens.

Um comentário:

  1. agronegóicio exclui agricultura familiar sim!!
    Leia os livos de:
    Ariovaldo Umbelino Oliveira (USP)- vários
    Bernardo Mançano Fernandes (UNESP)- vários
    Antonio Thomaz Junior (UNESP) - vários
    Alberto Passos Guimarães - Quatro séculos de latifundio
    José de Souza Martins -vários (antes de 1990)

    O Brasil é o único país no mundo que sua elite não permitiu que se fizesse uma reforma agéria nos moldes burgueses.
    Como falar em democracia sem direto à terra?
    Como falar em democracia em meio um sistema agrícola que anualmente desterreia milhares de pequanos agricultores e concentrando as terras nas mãos de poucos agroempresários ou crescendo o monopolio das transnacionais do setor de alimantos?
    Como falar em democracia se em pleno século XXI milhares de trabalhadores são escravisados pelo agronegócio brasileiro?
    Como falar em democracia se os indígenas e quilombolas nunca foram reconhecidos donos de seus seculares territórios?

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