quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Políticos e jornalistas políticos. Quem precisa de quem?

Políticos e jornalistas mantém quase sempre uma relação de amor e ódio. Os primeiros sabem que em alguma medida dependem da noticia, seja verdadeira ou falsa. Alguns, na base do "quem não se comunica se trumbica", sustentam verdadeiros batalhões de jornalistas na esperança de fazer um nome na opinião pública.

Os segundos, muitas vezes dependendo, para sobreviver, dessa grana-jabá, visto que os donos dos jornais lhes pagam uma merreca, fazem verdadeiros malabarismos tentando tirar leite de pedra e responder às cobranças. Do lado de lá o cara liga e pergunta: Pô cara, cadê a matéria? Do lado de cá o jornalista pensa: "Esse merda não faz p. nenhuma e quer sair todo dia no jornal", mas responde: Calma deputado, é que o editor tá meio chateado, mas amanhã sai na coluna. É do jogo.

Em meio a essa barafunda há, contudo, os verdadeiros assessores de imprensa. Gente trabalhadora e capaz, que pensa, estuda, propõe, discute, elabora e serve ao político uma estratégia de comunicação de médio e longo prazo baseada em atitudes e posições políticas honestas, verdadeiras e condizentes com as aspirações do eleitorado. Ao mesmo tempo, estabelecem conexões deste plano com a mídia diária. Para que existam é preciso, porém, que hajam políticos atuantes e dispostos a valorizar esse trabalho, o que é raríssimo. A grande maioria quer apenas as notinhas.

Conheço um político que, como é de praxe, adora se ver na TV ou ler noticias nos jornais em que é citado. Adora jornais, mas odeia jornalistas. Considera todos uns vagabundos, para ele não passam de uma gente sem caráter que vende a alma, a pena, a opinião, as idéias e o mal que podem fazer. Sempre se orgulhou de não pagar nenhum e sair constantemente na imprensa "de graça". Muitas vezes o vi fazer contas: Ora, dizia ele, "se ao invés de pagar dois mil reais mensais a um cara desses, eu comprar dois novilhos, ao final de quatro anos eu terei mais de cem bois. Quem precisa desses caras? Vou dando uma passagem a um, uma gorjeta a outro e pronto. São todos uns lascados. Tem um que só precisa eu comer aquele pato no tucupi nojento e caro. Nunca falou mal de mim." E dá-lhe risada.

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