terça-feira, 2 de agosto de 2011

Nesta, concordo com José Dirceu. Em termos.

Perante as recentes denúncias de roubalheira no governo, o José Dirceu resolveu sair em defesa do mérito na administração pública. Segundo ele, apenas os Ministros e entorno (staff próximo) deverim ser nomeados, deixando-se os demais cargos para os funcionários da casa. Concordo com ele em termos.

Já disse aqui antes que um bom remédio para combater a corrupção é o desaparelhamento do Estado, ou seja, evitar ou diminuir fortemente o número de nomeações meramente partidárias, o que inclui o fisiologismo descarado dos tempos atuais, mas isso não significa dizer que a "turma da casa" seja necessariamente a melhor fornecedora de quadros dirigentes ou de coordenação. Tem muita incompetência e muito ladrão entre os funcionários de carreira. Além disso, tem muito funcionário público militante partidário e incapaz.

Um dos aspectos a se considerar é que os funcionários da casa, por mais que sejam honestos, diligentes, laboriosos e assíduos, normalmente não possuem a visão "de fora da floresta", não despertam para o papel da instituição perante a sociedade, não possuem visão política do estado. São máquinas trabalhando exaustivamente enquanto a aposentadoria não chega. Estes são péssimos dirigentes.

Outros, mesmo que carreguem nas costas anos e anos de experiência sem uma irregularidade sequer em seus curriculos, são algo inertes, incapazes de agir proativamente, no fundo assistem a tudo e não se importam, se conformam com o papel de funcionário público estável. Também não servem como dirigentes.

Outros, ainda, são os espertos da casa. Mansamente assistem e, às vezes, participam de falcatruas ou silenciam desde que lhes sobre algum benefício e seu emprego não corra nenhum risco. Precavidos, jamais se comprometem, jamais apõem assinatura em documentos perigosos ou participam diretamente de ações arriscadas. São desonestos pela omissão e prevaricação.

Então, creio que o melhor é ser rigoroso no mérito e na probidade. Trazer gente de fora pode ser muito bom para qualquer instituição, desde que seja gente capaz e honesta. "Sangue novo" na organização mobiliza interesses e capacidades, desfaz panelinhas e compadrios, compromete-se com os resultados pois deles depende sua carreira. Portanto, todo mérito ao mérito.

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