quinta-feira, 6 de maio de 2010

Pesquisa eleitoral no Acre - o bicho pode pegar.


 

Sou por formação acadêmica um dos que botam fé em pesquisas e, por treino político, um dos que desconfiam de todas elas. É que se  IBOPE vende até a mãe como diz o Ciro Gomes e no Acre sabemos todos, imagine-se o... como é mesmo o nome deste instituto? Deixa pra lá. Tomemos como verdadeiros os números da recente pesquisa publicada no Acre para as candidaturas majoritárias. Antes, algumas ressalvas.

Em primeiro lugar, o atraso. Se foi a campo entre 12 e 16 de Abril, vem com defasagem de 20 dias, o que é de estranhar, pois a tabulação de 700 questionários se faz em 2-3 dias no máximo. Por que demorou tanto?

Em segundo, a ausência da simulação de segundo turno. Se a soma dos índices dos candidatos de oposição é maior que o índice do candidato do governo, é mais do que razoável, é quase obrigatório que se faça a simulação de segundo turno. Não fizeram? Se fizeram, por que não publicaram?

Em terceiro, os interessados. Este é um dado crucial para a comprensão do todo. Quem pagou a pesquisa?

Voltemos aos dados. O que há de aparentemente discrepante é que a esta altura do campeonato, as oposições, mesmo sem nenhuma visibilidade de mídia, desorganizadas e fracionadas e, principalmente, sem um projeto claro e definido, consiga levar a disputa para o segundo turno, sendo que o candidato do Governo, Senador Tião Viana, no extremo oposto dispõe de permanente e absoluta presença nos meios de comunicação, lidera uma frente consolidada e defende um projeto conhecido. De onde vem esta força?

Cedo para afirmar, mas é muito razoável supor que a partir do horário eleitoral, quando as condições de comunicação estiverem mais equilibradas, os partidos e chapas mais organizadas e os pojetos de cada um mais estrutrados e comunicáveis, a possibiidade de um segundo turno seja ainda mais real.

Conta-se ainda os reflexos da eleição presidencial. Ninguém no Acre aposta um real em que a candidata Dilma saia da fim da fila, ou seja, é um peso morto. Desta vez, é melhor para a FPA que ela nem dê as caras no Acre. Restará ao Tião Viana abraçar a Marina que deverá estar muito ocupada para vir aqui bater ponto. Enquanto isso, do lado das oposições, estará o José Serra em condições de realmente promover a chapa local.

Para o Senado os números não surpreendem tanto. Ségio Petecão deu uma lição de estratégia e fez-nos lembrar um ensinamento importante. Para ser é preciso antes de tudo querer e, na política, querer muito. Conseguiu a golpes de força e de inteligência aquilo que outros esperavam que a inércia resolvesse. Dificilmente será batido pelo segundo candidato da FPA que já começa em desvantagem por ser isto. O segundo.

Uma coisa é certa. Se no curso da campanha as coisas continuarem como indicam a pesquisa, merecem um alerta o TRE e o Ministério Público. Atenção!!! As eleições deste ano não serão assim tão franciscanas quanto foi prometido. Podem apostar.

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