segunda-feira, 31 de maio de 2010

Evo Morales, coca, Altino Machado e eu.

"Não apenas o Evo Morales, mas FHC, Lula, Jorge Viana, Binho Marques e todos que virão. E você, Valterlúcio? "

Com este comentário o bom Altino Machado respondeu a uma pergunta que lhe fiz sobre a suposta leniência-conivência-cumplicidade do presidente boliviano com o aumento em seu país da produção de coca e exportação para o Brasil de cocaina e basta-base.

Entendi que ao final me pergunta se sou também leniente. Sabe, Altino, sou careta. Nunca fumei, nunca cheirei, nunca masquei, nunca injetei, nunca sequer bebi algo do gênero seja por diversão, curisosidade ou inspiração religiosa. Nessa de estado alterado da consicência só vou até onde pode levar uma boa cachaça mineira, um vinho numa noite fria ou umas cervejas num dia quente. Isto se estiver acompanhado de bons amigos e bons pratos.

Penso que como cidadão faço a minha parte. Imagine se todos tivessem com as drogas a mesma intimidade que tenho. Não haveria traficantes, pois não haveria consumo.

Compreendo que sua pergunta quer alcançar o comportamento da sociedade e não o meu especificamente. Mas faço do meu a resposta que julgo mais eficiente. Bom mesmo seria ninguém consumir. Aliás, sua pergunta me fez lembrar uma cena do filme Tropa de Elite na qual o Capitão Guimarães acusa o viciado da morte daquele que ele próprio (o capitão) havia matado. Queria dizer o chefe da tropa que no final das contas são os consumidores que mantém as organizações criminosas e toda a violência envolvente. A cena foi acusada de repercutir uma visão "de direita". Nossos humanistas querem licença para cheirar, fumar e injetar sem culpas.

Embora correta, esta visão do combate pelo freio no consumo dá por perdido o enfrentamento da produção e tráfico de drogas. Isto não é bom. Há muita luta a lutar. Dou exemplos.

O Brasil com toda a força e liderança que exerce poderia facilmente financiar na Bolivia um programa de substituição do plantio de coca por outras atividades rurais e, assim, diminuir a oferta da droga. Custaria menos do que o dinheiro que perdemos com a operação que nos tomou as instalações da Petrobras.

Com a força e liderança que tem, o governo brasileiro poderia pressionar politicamente o governo boliviano a empreender esforços de redução da produção de coca. Por menos fomos lá em Honduras bancar um troglodita que queria se perpetuar no poder e estamos dando a mão ao louco iraniano que quer ter a bomba atômica para aniquilar Israel.

Sendo agrônomo, me impressiona que temos a mais competente empresa de pesquisa agropecuária do mundo e não cuidamos de criar/selecionar uma praga ou doença específica para a coca. Bastaria isto para determinar uma queda vertiginosa na produção.

Ok. Não sou especialista no assunto. O que sei mesmo é que o Brasil está perdendo parte de sua juventude, principalmente, para as drogas. Sou pai e isto me assusta mais que qualquer outra coisa. A cumplicidade de Evo Morales com a produção e, consequentemente, com o tráfico de drogas acusada por José Serra apenas põe em termos necessários uma questão que vem sendo descuidada a pretexto do companheirismo de esquerda. Serra apenas colocou o dedo no câncer que alguns teimam em tratar com merthiolate.

Um comentário:

  1. Nielsen O. M. Braga31 de maio de 2010 14:46

    O problema é que na era do 'politicamente correto' - essa prerrogativa chata de não poder arrasar como quem merece ser arrasado - , acabamos por 'aromatizar' o que na verdade é um cocô! Lula estreitou amizades com quem o Brasil não precisava nem devia: Evo Morales (aspirante a ditador, nos moldes de Hugo Chávez e, claro, financiado pelos 'narco') e, mais recentemente, Mahmoud Ahmadinejad (terrorista querendo tapear o mundo). Você não está sozinho amigo, sou 'careta' e defendo o direito de ser 'careta' neste caso. Se o mundo pirou, nós e os nossos não temos de pagar o pato porque alguns são afeitos à 'leniência' (que na minha equação equivale a 'covardia' mesmo, sem meias palavras), se os valores são folhas secas no ventilador, paciência, sempre haverá alguém para dizer o que dizemos, porque DEVE ser dito a despeito do caos que assola o Brasil e as terras acreanas.

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