terça-feira, 17 de maio de 2011

O modelo binário e a viadagem adquirida. Taí um tema para o professor baiano.

Depois que o STF disse que homossexuais podem se casar, alguns mais afoitos como um professor baiano referido pelo Reinaldo Azevedo já chegam a propor a reconsideração da heterossexualidade como algo natural. O tal Leandro Colling (parece nome de guerra, não?) entende que o heterossexualismo, tanto quanto o homossexualismo, resulta de uma opção sexual. Sendo assim, não há porque se falar de heterossexualidade natural. Se a tese vigorar, a sexualidade só será estabelecida no registro de nascimento, por exemplo, quando o nascido fizer sua opção sabe-se lá com quantos anos de idade. Neste momento haveriam pelo menos quatro possibilidades - homem, mulher, homem-mulher e mulher-homem. O casal sairia da maternidade sem saber o sexo da criança. No máximo poderia dar uma torcidinha.

Da minha parte, até ai não há nenhum problema. Se eles acreditam nisso, vão em frente. Como ando enfurnado em equações e regressões, a minha preocupação é científica. Explico: É que na econometria existe um troço simples chamado "variáveis explicativas binárias" que esteve presente em milhares de pesquisas e teses científicas no mundo todo. Trata-se de um modelo no qual dada sua natureza determinada variável só pode assumir dois valores.

Por exemplo, consideremos uma regressão rendimentos, com gênero (Masculino e Feminino) como explicativa yi =α+β(gênero)i+ ε i . Há duas categorias e uma delas escolhemos para a dummy (no caso, feminino). Cria-se uma variável Fi ={1 se Feminino; 0 se Masculino}. A regressão passa a ser yi =α+βFi+ εi. Ou seja, a renda é explicada pelo sexo sendo este variável binária (feminino ou masculino).

Doravante, pelo gosto do professor baiano, todas as pesquisas que adotaram o sexo como variável binária serão jogadas no lixo. Tenho ou não razão pra me preocupar?

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