sexta-feira, 20 de maio de 2011

O G-20 e a governança dos preços dos alimentos. Quanto custa o veadinho?

A notícia abaixo vem do AGROLINK. Comento em seguida.

G-20 discute controle no preço dos alimentos

20/05

Buenos aires - Um encontro ministerial do Grupo dos 20 (G-20) começou a discutir, ontem (19), na Argentina, se os preços dos alimentos precisam de regulamentação ou podem ser regidos pela liberdade de mercado, enquanto a França pediu para que fosse criada uma "nova governança" em nível mundial na agricultura. "É preciso encontrar uma nova governança para a agricultura ao nível mundial. É necessário regular melhor o mercado", disse o ministro da Agricultura da França, Bruno Le Maire, antes da cúpula do G-20.


Le Maire disse que a França "não tem, em caso nenhum, a intenção de limitar o preço das matérias-primas agrícolas" e acrescentou que "o que queremos combater é a volatilidade excessiva [dos preços] e a especulação sobre as matérias-primas".


Brasil e Argentina, grandes produtores de alimentos, e o México, são os três países latino-americanos que integram o G-20. O encarecimento dos alimentos entrou no radar de grandes organismos internacionais, como a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) e o G-20.


Trocando em miúdos, o mundo desenvolvido e gordo quer manter baixos os preços dos alimentos. Já o fazem com enormes subsídios aos seus sistemas pouco competitivos. A França, um dos países mais "agrícolas" da Europa faz isso descaradamente. Acham pouco, querem comprimir os preços dos alimentos. Bacana, né? Principalmente se inocentemente acharmos que trata-se de bondade com os povos famintos da África por exemplo. Mas não é. O que está em jogo é que em um mercado livre não há crescimento da demanda sem correspondente aumento do preço. O fardo do subsídio está cada vez mais pesado.

Os alimentos estão caros? Claro. Com mais gente comendo e comendo mais a cada dia e, ainda, com mais e mais restrições ambientais (não está em questão o mérito) à expansão de áreas de cultivo, o resultado não poderia ser outro - os preços sobem. Essa história de volatilidade é tão falsa quanto uma jaboticaba norueguesa. A questão é estrutural. Para eles, a solução é intervir nos preços, isso que estão chamando de "governança para a agricultura". Quem vai pagar o pato? O pato, a galinha, o porco, o milho, a soja e tudo o mais só podem ser pagos pelos agricultores. Grandes e pequenos. Não pensem que uma compressão artificial dos preços atinge somente o grande agronegócio. Quando baixa, baixa pra todo mundo.

O que podem fazer os países produtores entre os quais o Brasil é verdadeiramente líder? Temos a agropecuária mais competente do mundo e a comida mais barata do mundo, temos então força e fôlego para negociar e não permitir que levem ao sacrifício os nossos agricultores.

Aliás, cabe um desviozinho par esclarecer uma questão. Por que raios os alimentos têm que ser baratos? Biologicamente é só o que importa. Pergunte ao leão quanto vale um veadinho (me refiro àquele bichinho que corre na paisagem africana). Vale só tudo. O leão daria cem por cento do que tem por aquele pedaço de carne fresca (fresca de nova). Por que o homem só quer pagar uns 20%? No Brasil paga-se uns 17%.

Ora. É que quanto menos pagar pelo rango, mais sobra para pagar por coisas tipo roupa, carro, eletrônicos, marcas... coisinhas produzidas aonde? Não precisa responder.

Voltemos à reunião do G-20. Os caras querem governar o preço daquilo que eles não produzem. Não é engraçado? Quando o negócio é com o petróleo os produtores dão o preço. Quando é com patentes, os donos dão o preço. Quando é com tecnologia, os donos dão o preço. Mas quando o drama é com os alimentos, são os consumidores dão o preço. Estamos roubados. Ou não?

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