terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Uma ética tão particular quanto perversa.

Ao longo do tempo se desenvolveu no Brasil em relação aos políticos uma ética bastante estranha que é uma espécie de consenso sobre a inimputabilidade de sua vida particular, de suas esposas, maridos e filhos. Dou exemplos recentes.

Fernando Henrique teve um filho fora do casamento com uma jornalista da Globo e quase ninguém ficou sabendo. Mesmo a aoposição se calou sobre o assunto porque se tratava de questão familiar. O adultério não poderia ser exposto como falha de caráter em se tratando do Presidente.

Com o Lula foi a mesma coisa. Seus filhos danaram-se a enriquecer de uma hora pra outra mas pouco se podia falar a respeito por serem filhos do Presidente.

Com o José Serra algo parecido também aconteceu na campanha. Os negócios de sua filha ao invés de serem esmiuçados foram colocados em redoma para não caracterizar invasão da vida privada do candidato.

Ora. Tudo iso é uma inversão de valores. O político, suas esposas e seus filhos estão sujeitos aos mesmos princípios éticos que balizam a sociedade. O sujeito não pode permitir que a familia faça ou participe de estrepolias e se apresentar defendendo a moralidade. É cinismo flagrante e condenável.

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