domingo, 6 de fevereiro de 2011

A arte de peidar, por Ezio Flavio Bazzo

A ARTE DE PEIDAR como um dos grandes problemas filosóficos...

Ezio Flavio Bazzo

Um dos nossos primeiros aprendizados ao chegarmos no mundo, todo mundo deve lembrar-se, é o de como administrar os esfíncteres e de como disciplinar a expulsão dos gases, em outras palavras, a arte de saber peidar silenciosamente e sem ser identificado. Claro que cada povo e que cada cultura lida com seus peidos, seus cheiros e com seu universo escatológico de uma forma própria, mas no geral, o ato de peidar em público é sempre considerado um ateísmo, um pobretismo e uma indecência. 

A propósito, num pequeno país africano chamado Malawi está acontecendo algo curioso e até cômico  a respeito deste assunto: sob a batuta do próprio Ministro da Justiça daquele país (George Chaponda) tramita uma lei que proíbe e interdita esse ato em público. Sair peidando por aí – argumenta o Ilustríssimo – é demonstração de irresponsabilidade e de indisciplina! Pelo contrário, ir soltar suas flatulências na solidão de uma privada ou lá na beira do lago é uma questão de respeito e, principalmente, de Ordem. Mas e o efeito estufa? Mas e a camada de ozônio?  Se perguntam os ecologistas.

Claro que a verdadeira angústia e que a verdadeira preocupação do senhor Chaponda, apesar de parecer de ordem social é mais bem deordem metafísica. Não apenas peidar é uma indecência, mas ter sete ou oito metros de intestinos e mais, ter que comer quatro ou cinco vezes por dia, fazendo esse papel mecânico e bestial de biodigestor...  para nada. A existência dos intestinos e a necessidade de peidar (e de cagar, claro) é a prova mais evidente da inexistência de um “criador” inteligente, pois qualquer demiurgo com um QI/80 teria naturalmente engendrado criaturas que funcionassem com energia solar, lunar etc.  Ao nascer a criança seria exposta por cinco minutos ao sol e pronto, estaria abastecida para os próximos oitenta anos, livre da ruminação, do fedor das fraldas, das toaletes e inclusive da maldição do trabalho. Não acham? Agora, com licença que tenho que ir à varanda...

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