sábado, 27 de março de 2010

A unidade é condição necessária, mas não suficiente.

Confirmado o acordo noticiado ontem pelo jornalista Luis Carlos Moreira Jorge, entre PMDB e PSDB, para o lançamento de uma chapa única aos cargos majoritários, vencendo a resistência legítima, mas pouco sensata, do Tião Bocalom e de seus altos conselheiros, as oposições estarão dando um passo importante para o enfrentamento das eleições deste ano no Acre.

Ganhar, porém, é outra história. Isto se aplica ao Governo e ao Senado. Explico. Aliás, explico de novo. Escrevi em 2008 um artigo publicado pelo jornal “A Gazeta” cujo título era “O eleitor vota no quê ou em quem?”, no qual defendia a tese de que o cidadão tem dois estilos de voto. Um, para a eleição proporcional, é quase íntimo, é mais emocional, mais afetivo, mais pessoal. O deputado ou vereador é aquele que vai falar em seu nome. Quanto mais a sua linguagem, seu comportamento e seus interesses se aproximam dos seus, mais o eleitor se identifica com ele e lhe confia o voto. Neste caso o eleitor vota em quem.

Para os cargos majoritários a coisa muda de figura. O candidato tem que apresentar, além dos aspectos inerentes à pessoa, aqueles que identificam o seu projeto. Ele será eleito não para falar em nome do eleitor, mas para realizar em seu benefício. Precisa, portanto, apontar soluções, convencer que tem algo a fazer, que tem um projeto a realizar e é capaz disto. O eleitor vota no quê.

Alguém poderá perguntar: E o Senado com isto? O Senado, tudo com isto. Embora se trate de uma eleição para o parlamento, a disputa para o Senado é majoritária e tem uma colagem com a candidatura ao Governo muito maior que a de deputados federais e estaduais. De modo estrito, o Senador representa o Estado e não o povo, portanto suas respostas estão necessariamente vinculadas a uma agenda de governo, consequentemente, ao projeto de governo ao qual se alia.

É bastante razoável afirmar que uma provável unidade das oposições na chapa majoritária não significa, como se poderia pensar ligeiramente, a garantia de eleição de um senador, pelo menos. O fato de existirem duas vagas não determina uma vitória da oposição.

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