sexta-feira, 5 de março de 2010

O deputado Moisés Diniz dá a receita. Cadê o chef?

Estou gostando desse papo. Gente inteligente e de boas maneiras sempre tiveram a minha atenção e admiração. É o famoso e raro debate das idéias. Treplico aqui o comentário feito pelo Deputado Moisés Diniz a um post anterior publicado também no blog do bom Evandro Ferreira, o Ambiente Acreano (link ai do lado).

Pelo jeito, eu e o Deputado Moisés Diniz concordamos em muita coisa. Mas, não sei se deu pra perceber, seu texto faz indiretamente a constatação de que se a oposição tiver “comando, plataforma única e líderes fortes” pode vencer a FPA, pois foi assim com o finado MDA, certo? Subjacentemente, há ai uma confissão de precariedade da FPA, senão em sua formulação política, em sua plataforma, ou, se preferirmos, em seu modelo, que pode efetivamente ser derrotado. Concluo então que a oposição acaba de receber gratuitamente a receita da vitória de quem por experiência própria tem autoridade para ensinar.

É claro, diria o Deputado, que ainda resta “o tempo de preparo”, ou seja, o tempo não é suficiente para obter e arranjar todos os ingredientes de modo a levá-los ao forno (campanha eleitoral). “É uma construção coletiva”. Faz sentido.

Ocorre que em política até o que faz todo sentido pode ser alterado por decisões políticas. Vejamos:

Era início da campanha de 2002. O candidato Lula, pela quarta vez enfrentaria as urnas depois de uma derrota para Collor e duas para FHC. Apesar de bons índices nas pesquisas (38% em Junho de 2002), a vitória estava ameaçada. Havia o “risco Lula” decorrente de anos e anos de feroz militância contra o capital, contra a política econômica, contra o pagamento da dívida externa etc. O mercado já emitia sinais de inquietação e a inflação dava sobressaltos. O que fez Lula? Assinou e publicou a sua “Carta ao Povo Brasileiro”, onde simplesmente dizia para os agentes econômicos que se tranqüilizassem, ele respeitaria todos os contratos. De uma tacada só devolveu a construção coletiva (o programa partidário) à prateleira e fez um pacto com o empresariado. O resultado, sabemos.

No Acre, em 2006, após afirmar-se em todo o governo pela reorganização do estado “encontrado em frangalhos, caótico e comido pelas traças”, o que teria sido a “grande obra” de seu antecessor, A FPA, premida pelas circunstâncias e não pela construção coletiva fez uma aliança vitoriosa com aquele setor e assim governa até hoje.

Como se vê, não há nada que não possa ser alterado. Às vezes a construção coletiva dá lugar à contingência da própria luta pelo poder. De todo modo, concordo com o Deputado Moisés Diniz em que isto não ocorrerá no Acre. Pelo menos, por enquanto. Não por que seja impossível, mas porque os membros da oposição ainda não reconhecem entre si capacidades e potencialidades, não identificam o líder necessário, não se admiram mutuamente, não compartilham projetos, não estão dispostos a ser sócios da vitória. Preferem ser, individualmente, donos da derrota. Serão.

Quanto a Deus e o comunismo, já que estamos na quaresma – tempo de conversão, fico feliz que assim como Santo Agostinho, renegue-se todo o maniqueísmo.

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