quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Ana Arraes no TCU. Do nepotismo ao afrouxamento do controle.

A nomeação do conselheiro do Tribunal de Contas sempre foi algo nojento, mas desta vez ultrapassou todas os limites. Ana Arraes foi "eleita" na Câmara Federal em um processo que envolve uma forma peculiar de nepotismo (ela é mãe do Governador Eduardo Campos, do Pernambuco), intromissão do executivo (membros do governo fizeram campanha descarada a seu favor) e negociações espúrias (troca de verbas por votos de parlamentares).

A mãezona não poupou agradecimentos: Declarou que "é uma honra criar um filho como o Eduardo". Aos colegas parlamentares se saiu com uma novidade, dizendo que o TCU é político. Ao governo sinalizou com uma promessa de recompensa, se dizendo contra a paralisação de obras suspeitas de corrupção. Não sei o que é mais abominável.

Na página do TCU encontramos em seu refeencial estratégico:

Missão

Controlar a Administração Pública para Contribuir com seu aperfeiçoamento em benefício da sociedade.

Visão
Ser reconhecido como instituição de excelência no controle e no aperfeiçoamento da Administração Pública.


Valores

Ética
Ter como padrão de conduta ações que busquem a verdade dos fatos, amparadas em honestidade, moralidade, coerência e probidade administrativa.

Efetividade
Atuar orientado para resultados que assegurem o cumprimento da missão e a excelência da imagem institucional.

Independência
Atuar com imparcialidade, liberdade e autonomia, de forma a rejeitar a interveniência de qualquer interesse que não o público.

Justiça
Pautar-se estritamente por princípios de justiça, pela verdade e pela lei, com integridade, eqüidade, impessoalidade e imparcialidade.

Profissionalismo
Atuar de forma técnica, competente, responsável, imparcial, coerente e objetiva e estar comprometido com a missão institucional


Ora. A Mãe do Eduardo já chega no TCU afrontando todos os seus valores fundamentais. Em primeiro lugar, a Ética, já que promete atuar politicamente em uma instituição que busca a verdade dos fatos e não uma interpretação política. Em segundo, a Efetividade, à medida que propõe "em favor da admnistração" permitir o prosseguimento de gastos com obras em suspeição. Em terceiro, a Independência, já que devendo a própria indicação aos acordos promovidos pelo filho influente, não poderá atuar livremente. Em quarto, a Justiça, pois em prejuízo impessoalidade e imparcialidade deseja arbitrar de conformidade com a oportunidade ou urgência da obra.  Por último, vai contra o Profissionalismo, dado que a missão institucional é o controle da administação pública e não a sua conveniência, seja política ou operacional.

Deram assim, os nossos deputados, mais um passo no sentido contrário da sociedade que tenta a todo custo frear a corrupção no Brasil. Eleições corruptas não podem gerar representantes honestos.

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