segunda-feira, 19 de março de 2012

Tão bonzinho...


De uns tempos para cá o deputado Marcio Bittar resolveu virar articulista. Não sei quem anda escrevendo os textos que assina, posto que as letras, ao contrário dos números, não são da sua intimidade, mas, de qualquer forma, vale como sua opinião. Nada demais.

Neste domingo publica um artigo em que faz profissão de fé a luta pela unidade das oposições, sendo esta, segundo ele, a única forma de ganhar as eleições em Rio Branco e em outros municípios. Em se tratando dos municípios do interior, deve estar certo, já que não havendo segundo turno, a divisão na oposição só pode resultar em facilidade para quem está no governo. Apenas lógica.

Já em Rio Branco, com segundo turno, a coisa toma outra dimensão. Algo que o deputado não disse é em torno de quê se deve unir as oposições. Mais do que em torno de quem, é esta a pergunta que os eleitores fazem. Já disse certa vez neste blog que para o executivo a pergunta relevante é em relação ao projeto subjacente à candidatura. Não basta a oposição ter um candidato eleitoralmente viável, aliás, dois, no presente caso. É preciso ter um projeto, o que significa dizer o que vai fazer como prefeito.

Infelizmente, desta pergunta o deputado foge como o diabo da cruz, embora jure que foi conselheiro em um fórum de desenvolvimento em Manaus quando o Estado era governado por Eduardo Braga, o novo líder do Governo no Senado. O projeto é o xis da questão. As letras que assinou não tratam do assunto, isto porque seu projeto é de poder e não de governo.

An passant, o deputado ainda faz questão de enfileirar as vezes em que renunciou à candidaturas ao Senado. Conheço bem o miolo deste percurso. A primeira renúncia, em 2002, foi por desconfiança e não por desprendimento. Achava que seria enganado pelo PT. Na sua opinião, assim que fizesse a transição para o lado governista, seria largado às feras pelos Vianas e pela Marina Silva. Geraldinho topou e ganhou.  A segunda vez, em 2010, foi por covardia e avareza. Sabia que a eleição para a Câmara dos Deputados estava garantida, viu o "cavalo do senado" passar arriado mas foi frouxo, teve medo de perder e ficar, como se diz no sertão, sem mel nem cabaça. Além disso, fez as contas. Seria deputado sem gastar um centavo do próprio dinheiro, já para o Senado, achou que teria que contar com muita grana. Como havia perdido os generosos financiadores de outras campanhas, ainda tentou com o partido que desta vez não acreditou nele. Sem grana sobrando, nada de candidatura. Mais uma vez a "renúncia" não teve nada de desprendimento. No vácuo de sua covardia, o Petecão entrou com tudo, fez os acordos necessários e ganhou sem gastar quase dinheiro nenhum. A terceira vez, atual, para prefeito, é menção falsa, mentirosa. Bem que tentou atropelar o Bocalom com a tal votação extraordinária, ocorre que, neófito no partido, não teve forças para se impor. Foi vencido internamente pelo Bocalom e agora, a contragosto, se obriga a apoiá-lo.

Uma perguntinha: Por que o Deputado fez questão de enfiar no texto essas "renúncias"? Ema respostinha; Quer se cacifar para a próxima, ou seja, da próxima vez quer ser candidato ao Senado ou ao Governo, pois já foi muito "bonzinho" antes. Gladson, Petecão, Flaviano e outros que se cuidem.

É isso aí. Desprendimento, generosidade, renúncia em favor de alguém ou de algo são atributos que o deputado Marcio Bittar não conhece, não pratica e não respeita. 

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