terça-feira, 27 de março de 2012

Perna de pau não deveria jogar na primeira divisão.

Uma das enormidades de governos excessivamente aparelhados por partidos e sindicatos é que de tanto darem as costas ao mérito em suas nomeações, de tanto privilegiarem a militância e desprezarem a capacidade, de tanto recompensarem o puxasaquismo, terminam exagerando na dose e se arriscando a constrangimentos.

Não é que cargo de direção deva ser objeto de concurso público ou exclusivamente ocupado por funcionários de carreira. Isto representaria uma automatização da administração que a tornaria imune às transformações da sociedade e às mudanças políticas. Cargo de direção tem de fato a responsabilidade de inserir na administração novos conceitos, novas interpretações e executar políticas e programas sancionados no voto popular, e isto não pode ser alcançado por outra via senão pela livre nomeação dos altos dirigentes. O que não pode é nomear qualquer um para qualquer lugar.

Quando discuto este assunto sempre ouço que Lula nunca leu um livro e foi um grande presidente. Pode ser, mas não pode virar a regra, não autoriza que devamos ter governos de semi-analfabetos, de despreparados. Há gente que se defende na base do "Se Lula pôde ser presidente, por que fulano não pode ser superintendente ou sicrano ser diretor ou beltrano ser Ministro?" Um raciocínio perverso para justificar o aparelhamento e o apadrinhamento que fazem com que a incompetência e a corrupção sejam quase um patrimônio nacional.

Bom seria que ao se candidatar, o aspirante a cargo executivo fosse obrigado a declarar os nomes de seus futuros auxiliares diretos. Neste momento, ao votar no prefeito, no governador ou no presidente, conheceríamos o "time" que iria jogar. Os educadores saberão que seu secretário será fulano de tal, o pessoal da saúde saberá quem vai dirigir o sistema, os contribuintes saberão quem vai administrar sua grana e assim por diante. Não seria bacana? Ao invés de escolher o governante, escolheríamos o governo. Ao invés de votar no treinador, votaríamos no time.

Nenhum comentário:

Postar um comentário